fonte: UOL Viva Bem

Um novo levantamento divulgado nessa semana mostra que quase a metade dos brasileiros afirmou ter algum problema de saúde mental ou emocional, e que 60% têm receio de enfrentar o estresse.

Idealizado pela DSM —empresa focada em questões de saúde, nutrição e biociência—, o estudo avaliou 11 países na América Latina e contou com 6 mil entrevistados. No levantamento, 46% dos brasileiros disseram enfrentar alguma questão no campo da saúde mental, sendo estresse (28%), insônia (18%), dificuldade de concentração (13%) e sintomas depressivos (10%) os mais comuns.

No campo das apreensões em relação à saúde, o estresse também sai na frente. Dois em cada três brasileiros temem enfrentar essa condição. Outros 58% se preocupam com falta de energia e o cansaço. Imunidade, sobrepeso e depressão vêm em seguida.

Pandemia catalisou problemas emocionais

Importante lembrar que problemas com saúde mental não são uma novidade pandêmica. O mundo, e o Brasil em especial, já vinha encarando um número crescente de pessoas com dificuldades e transtornos emocionais nas últimas décadas. Crises econômicas, estigmas e preconceitos, violências, solidão, exposição ao estresse e uso massivo de redes sociais são algumas das causas dessa tendência.

A pandemia foi um fator adicional e catalisador dessa mistura já bastante explosiva. Os medos, inseguranças, lutos, perdas, mudanças de rotina e isolamento social potencializaram o que já não vinha bem.

Conviver com questões de saúde emocional como estresse e insônia de forma prolongada pode favorecer o aparecimento de um transtorno maior, como um quadro de depressão ou a síndrome do pânico. Aprender a lidar e administrar esses fatores que trazem pressão adicional para nossa vida emocional pode aumentar nossa resiliência e favorecer a manutenção da nossa saúde mental.

Final de ano vem aí, e com ele mais estresse

Com o processo da retomada que estamos vivendo, esse estado permanente de estresse pode dificultar nossa “virada” para 2022. Os compromissos sociais de final de ano (festas em família, encontros da “firma” e de amigos etc.), que ficaram em suspenso nos últimos dois anos (para a tristeza de alguns e o alívio de muitos), voltam com força total, o que pode ser um fator gerador de medo e apreensão para muita gente.

O vírus não desapareceu, as vacinas não são esterilizantes e, apesar da importante melhora da situação, o risco de se infectar ainda existe. Além disso, depois de tanto tempo que ficamos confinados, uma espécie de fobia social coletiva ainda cerca a vida de muitos de nós. A proximidade física, antes almejada, hoje ainda é vista com reserva por muita gente. Sim, é importante passar por tudo isso e estar mais próximos uns dos outros, mas nem todo mundo já está 100% pronto para encarar esse momento.

Além disso, a crise econômica, o receio de perder o emprego e as metas das empresas na reta final do ano podem deixar muita gente preocupada e ainda mais exposta a situações de estresse. Para quem já operava no limite, essas cobranças adicionais podem ser preocupantes.

Operar dentro da capacidade individual de lidar com as situações e cobranças desse momento, não se forçar a encarar compromissos que ampliam a sensação de medo e insegurança, reservar para si momentos de lazer e de tranquilidade e tentar administrar da melhor forma possível os fatores geradores de estresse do final de ano talvez sejam alguns dos caminhos para minimizar os riscos de sofrimento psíquico.

É ótimo trabalhar com a perspectiva de mudanças e de melhora do cenário, mas respeitar os limites e o tempo de cada um de nós pode fazer toda a diferença nessa “virada” da transição. E você, como está se sentindo a cerca de um mês das festas do final de ano?