{"id":7797,"date":"2019-05-27T16:36:18","date_gmt":"2019-05-27T16:36:18","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=7797"},"modified":"2019-07-22T10:55:43","modified_gmt":"2019-07-22T10:55:43","slug":"microbiota-no-paciente-cirurgico-do-aparelho-digestivo-diagnostico-e-manuseio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/05\/microbiota-no-paciente-cirurgico-do-aparelho-digestivo-diagnostico-e-manuseio\/","title":{"rendered":"Microbiota no paciente cir\u00fargico do aparelho digestivo: diagn\u00f3stico e manuseio"},"content":{"rendered":"\n<p>fonte: Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina<\/p>\n\n\n\n<p>por Dan L. Waitzberg, professor associado do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP<\/p>\n\n\n\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de sequenciamento gen\u00e9tico para avaliar a composi\u00e7\u00e3o do microbioma humano promoveu avan\u00e7o extraordin\u00e1rio na compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas e de dupla m\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o entre nosso microbioma e genoma (SENDER, FUCHS, MILO, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>O intestino, em especial o grosso, abriga a maior quantidade de bact\u00e9rias de nosso microbioma, que interagem conosco na depend\u00eancia da dieta, estilo de vida e gen\u00e9tica (SENDER, FUCHS, MILO, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta intera\u00e7\u00e3o se aplica ao pr\u00f3prio intestino, mas tamb\u00e9m tem repercuss\u00e3o sist\u00eamica, sob a forma de eixos que envolvem o intestino e a sua microbiota e o f\u00edgado, p\u00e2ncreas, c\u00e9rebro, pulm\u00e3o, osso e os sistemas imunol\u00f3gico e end\u00f3crino, entre outros (RANJAM et al., 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es conviviais adequadas, temos a situa\u00e7\u00e3o de normobiose, na qual bact\u00e9rias comensais e simbiontes encontram-se em equil\u00edbrio com as enteropatog\u00eanicas. Na normobiose, nos beneficiamos em termos de refor\u00e7o da barreira intestinal, toler\u00e2ncia imunol\u00f3gica e da produ\u00e7\u00e3o de um enorme n\u00famero de mol\u00e9culas sintetizadas pela microbiota intestinal (RANJAM et al., 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em condi\u00e7\u00f5es adversas, como dieta inadequada, sedentarismo, uso de tabaco e \u00e1lcool, estresse f\u00edsico e emocional, enfermidades, uso de antibi\u00f3ticos e outros medicamentos, entre outros condicionantes, podemos encontrar a situa\u00e7\u00e3o de disbiose, na qual prevalecem as bact\u00e9rias enteropatog\u00eanicas sobre as simbi\u00f3ticas e comensais. Na disbiose, aumenta a permeabilidade intestinal, pode ocorrer transloca\u00e7\u00e3o de microrganismos e mol\u00e9culas inadequadas e se estabelece uma resposta inflamat\u00f3ria cuja intensidade pode depender do tipo e intensidade da preval\u00eancia de bact\u00e9rias patog\u00eanicas. Com isso, perdemos os benef\u00edcios da normobiose (NIEUWDORP et al., 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, a composi\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal pode ser obtida pelo sequenciamento do gene 16S rRNA. A amostra fecal tem o seu DNA extra\u00eddo, limpo de produtos contaminantes e sequenciado nas suas regi\u00f5es hipervari\u00e1veis deste gene. Ap\u00f3s a detec\u00e7\u00e3o das sequ\u00eancias, realiza-se montagem e an\u00e1lise dos dados, o que permite taxonomisar as bact\u00e9rias em filo, classe, ordem, fam\u00edlia, g\u00eanero e esp\u00e9cie (em torno de 50%).