{"id":8658,"date":"2019-09-16T19:38:36","date_gmt":"2019-09-16T19:38:36","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=8658"},"modified":"2019-09-16T19:38:36","modified_gmt":"2019-09-16T19:38:36","slug":"promessas-falsas-de-cura-do-cancer-geram-milhoes-de-visualizacoes-e-lucro-no-youtube","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/09\/promessas-falsas-de-cura-do-cancer-geram-milhoes-de-visualizacoes-e-lucro-no-youtube\/","title":{"rendered":"Promessas falsas de cura do c\u00e2ncer geram milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es e lucro no YouTube"},"content":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil<\/p>\n<p>&#8220;Oi, estou com um parente com met\u00e1stase \u00f3ssea, voc\u00ea pode me receitar esse rem\u00e9dio?&#8221;, pede Reginaldo, comentando em um v\u00eddeo no YouTube.<\/p>\n<p>Sua irm\u00e3, de 44 anos, foi diagnosticada com c\u00e2ncer de mama h\u00e1 tr\u00eas e est\u00e1 em seu terceiro tratamento de quimioterapia depois que o c\u00e2ncer se espalhou. Reginaldo dos Santos, um vendedor de Vit\u00f3ria da Conquista, na Bahia, procura a solu\u00e7\u00e3o em um v\u00eddeo intitulado &#8220;Rem\u00e9dio Caseiro Contra o c\u00e2ncer, tumores e outros&#8221;. E o rem\u00e9dio receitado \u00e9 o mel\u00e3o-de-s\u00e3o-caetano, planta de origem asi\u00e1tica.<\/p>\n<p>O autor do v\u00eddeo, um homem do interior do Estado do Esp\u00edrito Santo, \u00e9 dono do canal &#8220;Elizeu Artes e Cria\u00e7\u00e3o&#8221;. Em um v\u00eddeo, publicado em 2016, ele olha para c\u00e2mera e diz que a planta &#8220;combate tumores e c\u00e2ncer&#8221;. &#8220;De 80% a 90% das c\u00e9lulas de c\u00e2ncer s\u00e3o desfeitas com mel\u00e3o-de-s\u00e3o-caetano&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo, que cont\u00e9m an\u00fancios, tem 142 mil visualiza\u00e7\u00f5es e se mistura a outros de seu canal: &#8220;Sal e vinagre tira ou n\u00e3o queimados de panela?&#8221;, &#8220;Como fazer letras 3D&#8221;, &#8220;Como tirar manchas do rosto e limpar a pele com menos de R$ 5&#8221;. A promessa de curar c\u00e2ncer com mel\u00e3o-de-s\u00e3o-caetano, uma afirma\u00e7\u00e3o sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, est\u00e1 entre v\u00eddeos de &#8220;receitas, artes, experimentos e dicas dom\u00e9sticas&#8221;.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo \u00e9 apenas um entre v\u00e1rios em portugu\u00eas, carregados de desinforma\u00e7\u00e3o sobre sa\u00fade dispon\u00edveis na plataforma.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o exclusiva da BBC Brasil e do BBC Monitoring, bra\u00e7o da BBC que noticia e analisa informa\u00e7\u00f5es do mundo todo, encontrou v\u00eddeos monetizados com desinforma\u00e7\u00e3o e curas falsas para o c\u00e2ncer em 10 idiomas, incluindo portugu\u00eas. Um v\u00eddeo &#8220;monetizado&#8221; significa que \u00e9 acompanhado por an\u00fancios que podem gerar dinheiro, tanto para os criadores quanto para o YouTube.<\/p>\n<p>Em nota, o YouTube disse que &#8220;a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio dif\u00edcil&#8221; e que a empresa toma &#8220;diversas medidas para endere\u00e7ar isso&#8221; (leia a resposta completa do YouTube no fim desta reportagem).<\/p>\n<p>Procurando no YouTube por &#8220;tratamento para o c\u00e2ncer&#8221; e &#8220;cura para o c\u00e2ncer&#8221; em portugu\u00eas, ingl\u00eas, russo, ucraniano, \u00e1rabe, persa, hindi, alem\u00e3o, franc\u00eas e italiano, a BBC encontrou mais de 80 v\u00eddeos com desinforma\u00e7\u00e3o sobre sa\u00fade. Dez dos v\u00eddeos encontrados tinham mais de um milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es. Um v\u00eddeo brasileiro cujo t\u00edtulo diz que aranto, uma planta de origem africana, cura c\u00e2ncer, tem mais de 3 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o verdadeira \u2014 n\u00e3o h\u00e1 estudos cient\u00edficos que a comprovem.