{"id":9708,"date":"2020-04-13T19:57:10","date_gmt":"2020-04-13T19:57:10","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=9708"},"modified":"2020-04-13T19:57:10","modified_gmt":"2020-04-13T19:57:10","slug":"estudo-aponta-3-tipos-do-novo-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/04\/estudo-aponta-3-tipos-do-novo-coronavirus\/","title":{"rendered":"Estudo aponta 3 tipos do novo coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p>fonte: BBC<\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">Como o coronav\u00edrus se espalhou pelo mundo a partir de Wuhan, cidade chinesa que registrou os primeiros casos da doen\u00e7a, em dezembro de 2019? H\u00e1 tr\u00eas grandes percursos tra\u00e7ados pelo v\u00edrus at\u00e9 que infectasse 1,5 milh\u00e3o de pessoas, afirma um\u00a0novo estudo\u00a0da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade de Kiel, na Alemanha.<\/p>\n<p>Os casos que surgiram no Brasil s\u00e3o muito mais ligados ao v\u00edrus que circulou na Europa do que aquele que apareceu na China. \u201cA rede algor\u00edtmica (que analisou a proximidade das varia\u00e7\u00f5es do v\u00edrus em cidad\u00e3os de diversos pa\u00edses) reflete uma liga\u00e7\u00e3o mutante entre o genoma viral da It\u00e1lia e do Brasil\u201d, escrevem os autores da pesquisa.<\/p>\n<p>Para chegar a essa e a outras conclus\u00f5es, eles analisaram as muta\u00e7\u00f5es do v\u00edrus nos primeiros 160 sequenciamentos gen\u00e9ticos desses invasores encontrados em pacientes humanos. \u00c9 importante deixar claro que as muta\u00e7\u00f5es s\u00e3o comuns e raramente significam que o v\u00edrus ficar\u00e1 mais letal, contagioso ou com sintomas mais graves, por exemplo.<\/p>\n<p>O grupo de cientistas usou um mapeamento de linhagens de c\u00f3digos gen\u00e9ticos parecido com o modelo usado para identificar quais foram os movimentos migrat\u00f3rios das popula\u00e7\u00f5es humanas pr\u00e9-hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Mas por que isso \u00e9 importante? No caso da pandemia, a estrat\u00e9gia busca tra\u00e7ar as rotas de infec\u00e7\u00e3o conectando os pontos entre os casos conhecidos. Ao entender como o v\u00edrus se espalha, \u00e9 poss\u00edvel pensar em que medidas podem ser adotadas para conter a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a de uma regi\u00e3o do pa\u00eds para outra, por exemplo.<\/p>\n<p>Esses dados tamb\u00e9m pode apontar o ritmo e o tamanho da varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do v\u00edrus. Em geral, se isso se der de forma lenta e suave (como tem acontecido at\u00e9 agora), uma eventual vacina teria uma efic\u00e1cia bastante ampla.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 1.000 sequenciamentos gen\u00e9ticos do novo coronav\u00edrus j\u00e1 realizados, basicamente divididos em tr\u00eas grandes grupos, segundo os pesquisadores: A, B e C, sendo B derivado de A, e C derivado de B.<\/p>\n<p>O tipo A \u00e9 considerado o \u201coriginal\u201d, que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do v\u00edrus encontrado em morcegos e pangolins, dois animais que t\u00eam sido associados ao in\u00edcio da pandemia. N\u00e3o se sabe at\u00e9 agora, por\u00e9m, como o v\u00edrus chegou at\u00e9 o primeiro paciente humano.<\/p>\n<p>O tipo B tem maior incid\u00eancia no Leste da \u00c1sia, mas n\u00e3o se espalhou muito a partir dali, afirmam os pesquisadores. Isso pode ter acontecido, segundo eles, porque o v\u00edrus pode ter encontrado resist\u00eancia imunol\u00f3gica ou ambiental para se espalhar entre pessoas de outras localidades do mundo.<\/p>\n<p>O tipo C \u00e9 considerado o majorit\u00e1rio na Europa, e foi encontrado nos primeiros pacientes de pa\u00edses como Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Su\u00e9cia. Essa categoria de sequenciamentos gen\u00e9ticos tamb\u00e9m inclui o Brasil.<\/p>\n<p><strong>It\u00e1lia \u2018exportou\u2019 metade dos primeiros casos brasileiros<\/strong><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre os casos do Brasil e a Europa j\u00e1 havia sido detalhada em um\u00a0estudo com pesquisadores brasileiros\u00a0publicado no fim de mar\u00e7o. Segundo os dez especialistas que assinam o artigo, metade dos casos identificados em territ\u00f3rio brasileiro eram ligados \u00e0 It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Ester Sabino, uma das autoras desse segundo estudo e diretora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), afirmou \u00e0 \u00e9poca que o espalhamento do v\u00edrus no Brasil se deu de modo peculiar.