{"id":9133,"date":"2020-01-14T13:48:44","date_gmt":"2020-01-14T13:48:44","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=9133"},"modified":"2020-01-14T16:06:21","modified_gmt":"2020-01-14T16:06:21","slug":"esta-na-hora-de-tratarmos-o-acucar-como-lidamos-com-o-tabaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/01\/esta-na-hora-de-tratarmos-o-acucar-como-lidamos-com-o-tabaco\/","title":{"rendered":"Est\u00e1 na hora de tratarmos o a\u00e7\u00facar como lidamos com o tabaco?"},"content":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil<\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">N\u00e3o \u00e9 de hoje que observamos que a popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 cada vez mais gorda &#8211; o \u00edndice de obesos cresceu 42% em uma d\u00e9cada (entre 2007 e 2017), segundo os dados mais recentes do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, enquanto o \u00edndice de fumantes caiu 40% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Entre as raz\u00f5es apontadas por pesquisadores para o aumento da obesidade est\u00e3o o excesso de consumo de a\u00e7\u00facar, especialmente aquele adicionado \u00e0s bebidas a\u00e7ucaradas e aos produtos ultraprocessados, cada vez mais presentes na mesa dos brasileiros. S\u00e3o alimentos que cont\u00eam mais sal, mais a\u00e7\u00facar, mais gordura, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de aditivos e conservantes que ningu\u00e9m sabe precisamente o real efeito sobre a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Um estudo divulgado na revista cient\u00edfica British Medical Journal afirma que o consumo de bebidas a\u00e7ucaradas como refrigerantes e sucos ado\u00e7ados artificialmente est\u00e1 associado a um risco maior de desenvolvimento de certos tipos de c\u00e2ncer, como o de mama, pr\u00f3stata e intestino.<\/p>\n<p>O estudo foi conduzido por pesquisadores franceses que avaliaram o comportamento de mais de 100 mil adultos e descobriram que quem ingere apenas 100 ml de bebidas a\u00e7ucaradas por dia tem um risco 18% maior de ter c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 diversos problemas de sa\u00fade cr\u00f4nicos associados ao aumento da obesidade, especialmente a hipertens\u00e3o arterial e o diabetes, at\u00e9 pouco tempo consideradas doen\u00e7as exclusivas de adultos. Estima-se que, por causa desses problemas, uma gera\u00e7\u00e3o inteira de crian\u00e7as viver\u00e1 pior do que os seus pais, acendendo o alerta vermelho para pesquisadores, institui\u00e7\u00f5es e governo.<\/p>\n<p>Afinal, est\u00e1 na hora de tratarmos o a\u00e7\u00facar como tratamos o tabaco?<\/p>\n<p><strong>Cerco \u00e0s bebidas a\u00e7ucaradas<\/strong><\/p>\n<p>A BBC News Brasil ouviu nutricionistas, representantes de entidades de defesa do consumidor, pesquisadores, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) e a ind\u00fastria de alimentos e bebidas para discutir os malef\u00edcios do a\u00e7\u00facar para a sa\u00fade e o que est\u00e1 sendo feito em sa\u00fade p\u00fablica para minimizar esses danos.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 que a preocupa\u00e7\u00e3o com o excesso de consumo existe, tanto por parte das entidades de defesa do consumidor, que sugerem medidas mais duras, como o fim da publicidade voltada para o p\u00fablico infantil e alertas nos r\u00f3tulos dos alimentos, quanto por parte do governo, que admite o problema e destaca como medida a assinatura de um acordo com a ind\u00fastria para a redu\u00e7\u00e3o da quantidade de a\u00e7\u00facar nos alimentos industrializados.