<\/p>\n<p>Mas milhares de brasileiros procuram por respostas no YouTube. &#8220;\u00c9 muito assustador quando voc\u00ea ou algu\u00e9m que voc\u00ea ama recebe um diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer&#8221;, diz o cardiologista Haider Warraich. &#8220;Isso nos faz tomar decis\u00f5es mais com a emo\u00e7\u00e3o do que com a raz\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Isso pode ser perigoso porque, como Warraich escreveu no jornal americano New York Times, a &#8220;desinforma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica pode provocar um n\u00famero de corpos ainda maior&#8221; que outros tipos de desinforma\u00e7\u00e3o. Uma pesquisa da Universidade Yale de 2017 concluiu que pacientes que optam por tratamentos alternativos para c\u00e2nceres cur\u00e1veis no lugar dos tratamentos convencionais t\u00eam maior risco de morte.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia, diz Warraich, &#8220;\u00e9 incerta por natureza&#8221;, enquanto alguns v\u00eddeos no YouTube oferecem respostas absolutas, algo que \u00e9 muito mais atrativo para quem est\u00e1 fazendo justamente isso \u2014 procurando solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">&#8216;ACREDITO EM PARTE&#8217;<\/h3>\n<p>Para Reginaldo, o YouTube oferece outras solu\u00e7\u00f5es que ele n\u00e3o v\u00ea na medicina. &#8220;Rem\u00e9dio caseiro \u00e9 sempre melhor que rem\u00e9dio de farm\u00e1cia.&#8221; Ele diz que tentou ajudar preparando garrafas de babosa e mel para a irm\u00e3 consumir paralelamente ao tratamento convencional. &#8220;Se os m\u00e9dicos falarem que funciona, eles param de ganhar dinheiro. Eu acredito neles em parte. \u00c9 que, quando a pessoa est\u00e1 boa, a quimioterapia parece matar mais que a pr\u00f3pria doen\u00e7a&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>Outras &#8220;curas&#8221; sem respaldo cient\u00edfico encontradas pela BBC envolvem o consumo de subst\u00e2ncias espec\u00edficas, como c\u00farcuma ou bicabornato de s\u00f3dio. Ou ent\u00e3o: dietas de sucos, jejum, leite de burra ou apenas \u00e1gua fervente.<\/p>\n<p>No Brasil, a maior parte das &#8220;curas&#8221; envolve frutas e plantas ex\u00f3ticas. Alguns dos v\u00eddeos incluem ressalvas como &#8220;procure o seu m\u00e9dico antes de adotar essa pr\u00e1tica&#8221;, embora divulguem no t\u00edtulo e outras partes do v\u00eddeo que a receita divulgada de fato oferece uma cura.<\/p>\n<p>Para Yasodara C\u00f3rdova, pesquisadora-s\u00eanior sobre desinforma\u00e7\u00e3o e dados na Digital Harvard Kennedy School, em Cambridge, EUA, o Brasil tem uma cultura de &#8220;sabedoria secular e confian\u00e7a nos recursos naturais&#8221;, em outras palavras, um potencial cient\u00edfico que &#8220;n\u00e3o foi aproveitado de maneira estruturada&#8221;. &#8220;O que n\u00e3o est\u00e1 sendo devidamente transformado em ci\u00eancia, muitas vezes por falta de recursos, est\u00e1 sendo colocado no YouTube como fake news.&#8221;<\/p>\n<p>Algumas das plantas ou frutas divulgadas nos v\u00eddeos como solu\u00e7\u00f5es milagrosas de fato s\u00e3o objetos de pesquisas para investigar se podem contribuir para o tratamento de diferentes doen\u00e7as. Mas s\u00e3o estudos preliminares, que requerem mais pesquisas. Outras, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o objetos de pesquisas que apontam contraindica\u00e7\u00f5es, algo ignorado nos v\u00eddeos.<\/p>\n<p>No caso do mel\u00e3o-de-s\u00e3o-caetano, h\u00e1 pesquisas que apontam que a fruta tem potencial para fornecer compostos anticancer\u00edgenos, mas, apesar de diversos links e v\u00eddeos apresentando a fruta com a seguran\u00e7a de que se trata de um rem\u00e9dio absoluto contra o c\u00e2ncer, os pr\u00f3prios estudos dizem que mais pesquisas e testes s\u00e3o necess\u00e1rios para concluir algo nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Justin Stebbing, professor da medicina do c\u00e2ncer e oncologia da Imperial College of London, explica que algumas plantas s\u00e3o de fato usadas para o desenvolvimento de rem\u00e9dios e cont\u00eam qu\u00edmicos anticancer\u00edgenos, mas muitas vezes &#8220;n\u00e3o est\u00e3o nas concentra\u00e7\u00f5es ou quantidades corretas e n\u00e3o est\u00e3o purificadas para ter efeitos anticancer\u00edgenos&#8221;.