{"id":9876,"date":"2020-05-04T14:34:26","date_gmt":"2020-05-04T14:34:26","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=9876"},"modified":"2020-05-04T14:34:26","modified_gmt":"2020-05-04T14:34:26","slug":"coronavirus-pandemia-provoca-reducao-no-numero-de-transplantes-e-doadores-de-orgaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/05\/coronavirus-pandemia-provoca-reducao-no-numero-de-transplantes-e-doadores-de-orgaos\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus: pandemia provoca redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de transplantes e doadores de \u00f3rg\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>fonte: BBC<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de tr\u00eas anos, a bibliotec\u00e1ria Let\u00edcia dos Santos Nascimento, de 40 anos, moradora de S\u00e3o Paulo, entrou para a fila do transplante. Desde os 11 anos, ela sofre de glomerulonefrite, inflama\u00e7\u00e3o do glom\u00e9rulo, parte do rim respons\u00e1vel pela filtragem do sangue e a forma\u00e7\u00e3o da urina.<\/p>\n<p>Depois de v\u00e1rios tratamentos, em 1999 seus rins pararam de funcionar completamente e ela teve de iniciar a hemodi\u00e1lise (procedimento que limpa e filtra o sangue). Em 2002, fez o primeiro transplante, tendo a m\u00e3e como doadora viva. Por\u00e9m, seu corpo nunca aceitou muito bem o novo \u00f3rg\u00e3o e nem os medicamentos que precisava tomar.<\/p>\n<p>Quase 15 anos depois, retomou a hemodi\u00e1lise e agora aguarda um doador compat\u00edvel \u2014 no Brasil, pelos dados de dezembro de 2019 do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), s\u00e3o mais 37,9 mil pacientes ativos na mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9 que, pelo menos por enquanto, a pandemia causada pelo novo coronav\u00edrus est\u00e1 afetando a realiza\u00e7\u00e3o deste tipo de procedimento em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os (ABTO) e o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de doadores, entre 1\u00ba de mar\u00e7o e 18 de abril, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado, \u00e9 de 9% e a no de transplantes, 20%.<\/p>\n<p>&#8220;Eu at\u00e9 prefiro que a cirurgia n\u00e3o aconte\u00e7a agora, pois n\u00e3o gostaria de ficar no hospital no meio desse caos todo. O problema \u00e9 que meu transplante certamente vai demorar ainda mais, e isso assusta um pouco&#8221;, comenta a bibliotec\u00e1ria. &#8220;Enquanto o dia n\u00e3o chega, sigo com a hemodi\u00e1lise, que fa\u00e7o tr\u00eas vezes por semana, e \u00e9 o \u00fanico motivo para eu sair de casa&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Raz\u00f5es para as quedas<\/h2>\n<p>S\u00e3o muitas as raz\u00f5es que explicam a queda no \u00edndice de doadores e de transplantes realizados no Brasil neste per\u00edodo de pandemia.<\/p>\n<p>Uma delas, segundo Jos\u00e9 Huygens Garcia, presidente da ABTO, \u00e9 a restri\u00e7\u00e3o de leitos em alguns Estados e cidades. &#8220;\u00c0 medida que o coronav\u00edrus avan\u00e7a, s\u00e3o necess\u00e1rios mais leitos nos hospitais, inclusive na UTI, e isso dificulta a realiza\u00e7\u00e3o dos procedimentos.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar disso, o m\u00e9dico ressalta que v\u00e1rios centros de transplantes n\u00e3o est\u00e3o na retaguarda da covid-19 e, portanto, continuam operando.<\/p>\n<p>&#8220;A ABTO, inclusive, recomenda manter os transplantes ativos o quanto for poss\u00edvel. Os de f\u00edgado, cora\u00e7\u00e3o e pulm\u00e3o s\u00e3o vitais. Eles salvam a vida da maioria dos pacientes, que, se n\u00e3o transplantados, sucumbir\u00e3o em semanas ou meses&#8221;, afirma. &#8220;No Cear\u00e1, por exemplo, j\u00e1 perdemos este ano 12 que estavam na fila aguardando um f\u00edgado novo&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>No caso dos renais, Garcia diz que uma suspens\u00e3o possivelmente aumentaria a lista de espera para di\u00e1lise, causando dois problemas: &#8220;O primeiro \u00e9 que, se as vagas n\u00e3o forem disponibilizadas, essas pessoas tamb\u00e9m ir\u00e3o sucumbir, e segundo, mesmo fazendo a di\u00e1lise, os doentes t\u00eam uma chance maior de adquirir doen\u00e7as virais, por estarem no grupo de risco, terem de se deslocar tr\u00eas vezes na semana, \u00e0s vezes pegando transporte p\u00fablico lotado, e dividir unidades com aglomerados de pacientes por v\u00e1rias horas&#8221;.<\/p>\n<p>Os demais transplantes, como de c\u00f3rnea e p\u00e2ncreas, o presidente da entidade relata que podem at\u00e9 ser postergados, mas n\u00e3o abolidos completamente.<\/p>\n<p>Outro ponto que tem interferido na realiza\u00e7\u00e3o dos procedimentos, indica Omar Can\u00e7ado Lopes, coordenador do MG Transplantes, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela pol\u00edtica de transplante no Estado de Minas Gerais, \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o dos casos de trauma, como acidentes de tr\u00e2nsito, em fun\u00e7\u00e3o do isolamento social.