<\/p>\n<p>Mas, para entidades e pesquisadores, isso ainda \u00e9 muito pouco e o pa\u00eds est\u00e1 longe de ter uma medida realmente efetiva em sa\u00fade p\u00fablica contra o a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>&#8220;Com rela\u00e7\u00e3o ao a\u00e7\u00facar, n\u00f3s estamos a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do sucesso da campanha contra o tabagismo, que foi uma das campanhas de sa\u00fade p\u00fablica de maior sucesso no pa\u00eds. E nenhum pa\u00eds ainda conseguiu reverter ou estagnar o \u00edndice crescente de obesidade&#8221;, disse a nutricionista Maria Laura da Costa Louzada, pesquisadora do N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade (Nupens), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e professora do Departamento de Pol\u00edticas P\u00fablicas e Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p>Para pesquisadores e entidades de defesa do consumidor, o primeiro passo para lidar com o problema de maneira eficaz seria alterar a rotulagem dos alimentos ultraprocessados e bebidas a\u00e7ucaradas adicionando um s\u00edmbolo de alerta indicando alto teor de a\u00e7\u00facar, de s\u00f3dio ou gordura na parte frontal da embalagem.<\/p>\n<p>Depois, defendem tributar a produ\u00e7\u00e3o de bebidas a\u00e7ucaradas, que no Brasil tem subs\u00eddio do governo: nos \u00faltimos dias o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou um decreto ampliando de 8% para 10% o benef\u00edcio fiscal do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) para a fabrica\u00e7\u00e3o de concentrados de refrigerantes. &#8220;Estamos na contram\u00e3o dos pa\u00edses desenvolvidos. Cerca de 40 pa\u00edses tributam as bebidas e aqui concedemos isen\u00e7\u00f5es e cr\u00e9ditos fiscais. O caminho do subs\u00eddio \u00e9 um grande problema a ser enfrentado&#8221;, avalia a nutricionista Ana Paula Bortoletto, l\u00edder do Programa de Alimenta\u00e7\u00e3o Saud\u00e1vel do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).<\/p>\n<p><strong>Ultraprocessados<\/strong><\/p>\n<p>Entre os exemplos de alimentos ultraprocessados est\u00e3o p\u00e3es de forma, iogurtes prontos, sucos de caixinha, macarr\u00e3o instant\u00e2neo, barras de cereais, gelatinas e at\u00e9 o aparentemente inofensivo peito de peru. S\u00e3o alimentos cada vez mais consumidos pelos brasileiros &#8211; pela facilidade de acesso e pelo baixo pre\u00e7o &#8211; mas s\u00e3o ricos em calorias, sal, a\u00e7\u00facar, gordura, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de aditivos e conservantes que ningu\u00e9m sabe de fato o real efeito sobre a sa\u00fade. As bebidas a\u00e7ucaradas incluem refrigerantes, n\u00e9ctares (sucos de caixinha), sucos em p\u00f3 e outras bebidas ado\u00e7adas.<\/p>\n<p>Trata-se de uma classifica\u00e7\u00e3o &#8220;nova&#8221; da tabela de alimentos, que passou a ser considerada apenas em 2014 com a publica\u00e7\u00e3o da segunda edi\u00e7\u00e3o do Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e a ado\u00e7\u00e3o do sistema de classifica\u00e7\u00e3o alimentar NOVA, elaborado pelo N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, da USP.<\/p>\n<p>Segundo a nutricionista Maria Laura Louzada, pesquisadora do Nupens e professora da Unifesp, a altera\u00e7\u00e3o ocorreu depois que pesquisadores perceberam, por meio da Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, que a popula\u00e7\u00e3o comprava cada vez menos a\u00e7\u00facar refinado, sal e \u00f3leo, mas continuavam engordando.