<\/p>\n<p>Um suco ou ch\u00e1 de uma planta, por exemplo, n\u00e3o tem a concentra\u00e7\u00e3o dos extratos feitos em laborat\u00f3rio. &#8220;O processo de extrair esses qu\u00edmicos e purific\u00e1-los levam anos&#8221;, assim como a escolha das &#8220;concentra\u00e7\u00f5es precisas&#8221;, que passam por &#8220;triagens cl\u00ednicas por muitos anos antes de um produto ser considerado efetivo e seguro para dar a pacientes&#8221;.<\/p>\n<p>As plantas, em geral, &#8220;s\u00e3o seguras para tomar com tratamentos convencionais, mas sozinhas n\u00e3o v\u00e3o ter um efeito significativo contra o c\u00e2ncer ou prolongar a qualidade ou quantidade de vida, que \u00e9 o que oncologistas est\u00e3o tentando fazer&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o estou dizendo que a medicina tem todas as respostas, porque n\u00e3o tem. Mas \u00e9 preciso tomar cuidado com rem\u00e9dios alternativos na internet sem filtro que s\u00e3o objetos de afirma\u00e7\u00f5es como de que curam o c\u00e2ncer, baseado em sentimentos ou porque algu\u00e9m ouviu dizer, porque precisamos de muito mais hoje em dia para fazer uma afirma\u00e7\u00e3o como essa.&#8221;<\/p>\n<p>Pesquisador de c\u00e2ncer na Universidade Oxford, no Reino Unido, o m\u00e9dico David Robert Grimes explica que, diferentemente das curas falsas divulgadas no YouTube, &#8220;a medicina \u00e9 cuidadosamente regulada, rigorosa e objetiva&#8221;. &#8220;Fazemos pesquisas cient\u00edficas para verificar se algo funciona. Se funciona, pode virar um rem\u00e9dio, e isso \u00e9 testado de novo e de novo e de novo&#8221;, afirma. &#8220;Sua efic\u00e1cia pode ser medida. A ci\u00eancia \u00e9 um processo aberto e todo mundo pode testar a ideia de todo mundo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o acontece no campo da chamada medicina alternativa. Voc\u00ea tem que simplesmente acreditar no que algu\u00e9m est\u00e1 dizendo&#8221;, observa. &#8220;Quem oferece uma &#8216;cura m\u00e1gica&#8217; para o c\u00e2ncer est\u00e1 mentindo. Quando as pessoas oferecem solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis para quest\u00f5es complicadas, devemos desconfiar.&#8221;<\/p>\n<p>A BBC News Brasil entrou em contato com Elizeu Correia, o criador do v\u00eddeo que diz que mel\u00e3o-de-s\u00e3o-caetano cura c\u00e2ncer. Por email, ele afirmou que o v\u00eddeo n\u00e3o fala sobre &#8220;um chazinho perigoso ou venenoso&#8221; e que n\u00e3o estaria mais aberto a visualiza\u00e7\u00f5es \u2014 de fato, depois de ser abordado, ele mudou o v\u00eddeo para modo privado.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">DESINFORMA\u00c7\u00c3O &#8216;CONTAGIOSA&#8217;<\/h3>\n<p>Por que a desinforma\u00e7\u00e3o d\u00e1 certo no YouTube? Para a professora de Ci\u00eancia de Antropologia, Risco e Decis\u00e3o da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Heidi Larson, os v\u00eddeos &#8220;mexem&#8221; com as pessoas. &#8220;Evocam diferentes tipos de emo\u00e7\u00e3o e isso pode ser muito contagioso&#8221;, afirma ela, que tamb\u00e9m dirige um projeto de confian\u00e7a na vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o sistema de recomenda\u00e7\u00e3o do YouTube j\u00e1 foi acusado de levar usu\u00e1rios a buracos negros de teorias da conspira\u00e7\u00e3o e radicaliza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que, para manter o usu\u00e1rio no site, reproduz v\u00eddeos automaticamente depois que o primeiro v\u00eddeo acaba.<\/p>\n<p>E, muitas vezes, o algoritmo escolhe v\u00eddeos com temas semelhantes \u2014 e isso tamb\u00e9m vale para a desinforma\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, significa que se um usu\u00e1rio cai em um v\u00eddeo que desinforma, pode acabar assistindo a v\u00e1rios outros v\u00eddeos que tamb\u00e9m desinformam.