{"id":6344,"date":"2018-10-15T12:37:58","date_gmt":"2018-10-15T12:37:58","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=6344"},"modified":"2018-10-15T12:37:58","modified_gmt":"2018-10-15T12:37:58","slug":"pesquisa-indica-que-quase-metade-dos-brasileiros-sofre-com-ma-digestao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/10\/pesquisa-indica-que-quase-metade-dos-brasileiros-sofre-com-ma-digestao\/","title":{"rendered":"Pesquisa indica que quase metade dos brasileiros sofre com m\u00e1 digest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>Um levantamento in\u00e9dito da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gastroenterologia aponta que quase metade dos brasileiros sente algum sintoma de\u00a0<strong>m\u00e1 digest\u00e3o<\/strong>, como refluxo, azia e tosse seca. A azia foi o sintoma mais relatado nas cinco regi\u00f5es do Pa\u00eds e o\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/regiao-nordeste\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Nordeste<\/strong><\/a>apresentou mais relatos de sintomas, totalizando 48% das queixas. Os dados, segundo a entidade, ajudam a montar um perfil dessas doen\u00e7as com um recorte nacional e servir\u00e3o como base para o trabalho de especialistas da \u00e1rea.<\/p>\n<p>O levantamento considerou n\u00e3o s\u00f3 os sintomas, mas o impacto no dia a dia. \u201cAtrapalha a qualidade de vida. Sab\u00edamos que era muito frequente, mas n\u00e3o t\u00ednhamos ideia de que quase metade da popula\u00e7\u00e3o apresentava\u00a0<em>(m\u00e1 digest\u00e3o)<\/em>\u00a0&#8211; e quem mais sofre s\u00e3o as mulheres. T\u00ednhamos o interesse em descobrir at\u00e9 para ajudar essa popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz Fl\u00e1vio Quilici, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gastroenterologia.<\/p>\n<p>A pesquisa, realizada em junho, mostrou que os sintomas causam preju\u00edzos na vida pessoal e profissional para 93% dos entrevistados, que relataram sentir a qualidade do sono afetada (74%) e disseram que j\u00e1 apresentaram sintomas durante o hor\u00e1rio de trabalho (70%). Embora a azia, a sensa\u00e7\u00e3o de queima\u00e7\u00e3o no peito, tenha liderado entre os sintomas, ficando entre 88% e 90% das respostas, o refluxo, quando o conte\u00fado do est\u00f4mago volta para o es\u00f4fago e pode ser sentido na garganta, \u00e9 o problema que mais causa desconforto. Ele foi apontado por cinco em cada dez entrevistados entre os problemas que ocorrem semanalmente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas, a pesquisa tamb\u00e9m destacou outras reclama\u00e7\u00f5es dos pacientes que nem sempre podem ser associadas a problemas de digest\u00e3o, como a tosse seca e o mau h\u00e1lito. \u201cConseguimos ver que alguns fatores correlatos, como o sobrepeso e o h\u00e1bito de fumar, pioram esses sintomas. E isso n\u00e3o escolhe classe social nem idade\u201d, diz Quilici.<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Perfil<\/h3>\n<p>Segundo ele, os dados permitem elaborar o perfil do paciente que tem problemas de m\u00e1 digest\u00e3o no Pa\u00eds. \u201c\u00c9 mulher, jovem e com sobrepeso &#8211; e, talvez, fumante. A mulher se preocupa mais com a sa\u00fade, mas os casos s\u00e3o mais frequentes entre elas. N\u00e3o deve ser alimentar, porque o homem se alimenta pior. A mulher \u00e9 mais sobrecarregada no ponto de vista social, ela trabalha e \u00e9 mais importante no comando da vida familiar, porque trabalha diretamente na sua casa, na manuten\u00e7\u00e3o da qualidade de vida da fam\u00edlia. Com os filhos, se preocupa desde ensinar a falar at\u00e9 a escola. Ela \u00e9 muito mais sobrecarregada em responsabilidades do que o homem.\u201d<\/p>\n<p>Em agosto, a enfermeira Larissa Rodrigues de Oliveira, de 25 anos, recebeu um diagn\u00f3stico de refluxo. Ela procurou ajuda m\u00e9dica ap\u00f3s medicar-se com anti\u00e1cido, rem\u00e9dios para a garganta e o est\u00f4mago, e n\u00e3o melhorar. \u201cEstava sentindo muita queima\u00e7\u00e3o, principalmente quando acordava, engasgando. Tomei bastante anti\u00e1cido, mas n\u00e3o estava resolvendo nada. Era uma queima\u00e7\u00e3o que parecia que a garganta estava inflamada, j\u00e1 cheguei a tratar pensando que era inflama\u00e7\u00e3o, gastrite.\u201d<\/p>\n<p>Larissa tamb\u00e9m tem sintomas de azia e acredita que seu problema de sa\u00fade est\u00e1 ligado aos h\u00e1bitos. \u201cNo meu caso, tem rela\u00e7\u00e3o com a alimenta\u00e7\u00e3o, porque sempre me alimentei mal, nunca fui regrada nem comia nada saud\u00e1vel. Fumo h\u00e1 um ano, mas j\u00e1 diminu\u00ed bastante, \u00e9 mais nos fins de semana.\u201d<\/p>\n<p>Agora, est\u00e1 tentando ter uma nova rotina e tamb\u00e9m perder peso, outro fator que contribui para reduzir os sintomas do refluxo. \u201cPerdi 24 quilos e ainda quero perder mais oito. Mudei a minha alimenta\u00e7\u00e3o, comecei a comer mais frutas e estou tentando diminuir as frituras, que era algo que eu comia quatro, cinco vezes por semana.