Em tempos de isolamento social, gastroenterologistas de diversas partes do Brasil estão ainda mais próximos. O que os une? A arte!

Música, poesia, artes plásticas e fotografia são algumas das expressões artísticas presentes no GastroArt. O projeto cultural idealizado há seis anos pelo Dr. Luiz Eduardo Goes, médico gastroenterologista de Salvador (BA), ganhou também o formato online e, desde o início da pandemia de covid-19, vêm ganhando novos adeptos e revelando talentos.

“O GastroArt foi inspirado no livro Grandes Médicos & Grandes Artistas do cirurgião do aparelho digestivo, flautista e escritor Dr. Álvaro Nonato, de Salvador. No livro, ele conta que antes de ser médico queria ser maestro e apresenta nomes consagrados da Medicina que também foram artistas formidáveis. Ao ler, tive a ideia de trazer para a nossa especialidade”, revela Dr. Luiz Eduardo, associado da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

A 1ª edição do GastroArt, com o apoio da FBG, ocorreu na SBAD 2014, no Rio de Janeiro. Os cariocas e membros da diretoria da AGRJ, Dr. Luiz Artur Juruena e a Profa. Eponina Lemme foram os pioneiros do projeto e até hoje participam com muito entusiasmo.

“O símbolo do GastroArt era um piano, que ficou em uma sala do Riocentro, durante a SBAD 2014. Houve exposições de telas de pinturas, fotografias e música. Eu sou saxofonista e clarinetista e sou da banda Duodeno há 25 anos. Agora, nesse período da quarentena, é imensurável a alegria que o grupo vêm proporcionando.  O Dr. Luiz Eduardo foi se revelando poeta. Todas manhãs, a Prof. Eponina Lemme apresenta uma seleção de música brasileira ou internacional, acompanhada por seu marido, Dr. Antonio Lemme, ao pandeiro. Eu apresento diariamente uma música de jazz ou bossa, ao sax-alto ou clarinete. Tenho feito parceria em algumas músicas com a professora Eponina, ao piano, com o Prof. James Marinho, ao violão, e com o Dr. Moisés Copelman, ao piano. O presidente da FBG, Prof. Dr. Schlioma Zaterka, está participando ativamente do GastroArt com comentários, fotos e poesias. Outro dia, gravei a música Aleluia com o Dr. Moisés e teve até pedidos para tocar Parabéns no saxofone”, conta Dr. Luiz Artur.

GastroArt- 1ª edição na SBAD 2014 (Riocentro/RJ)

“O GastroArt é uma oportunidade para mostrar interesses e hobbies. Novos talentos acabam surgindo. Toco música popular variada ao piano e, desde o início da pandemia, tenho gravado diariamente e postado no grupo. Já foram gravadas 280 canções. Tenho feito parcerias com o Dr. Luiz Artur, que nos brinda com sax ou clarineta, com outros colegas de grupo de choro, com meu marido Antônio Lemme, na percussão, que também é gastroenterologista, e com cantoras, que emprestam a voz às nossas canções. Tem sido um alento poder nos expressar de forma espontânea e alegrar as pessoas. Gostaríamos de incentivar outros colegas que se cheguem ao grupo, para que troquemos nossas experiências e conheçamos outras habilidades”, ressalta Dra. Eponina.

Para o idealizador, Dr. Luiz Eduardo Goes, um dos momentos mais marcantes foi a presença do Dr. Roy Calne na estreia do GastroArt, há seis anos. O 1º cirurgião a fazer um transplante de fígado na Europa também é pintor e escultor e fez uma palestra inesquecível.

Pintura do Dr. Roy Calne, 1º convidado internacional do GastroArt (2014)

“Tivemos a felicidade de trazer uma das pessoas que o Dr. Álvaro descreve no livro: o Prof. Roy Calne, de Cirurgia, da Universidade de Cambridge (Inglaterra). Amante da arte, ele aceitou o nosso convite. Ele estava com 84 anos. Quem assistiu essa aula até hoje tem uma grande emoção. Inclusive, o Dr. Luiz Artur tocou saxofone para ele nessa aula, intitulada: When and How art vizual and organ tranplantation meet? Enquanto abordava casos clínicos, Dr. Roy projetava suas pinturas inspiradas em colegas, enfermeiras e pacientes que conviveu”, relembra Dr. Luiz Eduardo.

Outro marco emocionante foi a homenagem póstuma ao médico e multi-instrumentista/arranjador musical, Dr. Alfreli Arruda Amaral, na SBAD 2015, em Curitiba. Na ocasião, o filho William Amaral, também guitarrista e prestes a se formar em Gastroenterologia, assumiu o lugar do pai e fez um lindo show à frente da banda curitibana cover dos Beatles, Machine Guns, que até então era formada e liderada pelo seu pai.

No telão, o pai Alfreli Amaral. Na guitarra, o filho William Amaral (Curitiba, 2015)

Hoje, o GastroArt já conta com cerca de 50 associados do Brasil inteiro, de Rondônia até o Rio Grande do Sul.

“Temos um cineasta, Dr. Wilson Freire, de Recife, que já ganhou prêmio internacional! De Maceió, temos o violonista, Dr. James Marinho. De Joinville, temos o escultor, Dr. Francisco Amaral, de São Paulo, o poeta Prof. Schlioma Zaterka e o pintor Prof. Joaquim Prado. Do Rio de Janeiro, temos o ceramista Dr. Felix Zyngier e o nosso “Frank Sinatra”, o Prof. Glaciomar Machado, dentre muitos outros. Sempre digo que o GastroArt é a via lúdica da FBG para as pessoas se encontrarem sob uma outra ótica, que não seja só o estudo da doença, mas falar um pouquinho sobre a arte”, finaliza Dr. Luiz Eduardo.

GastroArt é presença confirmada na SBAD 2020, que ocorrerá virtualmente, em novembro. Participe!

Caso queira participar do GastroArt, entre em contato com a FBG através de www.fbg.org.br ou comunicacao@fbg.org.br.

Galeria:

  • Faixa 1: “Here there and everywhere” (Lennon/McCartney), com Luiz Artur (clarinete), Evandro Coutinho (baixo) e João Mattos (violão)
  • Faixa 2: “Moonlight Serenade” (Gleenn Miller), com Eponina Lemme (teclado) e Luiz Artur (clarinete)
  • Faixa 3: “A Hard Day´s Night” (The Beatles), com Luiz Artur (clarinete) e João Mattos (violão)
  • Faixa 4: “Michelle” (The Beatles), com Luiz Artur (clarinete), Evandro Coutinho (baixo) e João Mattos (violão)
  • Faixa 5: “Matança” (Xangai), com Prof S. Zaterka (poesia), Maria Conceição Galvão (fotografia), Luiz Artur (saxofone)
  • While my guitar gently weeps” (The Beatles/Banda Machine Guns) com Dr. Alfreli na guitarra e teclado (in memoriam).