{"id":9071,"date":"2019-12-09T12:56:23","date_gmt":"2019-12-09T12:56:23","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=9071"},"modified":"2019-12-09T12:56:23","modified_gmt":"2019-12-09T12:56:23","slug":"pre-diabetes-um-diagnostico-util-e-questionado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/12\/pre-diabetes-um-diagnostico-util-e-questionado\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9-diabetes, um diagn\u00f3stico \u00fatil e questionado"},"content":{"rendered":"<p>fonte: El Pa\u00eds Brasil<\/p>\n<p class=\"\">Milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o t\u00eam sua taxa de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/azucar\" data-link-track-dtm=\"\">a\u00e7\u00facar<\/a>\u00a0como deveria. Costumam ser as mesmas que frequentemente afirmam, sem dar muita import\u00e2ncia: \u201cN\u00e3o tenho diabetes, s\u00f3 um pouco de a\u00e7\u00facar\u201d. Certo, n\u00e3o s\u00e3o diab\u00e9ticas, mas seus n\u00edveis de glicose no sangue denunciam a seus m\u00e9dicos que algo n\u00e3o vai totalmente bem. H\u00e1 20 anos nasceu para essas pessoas um novo conceito: a pr\u00e9-diabetes, um termo criado para que m\u00e9dicos e pacientes levem a s\u00e9rio o aumento do a\u00e7\u00facar e freiem o surgimento de uma diabetes tipo 2. Entretanto, o r\u00f3tulo se recusa a se popularizar, e ao mesmo tempo \u00e9 questionado por vozes especialistas.<\/p>\n<p class=\"\">Essas posturas cr\u00edticas s\u00e3o citadas na revista\u00a0<em>Science<\/em>\u00a0em um recente artigo que avalia a pr\u00e9-diabete como uma condi\u00e7\u00e3o que se soma \u00e0 debatida medicaliza\u00e7\u00e3o, com um elevado custo em campanhas e tratamentos sem respaldo de provas cient\u00edficas. Criada pela Associa\u00e7\u00e3o Americana da Diabete (ADA), a pr\u00e9-diabete foi proposta como alternativa ao conceito hist\u00f3rico, e muito mais difundido, de glicemia alterada em jejum. O prop\u00f3sito da mudan\u00e7a \u00e9 responder ao grave aumento da obesidade e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/09\/17\/sociedad\/1410970603_680080.html\" data-link-track-dtm=\"\">diabete em escala planet\u00e1ria<\/a>, atendendo a sinais prematuros. Um dos primeiros trabalhos a apontar o diagn\u00f3stico precoce de diabetes foram os de Enrique Caballero, da Escola de Medicina de Harvard, cujos resultados indicavam que entre 5 e 10% das pessoas pr\u00e9-diab\u00e9ticas acabam sofrendo diabete no ano seguinte, e em torno do 50% ao cabo de dez anos. Esses dados motivaram os Centros para o Controle e a Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC) dos Estados Unidos a declararem guerra \u00e0 pr\u00e9-diabete, entendida como o caminho para acabar com a diabete, uma doen\u00e7a que pode resultar em amputa\u00e7\u00f5es, cegueira e ataque card\u00edaco.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Uma preven\u00e7\u00e3o discutida<\/h3>\n<p class=\"\">Como quase tudo na medicina preventiva, a pr\u00e9-diabete n\u00e3o se salva do debate, e muitos cientistas questionam a necessidade de identificar e tratar a pr\u00e9-diabete conforme definida pela ADA, entidade que entre 2004 e 2010 alterou o \u00edndice de refer\u00eancia de a\u00e7\u00facar no sangue considerado como pr\u00e9-diab\u00e9tico para 100-126 mg\/dl, em vez da margem cl\u00e1ssica 110-140 mg\/dl, criando com uma canetada dezenas de milh\u00f5es de pacientes potenciais nos Estados Unidos. \u201c\u00c9 pol\u00eamico porque abrange mais pessoas sem um risco suficientemente elevado de diabetes\u201d, destaca Javier Garc\u00eda Soid\u00e1n, membro do patronato da Funda\u00e7\u00e3o Rede de Grupos de Estudo da Diabetes em Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria da Sa\u00fade (redGDPS) da Espanha.