Na segunda-feira, dia 23 de novembro, tomou posse o novo presidente da Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro (AGRJ), Dr. Bernardo Junger, que ficará a frente da AGRJ no biênio 2021-22.

A paixão pela Medicina veio por influência do avô, pediatra. O convívio com ele foi a sua maior inspiração, já que o considerava um exemplo. Seguindo os seus passos, o jovem Bernardo Junger passou para a Faculdade de Medicina da UFRJ, onde se formou em 1999.

A residência em clínica médica foi realizada de 2000 a 2002, na 18ª enfermaria da Santa Casa da Misericórdia (RJ), então chefiada pelo Prof. José Galvão, que o influenciou de forma muito positiva para a especialização em Gastroenterologia.

De 2003 a 2006, Dr. Bernardo prestou residência em Gastroenterologia no Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE). Ao terminar, permaneceu como voluntário no ambulatório de Hepatologia, até ocorrer o concurso para o Ministério da Saúde, em 2008, quando ingressou como médico do serviço de Gastroenterologia do hospital.

Em 2010, prestou outro concurso para o HFSE, dessa vez, como especialista em Gastroenterologia, afinal, já tinha o título pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Foi admitido no serviço de Gastrohepatologia do HFSE com a sua segunda matrícula e até hoje atua lá com muita dedicação e paixão pelo trabalho.

“O Hospital dos Servidores é a minha casa, somos uma grande família. Dr. Silvando Barbalho foi o meu primeiro chefe. Hoje, nosso chefe é o Dr. Paulo de Tarso. Também sou preceptor do programa de residência médica em Gastroenterologia e o nosso setor procura ensinar a rotina do acompanhamento dos pacientes na enfermaria, com rounds diários e nos ambulatórios. Também passamos a importância fundamental da anamnese do exame físico para o raciocínio clínico, além do papel do parecerista na especialidade em apoio às outras clínicas, como maternidade de alto risco, cirurgia geral. Ainda fazemos um programa de revisão dos grandes temas da Gastroenterologia e Hepatologia além de sessões de atualização”, ressalta.

Dr. Bernardo recorda com muito orgulho que o Hospital Federal dos Servidores foi o 1º do país a implantar a residência médica. E faz questão de demonstrar gratidão aos seus grandes mestres na Medicina.

“Na UFRJ, nossa grande escola, tive a oportunidade de aprender com grandes mestres, como por exemplo, Professores Eponina Lemme, Rodolpho Rocco, Edson Saad, Nelson Gonçalves Pereira, Evandro Freire e Henrique Sérgio Moraes Coelho, entre tantos outros. Na residência de clínica médica, aprendi com o Prof. José Galvão e todo o staff da 18ª Enfermaria. Na residência de Gastroenterologia no HFSE, Dr. Silvando Barbalho com quem aprendi, além da especialidade, a importância de estar num hospital como o nosso e muito sobre a própria vida. Sempre foi um grande incentivador e foi quem me deu a oportunidade de participar da AGRJ. Outro grande amigo é o Dr. Paulo de Tarso, nosso chefe atual, grande mestre, exemplo de médico atualizado, comprometido com os pacientes, com a educação médica continuada e generoso em compartilhar o conhecimento. Lá convivi com excelentes médicos: Dra. Fátima Amaral, Dra. Vera França, Dra. Letícia Nabuco, Dr. Mauro Olivero, Dr. Cleto Costa, Humberto Fonseca, Sílvio Panno, Dr. Edson Jurado. Meus contemporâneos, Fernando Peres, Letícia Reis, Cassia Guedes, Ana Braunstein, Bruna Richard, Eliane do Vale, Maria Fernanda Cappelão, Mariana Castilhos, entre muitos”, revela.

Sobre a evolução da Gastroenterologia, Dr. Bernardo destaca que os exames endoscópicos avançaram muito, ampliando as condições diagnósticas e permitindo procedimentos anteriormente inviáveis.

