{"id":7999,"date":"2019-07-14T10:43:55","date_gmt":"2019-07-14T10:43:55","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=7999"},"modified":"2019-07-09T11:34:17","modified_gmt":"2019-07-09T11:34:17","slug":"artigo-exames-laboratoriais-necessidade-ou-desperdicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/07\/artigo-exames-laboratoriais-necessidade-ou-desperdicio\/","title":{"rendered":"Artigo: exames laboratoriais: necessidade ou desperd\u00edcio?"},"content":{"rendered":"\n<p>fonte: CFM<\/p>\n\n\n\n<p>por&nbsp;Wilson Shcolnik, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Cl\u00ednica\/Medicina Laboratorial<\/p>\n\n\n\n<p>Para m\u00e9dicos, pacientes e seus familiares, um dos momentos mais delicados da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade \u00e9 o da defini\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica. Um diagn\u00f3stico correto \u00e9 o primeiro passo para se definir o tratamento apropriado. Bernard Lown, m\u00e9dico, professor em\u00e9rito da Harvard School of Public Health e Pr\u00eamio Nobel da Paz em 1985, que desenvolveu o desfibrilador card\u00edaco, em 1999 afirmou que a hist\u00f3ria cl\u00ednica, em 75% das consultas, fornece informa\u00e7\u00f5es suficientes para o diagn\u00f3stico, mesmo antes da realiza\u00e7\u00e3o do exame f\u00edsico e da solicita\u00e7\u00e3o de exames complementares.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto o relat\u00f3rio \u201cMelhorando o Diagn\u00f3stico na Assist\u00eancia \u00e0 Sa\u00fade\u201d (\u201cImproving Diagnosis in Health Care\u201d), publicado pelo Instituto de Medicina norte-americano em 2015, aponta que o erro diagn\u00f3stico ainda representa um aspecto cr\u00edtico da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade. Segundo essa publica\u00e7\u00e3o, adultos norte-americanos ser\u00e3o v\u00edtimas de, ao menos, um erro diagn\u00f3stico ao longo de sua vida, algumas vezes com consequ\u00eancias devastadoras, e 5% dos que buscam assist\u00eancia ambulatorial experimentar\u00e3o um erro diagn\u00f3stico, metade destes com possibilidade de danos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos o n\u00famero de queixas por erros diagn\u00f3sticos contra o sistema de sa\u00fade do Reino Unido cresceu 22%. \u00c9 sabido que diagn\u00f3sticos tardios de doen\u00e7as aumentam o risco de dissemina\u00e7\u00e3o e levam a complica\u00e7\u00f5es, tornando o tratamento mais dif\u00edcil. M\u00e9dicos que trabalham em condi\u00e7\u00f5es de press\u00e3o podem perder preciosas informa\u00e7\u00f5es durante a coleta de dados cl\u00ednicos, mas hoje j\u00e1 podem dispor de modernos exames complementares que auxiliam na r\u00e1pida defini\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos, progn\u00f3sticos e at\u00e9 tratamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso deve ser saudada a recente publica\u00e7\u00e3o da primeira edi\u00e7\u00e3o da lista de exames laboratoriais essenciais feita pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), na qual est\u00e3o destacados os exames necess\u00e1rios para tratar de prioridades em sa\u00fade. A lista, que teve como base diretrizes fundamentadas em evid\u00eancias cient\u00edficas, cont\u00e9m exames que devem estar dispon\u00edveis em ambientes de assist\u00eancia prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade, hospitais e em laborat\u00f3rios de refer\u00eancia no mundo todo, inclusive no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Os gastos com exames laboratoriais representam apenas 1,4%, na Alemanha, e 2,3%, nos Estados Unidos, dos gastos totais do sistema de sa\u00fade, e estima-se que o laborat\u00f3rio cl\u00ednico contribua com cerca de 70% das informa\u00e7\u00f5es utilizadas pelos m\u00e9dicos em suas decis\u00f5es. Uma meta-an\u00e1lise realizada ao longo de 15 anos revelou maior preval\u00eancia de subutiliza\u00e7\u00e3o (44,8%) do que de superutiliza\u00e7\u00e3o (20%) de exames laboratoriais. Mais que se preocupar com seu volume, portanto, deve-se avaliar o valor e os benef\u00edcios trazidos pelos exames laboratoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>No momento atual, em que diferentes exames laboratoriais j\u00e1 s\u00e3o oferecidos livremente em v\u00e1rias redes de farm\u00e1cias brasileiras, sem a devida regula\u00e7\u00e3o, cabe considerar o alerta da OMS em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de exames: \u201cisoladamente eles n\u00e3o trar\u00e3o os impactos desejados, sendo necess\u00e1rio que o laborat\u00f3rio cl\u00ednico que os realiza seja dotado de infraestrutura suficiente, mostre-se integrado, conectado, tenha recursos humanos treinados e capacitados e sistemas de garantia de qualidade implantados\u201d. No Brasil, o programa de acredita\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios cl\u00ednicos (PALC), lan\u00e7ado pela Sociedade Brasileira de Patologia Cl\u00ednica\/Medicina Laboratorial em 1998 e j\u00e1 reconhecido pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade (ANS), h\u00e1 anos avalia a qualidade dos laborat\u00f3rios cl\u00ednicos brasileiros, contribuindo para assegurar a confiabilidade dos seus resultados e a seguran\u00e7a dos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>A OMS pretende atualizar a lista anualmente, e a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o incluir\u00e1 exames relacionados a resist\u00eancia microbiana, surtos\/emerg\u00eancias, doen\u00e7as emergentes, negligenciadas e sepse. Nas palavras do dr. Tedros Ghebreyesus, diretor da OMS, \u201cningu\u00e9m deve sofrer ou morrer por causa da falta de servi\u00e7os diagn\u00f3sticos ou por n\u00e3o ter acesso aos exames mais indicados\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: CFM por&nbsp;Wilson Shcolnik, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Cl\u00ednica\/Medicina Laboratorial Para m\u00e9dicos, pacientes e seus familiares, um dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-7999","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7999","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7999"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7999\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8001,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7999\/revisions\/8001"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7999"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7999"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7999"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}