{"id":8871,"date":"2019-10-21T12:47:49","date_gmt":"2019-10-21T12:47:49","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=8871"},"modified":"2019-10-21T12:47:49","modified_gmt":"2019-10-21T12:47:49","slug":"hospitais-brasileiros-testam-robo-que-usa-inteligencia-artificial-contra-sepse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/10\/hospitais-brasileiros-testam-robo-que-usa-inteligencia-artificial-contra-sepse\/","title":{"rendered":"Hospitais brasileiros testam rob\u00f4 que usa intelig\u00eancia artificial contra sepse"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>A cada 3,8 segundos, o rob\u00f4 Laura faz uma varredura nas informa\u00e7\u00f5es sobre pacientes internados e, utilizando intelig\u00eancia artificial, consegue mapear casos de sepse, grave infec\u00e7\u00e3o que pode afetar o funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os e levar \u00e0 morte. A plataforma, criada pelo arquiteto de sistemas Jacson Fressatto, de 40 anos, est\u00e1 presente em 13 hospitais em tr\u00eas Estados e deve chegar \u00e0 capital e ao interior de S\u00e3o Paulo em novembro.<\/p>\n<p>Quadro que causa a morte de 250 mil pessoas ao ano no Pa\u00eds e de cerca de 6 milh\u00f5es de pacientes no mundo, a sepse tem sido alvo de estudos de institui\u00e7\u00f5es, principalmente dos Estados Unidos. A ideia de criar uma plataforma para evitar a complica\u00e7\u00e3o em pacientes que est\u00e3o internados ocorreu depois de uma trag\u00e9dia na fam\u00edlia de Fressatto. Em 2010, a filha Laura nasceu prematura e, ap\u00f3s 18 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), morreu por sepse.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 2012, fiquei estudando o que era e vi que se fazia necess\u00e1rio construir uma tecnologia que fosse integradora, mas pouco se falava em intelig\u00eancia artificial e \u201cmachine learning\u201d (aprendizado das m\u00e1quinas)\u201d, lembra Fressatto. \u201cPassei a investir recursos pessoais, vendi meu patrim\u00f4nio e constru\u00ed, em 2015, um prot\u00f3tipo que foi testado em um hospital para validar o tratamento.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o fundador do Instituto Laura Fressatto, a primeira implementa\u00e7\u00e3o foi em julho do ano seguinte no Hospital Nossa Senhora das Gra\u00e7as, em Curitiba, e a plataforma se mostrou eficiente. O balan\u00e7o da entidade, de outubro de 2016 a junho deste ano, aponta que 2,5 milh\u00f5es de pacientes j\u00e1 foram monitorados e 12.289 acabaram beneficiados pela tecnologia. \u201cA minha meta pessoal n\u00e3o est\u00e1 relacionada com o que eu passei, mas em saber que a gente pode ter um controle efetivo de risco de morte. N\u00e3o sou m\u00e9dico nem da \u00e1rea de sa\u00fade, mas o que fiz salva 12 pessoas por dia.\u201d<\/p>\n<p>Atualmente, a plataforma est\u00e1 em funcionamento em cinco hospitais do Paran\u00e1, entre eles o Erasto Gaertner e o Nossa Senhora das Gra\u00e7as, na capital, al\u00e9m de uma institui\u00e7\u00e3o de Minas e sete do complexo da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O valor de implementa\u00e7\u00e3o varia de acordo com o tamanho do hospital e h\u00e1 um gasto mensal de, em m\u00e9dia, R$ 4 mil.<\/p>\n<p>Infectologista e diretor m\u00e9dico da plataforma, Hugo Morales explica que a tecnologia funciona monitorando dados do prontu\u00e1rio do paciente e informa\u00e7\u00f5es contidas em uma ferramenta. Sinais vitais e resultados de exames s\u00e3o analisados pela plataforma, que emite alertas para a equipe m\u00e9dica, caso o paciente apresente altera\u00e7\u00f5es no quadro cl\u00ednico. \u201cA plataforma \u00e9 a potencializa\u00e7\u00e3o do ser humano pela m\u00e1quina, mas quem toma a decis\u00e3o \u00e9 o ser humano. Fizemos um estudo seis meses antes e seis meses depois do uso da tecnologia, com 55 mil pacientes. Tivemos redu\u00e7\u00e3o de mortalidade de 25% e o tempo de interna\u00e7\u00e3o caiu 10%.