\u201d<\/p>\n<p>Alimentos fritos ou gordurosos e refrigerantes lideram entre os produtos que desencadeiam os sintomas de m\u00e1 digest\u00e3o. De acordo com Quilici, os h\u00e1bitos justificam as diferen\u00e7as regionais, considerando que o Nordeste lidera as queixas. \u201cSem d\u00favida, tem o clima. Sabe-se do h\u00e1bito das pessoas que vivem na regi\u00e3o equatorial de comer e descansar para fazer a digest\u00e3o. Al\u00e9m disso, tem uma comida pesada, condimentada, com alimentos mais secos, como a farinha.\u201d<\/p>\n<p>Ele afirma que, com os dados divididos por regi\u00e3o, ser\u00e1 poss\u00edvel oferecer um atendimento mais espec\u00edfico aos pacientes. \u201cEssa pesquisa trouxe para a gente base cient\u00edfica. A federa\u00e7\u00e3o tem uma sociedade em cada Estado. Poderemos fazer um trabalho regionalizado, porque falamos em uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica diferente e um clima diferente em cada regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6345\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/madigestao_fbg.jpg\" alt=\"\" width=\"667\" height=\"744\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/madigestao_fbg.jpg 667w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/madigestao_fbg-600x669.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/madigestao_fbg-269x300.jpg 269w\" sizes=\"auto, (max-width: 667px) 100vw, 667px\" \/><\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">\u2018Nunca tratei e piorou\u2019, afirma professor<\/h3>\n<p>Uma altera\u00e7\u00e3o na voz come\u00e7ou a incomodar o economista e professor aposentado Frederico Mazzucchelli, de 71 anos, h\u00e1 cinco anos. Como sempre usou muito a voz, dando aulas e cantando em uma banda de rock e samba, acreditou que seu problema poderia ser resolvido por um otorrinolaringologista. \u201cNunca tratei adequadamente. Fazia exames nas cordas vocais e aparecia uma irrita\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo m\u00eas, piorou. Fiz quatro exames no otorrino e fui no gastro. Ele falou que isso era consequ\u00eancia do refluxo e tinha de atacar o problema pela raiz.\u201d<\/p>\n<p>Ele conta que n\u00e3o tem os sintomas cl\u00e1ssicos, como a sensa\u00e7\u00e3o de que o conte\u00fado do est\u00f4mago est\u00e1 voltando, e nunca imaginou que poderia ter refluxo. \u201cPara mim, \u00e9 s\u00f3 na voz que tem as manifesta\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 chato, desagrad\u00e1vel. Tenho ensaiado, mas n\u00e3o tenho cantado. Isso me causa frustra\u00e7\u00e3o. Espero que melhore, porque achava a minha voz o m\u00e1ximo.\u201d<\/p>\n<p>Mazzucchelli foge do padr\u00e3o da pesquisa. Tem h\u00e1bitos saud\u00e1veis, evita frituras e, tr\u00eas vezes por semana, faz caminhada, muscula\u00e7\u00e3o e alongamento. Al\u00e9m do tratamento indicado pelo gastroenterologista, inclinou a cama em 15 cent\u00edmetros. \u201cEstou me tratando. No limite, existe uma cirurgia que corrige isso. O m\u00e9dico pediu para eu tomar o rem\u00e9dio por dois meses para ver como fica.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Cuidados<\/h3>\n<p>Gastroenterologista cl\u00ednico do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/usp-universidade-de-sao-paulo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/a>\u00a0(HC-FMUSP), Ricardo Barbuti diz que, independentemente da queixa, o paciente deve manter h\u00e1bitos saud\u00e1veis. \u201cA dieta tem de ser equilibrada. Os exerc\u00edcios s\u00e3o importantes para ter um funcionamento saud\u00e1vel da parte digestiva. Essas doen\u00e7as t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com maus h\u00e1bitos, com o uso excessivo de medicamentos.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ele, at\u00e9 a internet pode ser um inimigo. \u201cPorque as pessoas tomam medicamentos (<em>usando consultas \u00e0 web<\/em>), sem respaldo cient\u00edfico, e retardam a vinda ao m\u00e9dico, o que pode fazer com que demorem a receber o tratamento adequado e com que a doen\u00e7a evolua.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Rem\u00e9dios<\/h3>\n<p>O gastroenterologista alerta para o uso indiscriminado de anti-inflamat\u00f3rios. \u201cEles podem lesar o est\u00f4mago, provocar sangramentos e n\u00e3o precisa tomar por muito tempo. E a les\u00e3o ocorre independentemente da via, oral ou intravenosa.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, ao ter os sintomas, 45% medicam-se; 52% tomam anti\u00e1cido. Entre as justificativas para n\u00e3o ir ao m\u00e9dico, aparecem: n\u00e3o achei necess\u00e1rio (30%), melhorei (26%) e n\u00e3o costumo ir (21%).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o Um levantamento in\u00e9dito da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gastroenterologia aponta que quase metade dos brasileiros sente algum sintoma de\u00a0m\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6345,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-6344","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6344"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6344\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6346,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6344\/revisions\/6346"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6345"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}