{"id":7264,"date":"2019-03-25T08:08:44","date_gmt":"2019-03-25T08:08:44","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=7264"},"modified":"2019-03-25T08:10:37","modified_gmt":"2019-03-25T08:10:37","slug":"farmaceuticas-bancam-testes-geneticos-para-ver-match-com-drogas-contra-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/03\/farmaceuticas-bancam-testes-geneticos-para-ver-match-com-drogas-contra-cancer\/","title":{"rendered":"Farmac\u00eauticas bancam testes gen\u00e9ticos para ver &#8216;match&#8217; com drogas contra c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"\n<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n\n\n\n<p>Em parceria com m\u00e9dicos, empresas farmac\u00eauticas est\u00e3o bancando&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2017\/02\/1856941-testes-geneticos-sao-negligenciados-em-mulheres-com-risco-de-cancer.shtml\">testes gen\u00e9ticos<\/a>&nbsp;que definem se pacientes ter\u00e3o ou n\u00e3o benef\u00edcios com determinados rem\u00e9dios. Cada an\u00e1lise chega a custar R$ 5.000.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, para tumores de pulm\u00e3o, mama, intestino, pr\u00f3stata e melanoma, existem v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es de drogas oncol\u00f3gicas, de acordo com cada altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. O teste gen\u00e9tico, feito na amostra do tumor, pode indicar quais rem\u00e9dios s\u00e3o mais eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma discuss\u00e3o \u00e9tica se esse tipo de oferta n\u00e3o induziria a uma venda casada: a farmac\u00eautica oferece o exame e, se for identificada uma muta\u00e7\u00e3o para a qual ela produz uma droga inibidora, j\u00e1 teria cliente garantido para medica\u00e7\u00f5es que custam dezenas de milhares de reais.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, tr\u00eas multinacionais farmac\u00eauticas (AstraZeneca, Bristol-Myers Squibb e Pfizer) firmaram uma parceria in\u00e9dita para oferecer de gra\u00e7a a testagem gen\u00e9tica para a identifica\u00e7\u00e3o correta de certos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2015\/09\/1681134-e-eu-que-nem-fumava.shtml\">tumores de pulm\u00e3o<\/a>, cujo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2018\/04\/pacientes-com-cancer-de-pulmao-sobrevivem-mais-tempo-com-imunoterapia.shtml\">tratamento&nbsp;<\/a>correto depende desses testes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a mesma amostra de tumor retirada para bi\u00f3psia, s\u00e3o feitos tr\u00eas testes para identifica\u00e7\u00e3o de diferentes subtipos da doen\u00e7a (a muta\u00e7\u00e3o EGFR, a transloca\u00e7\u00e3o ALK e a express\u00e3o de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/1150031-nova-droga-faz-sistema-de-defesa-do-corpo-contra-atacar-o-cancer.shtml\">PD-L1<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>A parceria fez com que o tempo de diagn\u00f3stico do tipo de tumor passasse de 90 para 17 dias. Antes, o paciente demorava um m\u00eas para testar cada uma das tr\u00eas muta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m tinha que se submeter a v\u00e1rias bi\u00f3psias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma doen\u00e7a bastante agressiva, e o timing \u00e9 muito importante. Se existe tratamento efetivo, o quanto antes for iniciado, melhor\u201d, afirma Sandra Monteiro, diretora da \u00e1rea de neg\u00f3cios em oncologia da AstraZeneca. A empresa tem 1.600 m\u00e9dicos cadastrados em seu programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o dos m\u00e9dicos e da ind\u00fastria, n\u00e3o h\u00e1 risco de conflitos de interesse na oferta de testes porque eles n\u00e3o se destinam a uma droga espec\u00edfica. Por exemplo, para o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o com a muta\u00e7\u00e3o EGFR, existem atualmente quatro rem\u00e9dios fabricados por tr\u00eas farmac\u00eauticas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs farmac\u00eauticas patrocinam o teste, mas n\u00e3o existe nenhum v\u00ednculo direto [com a prescri\u00e7\u00e3o]. N\u00e3o \u00e9 um teste pago pela empresa A porque ele s\u00f3 serve para a droga A\u201d, explica o oncologista Helano Freitas, l\u00edder em pesquisa cl\u00ednica do A.C.Camargo Cancer Center.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, esses programas da ind\u00fastria facilitaram a vida do doente. \u201cAntes, ele tinha que pagar individualmente por cada um desses testes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo Munhoz, oncologista no Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas e no Icesp (Instituo do C\u00e2ncer do Estado de S\u00e3o Paulo), diz que, embora fique claro que o objetivo das farmac\u00eauticas com esses programas \u00e9 identificar pacientes candidatos \u00e0s suas drogas, o m\u00e9dico tem total autonomia na escolha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNenhuma ind\u00fastria oferece o teste com a contrapartida da prescri\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea pede o teste ao laborat\u00f3rio [pago pela ind\u00fastria], ele te passa o resultado, e a companhia nem fica sabendo dele, h\u00e1 sigilo total.