A Comissão de Relações Institucionais da Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro realizou neste domingo, dia 5, contribuição para a Consulta Pública nº 78 da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que trata da incorporação da vacina recombinante adjuvada contra o herpes zóster no Programa Nacional de Imunização (PNI). A proposta contempla idosos com 80 anos ou mais e indivíduos imunocomprometidos a partir de 18 anos.

PARTICIPE DA CONSULTA PÚBLICA

Para participar, é necessário preencher o formulário eletrônico. Os interessados podem enviar até dois arquivos com sugestões ou documentos de apoio. O envio de dados pessoais, informações sensíveis ou materiais de terceiros sem autorização não é permitido.

Fique atento! O prazo final para contribuições é nessa segunda-feira, dia 6.

Herpes-zóster

O herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, é causado pela reativação do vírus da catapora (varicela-zóster) e é mais frequente em idosos e pessoas com imunidade baixa, como nos portadores de doenças crônicas, neoplasias, uso de imunossupressores. A doença provoca febre, manchas e bolhas dolorosas na pele, que podem evoluir para complicações, especialmente a neuralgia pós-herpética (NPH) — dor crônica que persiste mesmo após o fim das lesões, podendo durar até 1 ano e comprometendo a qualidade de vida dos pacientes.

Entre 2008 e 2024, o SUS registrou mais de 85 mil atendimentos ambulatoriais e 30 mil internações por herpes-zóster no Brasil. Entre 2007 e 2023, 1.567 mortes foram associadas à doença. A maioria tinha idade igual ou superior a 50 anos.

O tratamento no sistema público envolve medicamentos para aliviar os sintomas e o uso de antivirais. Para a NPH, são oferecidos fármacos para controle da dor.

Incorporação no SUS

A incorporação ao SUS da vacina recombinante adjuvada foi uma solicitação do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, e do Ministério da Saúde.

A vacina contém uma proteína do vírus varicela-zóster (antígeno gE) combinada a um adjuvante (AS01B), que ajuda o sistema imunológico a reconhecer e combater o vírus. Ela é administrada por via intramuscular, em duas doses de 0,5 mL, com intervalo de dois meses.

A Conitec avaliou a segurança e a eficácia da vacina. Estudos apontam eficácia superior a 90% na prevenção da doença e da NPH. Os eventos adversos mais comuns relatados foram: dor no local da aplicação, cansaço, dor muscular, dor de cabeça e febre, geralmente de intensidade leve a moderada. O imunizante também foi considerado seguro.

A vacina para imunossuprimidos acima de 18 anos representa uma possibilidade real de proteção contra o herpes-zóster nessa população, como os portadores de doenças crônicas imunomediadas, caso das Doenças Inflamatórias Intestinais. Pode prevenir o herpes-zóster em até 97,2% dos pacientes após 2 doses.

Diante disso e à luz das evidências científicas atuais, a AGRJ é favorável à sua incorporação no SUS para a população proposta, assim como para todas as pessoas acima de 50 anos.