<\/p>\n<p>&#8220;A estimativa na minha regi\u00e3o \u00e9 de queda de 55%, mas acredito que esse \u00edndice seja parecido no Brasil todo. O impacto disso no n\u00famero de transplantes \u00e9 direto porque essas v\u00edtimas s\u00e3o respons\u00e1veis por entre 40% e 50% das doa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os e tecidos&#8221;, afirma o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o familiar tamb\u00e9m tem sido apontada como um fator importante. &#8220;A recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e apoiada pela ABTO, \u00e9 de que todo potencial doador seja testado para covid-19 \u2014 em caso afirmativo, ele deve ser descartado. S\u00f3 que o resultado dos exames tem demorado, no m\u00ednimo, 12 horas para sair, e muitas fam\u00edlias n\u00e3o querem esperar esse tempo todo, para n\u00e3o retardar o vel\u00f3rio e o funeral&#8221;, pontua Garcia.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico adianta que a entidade que preside est\u00e1 lutando para que os testes tenham prioridade, justamente para evitar as negativas e as desist\u00eancias: &#8220;Entendemos o drama acarretado pela pandemia atual, mas n\u00e3o podemos deixar a alma do transplante morrer. Milhares de pacientes dependem da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e, consequentemente, dos transplantes para sobreviverem&#8221;.<\/p>\n<p>Para Lopes, do MG Transplantes, \u00e9 fundamental que as pessoas se conscientizem sobre a import\u00e2ncia do tema. &#8220;Nesse momento, especialmente, precisamos contar com a solidariedade das fam\u00edlias em autorizar a doa\u00e7\u00e3o, uma vez que teremos menos poss\u00edveis doadores&#8221;, avalia, destacando que, em Minas Gerais, a queda no n\u00famero de procedimentos j\u00e1 chega a 30%.<\/p>\n<p>Leon Alvin, nefrologista do Hospital Leforte Liberdade, de S\u00e3o Paulo, pondera que a suspens\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o de doador vivo, quando considerada eletiva (n\u00e3o urgente), \u00e9 mais um fator que explica a queda.<\/p>\n<p>&#8220;Esse tipo de procedimento foi paralisado para evitar expor o doador e, principalmente, o receptor, ao risco do coronav\u00edrus&#8221;, explica o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O hospital onde ela atua, inclusive, tem sentido bastante os efeitos da pandemia. L\u00e1, para se ter uma ideia, entre janeiro e abril de 2019, foram realizados 72 transplantes (rim, f\u00edgado e p\u00e2ncreas). Este ano, no mesmo per\u00edodo, foram 46.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Recomenda\u00e7\u00f5es para os pacientes que est\u00e3o na fila do transplante<\/h2>\n<p>Enquanto aguardam o transplante, a principal recomenda\u00e7\u00e3o para os pacientes que est\u00e3o na fila, por fazerem parte do grupo de alto risco do coronav\u00edrus, \u00e9 que se mantenham isolados o m\u00e1ximo poss\u00edvel e redobrem os cuidados no dia a dia, at\u00e9 mesmo dentro de casa.<\/p>\n<p>Justamente o que tem feito Let\u00edcia, e tamb\u00e9m o comerciante Jos\u00e9 Ant\u00f4nio de Oliveira, de 51 anos. Morador de Belo Horizonte, ele est\u00e1 na lista h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas devido \u00e0 complica\u00e7\u00f5es (c\u00e2ncer no f\u00edgado e cirrose hep\u00e1tica) decorrentes da hepatite C.<\/p>\n<p>Segundo associa\u00e7\u00e3o do setor, a pandemia do novo coronav\u00edrus fez o n\u00famero de doadores cair 9% e de transplante, 20%.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 saio para fazer exames e passar por consultas, e sempre uso m\u00e1scara. Tamb\u00e9m fico longe de aglomera\u00e7\u00f5es e uso \u00e1lcool em gel o tempo todo. Quando retorno, vou direto tomar banho e trocar de roupa. Eu e minha fam\u00edlia tamb\u00e9m evitamos ficar muito perto, nos abra\u00e7ar ou beijar. Nossos h\u00e1bitos mudaram&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Os hospitais tamb\u00e9m t\u00eam tomado suas precau\u00e7\u00f5es. O Leforte Liberdade, por exemplo, est\u00e1 trocando as consultas presenciais pelas online, sempre que poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui, recebemos apenas os pacientes que t\u00eam muita necessidade. Para os que precisam fazer exames, temos alguns hor\u00e1rios reservados e um setor espec\u00edfico, separado dos demais. Uma vez l\u00e1, coletamos o material o mais r\u00e1pido poss\u00edvel e, depois, passamos os resultados por chamada de v\u00eddeo&#8221;, informa Alvin.<\/p>\n<p>Ele complementa: &#8220;Temos de proteger esses pacientes ao m\u00e1ximo, pois, como fazem parte do grupo de risco da covid-19, as chances de terem as manifesta\u00e7\u00f5es mais graves da doen\u00e7a s\u00e3o maiores, e as de virem a \u00f3bito tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p>Se mesmo com todos os cuidados a pessoa que aguarda a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o apresentar algum sintoma da contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus \u2014 ou mesmo qualquer sinal de piora da doen\u00e7a j\u00e1 existente \u2014, a orienta\u00e7\u00e3o da ABTO \u00e9 entrar em contato imediatamente com a equipe respons\u00e1vel pelo transplante ou com o sistema de sa\u00fade da cidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: BBC H\u00e1 pouco mais de tr\u00eas anos, a bibliotec\u00e1ria Let\u00edcia dos Santos Nascimento, de 40 anos, moradora de S\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-9876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9876"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9879,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9876\/revisions\/9879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}