por Delta Madureira, Professor Associado do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFRJ
Professor Responsável pelo Curso de Pós-Graduação de Cirurgia Geral da PUC Rio. Membro Titular da Academia Nacional de Medicina.

A maioria dos autores sugere que pólipos pequenos menores de um centímetro não necessitam de cirurgia e podem ser acompanhados com controle de ultrassonografia, porém, alguns cuidados são necessários. Primeiro diferenciar os pólipos de colesterol dos adenomatosos. Estes últimos podem ser lesões pré-malignas, sofrerem transformação cancerosa ou mesmo já serem adenocarcinoma de vesícula.

Uma forma de diferenciar os pólipos de colesterol dos adenomatosos é realizar ultrassom com doppler para verificar se existe vascularização no seu interior. Devemos também ter cuidado com os que apresentam crescimento rápido, pólipos sésseis com base de inserção larga, pólipos com longo pedículo e os localizados no infundíbulo da
vesícula. Nestes casos citados poderá ser necessário indicar cirurgia para lesões de tamanhos menores, em torno de seis e oito milimetros.

Importante verificar se a presença dos pólipos está associada a adenomiomatose ou colesterolose da parede interna da vesícula. Quando acontece, geralmente a mucosa do órgão está doente o que interfere na absorção e trocas entres os componentes da bile; sendo muito frequente a presença de microlitíase e “ lama biliar”.

Pólipos de vesícula geralmente são assintomáticos. Se existem sintomas, devemos pensar na associação com a microlitíase. A literatura cita esta associação com a incidência de pancreatite. A ecoendoscopia auxilia na confirmação do diagnóstico.

Todos estes fatores devem ser analisados na decisão de realizar ou não a cirurgia. Hoje
a preferência é pela colecistectomia laparoscópica.