{"id":6463,"date":"2018-11-21T10:56:52","date_gmt":"2018-11-21T10:56:52","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=6463"},"modified":"2018-11-21T10:56:52","modified_gmt":"2018-11-21T10:56:52","slug":"brasil-supera-europa-em-media-de-consumo-de-antibioticos-aponta-oms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/11\/brasil-supera-europa-em-media-de-consumo-de-antibioticos-aponta-oms\/","title":{"rendered":"Brasil supera Europa em m\u00e9dia de consumo de antibi\u00f3ticos, aponta OMS"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>O n\u00famero de doses de\u00a0<strong>antibi\u00f3ticos<\/strong>\u00a0consumidas no Brasil est\u00e1 entre os maiores do mundo, superando a m\u00e9dia da Europa, Canad\u00e1 e Jap\u00e3o. Os dados est\u00e3o em relat\u00f3rio da\u00a0<strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/strong>\u00a0divulgado nesta segunda-feira, 12, que alerta para as consequ\u00eancias do uso indiscriminado desse tipo de medicamento. A principal preocupa\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia \u00e9 que o consumo indevido favore\u00e7a o surgimento de bact\u00e9rias multirresistentes causadoras de infec\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de curar.<\/p>\n<p>O levantamento da OMS incluiu os dados de 65 pa\u00edses onde as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o coletadas de forma rigorosa. O indicador foi o n\u00famero de doses di\u00e1rias (DD) consumidas para cada mil habitantes. No Brasil, o \u00edndice ficou em 22 DD para cada mil, o que coloca o Pa\u00eds como o 19.\u00ba maior consumidor do rem\u00e9dio entre as 65 na\u00e7\u00f5es pesquisadas.<\/p>\n<p>Na Europa, a m\u00e9dia \u00e9 de 18 doses, enquanto no\u00a0<strong>Canad\u00e1<\/strong>\u00a0e no\u00a0<strong>Jap\u00e3o<\/strong>\u00a0o \u00edndice medido foi de 17 e 14 DD, respectivamente.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio mostra grande varia\u00e7\u00e3o do consumo do medicamento entre os pa\u00edses. O \u00edndice variou de 4 no Burundi (\u00c1frica) a 64 DD na Mong\u00f3lia (\u00c1sia).<\/p>\n<p>OMS e especialistas ressaltam, por\u00e9m, que \u00edndices muito baixos de consumo tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o positivos. A grande diferen\u00e7a no uso de antibi\u00f3ticos indica que alguns pa\u00edses provavelmente abusam no consumo enquanto outros n\u00e3o t\u00eam acesso suficiente aos rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>Diretora m\u00e9dica do Servi\u00e7o de Microbiologia do Laborat\u00f3rio Central do Hospital das Cl\u00ednicas, Fl\u00e1via Rossi concorda. \u201cTanto o uso excessivo quanto o pouco uso s\u00e3o preocupantes\u201d, diz ela, que defende, no caso do Brasil, medidas para reduzir o consumo inadequado.<\/p>\n<p>\u201cUma das principais a\u00e7\u00f5es seria investir em melhorias nos m\u00e9todos diagn\u00f3sticos para que a prescri\u00e7\u00e3o do medicamento seja mais certeira. Precisamos, principalmente no sistema p\u00fablico, de mais investimentos nos laborat\u00f3rios de microbiologia para que o m\u00e9dico e o doente saibam de forma mais r\u00e1pida qual \u00e9 o micro-organismo causador da doen\u00e7a\u201d, declarou Fl\u00e1via, que faz parte de um grupo de especialistas convocados pela OMS para discutir protocolos para o uso racional de antibi\u00f3ticos entre humanos e animais (mais informa\u00e7\u00f5es abaixo).<\/p>\n<p>Suzanne Hill, chefe da Unidade de Medicamentos Essenciais da OMS, afirma que \u00e9 esse uso inadequado que tem levado a uma resist\u00eancia cada vez maior das bact\u00e9rias aos produtos. Isso acontece quando pacientes usam antibi\u00f3ticos em situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o precisam ou quando n\u00e3o terminam o tratamento, dando a chance para que parte das bact\u00e9rias resista e crie \u201cimunidade\u201d ao rem\u00e9dio.<\/p>\n<p>Diante disso, a Associa\u00e7\u00e3o Panamericana de Infectologia, em parceria com a farmac\u00eautica Pfizer, lan\u00e7ou esta semana campanha nas redes sociais para conscientizar pacientes sobre o uso racional dos rem\u00e9dios. \u201cA ideia \u00e9 mostrar que pequenas a\u00e7\u00f5es, como o uso conforme prescrito pelo m\u00e9dico e o descarte correto, podem salvar milh\u00f5es de vidas\u201d, diz Eurico Correia, diretor m\u00e9dico da Pfizer.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia bacteriana t\u00eam preocupado autoridades brasileiras. Em 2010, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) endureceu a regra para prescrever antibi\u00f3ticos. Quase todos os rem\u00e9dios do tipo passaram a ser vendidos s\u00f3 com a reten\u00e7\u00e3o da receita. Questionada nesta ter\u00e7a-feira, 13, sobre os efeitos da medida, a Anvisa disse n\u00e3o conseguiria responder no prazo.<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">V\u00edtimas<\/h3>\n<p>Apenas a resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos que tratam de tuberculose causa 250 mil mortes por ano. Al\u00e9m desse, a OMS j\u00e1 identificou 12 casos em que a resist\u00eancia a produtos no mercado j\u00e1 \u00e9 uma amea\u00e7a.