fonte: Medscape

O consumo de café expresso pode estar associado a níveis mais elevados de colesterol total, segundo estudo populacional.

O aumento nos níveis séricos de colesterol foi significativamente associado ao consumo de café expresso, particularmente em homens, relataram Åsne Lirhus Svatun, da Norges arktiske universitet (UiT), na Noruega, e seus colaboradores.

Tomar café fervido/prensado foi associado a níveis séricos de colesterol total significativamente mais altos em mulheres e homens. Houve uma relação significativa entre o consumo de café coado e o colesterol total, mas apenas em mulheres, relataram os pesquisadores.

“Os médicos podem se conscientizar a respeito da indagação sobre o consumo de café ao fazer a anamnese de pacientes com colesterol sérico elevado”, disse por e-mail a coautora do estudo, Dra. Maja-Lisa Løchen, Ph.D., médica da UiT.

“Orientar os pacientes a trocar o café prensado, ou outros tipos não filtrados, para o café filtrado ou instantâneo, pode integrar uma intervenção no estilo de vida visando reduzir os níveis séricos de colesterol.”

Os resultados foram publicados on-line em 10 de maio no periódico Open Heart.

Estudos anteriores da relação entre o colesterol sérico e o café expresso tiveram resultados variados, observaram os pesquisadores.

Como o consumo de café é elevado no mundo inteiro, mesmo pequenos efeitos podem ter grandes consequências para a saúde, observaram os autores. “O café foi incluído pela primeira vez nas diretrizes para prevenção de doenças cardiovasculares de 2021 da European Society of Cardiology (ESC)”, escreveram. “O aumento do conhecimento sobre a associação do café expresso com o colesterol sérico melhorará as recomendações sobre o consumo de café.”

“Não penso que os achados deste artigo sejam necessariamente suficientes para mudar qualquer orientação a respeito do café”, disse o Dr. David Kao, médico professor associado de medicina do University of Colorado Anschutz Medical Campus, nos Estados Unidos, ao comentar o estudo. “Em parte porque, no final das contas, o mais importante é se eventos subsequentes, como infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente vascular cerebral (AVC), aumentaram ou diminuíram. Esta análise não foi desenhada para responder a esta pergunta”, disse.

“Se alguém precisar escolher entre este estudo, que sugere que se beba menos café para manter o colesterol baixo, e os demais, que sugerem que o aumento do consumo de café reduza o risco de vários tipos de doenças cardiovasculares, deveria escolher a segunda opção”, concluiu o Dr. David.

No estudo em tela, os pesquisadores avaliaram 21.083 participantes do estudo Tromsø no norte da Noruega. A média de idade dos participantes foi de 56,4 anos. Usando regressão linear multivariada, os pesquisadores compararam a relação entre cada nível de consumo de café, tendo a ausência de consumo de café como ponto de referência e o colesterol total sérico como variável dependente. Eles testaram as diferenças entre os sexos e ajustaram as covariáveis relevantes.

Os resultados indicaram que beber de três a cinco xícaras de café expresso por dia estaria significativamente associado a maiores níveis séricos de colesterol total em 6,18 mg/dl (intervalo de confiança [IC] de 95% de 2,7 a 9,28) em homens e em 3,48 mg/dl (IC 95% de 0,38 a 6,8) em mulheres, em comparação com participantes que não tomavam café expresso diariamente.

Em comparação com pessoas que não bebiam café fervido/prensado, o consumo de seis ou mais xícaras de café fervido/prensado por dia foi associado a níveis séricos elevados de colesterol total em 8,89 mg/dl (IC 95% de 3,09 a 14,69) em homens e 11,6 mg/dl (IC 95% de 5,02 a 18,56) em mulheres.

Notavelmente, para as mulheres, mas não para os homens, houve associação entre um aumento nos níveis séricos de colesterol total de 4,25 mg/dl (IC 95% de 1,16 a 7,34) com o consumo de seis ou mais xícaras de café filtrado por dia.

Ao excluir os participantes que não bebiam café instantâneo, o consumo desse tipo de café produziu um padrão linear significativo para homens e mulheres, mas não houve associação relacionada com a dose.

Esses dados mostram que as diferenças entre os sexos foram significativas para todos os tipos de café, exceto café prensado/café fervido, observaram os autores.

As limitações do estudo contemplam o desenho transversal; a falta de [possibilidade de] generalização dos dados, visto que a coorte foi composta principalmente de pessoas brancas idosas ou de meia-idade; a ausência de ajuste para todas as variáveis de confusão, observaram os pesquisadores.

Entre as limitações do estudo, também consta o fato de alguns dados terem sido relatados pelos próprios participantes e a abordagem de indicadores ausentes ter sido implementada para avaliar os dados, acrescentaram os autores.

As próximas pesquisas devem se concentrar em acompanhar essa coorte por muitos anos, a fim de determinar como o consumo de diferentes tipos de café está relacionado a eventos como insuficiência cardíaca, AVC e IAM. Essa percepção seria importante para oferecer orientação sobre se o estilo de preparação do café é importante, concluiu o Dr. David.