<\/p>\n<p>A BBC pediu uma entrevista com algum representante do YouTube. Em vez disso, a empresa divulgou uma nota: &#8220;A desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio dif\u00edcil, e n\u00f3s tomamos diversas medidas para endere\u00e7ar isso, incluindo mostrar mais conte\u00fado confi\u00e1vel sobre quest\u00f5es m\u00e9dicas, exibindo pain\u00e9is de informa\u00e7\u00e3o com fontes confi\u00e1veis e removendo an\u00fancios de v\u00eddeos que promovam afirma\u00e7\u00f5es danosas. Nossos sistemas n\u00e3o s\u00e3o perfeitos, mas estamos constantemente fazendo melhorias e permanecemos comprometidos para progredir nesse espa\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>A empresa anunciou em janeiro que iria &#8220;reduzir recomenda\u00e7\u00f5es de conte\u00fado borderline (no limite do aceit\u00e1vel) e conte\u00fado que poderia desinformar usu\u00e1rios de forma danosa \u2014 como v\u00eddeos promovendo uma falsa cura milagrosa para uma doen\u00e7a s\u00e9ria&#8221;. Mas isso, at\u00e9 agora, apenas em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as em outras l\u00ednguas ainda n\u00e3o foram anunciadas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a empresa j\u00e1 afirmou que, nos esfor\u00e7os para combater a desinforma\u00e7\u00e3o, esse sistema de recomenda\u00e7\u00e3o vai mudar, com recomenda\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos que s\u00e3o confi\u00e1veis a pessoas que est\u00e3o assistindo a v\u00eddeos que talvez n\u00e3o sejam.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">LUCRANDO COM DESINFORMA\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p>Os v\u00eddeos encontrados pela BBC tinham uma s\u00e9rie de an\u00fancios no come\u00e7o ou no meio. Havia an\u00fancios de universidades respeitadas, empresas de turismo e filmes. Isso significa que tanto o YouTube quanto os criadores dos v\u00eddeos podem lucrar com o conte\u00fado.<\/p>\n<p>Mas as &#8220;diretrizes para conte\u00fado adequado para publicidade&#8221; do YouTube estabelecem que v\u00eddeos que promovam ou defendam &#8220;declara\u00e7\u00f5es ou pr\u00e1ticas m\u00e9dicas ou de sa\u00fade prejudiciais&#8221;, como &#8220;tratamentos n\u00e3o m\u00e9dicos que prometam curar doen\u00e7as incur\u00e1veis&#8221; n\u00e3o podem ter publicidade. A plataforma tem o poder de desmonetizar certos tipos de conte\u00fado e remover as receitas para os criadores dos v\u00eddeos. E essa pol\u00edtica \u00e9 global.<\/p>\n<p>Os v\u00eddeos monetizados encontrados pela BBC News Brasil, por\u00e9m, estavam no ar desde 2016. A pol\u00edtica da plataforma em rela\u00e7\u00e3o a desinforma\u00e7\u00e3o sobre sa\u00fade, portanto, n\u00e3o \u00e9 clara ou n\u00e3o \u00e9 aplicada corretamente.<\/p>\n<p>A BBC enviou as informa\u00e7\u00f5es sobre os v\u00eddeos com curas falsas encontradas no YouTube nas dez l\u00ednguas pesquisadas. Depois da publica\u00e7\u00e3o da reportagem, a empresa informou ter desmonetizado mais de 70 dos v\u00eddeos por violarem suas pol\u00edticas de monetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Erin McAweeney, uma pesquisadora do instituto Data &amp; Society que trabalhou com sa\u00fade e dados, levanta um problema: mesmo que o YouTube desmonetize esses v\u00eddeos, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias que mostrem que desmonetizar resolve o problema do tamanho da audi\u00eancia e de seu alcance&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muitas motiva\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s do compartilhamento de desinforma\u00e7\u00e3o. Dinheiro \u00e9 s\u00f3 uma delas. N\u00e3o temos evid\u00eancias que confirmam que desmonetiza\u00e7\u00e3o leva a &#8216;desprioriza\u00e7\u00e3o&#8217;. E, em muitos casos, receber aten\u00e7\u00e3o e visualiza\u00e7\u00e3o em um v\u00eddeo \u00e9 algo mais valioso para seus criadores do que o dinheiro que gera&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>E h\u00e1 uma quest\u00e3o final: quem, afinal, determina o que \u00e9 desinforma\u00e7\u00e3o? &#8220;Estamos pedindo que corpora\u00e7\u00f5es com pessoas que n\u00e3o s\u00e3o especialistas em sa\u00fade p\u00fablica fa\u00e7am esse julgamento por n\u00f3s, todos os cidad\u00e3os. H\u00e1 linhas t\u00eanues, gradientes da verdade. O desafio \u00e9 como estabeleceremos essa linha e quem ser\u00e1 a pessoa ou as pessoas que a estabelecer\u00e3o&#8221;, diz Isaac Chun-Hai Fung, um professor de epidemiologia da Georgia Southern University, nos Estados Unidos.