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos testes gen\u00e9ticos, algumas farmac\u00eauticas tamb\u00e9m oferecem aos m\u00e9dicos programas que cuidam de toda a log\u00edstica (coleta do material e envio para an\u00e1lise) e depois, se a sua droga for prescrita, passam a orientar o doente como ter acesso a ela e administrar o seu uso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maioria dessas drogas custa entre R$ 5.000 e R$ 60 mil. A gente ajuda o paciente a produzir uma documenta\u00e7\u00e3o, com dados t\u00e9cnicos da doen\u00e7a, para que ele tenha mais chance de a operadora ou o SUS pagar\u201d, diz a enfermeira Luciana Lauretti, s\u00f3cia da AzimuteMed, que desenvolve programas para as farmac\u00eauticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, n\u00e3o h\u00e1 incentivo ou ajuda para se buscar essas drogas pela via judicial. \u201c\u00c9 tudo de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o, do que j\u00e1 \u00e9 permitido.&#8221; Em 40% dos casos, afirma, o paciente consegue a droga que precisa seja por meio dos planos de sa\u00fade seja pelo SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, essas novas drogas-alvo voltadas para muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas espec\u00edficas t\u00eam sido revolucion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje n\u00e3o adianta mais s\u00f3 saber que voc\u00ea tem um adenocarcinoma de pulm\u00e3o. Tem que fazer testes moleculares porque em cerca de 60% dos casos haver\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o molecular crucial para o tumor. E a\u00ed existem terapias-alvos que bloqueiam essas vias\u201d, explica Helano Freitas, do A.C.Camargo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, para quatro dessas altera\u00e7\u00f5es h\u00e1 rem\u00e9dios j\u00e1 aprovados. Por exemplo, quem tem a muta\u00e7\u00e3o EGFR, presente em 23% dos pacientes, e toma uma das drogas inibidora dessa altera\u00e7\u00e3o, consegue um controle por mais tempo da doen\u00e7a do que quando s\u00f3 se faz o tratamento quimioter\u00e1pico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA sobrevida dessas pessoas hoje \u00e9 mais do que o triplo, \u00e0s vezes o qu\u00e1druplo, de quem tem o adenocarcinoma usual, sem a muta\u00e7\u00e3o [que n\u00e3o \u00e9 candidato \u00e0 terapia-alvo].\u201d Nesse \u00faltimo caso, a sobrevida \u00e9 de 11 meses, em m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Freitas diz que, al\u00e9m da maior sobrevida, os pacientes t\u00eam tamb\u00e9m melhor qualidade de vida. \u201cTenho um paciente que defendeu doutorado ap\u00f3s diagn\u00f3stico de adenocarcinoma de pulm\u00e3o com met\u00e1stase no c\u00e9rebro. Essa realidade a gente n\u00e3o via h\u00e1 dez anos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira droga para a muta\u00e7\u00e3o EGFR, eficaz para 20% dos pacientes de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil desde 2007, mas s\u00f3 em 2013 entrou para o rol da ANS (Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar).<\/p>\n\n\n\n<p>Em junho do ano passado, foi incorporada ao SUS, mas s\u00f3 est\u00e1 dispon\u00edvel em poucos centros oncol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, segundo Freitas, a maioria dos servi\u00e7os do SUS nem faz os testes gen\u00e9ticos porque o paciente n\u00e3o ter\u00e1 acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o. \u201cNessa situa\u00e7\u00e3o, nem adianta saber se tem a muta\u00e7\u00e3o A ou B.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor mais que se tenha o teste oferecido pela ind\u00fastria, n\u00e3o adianta ter acesso a essa informa\u00e7\u00e3o se n\u00e3o tem a droga para oferecer. \u00c9 um problema que a gente lida no dia a dia\u201d, refor\u00e7a Rodrigo Munhoz, do S\u00edrio e do Icesp.<\/p>\n\n\n\n<p>A droga-alvo para c\u00e2ncer de pulm\u00e3o relacionado \u00e0 transloca\u00e7\u00e3o ALK, presente em 5% dos pacientes em m\u00e9dia, n\u00e3o \u00e9 oferecida no sistema p\u00fablico. \u201cOs rem\u00e9dios que servem para essa altera\u00e7\u00e3o custam entre R$ 30 mil e R$ 40 mil por m\u00eas. E o SUS paga R$ 1.062 por m\u00eas [para tratamentos oncol\u00f3gicos]. N\u00e3o d\u00e1 para colocar a culpa nos servi\u00e7os\u201d, diz Helano Freitas.\n<\/p>\n\n\n\n<div id=\"g-ai1-1\" class=\"g-info g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\"><strong>Evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div id=\"g-ai1-2\" class=\"g-info g-aiAbs\">\n<p>O grande culpado pelo c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 o tabagismo, respons\u00e1vel por mais de 80% dos casos. Outros 20% incluem exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, aos asbestos (material isolante) ou mesmo \u00e0 polui\u00e7\u00e3o. Algumas muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas est\u00e3o relacionadas a um maior risco de surgimento desse c\u00e2ncer<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Em parceria com m\u00e9dicos, empresas farmac\u00eauticas est\u00e3o bancando&nbsp;testes gen\u00e9ticos&nbsp;que definem se pacientes ter\u00e3o ou n\u00e3o benef\u00edcios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7265,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-7264","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7264","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7264"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7264\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7267,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7264\/revisions\/7267"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7265"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7264"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7264"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7264"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}