fonte: Folha de SP
Nos principais hospitais de São Paulo, fazer um check-up está deixando de ser sinônimo de baterias de exames e de consultas rápidas para, no fim, pegar um monte de resultados. Cada vez mais, os profissionais se interessam pelo estilo de vida do paciente.
Sem deixar para trás as tradicionais avaliações, alguns dos principais hospitais de São Paulo desenvolveram procedimentos que buscam, em primeiro lugar, avaliar a rotina dos pacientes e, se necessário, intervir antes que alguma doença se desenvolva.
É o caso do Sírio-Libanês, que desde julho deste ano conta com um profissional de saúde mental na inspeção clínica do paciente.
“As pessoas têm expectativa de descobrir alguma doença cardiológica ou algum câncer, mas cerca de um terço dos pacientes que nos procura têm questões como ansiedade, depressão e distúrbios do sono”, diz o médico Marcos Rienzo, coordenador de check-ups no hospital.
Nem todos, porém, passam por essa avaliação. Inicialmente, é realizada uma triagem com base em um questionário, selecionando quais pessoas estão no grupo de risco e receberão o atendimento.
Nesses casos, em meio aos exames mais comuns, como o de sangue e ultrassom, já é possível sair com um diagnóstico de saúde mental e recomendações que passam por prática de exercícios físicos, novo menu nutricional e acompanhamento periódico com algum profissional da área.
No Einstein, quem ganhou importância foi a prática da medicina do estilo de vida, que deve ser ampliada no ano que vem. Nessa forma de atendimento, o médico concentra-se em prevenir doenças sugerindo mudanças comportamentais viáveis ao paciente.
Lá, o formato fica mais evidente na consulta com um “coach”, durante a avaliação geral.”Esse profissional junta os resultados dos exames e das consultas com o que faz sentido para a pessoa”, explica Raquel Conceição, gerente médica do serviço de check-up do hospital. “Se percebemos que a pessoa precisa fazer atividade física, aí a gente vê se ela está apta. O médico faz o relatório, e o ‘coach’ define como pode começar.”
Assim, com o paciente, ele estabelece metas para que as orientações sejam alcançadas. Para o ano que vem, o Einstein pretende lançar um aplicativo gratuito para permitir o acompanhamento dos objetivos e, se necessário, a redefinição deles.
O hospital também quer, em 2018, que a pessoa possa consultar mais frequentemente o seu “coach”.
No 9 de Julho, a novidade é uma avaliação esportiva, para quem quer começar ou voltar a fazer exercícios físicos.
“Buscamos o que o paciente costuma gostar para evitar atividades que não tenham nada a ver com o perfil dele. Por exemplo: para um absoluto sedentário, podemos chegar à conclusão que o que o motiva é a dança de salão”, diz Pablius Staduto, coordenador do Centro de Medicina Especializada do hospital.
“As avaliações, como percentual de gordura, massa magra e teste de esforço, vão mostrar os limites da pessoa”, acrescenta o coordenador. “E eu vou conseguir dar um rumo para ela. Para alguém que teve infarto, não recomendarei uma atividade que precise de muita energia, exigindo mais do coração. Envio por escrito as recomendações, mas não chego a falar quantas séries a pessoa deve fazer.”
O 9 de Julho também é procurado por pessoas que sofreram lesões e preferem acompanhamento médico para retomar a prática regular de esporte.