<\/p>\n\n\n\n<p>O maior conhecimento da composi\u00e7\u00e3o da microbiota bacteriana intestinal permitiu estabelecer associa\u00e7\u00f5es entre distintas assinaturas microbiol\u00f3gicas na sa\u00fade e na doen\u00e7a. A adi\u00e7\u00e3o da metabol\u00f4mica \u2013 an\u00e1lise dos metab\u00f3litos \u2013 permitiu identificar milhares de pequenas mol\u00e9culas produzidas pelas bact\u00e9rias intestinais, que interagem com nosso metabolismo e genes. A jun\u00e7\u00e3o do metaboloma bacteriano com o nosso pode ser entendida como metaboloma sist\u00eamico. Com isso, se progrediu no entendimento de mecanismos pelos quais a microbiota intestinal interage com o hospedeiro em diferentes condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e doen\u00e7a (CANI, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo pr\u00e9-operat\u00f3rio, por exemplo, observou-se que a microbiota intestinal est\u00e1 alterada em pacientes com c\u00e2ncer de c\u00f3lon. Verificou-se aumento da diversidade microbiana mucosa e abund\u00e2ncia diferencial de taxas bacterianas espec\u00edficas quando comparado com indiv\u00edduos controles sem c\u00e2ncer. Microrganismos pat\u00f3genos associados \u00e0 boca est\u00e3o super-representados em tumores de c\u00f3lon e tendem a ocorrer simultaneamente. Salienta-se a maior presen\u00e7a de&nbsp;<em>Peptostreptococcus<\/em>&nbsp;na mucosa intestinal e fezes, que poder\u00e1 vir a ser um biomarcador de c\u00e2ncer colorretal (HIBBERD et al., 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecer e modular a microbiota intestinal pode ajudar a reduzir riscos ou contribuir para alterar o curso cl\u00ednico de algumas enfermidades (KREZALEK et al., 2016). O doente cir\u00fargico, em particular, \u00e9 distinto porque para o tratamento de sua enfermidade vai sofrer um trauma anest\u00e9sico-cir\u00fargico cuja evolu\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel pode ser atribu\u00edda a altera\u00e7\u00f5es na microbiota intestinal (KREZALEK et al., 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Admite-se que, em condi\u00e7\u00f5es normais, a microbiota intestinal contribui para resist\u00eancia contra microrganismos patog\u00eanicos. Mas o estresse fisiol\u00f3gico da les\u00e3o cir\u00fargica sobre o trato gastrintestinal pode modificar a abund\u00e2ncia e fun\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal em um indiv\u00edduo j\u00e1 enfermo (KREZALEK et al., 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco se sabe, ainda, sobre a condi\u00e7\u00e3o da microbiota no per\u00edodo p\u00f3s-operat\u00f3rio, mas \u00e9 poss\u00edvel que, em consequ\u00eancia do trauma, as bact\u00e9rias intestinais possam se tornar mais virulentas e contribuir para o desenvolvimento de complica\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas (KREZALEK et al., 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>As perturba\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas do estresse cir\u00fargico, em associa\u00e7\u00e3o com limpeza intestinal do col\u00f3n, uso profil\u00e1tico de antibi\u00f3ticos, tipo e dura\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, hip\u00f3xia e falta de nutrientes na luz intestinal, podem modificar o equil\u00edbrio microbiano intestinal (KREZALEK et al., 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Em particular, a limpeza exaustiva do c\u00f3lon est\u00e1 associada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da camada de muco, diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos graxos de cadeia curta, modifica\u00e7\u00e3o do pH intraluminal e aumento de Proteobact\u00e9rias (KREZALEK et al., 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Existem fatores associados ao hospedeiro no per\u00edodo intra-operat\u00f3rio, como a condi\u00e7\u00e3o de isquemia e reperfus\u00e3o, e presen\u00e7a de catecolaminas em fun\u00e7\u00e3o da resposta org\u00e2nica ao trauma. No intestino, pode ocorrer diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de muco e diferentes consequ\u00eancias do manuseio, ressec\u00e7\u00e3o e restitui\u00e7\u00e3o epitelial perante as anastomoses digestivas (GERSHUNI; FRIEDMAN, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Experimentalmente, observou-se que, mesmo quando transit\u00f3ria, a isquemia durante a anastomose intestinal reduz a quantidade de muco intestinal (FERRARO et al., 1995). A isquemia intestinal tamb\u00e9m pode ativar as subst\u00e2ncias adenosina e dinorfina que, por sua vez, s\u00e3o pressentidas pelas bact\u00e9rias por meio de sensores tipo&nbsp;<em>sensum quorum<\/em>. Neste caso, a&nbsp;<em>Pseudomonas aeruginosa&nbsp;<\/em>se converte em um fen\u00f3tipo mais agressivo. Assim, aumenta sua atividade de degrada\u00e7\u00e3o de col\u00e1geno e promove maior permeabilidade intestinal nas jun\u00e7\u00f5es espessas das c\u00e9lulas epiteliais intestinais.