fonte: Saúde Abril
Cientistas apresentaram mais dados contundentes de que a cirurgia bariátrica, originalmente focada apenas na perda de peso, pode ser uma arma para combater a hipertensão, condição que afeta um em cada quatro brasileiros. Segundo essa pesquisa, alguns pacientes chegaram a normalizar a pressão sem necessitar de remédios.
A investigação, realizada pelo Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, está em andamento há um tempo. As conclusões do primeiro ano do experimento, aliás, já foram apresentadas no Congresso Americano de Cardiologia de 2017.
Pois os mesmos 100 voluntários com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 39,9 — ou seja, com obesidade de grau I ou II — continuaram sendo acompanhados por três anos. Desde o princípio, metade do grupo foi submetida a um by-pass gástrico (o tipo mais comum de bariátrica), enquanto a outra manteve o tratamento clínico tradicional, com medicamentos e orientação de um nutricionista.
Após esse período, constatou-se que 40,9% dos operados permaneceram com a pressão controlada sem recorrerem a nenhum fármaco. Isso só aconteceu com 2,5% dos que foram apenas remediados.
“No início, todos ingeriam no mínimo dois remédios na dose máxima. Quem não passou pela cirurgia agora toma, em média, três”, acrescenta Carlos Aurelio Schiavon, cirurgião do HCor que liderou a investigação.
Cabe destacar que, naqueles resultados preliminares com acompanhamento de um ano, 51% dos indivíduos que passaram pelo procedimento estavam com a pressão normalizada. Em outras palavras, com o tempo menos gente que apostou na cirurgia consegue sustentar a remissão da hipertensão.
Schiavon conta que essa redução de dois anos para cá é esperada. “Isso também aconteceu nos estudos que focaram no diabetes. Houve uma queda porque estamos falando de um problema crônico”, explica o médico do HCor. Genética, sedentarismo e alimentação desequilibrada, entre outras coisas, favorecem a volta da pressão alta.
“Mesmo assim, houve um resultado excepcional frente ao tratamento clínico”, compara o especialista.
A versão atualizada da pesquisa foi divulgada no congresso da Associação Americana do Coração de 2019. Os voluntários ainda serão acompanhados por mais dois anos para ver como evoluem. “A gente acredita que as taxas de remissão terão certa estabilidade até o quinto ano, mas temos que aguardar”, pondera Schiavon.
Outro ponto digno de nota: mesmo entre o pessoal operado que não conseguiu abrir mão de todos os comprimidos, melhoras foram observadas. Segundo o artigo, 72% diminuíram em 30% o uso de comprimidos. No grupo que serviu de comparação, tal número não superou 12,5%.