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, havia cada vez mais industrializados \u00e0 mesa. &#8220;Nos demos conta de que o problema n\u00e3o era exatamente o a\u00e7\u00facar que adicionamos ao cafezinho, mas sim o a\u00e7\u00facar presente nos outros alimentos&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o Brasil \u00e9 o quarto maior consumidor de a\u00e7\u00facar no mundo (12 milh\u00f5es de toneladas\/ano), atr\u00e1s apenas da \u00cdndia, da Uni\u00e3o Europeia e da China. Ainda segundo a entidade, o brasileiros consomem 50% a mais de a\u00e7\u00facar do que o recomendado. Isso significa que, por dia, cada brasileiro, consome, em m\u00e9dia, 18 colheres de ch\u00e1 do produto (o que corresponde a 80g de a\u00e7\u00facar\/dia), quando o recomendado pela OMS seria at\u00e9 12 colheres.<\/p>\n<p>O consumo excessivo de a\u00e7\u00facar causa, entre outros problemas, danos ao f\u00edgado, que armazena glicose (um tipo de a\u00e7\u00facar) e, em excesso, se transforma em gordura; danos ao p\u00e2ncreas, respons\u00e1vel pela libera\u00e7\u00e3o da insulina (que auxilia na entrada de glicose nas c\u00e9lulas); aumento do aparecimento de c\u00e1ries nos dentes; al\u00e9m do excesso de peso que pode evoluir para obesidade, press\u00e3o alta, diabetes e outras complica\u00e7\u00f5es. &#8220;Enquanto pa\u00edses do hemisf\u00e9rio Norte j\u00e1 consomem 80% de alimentos ultraprocessados, n\u00f3s ainda consumimos em torno de 30%. \u00c9 poss\u00edvel reverter isso, mas ainda falta muita informa\u00e7\u00e3o&#8221;, avalia Bortoletto, do Programa de Alimenta\u00e7\u00e3o Saud\u00e1vel do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).<\/p>\n<p><strong>Debate sobre altera\u00e7\u00e3o dos r\u00f3tulos<\/strong><\/p>\n<p>Para tentar frear a epidemia de obesidade e o aumento da ingest\u00e3o de produtos ultraprocessados, pesquisadores e entidades de defesa do consumidor sugerem a altera\u00e7\u00e3o na rotulagem dos alimentos, incluindo s\u00edmbolos na parte da frente da embalagem alertando para o alto teor de a\u00e7\u00facar, s\u00f3dio e gordura, a exemplo do que j\u00e1 est\u00e1 sendo feito no Chile e no Canad\u00e1. Hoje, os r\u00f3tulos n\u00e3o s\u00e3o obrigados a informar a quantidade de determinado nutriente, apenas que ele est\u00e1 presente na composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da engenheira de alimentos Rosires Deliza, pesquisadora da Embrapa Agroind\u00fastria de Alimentos, se o consumidor souber o que est\u00e1 de fato consumindo, ele poder\u00e1 buscar comprar o alimento que ele considerar mais saud\u00e1vel. &#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil traduzir um r\u00f3tulo da forma como \u00e9 feito hoje. A ordem que os ingredientes aparecem indica qual deles est\u00e1 em maior quantidade. O a\u00e7\u00facar, em geral, \u00e9 o primeiro da lista. Mas ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a saber isso&#8221;, afirma Deliza.<\/p>\n<p>Para descobrir se o consumidor conseguia identificar alimentos saud\u00e1veis e n\u00e3o saud\u00e1veis por meio da embalagem, Deliza e uma equipe de pesquisadores da Embrapa avaliaram a efic\u00e1cia da rotulagem atual, chamada GDA (refer\u00eancia de ingest\u00e3o di\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o a uma dieta adulta padr\u00e3o), com outros seis modelos de r\u00f3tulos, incluindo o sem\u00e1foro nutricional (de colocar alertas em cores verde, vermelha e amarela) e cinco s\u00edmbolos de alerta: oct\u00f3gono preto, tri\u00e2ngulo preto, c\u00edrculo vermelho, lupa vermelha e lupa preta.<\/p>\n<p>&#8220;Constatamos que o modelo atual, o GDA, foi o que as pessoas tiveram mais dificuldades de indicar os alimentos saud\u00e1veis por serem r\u00f3tulos confusos. Com o sem\u00e1foro, gerou confus\u00e3o, pois uma mesma embalagem podia ter cor vermelha por ser alta em s\u00f3dio, mas tamb\u00e9m a cor verde por ter pouco a\u00e7\u00facar. Entre os alertas, o oct\u00f3gono preto foi o s\u00edmbolo que as pessoas identificaram mais r\u00e1pido, como sendo algo prejudicial&#8221;, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Com base nesses dados, as entidades prop\u00f5em mudan\u00e7as nas rotulagens. O assunto est\u00e1 em discuss\u00e3o na Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) h\u00e1 mais de um ano e a previs\u00e3o \u00e9 que uma consulta p\u00fablica seja disponibilizada para a popula\u00e7\u00e3o opinar sobre o tema em setembro deste ano. Em nota, a Anvisa informou que a norma vigente sobre rotulagem nutricional \u00e9 de 2003 e, apesar dos avan\u00e7os, ainda h\u00e1 dificuldades de utiliza\u00e7\u00e3o dessa rotulagem pelos consumidores brasileiros.