\u201d<\/p>\n<p>Diretor assistencial do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, em Foz do Igua\u00e7u (PR), Sandro Scarpetta diz que a ferramenta est\u00e1 sendo utilizada h\u00e1 pouco mais de um ano e j\u00e1 trouxe resultados. \u201cA (taxa) de mortalidade passou de 4,33% para 1,64%.\u201d<\/p>\n<p><b>Alerta<\/b><\/p>\n<p>Presidente do Instituto Latino-Americano de Sepse e intensivista do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, Luciano Azevedo observa que grupos em outros pa\u00edses est\u00e3o estudando e desenvolvendo plataformas para evitar a complica\u00e7\u00e3o, mas ainda s\u00e3o necess\u00e1rios trabalhos cient\u00edficos para comprovar a efic\u00e1cia. \u201cIsso \u00e9 uma tend\u00eancia, mas ainda n\u00e3o tem uma plataforma que esteja totalmente validada cientificamente para uso. \u00c9 como um medicamento, que passa por v\u00e1rias etapas de valida\u00e7\u00e3o\u201d, explica Azevedo.<\/p>\n<p>\u201cA intelig\u00eancia artificial que a gente tem ainda n\u00e3o \u00e9 capaz de discernir totalmente se \u00e9 um caso de sepse\u201d, observa ele. \u201cSe alarma o tempo inteiro com pacientes que n\u00e3o t\u00eam sepse, fadiga a equipe m\u00e9dica. Mas, no futuro, certamente ajudar\u00e1.\u201d<\/p>\n<p><b>Diagn\u00f3stico<\/b><\/p>\n<p>A dona de casa Francielli Colle Santana, de 34 anos, estava gr\u00e1vida de 21 semanas do segundo filho quando sentiu um mal-estar, em abril do ano passado. Ela buscou um hospital e foi liberada ap\u00f3s tr\u00eas dias de interna\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o melhorou.<\/p>\n<p>\u201cFiquei mais dois ou tr\u00eas dias em casa, mas estava com muita fraqueza e falta de ar\u201d, lembra ela. \u201cFui diagnosticada com sepse por causa do rob\u00f4, que deu um alerta. Uma bact\u00e9ria dent\u00e1ria pegou uma v\u00e1lvula do meu cora\u00e7\u00e3o. Fiz uma cirurgia card\u00edaca gr\u00e1vida. O m\u00e9dico n\u00e3o deu muita esperan\u00e7a para o beb\u00ea.\u201d<\/p>\n<p>Naquele momento, Francielli n\u00e3o conseguia compreender a gravidade de seu estado. \u201cEstava t\u00e3o ruim que n\u00e3o conseguia pensar. Quem sofreu mais foi a minha fam\u00edlia.\u201d Foram 20 dias de interna\u00e7\u00e3o, mas a gravidez correu bem. Rafael, que est\u00e1 com 1 ano, e a m\u00e3e est\u00e3o saud\u00e1veis.<\/p>\n<p><b>Montanha-russa<\/b><\/p>\n<p>Bianca, de 1 ano e 8 meses, \u00e9 outra paciente que teve a sepse detectada com a plataforma. A m\u00e3e da crian\u00e7a, a jornalista J\u00e9ssica Amaral, de 33 anos, teve uma infec\u00e7\u00e3o no \u00fatero e a menina nasceu prematura. \u201cA gente ficou 77 dias na UTI. Durante a interna\u00e7\u00e3o, ela teve v\u00e1rias complica\u00e7\u00f5es: pneumonia, hemorragia pulmonar. Nem sabia que o hospital tinha essa tecnologia. Mas vi no laudo, depois, que ela teve a sepse. Foi uma forma de salvar a Bianca.\u201d<\/p>\n<p>No per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o, ela viu o rob\u00f4 Laura sendo utilizado pela equipe m\u00e9dica em outros pacientes. \u201cVia a movimenta\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos e descobri depois que era a sepse. A UTI \u00e9 uma montanha-russa. Um dia, a pessoa est\u00e1 bem, no outro, est\u00e1 muito ruim. A minha filha, quando quase estava saindo do hospital, teve a pneumonia. \u00c9 dif\u00edcil ver o come\u00e7o da vida daquele jeito.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o A cada 3,8 segundos, o rob\u00f4 Laura faz uma varredura nas informa\u00e7\u00f5es sobre pacientes internados e, utilizando intelig\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-8871","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8871","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8871"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8871\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8874,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8871\/revisions\/8874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}