{"id":8461,"date":"2019-08-12T10:50:32","date_gmt":"2019-08-12T10:50:32","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=8461"},"modified":"2019-08-12T10:51:31","modified_gmt":"2019-08-12T10:51:31","slug":"o-ideal-e-curar-o-cancer-o-mais-proximo-disso-e-torna-lo-cronico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/08\/o-ideal-e-curar-o-cancer-o-mais-proximo-disso-e-torna-lo-cronico\/","title":{"rendered":"\u201cO ideal \u00e9 curar o c\u00e2ncer. O mais pr\u00f3ximo disso \u00e9 torn\u00e1-lo cr\u00f4nico\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>fonte: El Pa\u00eds<\/p>\n\n\n\n<p>Teresa Macarulla (Barcelona, 1974) acaba de participar de um ensaio cl\u00ednico que lan\u00e7ou luz sobre o&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cancer\" data-link-track-dtm=\"\">c\u00e2ncer<\/a>&nbsp;mais letal de todos, o de p\u00e2ncreas. A pesquisa, apresentada neste ano no congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia M\u00e9dica (ASCO), em Chicago, abre as portas para a medicina personalizada nestes tumores t\u00e3o agressivos. O estudo validou, pela primeira vez, um tratamento teleguiado neste tipo de tumores para um subgrupo de pacientes que t\u00eam uma muta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica (nos genes BRCA): como terapia de manuten\u00e7\u00e3o depois da quimioterapia inicial, este f\u00e1rmaco melhora a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O quartel-general da luta contra o c\u00e2ncer onde Macarulla trabalha se ergue nos contrafortes da serra da Collserola, em Barcelona. Das trincheiras de seu escrit\u00f3rio no Vall d\u2019Hebron Institut d\u2019Oncologia, com a cidade a seus p\u00e9s e o Mediterr\u00e2neo ao fundo, a doutora Macarulla visita pacientes, analisa prontu\u00e1rios cl\u00ednicos, procura bolsas para novos projetos e prepara ensaios. Sempre h\u00e1 algo a fazer. Principalmente quando sua especialidade, os tumores gastrointestinais, aglutina algumas das neoplasias com pior progn\u00f3stico, e os recursos para pesquis\u00e1-las escasseiam. Contudo, o c\u00e2ncer n\u00e3o para, e a oncologista tampouco pode parar, admite. A montanha e a igreja s\u00e3o seus pontos de recarga.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pergunta.<\/strong>&nbsp;O c\u00e2ncer corre mais que voc\u00eas, os pesquisadores?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resposta.<\/strong>&nbsp;Acho que n\u00e3o. Se o c\u00e2ncer avan\u00e7a, n\u00e3o o podemos parar, ent\u00e3o o que tentamos com cada paciente \u00e9 nos antecipar com os tratamentos e fre\u00e1-lo, par\u00e1-lo. Tentamos estar \u00e0 frente, mas o tumor corre, e \u00e0s vezes custa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;Por que a pesquisa de que voc\u00ea participou \u00e9 importante?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;Pela primeira vez encontramos um tratamento personalizado para um c\u00e2ncer que at\u00e9 agora s\u00f3 se tratava com quimioterapia. Os pacientes com uma muta\u00e7\u00e3o BRCA1 e BRCA2 pela primeira vez contam com um f\u00e1rmaco para eles que, al\u00e9m disso, tem menos efeitos secund\u00e1rios que a qu\u00edmio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;Voc\u00ea \u00e9 dos que acreditam que o c\u00e2ncer ser\u00e1 curado ou se tornar\u00e1 cr\u00f4nico?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;Haver\u00e1 mais pacientes que ser\u00e3o curados do c\u00e2ncer. Mas dizer que o c\u00e2ncer globalmente se curar\u00e1 me parece um ideal. Acredito que o mais pr\u00f3ximo que temos \u00e9 poder chegar a torn\u00e1-lo cr\u00f4nico. O que \u00e9 preciso \u00e9 ter objetivos alcan\u00e7\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;Qual \u00e9 o caminho para isso?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;A medicina de precis\u00e3o. \u00c9 mais dif\u00edcil, pelos custos e recursos, encontrar as altera\u00e7\u00f5es que o paciente carrega em seus genes. Mas \u00e9 para isso que nos encaminhamos: nem todos os pacientes s\u00e3o iguais e n\u00e3o podemos tratar todos igualmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;\u00c9 sustent\u00e1vel a medicina de precis\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;Esse \u00e9 o problema. Provavelmente ser\u00e1 preciso fazer um investimento superior no diagn\u00f3stico, porque \u00e9 preciso somar toda a parte de diagn\u00f3stico molecular. E direcionamos o tratamento para um nicho menor, sim, mas temos maiores chances de sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;A Sociedade Europeia de Oncologia M\u00e9dica defende o pagamento dos f\u00e1rmacos segundo os resultados obtidos no paciente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;\u00c9 uma boa op\u00e7\u00e3o tentar intercalar estas medidas que tornam o sistema mais sustent\u00e1vel. E isto envolve a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/industria_farmaceutica\" data-link-track-dtm=\"\">ind\u00fastria farmac\u00eautica<\/a>&nbsp;tamb\u00e9m. O que queremos, afinal, \u00e9 que todos os nossos pacientes tenham disponibilidade de f\u00e1rmacos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;O c\u00f3digo postal influi no progn\u00f3stico do paciente?