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">ESCUTAR OS PACIENTES<\/h3>\n<p>Mas os especialistas apontam para outro impasse, menos relacionado \u00e0 plataforma. Profissionais de sa\u00fade, eles dizem, tamb\u00e9m tem um pouco de responsabilidade.<\/p>\n<p>Com uma equipe de alunos, Fung e pesquisadores da William Paterson University analisaram informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade em ingl\u00eas no YouTube. Descobriram que, n\u00e3o importasse qual fosse o t\u00f3pico de sa\u00fade, a maioria dos 100 v\u00eddeos mais populares no YouTube era criada por amadores, pessoas que n\u00e3o s\u00e3o profissionais de sa\u00fade ou ci\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;A comunidade de sa\u00fade p\u00fablica e de ci\u00eancia tem hesitado em se engajar nas redes sociais. Precisamos nos engajar&#8221;, diz Larson, da Escola de Higiene &amp; Medicina Tropical.<\/p>\n<div>\n<p>Fung defende que a solu\u00e7\u00e3o para a desinforma\u00e7\u00e3o relacionada a sa\u00fade tamb\u00e9m deve considerar a produ\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos sobre ci\u00eancia e medicina moderna. &#8220;Deve haver v\u00eddeos de alta qualidade que eduquem sobre o tema em v\u00e1rias l\u00ednguas e com linguagem acess\u00edvel. Profissionais de sa\u00fade devem trabalhar com profissionais de m\u00eddia para fazer isso. N\u00e3o acho que haja investimento.&#8221;<\/p>\n<p>Outra conclus\u00e3o de seu estudo \u00e9 que v\u00eddeos que atraem visualiza\u00e7\u00f5es normalmente s\u00e3o aqueles que contam experi\u00eancias pessoais. &#8220;Para comunicar os benef\u00edcios da medicina moderna, temos que adotar estrat\u00e9gias similares aos v\u00eddeos com maior quantidade de visualiza\u00e7\u00f5es no YouTube. Ser\u00e1 que algu\u00e9m que se beneficiou da medicina moderna pode contar sua hist\u00f3ria, por exemplo?&#8221;, pergunta.<\/p>\n<p>McAweeney declara que, se conte\u00fado com conspira\u00e7\u00f5es e desinforma\u00e7\u00e3o sobre c\u00e2ncer est\u00e1 mais dispon\u00edvel que conte\u00fado cient\u00edfico, ent\u00e3o &#8220;as institui\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis s\u00e3o as respons\u00e1veis por produzir conte\u00fado para preencher os vazios de dados&#8221;.<\/p>\n<p>Warraich, o cardiologista, diz achar que m\u00e9dicos devem criar &#8220;maneiras pelas quais pacientes podem entrar em contato com eles&#8221;. &#8220;Se os pacientes pudessem acessar seus m\u00e9dicos, adivinhem quem seria sua fonte?&#8221;<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 chave, de acordo com Larson. Mas especialmente a parte de &#8220;escutar&#8221;, que, trabalhando com pessoas que hesitam em serem vacinadas, ela aprendeu a defender. A comunidade cient\u00edfica &#8220;n\u00e3o tem sido boa o suficiente em escutar&#8221; pessoas que t\u00eam d\u00favidas, ela diz. &#8220;N\u00e3o \u00e9 um ambiente de informa\u00e7\u00f5es f\u00e1cil de navegar. Temos que ter empatia.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil &#8220;Oi, estou com um parente com met\u00e1stase \u00f3ssea, voc\u00ea pode me receitar esse rem\u00e9dio?&#8221;, pede Reginaldo, comentando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-8658","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8658"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8658\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8660,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8658\/revisions\/8660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}