<\/p>\n<p>&#8220;A principal raz\u00e3o para interven\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria da Anvisa \u00e9 garantir aos consumidores o acesso \u00e0s principais informa\u00e7\u00f5es sobre os alimentos, de forma simples, padronizada, precisa e compreens\u00edvel, evitando pr\u00e1ticas enganosas e contribuindo para a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade&#8221;, informou a ag\u00eancia, em nota. A Anvisa informou ainda que uma das principais alternativas regulat\u00f3rias ser\u00e1, sim, o uso da rotulagem nutricional frontal com a divulga\u00e7\u00e3o de nutrientes considerados cr\u00edticos \u00e0 sa\u00fade, entre eles o a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>As entidades tamb\u00e9m defendem o fim da publicidade voltada para o p\u00fablico infantil, associando personagens e bichinhos aos alimentos considerados n\u00e3o saud\u00e1veis, al\u00e9m do aumento da tributa\u00e7\u00e3o das bebidas a\u00e7ucaradas &#8211; no Brasil, elas s\u00e3o fabricadas na Zona Franca de Manaus, com isen\u00e7\u00e3o de impostos.<\/p>\n<p><strong>Acordo com a ind\u00fastria<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade admite o problema e afirmou, em nota oficial, que a preven\u00e7\u00e3o da obesidade e das doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis \u00e9 uma das prioridades do governo. Como exemplo, cita que fez acordo com a ind\u00fastria de alimentos e assumiu a meta de reduzir 144 mil toneladas de a\u00e7\u00facar at\u00e9 2022, em cinco categorias de alimentos: mistura para bolos, produtos l\u00e1cteos, achocolatados, bebidas a\u00e7ucaradas e biscoito recheados.<\/p>\n<p>&#8220;Ao estabelecer a meta at\u00e9 2022, o Brasil se destaca como um dos primeiros pa\u00edses do mundo a buscar a diminui\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar nos alimentos processados e ultraprocessados. A meta foi estabelecida por meio de um Termo de Compromisso assinado entre o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e associa\u00e7\u00f5es representativas do setor produtivo brasileiro&#8221;, diz a nota. O acordo \u00e9 similar ao pacto firmado em 2011 para a redu\u00e7\u00e3o de s\u00f3dio nos alimentos, eliminando mais de 17 mil toneladas de s\u00f3dio em quatro anos.<\/p>\n<p>Segundo o minist\u00e9rio, as associa\u00e7\u00f5es Abia (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias da Alimenta\u00e7\u00e3o); Abimapi (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Biscoitos, Massas Aliment\u00edcias e P\u00e3es &amp; Bolos Industrializados), Abir (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de Refrigerantes e Bebidas N\u00e3o Alco\u00f3licas) e Viva L\u00e1cteos (Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria de L\u00e1cteos) comprometeram-se com essa meta de forma volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para pesquisadores da \u00e1rea, esses acordos s\u00e3o pouco efetivos, pois al\u00e9m de serem volunt\u00e1rios, possuem metas muito baixas.