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns medicamentos tamb\u00e9m podem contribuir para modificar o comportamento de bact\u00e9rias. Um exemplo \u00e9 a morfina, que modifica negativamente o fen\u00f3tipo da<em>&nbsp;P. aeruginosa<\/em>&nbsp;para degradar muco e reduzir a integridade epitelial (BABROWSKI et al., 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, solutos qu\u00edmicos, produzidos durante a feitura da anastomose intestinal, atraem micr\u00f3bios e c\u00e9lulas imunes para o s\u00edtio, e enviam sinais que induzem mudan\u00e7as fenot\u00edpicas em<em>&nbsp;Pseudomonas e Enterococcus&nbsp;<\/em>(BABROWSKI et al., 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es de dif\u00edcil dissec\u00e7\u00e3o, por exemplo para a remo\u00e7\u00e3o de c\u00e2nceres, pode ocorrer perda sangu\u00ednea que exija transfus\u00e3o e maior tempo intra-operat\u00f3rio. Isto pode promover a libera\u00e7\u00e3o de sinais compensat\u00f3rios no hospedeiro com manifesta\u00e7\u00e3o local na \u00e1rea operat\u00f3ria. A microbiota local \u00e9 capaz de captar estes sinais, e process\u00e1-los de modo a aumentar a sua capacidade de ader\u00eancia ao tecido e aumentar sua produ\u00e7\u00e3o de colagenase. Em etapa subsequente, esta modifica\u00e7\u00e3o da microbiota pode estar associada com a deisc\u00eancia mediada por bact\u00e9rias (GAINES, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>As bact\u00e9rias&nbsp;<em>Enterococcus faecalis,<\/em>&nbsp;muito prevalentes em anastomose intestinal, produzem a enzima gelatinase, que degrada col\u00e1geno e ativa metaloproteinases de matriz intestinal, capazes de degradar col\u00e1geno e contribuir para a deisc\u00eancia da anastomose (GUYTON; ALVERDY, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de disbiose<br><\/strong>No per\u00edodo pr\u00e9-operat\u00f3rio, poder\u00edamos considerar evitar o preparo de c\u00f3lon, quando poss\u00edvel, e refinar o uso de antibi\u00f3ticos profil\u00e1ticos por suas consequ\u00eancias prejudiciais para a microbiota residente.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo intraoperat\u00f3rio, manter sempre t\u00e9cnica cir\u00fargica apurada, evitar sangramentos e transfus\u00f5es sangu\u00edneas, manipular os tecidos com delicadeza, executar anastomoses digestivas dentro do maior padr\u00e3o t\u00e9cnico e optar, sempre que poss\u00edvel, por vias de acesso menos traum\u00e1ticos e de menor impacto inflamat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as distintas possibilidades de se modificar a composi\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal, destacam-se os prebi\u00f3ticos, probi\u00f3ticos e simbi\u00f3ticos, cujo consumo tem aumentado exponencialmente na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os probi\u00f3ticos s\u00e3o definidos pela FAO\/WHO como organismos vivos que, ingeridos na quantidade adequada, conferem benef\u00edcios para a sa\u00fade do hospedeiro (HILL et al., 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, probi\u00f3ticos em geral est\u00e3o inclu\u00eddos, pela ANVISA, na categoria de alimentos. Dentre os mecanismos de a\u00e7\u00e3o dos probi\u00f3ticos podemos citar: competi\u00e7\u00e3o por nutri\u00e7\u00e3o; bioconvers\u00e3o de nutrientes &#8211; a convers\u00e3o de a\u00e7\u00facar em \u00e1cido l\u00e1tico, por exemplo, torna o ambiente intestinal in\u00f3spito para bact\u00e9rias patog\u00eanicas que preferem meios mais alcalinos; produ\u00e7\u00e3o de substratos, entre eles vitaminas B e K e \u00e1cidos graxos de cadeia curta; antagonismo direto pela produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias bactericidas (bacteriocinas); exclus\u00e3o competitiva; redu\u00e7\u00e3o de inflama\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de toler\u00e2ncia imunol\u00f3gica e modula\u00e7\u00e3o do sistema imune.