{"id":926,"date":"2016-07-04T10:32:47","date_gmt":"2016-07-04T10:32:47","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=926"},"modified":"2016-07-04T10:32:47","modified_gmt":"2016-07-04T10:32:47","slug":"cientistas-acreditam-que-manipulacao-da-flora-intestinal-possa-curar-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2016\/07\/cientistas-acreditam-que-manipulacao-da-flora-intestinal-possa-curar-doencas\/","title":{"rendered":"Cientistas acreditam que manipula\u00e7\u00e3o da flora intestinal possa curar doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-928\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/flora_intestinal-1-300x195.jpg\" alt=\"flora_intestinal\" width=\"300\" height=\"195\" \/>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>E se beber \u00e1gua contendo uma bact\u00e9ria t\u00edpica da flora intestinal fosse capaz de curar os principais sintomas do autismo?<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, soa quase como curandeirismo, um jeito estapaf\u00fardio de tentar enfrentar um problema neurol\u00f3gico altamente complexo, mas deu certo \u2013ao menos em camundongos.<\/p>\n<p>Uma descri\u00e7\u00e3o detalhada dos experimentos, coordenados pelo pesquisador uruguaio Mauro Costa-Mattioli, do Baylor College of Medicine (EUA), acaba de sair na &#8220;Cell&#8221;, uma das mais importantes revistas cient\u00edficas do mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Temos de ter muito cuidado, ainda h\u00e1 muitos estudos pela frente. A mensagem definitivamente n\u00e3o \u00e9 que os pais de crian\u00e7as com autismo deveriam sair por a\u00ed entupindo seus filhos de probi\u00f3ticos na esperan\u00e7a de que eles se curem. Mesmo assim, estou extremamente empolgado com as perspectivas&#8221;, disse Costa-Mattioli \u00e0 <b>Folha<\/b>.<\/p>\n<p><b>OBESIDADE E DIABETES<\/b><\/p>\n<p>Estudos como o do uruguaio, revelando correla\u00e7\u00f5es entre os micro-organismos que habitam nosso corpo e os aspectos mais insuspeitos da sa\u00fade humana, ganharam massa cr\u00edtica nos \u00faltimos anos, conta a zo\u00f3loga brit\u00e2nica Alanna Collen em seu livro &#8220;10% Humano&#8221;, que acaba de chegar ao Brasil.<\/p>\n<p>Para ela, manipular a microbiota \u2013ou seja, a cole\u00e7\u00e3o de milhares de esp\u00e9cies microbianas que fizeram do organismo humano o seu lar\u2013 poderia ter impactos positivos na epidemia global de obesidade, em doen\u00e7as autoimunes t\u00e3o diferentes quanto a esclerose m\u00faltipla e o diabetes e numa lista de problemas mentais que, al\u00e9m do autismo, inclui a depress\u00e3o e o transtorno bipolar.<\/p>\n<p>Aqui, \u00e9 crucial frisar o verbo &#8220;poderia&#8221; porque, como enfatiza Costa-Mattioli, trata-se de uma \u00e1rea de pesquisa extremamente nova, com conhecimento novo sendo gerado o tempo todo num ritmo muito r\u00e1pido (e, \u00e0s vezes, contradit\u00f3rio).<\/p>\n<p>O ponto de partida est\u00e1 resumido no t\u00edtulo do livro de Collen: s\u00f3 10% das c\u00e9lulas no corpo de uma pessoa s\u00e3o realmente dela. Os outros 90% pertencem a bact\u00e9rias e outros microrganismos que exploram diferentes partes do corpo (como a pele gordurosa do nariz ou as regi\u00f5es quentes e \u00famidas da virilha).<\/p>\n<p>Nesse processo evolutivo de longo prazo, os micr\u00f3bios n\u00e3o s\u00f3 aprenderam a se aproveitar das condi\u00e7\u00f5es do organismo humano para se reproduzir como tamb\u00e9m aprenderam, em muitos casos, a oferecer diferentes vantagens a seus hospedeiros \u2013 \u00e9, afinal, um jogo de &#8220;ganha-ganha&#8221;, no qual a sa\u00fade da pessoa permite que a comunidade microbiana fique mais pr\u00f3spera, e vice-versa.