{"id":8912,"date":"2019-10-29T12:02:03","date_gmt":"2019-10-29T12:02:03","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=8912"},"modified":"2019-10-29T12:02:03","modified_gmt":"2019-10-29T12:02:03","slug":"mortalidade-hospitalar-no-estado-do-rio-e-a-maior-do-pais-em-leitos-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/10\/mortalidade-hospitalar-no-estado-do-rio-e-a-maior-do-pais-em-leitos-do-sus\/","title":{"rendered":"Mortalidade hospitalar no estado do Rio \u00e9 a maior do pa\u00eds em leitos do SUS"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Al\u00e9m da\u00a0<strong>crise<\/strong>\u00a0na rede p\u00fablica de\u00a0<strong>sa\u00fade<\/strong>\u00a0, o Rio amarga uma triste estat\u00edstica: o estado tem a mais alta taxa de\u00a0<strong>mortalidade hospitalar\u00a0<\/strong>geral e em cl\u00ednica m\u00e9dica nos leitos do\u00a0<strong>Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)<\/strong>\u00a0do pa\u00eds. Enquanto a m\u00e9dia no Brasil em cl\u00ednica m\u00e9dica, no primeiro semestre deste ano, ficou em 10,15%, esta taxa no Rio foi de 17,26%. J\u00e1 a m\u00e9dia nacional em todas as especialidades chegou a 4,49%. No Rio, atingiu 7,12%.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, Tamires Santos assistiu, impotente, \u00e0 m\u00e3e sucumbir aos poucos num leito do\u00a0<strong>Hospital municipal Pedro II<\/strong>\u00a0, em Santa Cruz. Ap\u00f3s 24 dias internada na emerg\u00eancia, ela morreu no dia 16. Aos 50 anos, diab\u00e9tica e hipertensa, Cristiane da Silva Santos procurou a unidade de sa\u00fade por causa de uma ferida no p\u00e9.<\/p>\n<p>\u2014 Ela chegou falando, l\u00facida. O m\u00e9dico disse que seria preciso amputar um dedo do p\u00e9. O tempo foi passando e a ferida tomou conta de todo o p\u00e9 da minha m\u00e3e, que necrosou. Foram dois dias sem fazer curativo. Ela piorou naquela sala quente, com moscas e ventiladores imundos \u2014 contou Tamires.<\/p>\n<p>No dia 14, Cristiane teve a perna amputada e, dois dias depois, ela morreu.<\/p>\n<p>Entre os hospitais com leitos do SUS no Rio, o Pedro II \u2014 da rede municipal \u2014 teve a terceira maior taxa de mortalidade na cl\u00ednica m\u00e9dica (26,66%) no primeiro semestre. O\u00a0<strong>Carlos Chagas<\/strong>\u00a0, da rede estadual, ficou no topo, com 33,29%, o que significa que, de cada dez pacientes internados, tr\u00eas morrem. J\u00e1 na cl\u00ednica cir\u00fargica, o Pedro II teve a maior taxa de mortalidade (7,69%). Em seguida, veio o municipal\u00a0<strong>Salgado Filho<\/strong>\u00a0(7,45%), e o Carlos Chagas (7,08%). Nessa especialidade, a taxa m\u00e9dia nacional foi de 2,24%, e a m\u00e9dia do Estado do Rio, de 3,02%.<\/p>\n<p>Na pediatria, o percentual de pacientes mortos foi registrado no\u00a0<strong>Hospital estadual Ad\u00e3o Pereira Nunes<\/strong>\u00a0, em Saracuruna: 13,9%. Em seguida, veio o Pedro II (4,04%) e o municipal\u00a0<strong>Albert Schweitzer\u00a0<\/strong>(3,16%), em Realengo.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es, dispon\u00edveis no site da prefeitura do Rio, foram organizadas pela Assessoria T\u00e9cnica da Informa\u00e7\u00e3o da Secretaria de Sa\u00fade, a partir de dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A taxa de mortalidade hospitalar toma por base o n\u00famero de autoriza\u00e7\u00f5es de interna\u00e7\u00e3o hospitalar (AIH). Dessa forma, n\u00e3o inclui \u00f3bitos na emerg\u00eancia, quando o paciente n\u00e3o chega a ser internado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mortalidade_sus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-8915\" src=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mortalidade_sus-543x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"543\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mortalidade_sus-543x1024.jpg 543w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mortalidade_sus-159x300.jpg 159w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mortalidade_sus-600x1130.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/mortalidade_sus.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 543px) 100vw, 543px\" \/><\/a><\/p>\n<p>DE PORTA EM PORTA SEM TRATAMENTO<\/p>\n<p>No fim de setembro, o aposentado Ant\u00f4nio de Sousa, de 68 anos, come\u00e7ou a apresentar diarreia e, depois, pris\u00e3o de ventre e reten\u00e7\u00e3o de l\u00edquido na barriga. Procurou a UPA duas vezes, a cl\u00ednica da fam\u00edlia e tr\u00eas hospitais. N\u00e3o passava do consult\u00f3rio da emerg\u00eancia. A fam\u00edlia se uniu e pagou a consulta com um hepatologista (especialista em f\u00edgado), que diagnosticou insufici\u00eancia na fun\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o. No dia 3, j\u00e1 com dificuldade para respirar, teve 4,5 litros de l\u00edquido puncionados da barriga. Na \u00faltima ter\u00e7a, passando mal, buscou socorro no Rocha Faria e, depois, no Pedro II.