<\/p>\n<p>No total, 51 novos antibi\u00f3ticos est\u00e3o em diversas etapas de avalia\u00e7\u00e3o e teste. Mas desses, s\u00f3 oito s\u00e3o classificados pela OMS como \u201ctratamento inovadores\u201d. Mas n\u00e3o h\u00e1 garantia de que cheguem ao mercado porque ainda precisam passar por todas as fases de pesquisa cl\u00ednica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6464\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/antibiotico.jpg\" alt=\"\" width=\"661\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/antibiotico.jpg 661w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/antibiotico-600x267.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/antibiotico-300x133.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 661px) 100vw, 661px\" \/><\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Agropecu\u00e1ria\u00a0responde por 70%\u00a0do uso de rem\u00e9dios<\/h3>\n<p>O uso indevido de antibi\u00f3ticos n\u00e3o deve ser combatido somente entre os humanos, mas tamb\u00e9m no setor da agropecu\u00e1ria. Hoje, 70% dos medicamentos do tipo consumidos no mundo s\u00e3o utilizados no setor de alimentos e animais, o que fez a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) iniciar discuss\u00f5es de medidas que levem \u00e0 redu\u00e7\u00e3o desse uso nos animais.<\/p>\n<p>\u201cNo setor de agropecu\u00e1ria, os antibi\u00f3ticos t\u00eam sido usados tanto para tratar doen\u00e7as nos animais quanto para aumentar o peso deles. Isso tem de ser reduzido ao m\u00ednimo poss\u00edvel\u201d, destaca Fl\u00e1via Rossi, diretora m\u00e9dica do Servi\u00e7o de Microbiologia do Laborat\u00f3rio Central do Hospital das Cl\u00ednicas.<\/p>\n<p>A brasileira integra um grupo internacional formado por especialistas convocados pela OMS para discutir formas de reduzir o uso indevido desses rem\u00e9dios. No ano passado, o grupo fez uma classifica\u00e7\u00e3o de quais antibi\u00f3ticos devem ser usados em cada grupo (humanos ou animais).<\/p>\n<p>\u201cA partir dessas classifica\u00e7\u00f5es e estudos, estamos criando protocolos e recomenda\u00e7\u00f5es. Acredito que tanto o Brasil quanto outros pa\u00edses v\u00e3o seguir essa tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o porque \u00e9 uma demanda mundial\u201d, afirma Fl\u00e1via. \u201cNos Estados Unidos, por exemplo, grandes empresas de produ\u00e7\u00e3o de carne j\u00e1 colocam em seus produtos selos mostrando se o produto teve ou n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3tico\u201d, relata a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Meta. A especialista destaca que a meta da OMS \u00e9 alcan\u00e7ar n\u00edveis de uso adequado de antibi\u00f3tico em humanos e animais at\u00e9 2050. Se nada for feito at\u00e9 l\u00e1, a ag\u00eancia estima que o n\u00famero de mortes em fun\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia bacteriana chegue a 10 milh\u00f5es por ano, superando, por exemplo, o n\u00famero de v\u00edtimas do c\u00e2ncer (8,2 milh\u00f5es). Hoje, a estimativa \u00e9 que 700 mil pessoas morram no mundo por infec\u00e7\u00f5es causadas por bact\u00e9rias resistentes a cada ano.<\/p>\n<p>De acordo com Fl\u00e1via, a bact\u00e9ria mais presente em infec\u00e7\u00f5es resistentes \u00e9 a Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC), conhecida por causar surtos em v\u00e1rios hospitais brasileiros. As pessoas mais vulner\u00e1veis \u00e0s infec\u00e7\u00f5es resistentes s\u00e3o crian\u00e7as, idosos e os pacientes com condi\u00e7\u00f5es que tornam o sistema imunol\u00f3gico mais fr\u00e1gil, como doen\u00e7as autoimunes, c\u00e2ncer ou HIV.<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Fique atento<\/h3>\n<p><strong>&#8211; Dura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o suspenda o uso de antibi\u00f3ticos prescritos por seu m\u00e9dico antes de per\u00edodo determinado ainda que os sintomas j\u00e1 tenham desaparecido.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Doen\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>A automedica\u00e7\u00e3o \u00e9 perigosa. O paciente n\u00e3o deve tomar antibi\u00f3ticos que sobraram de tratamentos anteriores.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Descarte<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o jogue antibi\u00f3ticos na pia, lixo ou vaso sanit\u00e1rio porque, em contato com bact\u00e9rias do solo ou da \u00e1gua, isso pode levar ao desenvolvimento de cepas (tipos) resistentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o O n\u00famero de doses de\u00a0antibi\u00f3ticos\u00a0consumidas no Brasil est\u00e1 entre os maiores do mundo, superando a m\u00e9dia da Europa, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6464,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-6463","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6463"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6463\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6465,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6463\/revisions\/6465"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}