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de suma import\u00e2ncia conhecer a esp\u00e9cie e a cepa de cada probi\u00f3tico que se pretende utilizar, uma vez que probi\u00f3ticos de mesmo g\u00eanero, mas de esp\u00e9cies diferentes, est\u00e3o associados a distintos efeitos no organismo humano. A cepa garante a seguran\u00e7a do probi\u00f3tico e a obten\u00e7\u00e3o do efeito alegado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em cirurgia, as bases fisiopatol\u00f3gicas e cl\u00ednicas para uso de probi\u00f3ticos encontram-se descritas no quadro abaixo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"606\" height=\"548\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/inflacao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7798\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/inflacao.jpg 606w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/inflacao-300x271.jpg 300w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/inflacao-600x543.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 606px) 100vw, 606px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A oferta de probi\u00f3ticos (<em>Bifidobacterium lactis Bl-04<\/em>, e&nbsp;<em>Lactobacillus acidophilus NCFM<\/em>) no pr\u00e9-operat\u00f3rio de pacientes com c\u00e2ncer colorretal modificou a assinatura microbiana tipicamente associada. Ocorreu enriquecimento de bact\u00e9rias produtoras de butirato no tecido intestinal. Este estudo sugere que a disbiose microbiana do c\u00e2ncer colorretal pode ser manipulada por probi\u00f3ticos (HIBBERD et al., 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Prebi\u00f3ticos alimentares foram definidos pela Associa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica Internacional de Probi\u00f3ticos e Prebi\u00f3ticos (ISAPP) em ingredientes seletivamente fermentados, que resultam em altera\u00e7\u00f5es espec\u00edficas na composi\u00e7\u00e3o e\/ou atividade da microbiota gastrintestinal, e proporcionam benef\u00edcios para a sa\u00fade do hospedeiro (GIBSON et al., 2011). Dentre eles se destacam os fruto-oligossacar\u00eddeos (FOS) que podem promover crescimento de bifidobact\u00e9rias e lactobacilos ben\u00e9ficos no c\u00f3lon.<\/p>\n\n\n\n<p>Simbi\u00f3ticos consistem em produtos que combinam em uma mesma formula\u00e7\u00e3o os alimentos prebi\u00f3ticos e probi\u00f3ticos. Um exemplo dispon\u00edvel no Brasil \u00e9 a mistura de FOS com&nbsp;<em>Lactobacillus acidophilus,<\/em>&nbsp;<em>Lactobacillus paracasei,<\/em>&nbsp;<em>Lactobacillus rhamnosus&nbsp;<\/em>e<em>Bifidobacterium lactis.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esta formula\u00e7\u00e3o de simbi\u00f3tico foi estudada, entre n\u00f3s, no pr\u00e9-operat\u00f3rio de cirurgia do c\u00e2ncer colorretal. De fato, em estudo duplo-cego, aleat\u00f3rio e randomizado, 73 pacientes candidatos \u00e0 cirurgia para remo\u00e7\u00e3o de c\u00e2ncer colorretal foram separados em grupo controle e simbi\u00f3tico. O \u00faltimo teve consumo de dois sach\u00eas do simbi\u00f3tico, no per\u00edodo pr\u00e9-operat\u00f3rio, por 7 dias. Houve associa\u00e7\u00e3o com menores n\u00edveis de marcadores inflamat\u00f3rios, menor taxa de complica\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas, menor uso de antibi\u00f3ticos, menor tempo de hospitaliza\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de mortalidade comparado ao grupo placebo (POLAKOWSKI et al., 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>O uso de probi\u00f3ticos e