{"id":7145,"date":"2019-03-11T10:28:32","date_gmt":"2019-03-11T10:28:32","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=7145"},"modified":"2019-03-11T10:37:11","modified_gmt":"2019-03-11T10:37:11","slug":"virus-da-chikungunya-passou-um-ano-despercebido-no-brasil-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/03\/virus-da-chikungunya-passou-um-ano-despercebido-no-brasil-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"V\u00edrus da chikungunya passou um ano despercebido no Brasil, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>O\u00a0v\u00edrus da chikungunya\u00a0chegou ao Brasil pelo menos um ano antes de ser detectado pelos sistemas de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade p\u00fablica, aponta pesquisa da Fiocruz (Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz) e da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica Mailman, da Universidade de Columbia. O estudo foi publicado no peri\u00f3dico Scientific Reports, do grupo Nature.<\/p>\n<p>Doen\u00e7a viral transmitida pelos mosquitos\u00a0<em>Aedes aegypti\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Aedes<\/em><em>albopictus<\/em>, a febre chikungunya foi diagnosticada pela primeira vez em pacientes do pa\u00eds em 2014, mesmo ano em que a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus foi identificada.<\/p>\n<p>O novo estudo, feito a partir de testes gen\u00e9ticos desenvolvidos na Universidade de Columbia que conseguiram recuperar a \u201c\u00e1rvore geneal\u00f3gica\u201d do v\u00edrus, mostra que o v\u00edrus da chikungunya entrou no Brasil em fevereiro de 2013.<\/p>\n<p>Toda vez que o v\u00edrus se multiplica, acumula muta\u00e7\u00f5es. Com o genoma sequenciado, os pesquisadores compararam as varia\u00e7\u00f5es do v\u00edrus isolado de amostras de sangue de pacientes entre 2016 e 2017 com outras sequ\u00eancias antigas que estavam em bancos de dados.<\/p>\n<p>\u201cCom isso a gente conseguiu estabelecer n\u00e3o s\u00f3 o grau de parentesco como quando surgiu o parentesco\u201d, explica Thiago Moreno, um dos coordenadores do estudo e pesquisador do Centro de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico em Sa\u00fade da Fiocruz.<\/p>\n<p>Segundo ele, a inten\u00e7\u00e3o da pesquisa \u00e9 auxiliar nas tomadas de decis\u00f5es em sa\u00fade p\u00fablica e apontar novos caminhos que possam controlar a entrada de poss\u00edveis novos v\u00edrus no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cSe temos a evid\u00eancia de que um v\u00edrus circulou por mais ou menos um ano sem ser detectado, significa que a vigil\u00e2ncia precisa refor\u00e7ar as suas estrat\u00e9gias e se preocupar muito mais com os casos negativos para v\u00edrus preexistentes e come\u00e7ar a fazer triagens para outros poss\u00edveis agentes.\u201d<\/p>\n<p>Ele lembra que em 2013 a preocupa\u00e7\u00e3o da vigil\u00e2ncia era a dengue. \u201cSe o paciente tinha os sintomas cl\u00e1ssicos, o m\u00e9dico testava para dengue. Se desse positivo, beleza. Mas, se desse negativo, n\u00e3o se investigava o que significava aquele resultado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Na sua opini\u00e3o, com as atuais ferramentas na \u00e1rea da gen\u00f4mica e da biologia molecular, seria poss\u00edvel analisar os casos negativos e tentar descobrir o come\u00e7o da circula\u00e7\u00e3o de alguns agentes antes que eles se tornem problemas de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cNessa primeira parte do s\u00e9culo 21, temos um n\u00famero sem precedentes de doen\u00e7as emergentes surgindo. No Brasil, em particular, as arboviroses como\u00a0dengue, zika e\u00a0chikungunya\u00a0e a reemerg\u00eancia da febre amarela t\u00eam causado um problema enorme.\u201d<\/p>\n<p>E como enfrentar isso? Por meio de um conjunto de a\u00e7\u00f5es que precisaria envolver, entre outras coisas, uma maior aproxima\u00e7\u00e3o da vigil\u00e2ncia com a academia e os servi\u00e7os de de gen\u00f4mica e vice e versa.<\/p>\n<p>\u201cMas a gente est\u00e1 falando de doen\u00e7as que seriam minimizadas com um refor\u00e7o no saneamento b\u00e1sico. Precisamos de tecnologia e novos servi\u00e7os de diagn\u00f3sticos, mas h\u00e1 uma quest\u00e3o b\u00e1sica que est\u00e1 deficit\u00e1ria e que precisa ser refor\u00e7ada\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>O reconhecimento mais precoce de um novo v\u00edrus como o chikungunya poderia ter trazido benef\u00edcios tanto para gest\u00e3o p\u00fablica, como uma melhor aloca\u00e7\u00e3o de recursos de sa\u00fade, como em tratamentos mais eficazes aos pacientes.<\/p>\n<p>\u201cPense em regi\u00f5es onde voc\u00ea tenha dengue, zika e chikungunya circulando. Voc\u00ea ter\u00e1 que alocar mais recursos em reumatologia para \u00e1reas onde tenha mais chikungunya, melhores recursos para \u00e1rea da mulher, onde tem zika, e assim por diante\u201d, diz.