<\/p>\n<p>\u2014 No primeiro, ap\u00f3s tr\u00eas horas, fui dispensado. No segundo, cheguei \u00e0s 13h30 e sa\u00ed \u00e0s 20h. O m\u00e9dico n\u00e3o sa\u00eda da cirurgia, eu n\u00e3o parava de vomitar e acabei indo embora \u2014 contou Ant\u00f4nio, na \u00faltima quinta-feira. \u2014 Tenho f\u00e9 que vou ficar bom. Mas n\u00e3o tenho medo da morte. S\u00f3 n\u00e3o quero sentir dor.<\/p>\n<p>No dia seguinte, logo cedo, ele planejava voltar ao Rocha Faria. N\u00e3o houve tempo. Morreu dormindo naquela madrugada.<\/p>\n<p>De acordo com a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), a taxa de mortalidade hospitalar ou institucional \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o percentual entre o n\u00famero de \u00f3bitos que ocorreram ap\u00f3s decorridas pelo menos 24 horas da admiss\u00e3o hospitalar do paciente, em um m\u00eas, e o n\u00famero de pacientes que tiveram sa\u00edda do hospital (por alta, evas\u00e3o, desist\u00eancia do tratamento, transfer\u00eancia externa ou \u00f3bito) no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia do aumento da resolutividade dos procedimentos hospitalares sobre o paciente, considera-se 24 horas tempo suficiente para que a a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica e consequente responsabilidade do hospital seja efetivada.<\/p>\n<p>De acordo com especialistas, as causas das altas taxas de mortalidade hospitalar no Rio est\u00e3o ligadas \u00e0 qualidade do atendimento, mas tamb\u00e9m ao acesso da popula\u00e7\u00e3o a m\u00e9dicos nas cl\u00ednicas da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u2014 No fim do ano passado, a prefeitura fez uma reforma na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e houve piora brutal no atendimento nas cl\u00ednicas da fam\u00edlia. Casos clinicamente evit\u00e1veis, como hipertens\u00e3o e diabetes descompensados, est\u00e3o chegando aos hospitais em maior n\u00famero e estado grave \u2014 diz o vereador Paulo Pinheiro, membro da Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da C\u00e2mara.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico, que dirigiu o Miguel Couto por 14 anos, tamb\u00e9m cita a alta rotatividade nas equipes de enfermagem em hospitais administrados por organiza\u00e7\u00f5es sociais, em fun\u00e7\u00e3o de atrasos nos sal\u00e1rios:<\/p>\n<p>\u2014 Somado \u00e0 falta de insumos e medicamentos, isso acaba com a qualidade do atendimento.<\/p>\n<p>Presidente do Cremerj, Sylvio Provenzano tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para a fal\u00eancia na preven\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 A falta dela faz com que os pacientes cheguem a esses hospitais com condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade muito graves, tirando dos m\u00e9dicos, muitas vezes, a oportunidade de oferecer um tratamento que possa corrigir o problema e o resultado \u00e9 o \u00f3bito. \u00c9 com pesar que o Cremerj percebeu uma diminui\u00e7\u00e3o no programa de sa\u00fade da fam\u00edlia no Rio. Mas n\u00e3o \u00e9 somente isso. As condi\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia nos hospitais, principalmente nesses que t\u00eam as maiores taxas de mortalidade, deixam muito a desejar.<\/p>\n<p>A Secretaria municipal de Sa\u00fade do Rio afirmou que as taxas de mortalidade de cada unidade hospitalar est\u00e3o relacionadas ao perfil de atendimento, que inclui a complexidade dos pacientes, as especialidades e os recursos dispon\u00edveis, al\u00e9m das caracter\u00edsticas da regi\u00e3o em que est\u00e1 localizada. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, unidades com CTI (como as citadas) concentram casos mais graves e \u201ccom progn\u00f3stico desfavor\u00e1vel\u201d. Sobre o Pedro II e o Salgado Filho, a secretaria informou que atendem v\u00edtimas de acidentes e casos de neurocirurgia.<\/p>\n<p>A Secretaria estadual de Sa\u00fade afirmou que a crise financeira, nos \u00faltimos cinco anos, impactou diversos servi\u00e7os m\u00e9dicos, mas que tem investido nas redes municipais para melhorar a qualidade de atendimento.<\/p>\n<p>O N\u00facleo de Gest\u00e3o dos Hospitais Federais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no Rio afirmou que suas unidades recebem pacientes com doen\u00e7as graves como c\u00e2ncer, o que resulta em n\u00fameros de mortalidade maior do que a m\u00e9dia estadual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Al\u00e9m da\u00a0crise\u00a0na rede p\u00fablica de\u00a0sa\u00fade\u00a0, o Rio amarga uma triste estat\u00edstica: o estado tem a mais alta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-8912","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8912"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8912\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8916,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8912\/revisions\/8916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}