simbi\u00f3ticos em cirurgia eletiva foi avaliado por uma metan\u00e1lise (KINROSS, 2013) que verificou a exist\u00eancia de menos infec\u00e7\u00f5es, menos antibioticoterapia e menos sepsis p\u00f3s-operat\u00f3ria com seu uso e, consequentemente, menos dias de interna\u00e7\u00e3o hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, a composi\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal pode estar alterada no doente cir\u00fargico do aparelho digestivo por raz\u00f5es inerentes ao paciente, ao procedimento cir\u00fargico e \u00e0 pr\u00f3pria microbiota. Interven\u00e7\u00f5es com prebi\u00f3ticos, probi\u00f3ticos e simbi\u00f3ticos poder\u00e3o ser \u00fateis para redu\u00e7\u00e3o de morbidade p\u00f3s-operat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o enorme desenvolvimento dos conhecimentos nesta \u00e1rea, o cirurgi\u00e3o em muito poder\u00e1 beneficiar seus pacientes ao conhecer as altera\u00e7\u00f5es e a modula\u00e7\u00e3o da microbiota e sua metagen\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dan L. Waitzberg<\/strong>&nbsp;\u00e9 professor associado do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP<\/p>\n\n\n\n<p><em>Artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o 710 da Revista da APM &#8211; maio\/2019<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br><strong>REFER\u00caNCIAS<br><\/strong>Babrowski T; Holbrook C; Moss J. et al. Pseudomonas aeruginosa virulence expression is directly activated by morphine and is capable of causing lethal gut-derived sepsis in mice during chronic morphine administration. Ann Surg. 2012; 255(2):386-93.<\/p>\n\n\n\n<p>Cani, PD. Gut microbiota &#8211; at the intersection of everything? Nat Rev Gastroenterol Hepatol. 2017; 14(6):321-322.<\/p>\n\n\n\n<p>Ferraro FJ; Rush BF; Simonian GT. et al.&nbsp; A comparison of survival at different degrees of hemorrhagic shock in germ-free and germ-bearing rats. Europe PMC. 1995; 4(2):117-120.<\/p>\n\n\n\n<p>Gaines S, Shao C, Hyman N, Alverdy JC.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/29341151\">Gut microbiome influences on anastomotic leak and recurrence rates following colorectal cancer surgery.<\/a>&nbsp;Br J Surg. 2018 Jan;105(2):e131-e141. doi: 10.1002\/bjs.10760.<\/p>\n\n\n\n<p>Gershuni VM; Friedman ES. The Microbiome-Host Interaction as a Potential Driver of Anastomotic Leak. Current Gastroenterology Reports. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Gibson, G.R., et al. Dietary prebiotics: current status and new definition. IFIS Functional Foods Bulletin. 2011;7:1-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Guyton K; Alverdy JC. The gut microbiota and gastrointestinal surgery. Nature Reviews Gastroenterology &amp; Hepatology. 2017; 14: 43\u201354.<\/p>\n\n\n\n<p>Hibberd AA; Lyra A; Ouwehand AC. et al.&nbsp; Intestinal microbiota is altered in patients with colon cancer and modified by probiotic intervention. 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A meta-analysis of probiotic and synbiotic use in elective surgery: does nutrition modulation of the gut microbiome improve clinical outcome?&nbsp;<u><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/?term=JPEN+2013%3B+37%3A243\">JPEN&nbsp;J Parenter Enteral Nutr.<\/a><\/u>&nbsp;2013 Mar;37(2):243-53.<\/p>\n\n\n\n<p>Krezalek MA; Skowron KB; Guyton KL. et al.&nbsp; The intestinal microbiome and surgical disease. Curr Probl Surg. 2016; 53(6):257-93.<\/p>\n\n\n\n<p>Nieuwdorp M; Gilijamse PW; Pai N, et al. Role of the microbiome in energy regulation and metabolism. Gastroenterology.2014; 146(6):1525-33.<\/p>\n\n\n\n<p>Polakowski&nbsp;CB, Kato M, Preti VB, Schieferdecker MEM, Ligocki Campos AC. Impact of the preoperative use of synbiotics in colorectal cancer patients: A prospective, randomized, double-blind, placebo-controlled study. Nutrition. 2019; 58:40-46.<\/p>\n\n\n\n<p>Ranjan R; Rani A; Metwally A, et al. 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