Em Assembleia Geral Ordinária realizada na terça-feira, dia 25, a Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro elegeu, pela primeira vez, uma mulher como presidente. A Profa. Ana Teresa Pugas Carvalho, comandará a AGRJ no biênio 2023-2024.

Nascida na Bahia e criada no Rio de Janeiro, Ana Teresa Pugas Carvalho se tornava, em 1987, a 1ª médica de sua família, após se formar em medicina pela UERJ.

“Escolhi a carreira aleatoriamente. Era péssima em desenho e não levava jeito para arquitetura, que pensava em cursar. Com isso, decidi pela medicina, pois pensava que a vida do médico seria bem interessante. E deu certo! Durante a faculdade, pude experimentar várias especialidades e foi pela Gastroenterologia que acabei me interessando muito, não só pela parte clínica, como pela endoscopia digestiva. Então, a minha escolha foi fazer uma especialidade clínica que tivesse também algum procedimento complementar, no caso, a endoscopia digestiva”, revela Dra. Ana Teresa Pugas.

Quando optou pela Gastroenterologia, tinha o forte desejo de fazer a residência médica na UERJ. E apesar de ter participado de um concurso bastante disputado, teve um grande resultado:

“Só tinham duas vagas e eu fiquei em 1º lugar. Então, fiz residência médica na própria UERJ, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, com os Professores Alexandre Abrão Neto, Edson Jurado da Silva e Paulo Roberto Alves de Pinho, alguns dos meus grandes mestres na Medicina.”

Após concluir a residência, em 1991, fez especialização em Endoscopia Oncológica no INCA (Instituto Nacional de Câncer). Nesse período, também iniciou mestrado e doutorado, na UFRJ, com a estimada Profa. Celeste Elia, considerada por ela uma grande orientadora e mentora, tendo marcado a sua trajetória na especialidade.

Mas como o bom filho a casa torna, Dra. Ana Teresa decidiu prestar outro concurso para a UERJ, desta vez como professora da disciplina de Gastroenterologia. E novamente obteve sucesso.

“Em 1999, me tornei professora da Disciplina da Gastroenterologia da UERJ e sou até hoje, com muito orgulho, já com progressão à professora titular. Também criei, em 2001, o ambulatório de Doença Inflamatória Intestinal, que é hoje uma referência no Estado do Rio de Janeiro, onde comecei com três pacientes e hoje temos mais de mil cadastrados. Desde 2020 sou a coordenadora da Disciplina de Gastroenterologia, onde, além de chefiar a disciplina, atuo fortemente na capacitação de residentes e de alunos de graduação e pós-graduação, já tendo orientado diversas teses.”

Sobre a evolução da Gastroenterologia, Profa. Ana Teresa acredita que a especialidade se tornou cada vez mais ampla, com várias facetas, o que acabou levando à subespecialidades.

“Hoje, temos dentro da Gastroenterologia o laboratório de Esôfago, a Hepatologia, Doenças Inflamatórias Intestinais e a Endoscopia Digestiva diagnóstica e terapêutica. É uma diversidade de subespecialidades que enriquecem a Gastroenterologia.”

Sobre o seu foco muito grande na formação de residentes, ela não esconde a satisfação de rever ex-alunos trabalhando em hospitais.

“Aliar a assistência que a gente faz com o ensino é muito gratificante, e a gente tem retorno. Depois de anos, eles se lembram das aulas, dos ambulatórios e das aulas práticas com os professores da Gastro. Se você vê um aluno ou um ex-residente brilhar dá uma satisfação pessoal muito grande. Desejo sempre formar pessoas que brilhem até mais do que nós, professores”, comenta.

Além de professora atenciosa e dedicada, também é mãe em dose dupla, do Rafael e da Mariana, hoje com 19 e 17 anos, respectivamente.

“Eu acho que consegui fazer as coisas, de certa forma, bem feitas. Foquei bastante na carreira e acabei sendo mãe mais tarde, por opção. O meu 1º tive com 38 e a 2ª com 41 anos, então, pude adiantar residência, mestrado, doutorado. Foi fácil, estava mais madura e consegui aliar a maternidade, que foi um grande presente. Eles cresceram sabendo que a mãe trabalha fora, e muito, que é professora, e entendem o meu trabalho e a responsabilidade que tenho como médica. São dois adolescentes bem formados e me dediquei ao máximo em ser presente. Meu filho está fazendo Engenharia e minha filha vai fazer Comunicação e Teatro. Quando eram menores e estava com os dois tinha qualidade no relacionamento e procurava estudar com eles. Sempre digo que o médico trabalha muito, mas que quando voltamos pra casa, é realmente importante que a gente tenha qualidade no relacionamento com os filhos. E a administração da casa não é tarefa fácil, mas como todas as mulheres, a gente consegue dar conta. É a ideia do polvo, de somar obrigações. E eu acho que a mulher faz isso de uma forma brilhante”, destaca.

Agora, sendo a 1ª mulher a ocupar a presidência da Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro, Profa. Ana Teresa Pugas, se sente lisonjeada, mas reitera que não é a primeira a ter essa competência.

“Minha intenção é solidificar a AGRJ, unificar essas subespecialidades da gastroenterologia e claro, representar todas as mulheres gastroenterologistas, que como eu, trabalham e se dedicam às suas famílias. Vai ser uma representação importante. Meu objetivo maior é tornar a AGRJ jovem e moderna, e manter a qualidade de atualização e de educação continuada entre os associados. Então, o meu objetivo é dar continuidade e modernizar cada vez mais, atraindo novos sócios.”