{"id":6768,"date":"2019-02-11T11:04:35","date_gmt":"2019-02-11T11:04:35","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=6768"},"modified":"2019-02-11T11:12:14","modified_gmt":"2019-02-11T11:12:14","slug":"identificados-dois-tipos-de-bacterias-intestinais-relacionadas-com-a-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2019\/02\/identificados-dois-tipos-de-bacterias-intestinais-relacionadas-com-a-depressao\/","title":{"rendered":"Identificados dois tipos de bact\u00e9rias intestinais relacionadas com a depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>fonte: El Pa\u00eds<\/p>\n\n\n\n<p>Os micr\u00f3bios que habitam nosso intestino parecem ter certa influ\u00eancia sobre nossa\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/salud_mental\">sa\u00fade mental<\/a>, embora por enquanto esse impacto tenha sido mais estudado em animais que em pessoas. Observou-se, por exemplo, que ao injetar fezes de humanos deprimidos em ratos esses animais desenvolviam sintomas pr\u00f3prios da doen\u00e7a. Em humanos, verificou-se que alterar o ecossistema intestinal pode reduzir estados de ansiedade, mas falta informa\u00e7\u00e3o sobre o que se pode fazer com doen\u00e7as mais graves. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma equipe liderada por Jeroen Raes, do Instituto Flamengo de Biotecnologia, da B\u00e9lgica, publicou an\u00e1lise em que relaciona a depress\u00e3o com a aus\u00eancia de alguns tipos espec\u00edficos de bact\u00e9rias, sugerindo que muitas delas poderiam produzir compostos capazes de afetar nosso estado mental. <\/p>\n\n\n\n<p>Em seu trabalho,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41564-018-0337-x\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado na revista&nbsp;<em>Nature Microbiology<\/em><\/a>, os autores relatam como obtiveram informa\u00e7\u00f5es sobre diagn\u00f3sticos de depress\u00e3o e o microbioma recolhido das fezes de 1.054 indiv\u00edduos que participam do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.vib.be\/en\/research\/Pages\/The%20Flemisch%20Gut%20Flora%20project.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto Flamengo da Flora Intestinal<\/a>. Em sua an\u00e1lise, observaram que dois g\u00eaneros de bact\u00e9ria, as&nbsp;<em>Coprococcus<\/em>&nbsp;e as&nbsp;<em>Dialister<\/em>, escasseavam entre as pessoas que sofriam de depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA rela\u00e7\u00e3o entre o metabolismo dos micr\u00f3bios intestinais e a sa\u00fade mental \u00e9 um tema pol\u00eamico na investiga\u00e7\u00e3o do microbioma\u201d, afirma Raes em um comunicado de sua institui\u00e7\u00e3o. \u201cA no\u00e7\u00e3o de que os metab\u00f3litos [produzidos por estes micr\u00f3bios] podem interagir com nosso c\u00e9rebro, e portanto influenciar o nosso comportamento e nossos sentimentos, \u00e9 intrigante, mas&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/05\/20\/ciencia\/1463758597_456201.html\">a comunica\u00e7\u00e3o entre o microbioma intestinal e o c\u00e9rebro j\u00e1 foi explorada principalmente em modelos animais<\/a>, estando a investiga\u00e7\u00e3o em humanos muito menos avan\u00e7ada\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste trabalho, os autores tamb\u00e9m analisaram quais compostos poderiam produzir os micr\u00f3bios com capacidade para interagir com nosso sistema nervoso, e cruzaram essa informa\u00e7\u00e3o com as sequ\u00eancias gen\u00f4micas dos organismos encontrados nas fezes de pessoas com depress\u00e3o e em indiv\u00edduos s\u00e3os. Desta maneira, descobriram que a capacidade de alguns microorganismos para produzir DOPAC, um dos metabolitos da dopamina, estava associada com um melhor estado mental.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe de Raes procura h\u00e1 anos rela\u00e7\u00f5es entre a presen\u00e7a de determinadas bact\u00e9rias e seus efeitos sobre a sa\u00fade. Em estudos anteriores, observaram que quem consumia iogurte regularmente tinha ecossistemas bacterianos intestinais mais diversificados, algo que tamb\u00e9m se via com o consumo de vinho e caf\u00e9. O contr\u00e1rio ocorria com o consumo de leite integral e com uma alimenta\u00e7\u00e3o excessiva. Em outra das linhas que interessam no \u00e2mbito do estudo do microbioma, come\u00e7aram a ser encontradas rela\u00e7\u00f5es entre as doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o e o c\u00e2ncer e a presen\u00e7a ou aus\u00eancia de algumas bact\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, o que se conhece com maior precis\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre os micr\u00f3bios que temos dentro de n\u00f3s, a dieta e a sa\u00fade intestinal, mas as subst\u00e2ncias que algumas bact\u00e9rias produzem podem afetar os n\u00edveis de inflama\u00e7\u00e3o, e isso influi tamb\u00e9m sobre o sistema imunol\u00f3gico. De alguma maneira, os micr\u00f3bios s\u00e3o um mecanismo que conecta diferentes sistemas do organismo. Problemas de ansiedade ou depress\u00e3o t\u00eam sido detectados com especial frequ\u00eancia em pessoas com altera\u00e7\u00f5es gastrointestinais, como a s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel, e em geral \u00e9 comum que os transtornos mentais e digestivos ocorram simultaneamente. Em outra linha de investiga\u00e7\u00e3o que pode ajudar a entender o mal de Parkinson, alguns estudos detectaram que essa doen\u00e7a est\u00e1 relacionada com um maior tempo de tr\u00e2nsito intestinal.<\/p>\n\n\n\n<p>O campo de estudo do microbioma, e sobretudo a capacidade de agir sobre ele para melhorar a sa\u00fade, ainda est\u00e1 em seus prim\u00f3rdios. Tamb\u00e9m nesta segunda-feira, na\u00a0<em>Nature Biotechnology<\/em>, uma equipe internacional de cientistas publicou a descoberta de 100 novas esp\u00e9cies de bact\u00e9rias encontradas no interior de intestinos saud\u00e1veis. Como acontece quando se deseja alterar um ecossistema, mexer numa esp\u00e9cie pode ter efeitos indesejados sobre o equil\u00edbrio com as demais, e parece que para fazer isso com efic\u00e1cia ainda falta entender muita coisa sobre esses habitantes microsc\u00f3picos que representam aproximadamente 2% do nosso peso. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: El Pa\u00eds Os micr\u00f3bios que habitam nosso intestino parecem ter certa influ\u00eancia sobre nossa\u00a0sa\u00fade mental, embora por enquanto esse [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-6768","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6768"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6770,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6768\/revisions\/6770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}