<\/p>\n<p class=\"\">Com os anos, outros estudos cient\u00edficos, como a revis\u00e3o de 2018 da Cochcrane Collaboration, que mostrou que 59% dos pacientes pr\u00e9-diab\u00e9ticos voltaram aos valores glic\u00eamicos normais numa margem de 1 a 11 anos sem tratamento, vieram a questionar a necessidade do diagn\u00f3stico pr\u00e9-diab\u00e9tico, o que leva n\u00e3o poucos especialistas a verem na pr\u00e9-diabete uma medida alarmista, sem benef\u00edcios claros do diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p class=\"\">Embora o consenso m\u00e9dico apoie a dieta saud\u00e1vel e o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ejercicio_fisico\" data-link-track-dtm=\"\">exerc\u00edcio f\u00edsico<\/a>\u00a0regular para manter o a\u00e7\u00facar sob controle, e seja amplamente aceito que n\u00edveis algo elevados de glicose podem evoluir para a diabete, a diverg\u00eancia aparece em quest\u00f5es fundamentais. Por exemplo, com que frequ\u00eancia e rapidez as pessoas pr\u00e9-diab\u00e9ticas progridem para diab\u00e9ticas, e at\u00e9 que ponto a pr\u00e9-diabete \u00e9 nociva quando os n\u00edveis de um paciente est\u00e3o no extremo inferior do espectro. De fato, os CDC, que em princ\u00edpio defendiam que entre 15% e 30% dos pacientes com pr\u00e9-diabete n\u00e3o tratada desenvolvem diabetes em um prazo de cinco anos, reduziram a caracteriza\u00e7\u00e3o do risco a menos de 2% no prazo de um ano, e menos de 10% em cinco anos.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Um problema revers\u00edvel<\/h3>\n<p class=\"\">\u201cA sociedade n\u00e3o conhece a pr\u00e9-diabete nem a diabete. Embora se estime que 6 milh\u00f5es de pessoas sejam diab\u00e9ticas na Espanha, 1,5 milh\u00e3o n\u00e3o sabem disso. A pr\u00e9-diabete serve para localizar as pessoas que a t\u00eam. O fundamental \u00e9 entender que a pr\u00e9-diabete pode ser revertida, mas a diabete n\u00e3o\u201d, explica Andoni Lorenzo, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Espanhola de Diabete (FEDE), que avalia a pr\u00e9-diabete como uma oportunidade de conscientizar a popula\u00e7\u00e3o para os dados \u201cterr\u00edveis\u201d da diabete na Espanha: 25.000 pessoas morrem por ano em decorr\u00eancia da doen\u00e7a, ou 68 por dia.<\/p>\n<p class=\"\">Para Lorenzo, n\u00e3o \u00e9 alarmista antecipar-se \u00e0 doen\u00e7a cortando os n\u00edveis, levando-se em conta que s\u00e3o diagnosticados 1.100 casos de diabete por dia. \u201c\u00c9 uma forma de mudar a vis\u00e3o e a metodologia do diagn\u00f3stico e a preven\u00e7\u00e3o. Na rua a doen\u00e7a ainda \u00e9 banalizada, embora lideremos as amputa\u00e7\u00f5es relacionadas com a diabetes na Europa, e o gasto sanit\u00e1rio supere o do Minist\u00e9rio de Defesa\u201d, observa o presidente da FEDE.<\/p>\n<p class=\"\">Uma leitura semelhante \u00e9 compartilhada pelo endocrinologista Alfonso L\u00f3pez Alba, respons\u00e1vel por comunica\u00e7\u00e3o da Sociedade Espanhola de Diabetes (SEDE): \u201cA pr\u00e9-diabete n\u00e3o implica transformar pessoas s\u00e3s em pacientes, mas sim indica estrat\u00e9gias para melhorar a educa\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. Por\u00e9m faltam medidas como a especializa\u00e7\u00e3o de enfermaria e de outros \u00e2mbitos, como cirurgia, psiquiatria e ginecologia. A diabete \u00e9 a doen\u00e7a que melhor podemos tratar desde o come\u00e7o, nenhuma outra pode retomar melhor as r\u00e9deas de nossa gen\u00e9tica por mudar nosso estilo de vida, e isso \u00e9 algo para levar em conta quando sabemos que a diabete triplica o custo sanit\u00e1rio m\u00e9dio\u201d, salienta esse especialista.