fonte: Estadão

Na hora da crise, o brasileiro corta as despesas, mas tende a preservar os gastos com a saúde. É o que revela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira, 20. De acordo com o levantamento Conta-Satélite de Saúde, entre 2010 e 2017, o porcentual das despesas de saúde no Produto Interno Bruto (PIB) aumentou de 8% para 9,2%.

O aumento fica mais evidente no final do período, aponta o estudo, indicando que, em épocas de retração ou de baixo crescimento econômico, o consumo de produtos de saúde (bens e serviços) tende a sofrer uma redução menor do que o de demais produtos da economia. A pesquisa registra também um crescimento relativo da participação das famílias no total das despesas.

“Não é que a participação (das despesas com a saúde) tenha aumentado, mas em período de retração econômica, a velocidade da queda é menor e a participação da saúde acaba aumentando se comparada ao resto”, explicou Tassia Holguin, técnica de correlação de contas nacionais do IBGE. “Quando a renda diminui, eu deixo de ir a um restaurante caro, mas o remédio que eu tenho que tomar, eu não vou cortar. Pelo menos não num primeiro momento”.

Em 2017, o consumo final de bens e serviços de saúde no Brasil atingiu R$ 608,3 bilhões. Desse total, R$ 253,7 bilhões (3,9% do PIB) foram despesas de consumo do governo e R$ 354,6 bilhões (5,4% do PIB) despesas de famílias e instituições sem fins de lucro a serviços das famílias.

A principal despesa das famílias brasileiras neste setor é com os serviços de saúde privada. Em 2017, eles respondiam por 66,8% do total de despesas. Nesse mesmo ano, os gastos com medicamentos totalizaram R$ 103,5 bilhões – 29% das despesas das famílias com saúde nesse mesmo ano.

A despesa de consumo de medicamentos se manteve estável entre 2010 e 2017 no patamar de aproximadamente 1,5% do PIB, enquanto o consumo de serviços de saúde privada avançou de 2,5% para 3,5% do PIB no mesmo período.

Comparação com outros países

Em comparação a alguns países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), as depesas de saúde em relação ao PIB são semelhantes. No entanto, no Brasil, a participação do governo (gasto público) é menor do que na maioria desses países.

O levantamento revela que, em 2017, a despesa per capita de bens e serviços de saúde nas famílias alcançou R$ 1.714,56, enquanto a despesa per capita do governo foi de R$ 1.226,76. A análise comparativa mostra que as despesas per capita do brasileiro com saúde são maiores do que em outros países latino-americanos, como Colômbia e México, mas 2,9 vezes menores do que a despesa média observada nos países da OCDE.