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que uma flora intestinal vigorosa e diversificada \u00e9 uma boa, como os m\u00e9dicos j\u00e1 sabem h\u00e1 bastante tempo. Os micr\u00f3bios do intestino ajudam os seres humanos (e muitos outros animais) a digerir alimentos dif\u00edceis, produzem nutrientes que nosso organismo n\u00e3o \u00e9 capaz de fabricar sozinho e competem com outros seres unicelulares que, se estivessem sozinhos, causariam doen\u00e7as.<\/p>\n<p>H\u00e1 ind\u00edcios de que o tipo de microbiota pode influenciar diretamente a propens\u00e3o a engordar. Alguns testes em animais de laborat\u00f3rio e pessoas sugerem que essa abordagem seria um caminho para enfrentar muitos casos de excesso de peso, que n\u00e3o teriam rela\u00e7\u00e3o direta com o quanto a pessoa come e se exercita, mas sim com a variedade de esp\u00e9cies de bact\u00e9ria em seu organismo.<\/p>\n<p><b>BACT\u00c9RIAS E AUTISMO<\/b><\/p>\n<p>As poss\u00edveis conex\u00f5es da flora intestinal com ao menos parte do espectro do autismo come\u00e7aram a ser exploradas porque \u00e9 comum que as crian\u00e7as com as diferentes formas do problema tamb\u00e9m sofram de problemas digestivos, tenham usado muitos antibi\u00f3ticos (que costumam matar as bact\u00e9rias do organismo indiscriminadamente) e sejam filhos de m\u00e3es com hist\u00f3rico de obesidade.<\/p>\n<p>Costa-Mattioli e seus colegas testaram a ideia ao comparar o comportamento de camundongos gerados por f\u00eameas que receberam uma dieta rica em gordura com os de filhotes que nasceram de m\u00e3es com dieta normal<\/p>\n<p>Al\u00e9m de diferen\u00e7as significativas em sua microbiota, os dois grupos tinham diferen\u00e7as consider\u00e1veis de comportamento. Os camundongos do &#8220;grupo da gordura&#8221; tinham muito menos interesse em intera\u00e7\u00f5es sociais e agiam de forma repetitiva -duas caracter\u00edsticas cl\u00e1ssicas do espectro do autismo<br \/>\nem seres humanos.<\/p>\n<p>No entanto, os cientistas dores conseguiram contornar isso simplesmente colocando filhotes dos dois grupos na mesma gaiola. Ao comer o coc\u00f4 dos colegas, ingerindo assim sua microbiota intestinal, os roedores do primeiro grupo passaram a ter uma vida social normal.<\/p>\n<p>O mesmo resultado foi observado quando os cientistas ofereceram a eles a \u00e1gua com Lactobacillus reuteri, micr\u00f3bio comum no organismo dos bichos normais, mas quase ausente no dos roedores &#8220;autistas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das possibilidades \u00e9 que as mudan\u00e7as na ecologia do intestino estejam levando a altera\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o de neurotransmissores [mensageiros qu\u00edmicos do sistema nervoso], levando a esse efeito&#8221;, explica Costa-Mattioli.<\/p>\n<p>&#8220;A outra \u00e9 que existe uma esp\u00e9cie de via expressa entre o c\u00e9rebro e o sistema digestivo, que s\u00e3o ligados pelo nervo vago.&#8221; Ele e seus colegas esperam publicar em breve um estudo elucidando esse mecanismo.<\/p>\n<p>Hip\u00f3teses como essa, se estiverem corretas, provavelmente levar\u00e3o especialistas e m\u00e9dicos a repensar quando e como receitar antibi\u00f3ticos ou marcar cesarianas (esse tipo de parto priva o contato do beb\u00ea com a flora microbiana da vagina da m\u00e3e).<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 inclusive experimentos de &#8220;transplante microbiano&#8221; para beb\u00eas que nascem de cesariana \u2013basta esfregar uma gaze na vagina materna e depois pass\u00e1-la na boca e na pele da crian\u00e7a\u2013, com resultados preliminares interessantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP E se beber \u00e1gua contendo uma bact\u00e9ria t\u00edpica da flora intestinal fosse capaz de curar os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-926","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=926"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/926\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":929,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/926\/revisions\/929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}