<\/p>\n<p>No caso da febre chikungunya, na fase aguda da doen\u00e7a, os sintomas s\u00e3o tratados com medica\u00e7\u00e3o para a febre (paracetamol) e as dores articulares (anti-inflamat\u00f3rios).<\/p>\n<p>No entanto, de 5% a 10% dos doentes podem\u00a0evoluir para uma forma cr\u00f4nica de artrite, para a qual existem hoje medicamentos mais potentes e mais caros (biol\u00f3gicos).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito importante saber precocemente se a infec\u00e7\u00e3o foi provocada pelo v\u00edrus chikungunya. Precisamos ter a sorologia positiva para iniciar, com seguran\u00e7a, uma medica\u00e7\u00e3o mais agressiva\u201d, explica o reumatologista Morton Scheinberg, do Hospital Israelita Albert Einstein.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o de Feira de Santana (BA), que viveu uma epidemia de chikungunya em 2014, h\u00e1 pacientes que\u00a0ainda hoje se queixam de dores nos p\u00e9s, nos tornozelos, nas m\u00e3os e nos punhos. Esses sintomas dificultam as atividades rotineiras, como dirigir um carro, digitar em um computador ou celular.<\/p>\n<p>\u201cTem at\u00e9 uma quest\u00e3o trabalhista. O paciente reporta que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es, mas, como n\u00e3o aparenta nada, pode ter dificuldade para obter licen\u00e7a do trabalho. Se voc\u00ea tem a confirma\u00e7\u00e3o que naquela regi\u00e3o tem chikungunya, voc\u00ea legitima a queixa\u201d, explica Moreno, dando mais um argumento para a import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico correto.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m apontou que a entrada do v\u00edrus no Rio de Janeiro ocorreu em um s\u00f3 evento, vindo diretamente do estado de Sergipe. \u201cIsso significa que n\u00e3o h\u00e1 obst\u00e1culos para sua circula\u00e7\u00e3o. O que se espera \u00e9 que sejam necess\u00e1rias m\u00faltiplas entradas para que uma nova doen\u00e7a se estabele\u00e7a\u201d, afirma Moreno.<\/p>\n<p>Em megal\u00f3poles brasileiras, como o Rio de Janeiro, end\u00eamico para dengue, h\u00e1 circula\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone do v\u00edrus chikungunya desde mar\u00e7o de 2016, quando tamb\u00e9m cocirculou com o v\u00edrus da dengue e o da\u00a0zika, situa\u00e7\u00e3o que ficou conhecida como tr\u00edplice epidemia.<\/p>\n<p>Neste ano, os casos de chikungunya no pa\u00eds somam 4.149 registros, queda de 51% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. Alguns estados, no entanto, apresentam cen\u00e1rio oposto, caso do Rio de Janeiro, com 2.198 casos at\u00e9 2 de fevereiro deste ano, contra 1.182 no mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">ENTENDA A DOEN\u00c7A<\/h3>\n<p><strong>Origem<\/strong><\/p>\n<p>A primeira epidemia documentada aconteceu na Tanz\u00e2nia, na d\u00e9cada de 50. No Brasil, a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus foi identificada em 2014, mas come\u00e7ou em 2013<\/p>\n<p><strong>Principais sintomas<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7am entre 2 e 12 dias ap\u00f3s a picada<\/p>\n<ul>\n<li>Febre alta e repentina<\/li>\n<li>Dores nas articula\u00e7\u00f5es dos p\u00e9s e m\u00e3os (dedos, tornozelos e pulsos)<\/li>\n<li>Dor de cabe\u00e7a<\/li>\n<li>Dores nos m\u00fasculos<\/li>\n<li>Manchas vermelhas na pele<\/li>\n<\/ul>\n<p>Cerca de 30% dos casos n\u00e3o apresentam sintomas<\/p>\n<p><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n<p>O v\u00edrus pode ser detectado por tr\u00eas\u00a0tipos de exame de laborat\u00f3rio. N\u00e3o existe vacina nem rem\u00e9dio para curar a doen\u00e7a, apenas medicamentos para aliviar febre e dores.\u00a0Para os casos que evoluem para artrite cr\u00f4nica, rem\u00e9dios mais agressivos s\u00e3o indicados<\/p>\n<p><strong>Preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Assim como na dengue, \u00e9 preciso eliminar os criadouros de mosquitos, evitando \u00e1gua parada, e usar repelentes e roupas que cubram o corpo.\u00a0Depois\u00a0de infectada, a pessoa fica imune<\/p>\n<p>Fontes: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e Opas (Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP O\u00a0v\u00edrus da chikungunya\u00a0chegou ao Brasil pelo menos um ano antes de ser detectado pelos sistemas de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-7145","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7145"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7145\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7146,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7145\/revisions\/7146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}