Rio de Janeiro, 22 de julho de 2025.
A Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro vêm a público repudiar a forma como vem sendo conduzida a reestruturação dos hospitais federais do Rio de Janeiro.
A AGRJ é favorável a mudanças, desde que sejam positivas aos pacientes e tragam melhores condições de trabalho aos profissionais de saúde. Porém, isso não é o que temos visto desde novembro de 2024 quando o Ministério da Saúde começou a implantar as medidas.
O objetivo do Governo Federal desde o início é muito claro: aumentar o número de atendimentos e reduzir as filas de espera. Isso é louvável pois é o que a população precisa e o que todos queremos. Porém, é necessário que sejam dadas condições mínimas de atendimento aos médicos e outros profissionais de saúde, pacientes e seus familiares. Ao longo de décadas, os hospitais federais foram abandonados, não ocorrendo manutenção adequada da sua infraestrutura, investimento em equipamentos e, de maneira mais marcante, em materiais de insumo.
Não menos relevante é a ausência de reposição do quadro de servidores. O que vem sendo oferecido aos remanescentes são trocas de unidades. Parece que os novos grupos de gestores desses hospitais não tem a intenção de ter esse perfil de estatutário no seu quadro de servidores.
Os anos de descaso não serão resolvidos em poucos meses, é preciso planejamento e conversa. Infelizmente a postura do Ministério da Saúde é de ignorar os médicos e profissionais da saúde que conhecem bem suas unidades hospitalares e que prestaram (e prestam) atendimento, apesar dos inúmeros problemas. As mudanças vão sendo impostas, sem nenhum diálogo.
Essas mudanças precisam trazer segurança aos pacientes, mas o que se vivencia é muita incerteza e desinformação. O direcionamento de pacientes em tratamento não está sendo feito de maneira adequada e o que tem ocorrido é a descontinuidade no tratamento de doenças crônicas. Estamos falando de vidas, não de planilhas e estatísticas.
Assim como já foi feito pelo Conselho Federal de Medicina e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, a AGRJ pede que haja um debate com a participação de representantes da sociedade civil, das entidades médicas, dos usuários e de outros atores institucionais com o Ministério da Saúde. Todos queremos o fortalecimento da rede pública de saúde, mas, a forma com que foram tomadas as ações fragilizaram ainda mais o SUS.
DIRETORIA DA AGRJ