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;Muito. Na Espanha, cada comunidade [regi\u00e3o] decide se um f\u00e1rmaco deve ou n\u00e3o ser aprovado. A equidade n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;Faltam recursos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;Se tiv\u00e9ssemos mais, tudo seria mais f\u00e1cil. Para o p\u00e2ncreas, destina-se muito pouco ainda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;Ezequiel Emanuel, um dos art\u00edfices do Obamacare, diz que n\u00e3o quer viver al\u00e9m dos 75 anos. Rejeita prolongar a vida \u201cporque sim\u201d. Com uma maior sobreviv\u00eancia ao c\u00e2ncer, estamos desafiando a natureza?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;Acho que n\u00e3o. E tamb\u00e9m a natureza est\u00e1 nos pregando pe\u00e7as. Quando vejo essa gente t\u00e3o jovem com essas enfermidades, n\u00e3o entendo. N\u00e3o deu tempo de acumular toxicidade e, mesmo assim, eles t\u00eam estes tumores. Tem muitas coisas que n\u00f3s n\u00e3o controlamos ainda. Centramo-nos no que sabemos: n\u00e3o fumar, comer bem\u2026, mas isto n\u00e3o nos assegura que n\u00e3o vamos ter c\u00e2ncer. E, se tivermos, ent\u00e3o a natureza nos pregou uma pe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;H\u00e1 pacientes que decidem deixar de lutar e que n\u00e3o querem sofrer mais. O que opina da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/eutanasia\" data-link-track-dtm=\"\">eutan\u00e1sia<\/a>?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;Minha mentalidade \u00e9 a de lutar enquanto se puder, gastar todos os cartuchos. E, depois, uma boa palia\u00e7\u00e3o, um bom acompanhamento. Da\u00ed para frente, n\u00e3o \u00e9 trabalho do m\u00e9dico poder acabar com uma vida. Defendo que se possa acompanhar at\u00e9 o final, n\u00e3o al\u00e9m. Eu acabar com uma vida \u00e9 algo que n\u00e3o poderia fazer por minhas cren\u00e7as, porque me dizem que n\u00e3o \u00e9 minha responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;Voc\u00ea n\u00e3o se atreveria?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o me atreva, \u00e9 que n\u00e3o estou de acordo. Acredito que n\u00e3o somos ningu\u00e9m para antecipar a morte de uma pessoa. \u00c9 preciso acompanh\u00e1-la e, para isso, lhe dar f\u00e1rmacos que inclusive podem abreviar um pouco a vida do paciente, porque podem causar uma pequena depress\u00e3o respirat\u00f3ria, mas isto \u00e9 diferente de que voc\u00ea ativamente acabe com a vida de um paciente. Tudo bem que um paciente pe\u00e7a e que haja um grupo de m\u00e9dicos que fa\u00e7a, mas eu n\u00e3o poderia participar disso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;Como concilia a ci\u00eancia e a f\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;\u00c9 muito compat\u00edvel. A mentalidade cient\u00edfica tem que estar presente, porque \u00e9 a \u00fanica forma de vencer esta doen\u00e7a. A religiosidade \u00e9 o que me permite empatizar com o doente, d\u00e1 um pouco de sentido a minha profiss\u00e3o. A f\u00e9 me ajuda a entender a vida, a morte, e que andam juntas, que voc\u00ea nasce sabendo que morrer\u00e1. Cada oncologista tem que encontrar sua fonte de empatia. A minha \u00e9 esta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.<\/strong>&nbsp;Ainda h\u00e1 mais homens que mulheres nesse universo. \u00c9 mais dif\u00edcil para voc\u00eas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R.<\/strong>&nbsp;A medida que h\u00e1 mais&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mujeres\" data-link-track-dtm=\"\">mulheres<\/a>&nbsp;nas faculdades de Medicina, isto vai mudando. Temos que acreditar, mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso que voc\u00ea esteja disposta. Precisa entender que, talvez, n\u00e3o esteja l\u00e1 no anivers\u00e1rio do seu filho. Se quiser chegar ao topo, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: El Pa\u00eds Teresa Macarulla (Barcelona, 1974) acaba de participar de um ensaio cl\u00ednico que lan\u00e7ou luz sobre o&nbsp;c\u00e2ncer&nbsp;mais letal [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-8461","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8461"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8461\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8464,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8461\/revisions\/8464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}