{"id":6457,"date":"2018-11-21T10:41:50","date_gmt":"2018-11-21T10:41:50","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=6457"},"modified":"2018-11-21T10:41:50","modified_gmt":"2018-11-21T10:41:50","slug":"estigma-e-metas-muito-altas-de-perda-de-peso-afastam-obesos-dos-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/11\/estigma-e-metas-muito-altas-de-perda-de-peso-afastam-obesos-dos-medicos\/","title":{"rendered":"Estigma e metas muito altas de perda de peso afastam obesos dos m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-6458\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/obesidade-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser gordo. No trabalho, as pessoas pensam que voc\u00ea n\u00e3o vai ser t\u00e3o produtivo quanto elas, j\u00e1 que n\u00e3o consegue dar conta nem de gerenciar o pr\u00f3prio corpo; na academia, que voc\u00ea n\u00e3o se esfor\u00e7a o suficiente para perder o excesso de peso; amigos e familiares enxergam uma esp\u00e9cie de fraqueza psicol\u00f3gica que impede que voc\u00ea siga regras simples, como comer menos e se mexer mais.<\/p>\n<p>Esse\u00a0estigma\u00a0n\u00e3o ajuda a maioria dessas pessoas a obter tratamento. Ao contr\u00e1rio, provoca isolamento \u2014e s\u00e3o raras as pessoas que oferecem ajuda. Barreiras como essa est\u00e3o cada vez mais presentes em debates travados por especialistas durante eventos como a Obesity Week, que aconteceu em Nashville (EUA) na semana passada.<\/p>\n<p>\u201cContra a\u00a0obesidade\u00a0parece que a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel e n\u00e3o h\u00e1 vergonha em agir dessa forma. Dizem que a pessoa \u00e9 pregui\u00e7osa. Esse sentimento \u00e9 internalizado e fica ainda mais dif\u00edcil promover mudan\u00e7as\u201d, diz Olivia Cavalcanti, diretora da Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Obesidade.<\/p>\n<div id=\"_dynad_c_I5550010343_1542796739528535038557\">\n<div id=\"inarticle_parceiros_bt_close_dynadtv_unique\">O preconceito contra as pessoas com sobrepeso e obesidade, afirmam os especialistas, n\u00e3o se sustenta se considerada sua fisiologia.<\/div>\n<\/div>\n<p>Mesmo quando uma pessoa\u00a0perde peso,\u00a0a tend\u00eancia \u00e9 que organismo reduza o gasto cal\u00f3rico e que a fome aumente, uma for\u00e7a de rea\u00e7\u00e3o a todo o esfor\u00e7o realizado. Alguns dos estudos mais longos de dietas j\u00e1 conduzidos apontam que, mesmo em casos de sucesso, quase todo peso perdido \u00e9 recuperado ap\u00f3s alguns anos.<\/p>\n<p>Depois de emagrecer a pessoa que era obesa ainda tem altera\u00e7\u00f5es no organismo que n\u00e3o deixam a doen\u00e7a ser apagada, diz o endocrinologista Bruno Halpern, que participou da Obesity Week, da mesma forma que uma pessoa n\u00e3o deixa de ser hipertensa por estar controlando a press\u00e3o com medicamentos.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas pensam que, quando algu\u00e9m emagrece, resolveu o problema e, se engordar de novo, ser\u00e1 como engordar pela primeira vez. N\u00e3o \u00e9. A tend\u00eancia fisiol\u00f3gica \u00e9 sempre engordar\u201d, diz Halpern.<\/p>\n<p>Ou seja, simplesmente adotar uma alimenta\u00e7\u00e3o com menos calorias \u2014uma das primeiras sugest\u00f5es que especialistas e leigos d\u00e3o ao obeso\u2014 \u00e9 apenas parte da resposta.<\/p>\n<p>\u201cO gordo n\u00e3o tem culpa de engordar. Pouqu\u00edssimas pessoas sustentam o peso perdido s\u00f3 mudando padr\u00e3o diet\u00e9tico e fazendo exerc\u00edcio \u2014a taxa de sucesso \u00e9 perto de zero. A pessoa se esfor\u00e7a, gasta dinheiro, se lasca, passa fome, mas ela acaba comendo mais e engordando porque \u00e9 alavancada pelo instinto\u201d, afirma o endocrinologista Antonio Carlos Nascimento.