“Os exames radiológicos, como enteroressonância e colangioressonância, e a própria radiologia intervencionista revolucionaram a Gastroenterologia. A ecoendoscopia a elastografia hepática na nossa rotina são bons exemplos dessas tecnologias recebidas. Lutamos para que mais pacientes possam ter acesso à cápsula endoscópica como um instrumento diagnóstico muito importante para a nossa especialidade. Assistimos hoje a um avanço revolucionário no tratamento da hepatite C, que motivou o Prêmio Nobel e permite-nos tratar e curar nossos pacientes sem os antigos efeitos colaterais. Há o avanço no tratamento das doenças inflamatórias intestinais com o surgimento novos medicamentos biológicos e pequenas moléculas orais”, ressalta.

Dr. Bernardo também atende em consultório particular, em Copacabana, além da rotina no HFSE, sua escola diária, onde desde 2018, é coordenador do ambulatório de Doenças Inflamatórias Intestinais.

“O convívio com os residentes é um grande estímulo para a atualização constante na literatura. A participação em congressos, e demais eventos nacionais e internacionais, têm sido também fundamental para essa atualização”, afirma.

Dentre as pessoas que mais marcaram a sua trajetória profissional, ele faz questão de citar três:

“Agradeço muito ao meu avô, Evaristo Pereira de Carvalho, pelo exemplo de humanidade e profissional dedicado à Medicina. Agradeço muito ao Dr. Silvando Barbalho pelo incentivo, orientação, generosidade, exemplo de força e sobretudo pela grande amizade. Agradeço ao Dr. Paulo de Tarso de Aparecida Pinto pelo aprendizado constante, generosidade, exemplo de dedicação, comprometimento e também pela forte amizade.”

Casado há 14 anos, Dr. Bernardo não esconde o amor pela família que sempre foi a sua base de sustentação.

“Minha esposa Daniele é minha grande companheira e meu grande amor desde os tempos de faculdade (ela cursava engenharia química na UFRJ quando nos conhecemos). Nossa amada filha Maria está com 12 anos. Meus queridos pais, Paulo Cesar e Maria do Céu, incansáveis no apoio, proporcionando todas as condições para a minha formação e sempre cheios de amor quando precisei nos momentos de mais dificuldade. Meus queridos irmãos Tiago e Paulo. Meus amados avós paternos, Evaristo e Maria José, e maternos, os portugueses, Elisa e Antônio”, declara.

Vascaíno de coração, Dr. Bernardo inicia agora um novo ciclo de superação de desafios à frente da Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro, onde já participava de diversas atividades.

“Sempre participei do Gastren e de eventos do nosso Estado. Fui chamado a participar da Câmara Técnica de Gastroenterologia no Cremerj, da qual faço parte há alguns anos e coordeno atualmente. E, agora, recebo com muita honra e senso de responsabilidade a presidência da AGRJ. Estou ciente da generosidade dos colegas que me aceitaram como representante da nossa gloriosa associação, com seus 82 anos tão ilustres. Planejo dar continuidade às excelentes gestões anteriores, buscando manter o compromisso científico dos eventos de educação médica continuada de tão alto nível, notadamente o nosso Gastren. Estar sempre disponível para receber e debater as ideias e iniciativas de todos os associados, além das Ligas Acadêmicas. Dar sequência a utilização dos meios digitais para manter as atualizações científicas, especialmente enquanto durar a pandemia. Ter responsabilidade junto à sociedade de orientar as autoridades competentes e representar os pacientes que dependam de uso de medicamentos especiais no controle das doenças crônicas da nossa especialidade. Contribuir sempre para a manutenção do ambiente de amizade, respeito, acolhimento e confraternização, que já encontrei assim que cheguei na AGRJ. Além, é claro de sempre dar espaço à manifestação cultural dos nossos associados. Temos muitos músicos na AGRJ, como os nossos colegas, Profa. Eponina Lemme e Dr Luiz Artur Juruena, que sempre estão nos brindando com a sua arte e o convívio, que tem amenizado os momentos difíceis contra a pandemia. Gostaria também de fazer um elogio ao Dr. Edson Jurado, como exemplo de médico e professor, sempre disposto a compartilhar seu conhecimento”, conclui.