<\/p>\n<p>O governo afirmou tamb\u00e9m que, no ano passado, o pa\u00eds assumiu o compromisso de deter o crescimento da obesidade na popula\u00e7\u00e3o adulta por meio de pol\u00edticas de sa\u00fade e seguran\u00e7a alimentar e nutricional; como reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na popula\u00e7\u00e3o adulta e ampliar em no m\u00ednimo de 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortali\u00e7as regularmente.<\/p>\n<p>&#8220;Para qualquer mudan\u00e7a precisa haver uma parceria muito grande entre governo, entidades, ind\u00fastria. N\u00e3o adianta nada fazermos estudos, chegarmos ao resultado e n\u00e3o ser colocado em pr\u00e1tica. O Chile implementou de maneira pioneira a mudan\u00e7a nos r\u00f3tulos faz dois anos. Estamos todos querendo saber os resultados&#8221;, avaliou Deliza, pesquisadora da Embrapa Agroind\u00fastria de Alimentos.<\/p>\n<p>Em nota, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Alimentos (Abia) e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Refrigerantes (Abir) informaram ter consci\u00eancia de sua responsabilidade em contribuir com bem-estar de seus consumidores, produzindo alimentos saud\u00e1veis e seguros. &#8220;Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar, 68 empresas associadas assinaram o termo de compromisso [com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade]. Juntas, representam 87% do mercado nacional de alimentos e bebidas&#8221;, diz a nota.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria de alimentos e bebidas informou ainda que apoia a mudan\u00e7a nos r\u00f3tulos e que est\u00e1 contribuindo com a Anvisa. &#8220;A Rede Rotulagem, formada por 20 entidades ligadas ao setor, defende que sejam utilizados r\u00f3tulos informativos com todos os dados para que o consumidor tenha liberdade de escolha. Entende que os modelos de advert\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o democr\u00e1ticos e comprometem a percep\u00e7\u00e3o do consumidor. S\u00e3o propostas alarmistas sem o objetivo de informar e, tampouco, auxiliar as pessoas&#8221;, afirma o comunicado.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 publicidade dirigida ao p\u00fablico infantil, a Abia informou que possui um acordo de apenas anunciar produtos para crian\u00e7as menores de 12 anos de idade que atendam aos crit\u00e9rios nutricionais comuns ou n\u00e3o anunciar produtos para menores de 12 anos. E com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sugest\u00e3o de taxar as bebidas a\u00e7ucaradas, a Abir informou que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 nenhum estudo que comprove a efic\u00e1cia desta medida no combate \u00e0 obesidade, doen\u00e7a multifatorial. Focar em refrigerantes tamb\u00e9m seria ineficaz. Dados da Vigitel\/Minist\u00e9rio da Sa\u00fade constataram uma queda de 40% no consumo de refrigerantes na \u00faltima d\u00e9cada.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 a Uni\u00e3o da Ind\u00fastria de Cana-de-A\u00e7\u00facar (Unica) informou, em nota, que &#8220;recha\u00e7a todas as pretens\u00f5es de controlar o consumo de a\u00e7\u00facar por vias regulat\u00f3rias&#8221;. Acrescenta que &#8220;\u00e9 comprovado que a maior parte do consumo de a\u00e7\u00facar do pa\u00eds prov\u00e9m da adi\u00e7\u00e3o feita no preparo final dos alimentos&#8221;. A Unica disse ainda ser a favor do debate de ideias e da busca de solu\u00e7\u00f5es que garantam a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil N\u00e3o \u00e9 de hoje que observamos que a popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 cada vez mais gorda &#8211; o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-9133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9133"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9138,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9133\/revisions\/9138"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}