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">MEDICAMENTOS<\/h3>\n<p>Drogas antiobesidade tamb\u00e9m t\u00eam efic\u00e1cia limitada, com efeitos que chegam a at\u00e9 9% do peso nos melhores casos \u2014em m\u00e9dia, as pessoas desejam perder 20%. Mesmo assim, muitos benef\u00edcios s\u00e3o observados em quem perde 10% do peso, como redu\u00e7\u00e3o de risco de doen\u00e7as cardiovasculares, melhor qualidade de sono e melhor controle das taxas de a\u00e7\u00facar no sangue.<\/p>\n<p>Apesar dos benef\u00edcios, o tratamento medicamentoso \u00e9 15 vezes mais raro entre pessoas com obesidade do que nas com diabetes, mesmo sendo doen\u00e7a subdiagnosticada e subtratada, diz Halpern.<\/p>\n<p>Ou seja, h\u00e1 tamb\u00e9m um estigma ligado a essas drogas. A\u00ed cria-se a oportunidade para suplementos alimentares que alegam benef\u00edcios na perda de peso \u2014embora estudos robustos n\u00e3o mostrem benef\u00edcio nesse sentido. \u201cMuitas vezes o paciente toma rem\u00e9dio e n\u00e3o conta para ningu\u00e9m, nem para outro m\u00e9dico, que n\u00e3o \u00e9 a favor desse tratamento\u201d, diz Nascimento.<\/p>\n<p>\u201cO congresso foi uma excelente oportunidade para ver como a regula\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica \u00e9 complexa. Esquecemos que a pessoa, quando come menos, tem mais fome \u2014e esquece de tratar a fome\u201d, diz Halpern.<\/p>\n<p>O tratamento da fome e outros que t\u00eam como alvo mecanismos cerebrais que controlam o gasto energ\u00e9tico est\u00e3o na mira da ind\u00fastria e, se funcionarem, podem ser lan\u00e7ados daqui alguns anos, diz Kevin Grove, chefe da \u00e1rea de pesquisa em obesidade da farmac\u00eautica Novo Nordisk. Os estudos, por\u00e9m, est\u00e3o ainda em fase bastante incipiente.<\/p>\n<p>Uma pesquisa patrocinada pela empresa (apelidado de Action &#8211; Awareness, Care and Treatment In Obesity maNagement) e conduzido nos EUA com 3.600 pessoas aponta que, embora 71% dos obesos tenham procurado ajuda m\u00e9dica nos cinco anos anteriores para tratar do peso, apenas pouco mais da metade recebeu um diagn\u00f3stico formal de obesidade. E, no fim, apenas um quarto marcou retorno para tratar do assunto.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes o paciente vai no ortopedista, no cardiologista, e eles falam para perder 20 kg. Parte dos m\u00e9dicos acham que, se n\u00e3o der certo, a falha \u00e9 do paciente \u2014e ele n\u00e3o volta ao m\u00e9dico, j\u00e1 que n\u00e3o perdeu o peso. N\u00e3o se deve julgar o paciente, e sim acolh\u00ea-lo e trat\u00e1-lo\u201d, afirma Halpern.<\/p>\n<p>No estudo Action, mesmo entre os profissionais de sa\u00fade, h\u00e1 quase 30% que n\u00e3o se consideram respons\u00e1veis por auxiliar o paciente na briga contra o excesso de peso.<\/p>\n<p>Idealmente, diz Halpern, deveria haver um acompanhamento pelo profissional para tentar manter o paciente motivado. \u201cMuitas pacientes v\u00e3o por um, dois, tr\u00eas meses no consult\u00f3rio. V\u00e3o muito bem e depois desaparecem. Todo mundo se acha entendido de obesidade. Vem o amigo e diz que h\u00e1 um jeito melhor\u2026 As pessoas d\u00e3o muito palpite.\u201d<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes o paciente pensa que vai ser acompanhado pelo m\u00e9dico por tr\u00eas meses e depois ir embora. Est\u00e1 errado. N\u00e3o tem jeito: se o caso for grave, ou vai para a cirurgia ou vai ser um big brother com o profissional da sa\u00fade\u201d, diz Nascimento.<\/p>\n<p>Para especialistas, a melhor maneira de acabar com o estigma \u00e9 por meio da educa\u00e7\u00e3o, ao mostrar, com base em conjuntos de estudos, para profissionais e para o p\u00fablico, que a obesidade \u00e9 muito mais complicada do que parece.<\/p>\n<p>Cerca de um ter\u00e7o dos adultos no mundo, ou 2 bilh\u00f5es de indiv\u00edduos, t\u00eam obesidade ou sobrepeso. \u00a0O sobrepeso se d\u00e1 quando o \u00edndice de massa corp\u00f3rea (massa, em kg, dividida pelo quadrado da altura, em metros) \u00e9 igual ou maior que 25 kg\/m\u00b2; e a obesidade se o \u00edndice \u00e9 igual ou maior que 30.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser gordo. 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