<\/p>\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio da China e de outros pa\u00edses, onde o surto de COVID-19 come\u00e7ou devagar, com um n\u00famero pequeno de casos inicialmente, no Brasil mais de 300 pessoas come\u00e7aram a epidemia, em sua maioria vindas da It\u00e1lia. Isso resultou em uma dissemina\u00e7\u00e3o muito r\u00e1pida do v\u00edrus (em dez capitais)\u201d, disse, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>Quando o v\u00edrus se instalou no Brasil, ou seja, passou a ser transmitido localmente em larga escala, ele tamb\u00e9m sofreu novas muta\u00e7\u00f5es que permitem identificar o percurso dele dentro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>At\u00e9 10 de abril, o Brasil havia registrado 19.638 casos da doen\u00e7a e 1.056 mortes. H\u00e1 notifica\u00e7\u00f5es em todos os Estados e no Distrito Federal.<\/p>\n<p><strong>Muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas oferecem riscos?<\/strong><\/p>\n<p>Para chegar at\u00e9 os humanos, o novo coronav\u00edrus (Sars-CoV-2) precisou mutar no animal onde estava antes. Desde o in\u00edcio da pandemia, nenhum estudo identificou que alguma muta\u00e7\u00e3o tenha tornado o coronav\u00edrus mais letal ou contagioso.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, o termo \u201cmuta\u00e7\u00e3o\u201d ganhou uma conota\u00e7\u00e3o de perigoso no imagin\u00e1rio popular por meio de obras de fic\u00e7\u00e3o com super-her\u00f3is mutantes ou v\u00edrus mortais que sofreram muta\u00e7\u00f5es para dizimar a humanidade.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de mar\u00e7o, tr\u00eas pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, escreveram\u00a0um artigo na revista cient\u00edfica Nature Microbiology\u00a0com o t\u00edtulo \u201cPor que n\u00e3o devemos nos preocupar quando um v\u00edrus muta durante epidemias\u201d.<\/p>\n<p>Segundo eles, a muta\u00e7\u00e3o faz parte da natureza de um v\u00edrus (que \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de material gen\u00e9tico envolvido por uma capa proteica), \u00e9 uma \u201cconsequ\u00eancia natural de ser um v\u00edrus\u201d, porque ele utiliza a enzima RNA polimerase para se replicar no corpo humano, e esse processo \u00e9 suscet\u00edvel ao erro, e portanto muta\u00e7\u00f5es, a cada ciclo de c\u00f3pia.<\/p>\n<p>Nathan Grubaugh, Mary Petrone e Edward Holmes afirmam que essa capacidade de mutar \u00e9 o que alimenta o sistema evolucion\u00e1rio, mas uma muta\u00e7\u00e3o s\u00f3 vai se espalhar com for\u00e7a numa popula\u00e7\u00e3o de v\u00edrus se ela for vantajosa do ponto de vista da sele\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>Ou seja, se tornar mais letal pode n\u00e3o ser vantajoso para um v\u00edrus porque ele tenderia a se espalhar menos, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cO senso comum \u00e9 que a virul\u00eancia s\u00f3 vai mudar, para mais ou para menos, se ela ampliar a taxa de transmiss\u00e3o do v\u00edrus, o que significa aumentar a prole. No entanto, uma alta virul\u00eancia (nem sempre) reduz a transmissibilidade se o hospedeiro est\u00e1 doente demais para expor os outros.\u201d<\/p>\n<p>Com 1,5 milh\u00e3o de infectados, as mudan\u00e7as no c\u00f3digo gen\u00e9tico n\u00e3o devem parar t\u00e3o cedo para o novo coronav\u00edrus. E \u00e9 poss\u00edvel acompanhar o mapeamento dessa evolu\u00e7\u00e3o pelo\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/nextstrain.org\/ncov\/global?lang=pt\">site NextStrain<\/a>, que oferece um mapa dos trajetos percorridos por cada varia\u00e7\u00e3o ao redor do mundo ao longo do tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: BBC Como o coronav\u00edrus se espalhou pelo mundo a partir de Wuhan, cidade chinesa que registrou os primeiros casos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-9708","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9708"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9708\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9711,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9708\/revisions\/9711"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}