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">O benef\u00edcio a um custo razo\u00e1vel<\/h3>\n<p class=\"\">Na Espanha, o estudo PREDAPS, que durante cinco anos avaliou a pr\u00e9-diabete, situa o corte de n\u00edvel de glicose que melhor prediz o desenvolvimento de diabetes em 110 mg\/dl, como tamb\u00e9m defende a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/oms_organizacion_mundial_salud\/a\" data-link-track-dtm=\"\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/a>. \u201cA faixa entre 110 e 140 de glicose tem um benef\u00edcio grande a um custo razo\u00e1vel, mas reduzi-lo a 100 faz que o custo dispare com um risco bastante baixo. Na Espanha, n\u00e3o \u00e9 efetivo\u201d, sentencia Garc\u00eda Soid\u00e1n, coautor do estudo.<\/p>\n<p class=\"\">Al\u00e9m da glicemia basal em jejum, o diagn\u00f3stico mais utilizado, outros m\u00e9todos para avaliar a pr\u00e9-diabete s\u00e3o a sobrecarga de glicose, sobretudo em mulheres gr\u00e1vidas\u00a0\u2014 um consumo e 75 a 100 gramas de glicose em jejum, cujo n\u00edvel \u00e9 medido ao cabo de uma ou duas horas\u00a0\u2014 e a hemoglobina glicosilada, um diagn\u00f3stico baseado em avaliar os gl\u00f3bulos vermelhos a cada tr\u00eas meses, que se incorporou com for\u00e7a nos \u00faltimos anos, e que estabelece a pr\u00e9-diabete quando o n\u00edvel supera 5,7%. \u201cComprovamos que entre 5,7% e 6% o risco \u00e9 muito baixo. Para que seja efetivo, deve estar acima de 6%\u201d, aponta esse cl\u00ednico geral.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">N\u00e3o s\u00f3 a diabete est\u00e1 em jogo<\/h3>\n<p class=\"\">O risco da pr\u00e9-diabete n\u00e3o se limita a desenvolver diabete. Verificou-se que entre 70 e 80% das pessoas pr\u00e9-diab\u00e9ticas padecem de s\u00edndrome metab\u00f3lica com um progn\u00f3stico ruim em longo prazo, e tamb\u00e9m se associa ao sobrepeso e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/obesidad\" data-link-track-dtm=\"\">obesidade<\/a>\u00a0entre 80% e 90% dos afetados. \u201cNa Espanha, pessoas com glicemia entre 110 e 126 mg\/dl s\u00e3o consideradas popula\u00e7\u00e3o de alto risco, e com a hemoglobina glicosilada entre 6%-6,5%, e as que t\u00eam ambas as coisas alteradas t\u00eam um risco enorme\u201d, descreve Garc\u00eda Soid\u00e1n.<\/p>\n<p class=\"\">Apesar dos riscos, a desconfian\u00e7a que paira sobre a diabetes se relaciona com a poss\u00edvel cria\u00e7\u00e3o de novos pacientes para o neg\u00f3cio farmac\u00eautico, algo pouco fundamentado, segundo Garc\u00eda Soid\u00e1n, que recorda que a metaformina, indicada para a diabete, pode reduzir o risco de desenvolver pr\u00e9-diabete, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Internacional da Diabete, em pessoas com problemas de peso, menores de 60 anos, mas que n\u00e3o seguiam as orienta\u00e7\u00f5es de estilo de vida, embora n\u00e3o seja receitada pelas autoridades sanit\u00e1rias \u00e0s pessoas pr\u00e9-diab\u00e9ticas por falta de provas sobre sua efic\u00e1cia. \u201cH\u00e1 medicamentos para a diabete ou a obesidade que podem funcionar, mas o benef\u00edcio maior \u00e9 a alimenta\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio, que reduz o risco em at\u00e9 60%. O importante aqui \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o pelos h\u00e1bitos, mais que por medicamentos\u201d, conclui o cl\u00ednico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: El Pa\u00eds Brasil Milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o t\u00eam sua taxa de\u00a0a\u00e7\u00facar\u00a0como deveria. 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