{"id":6332,"date":"2018-10-08T14:25:46","date_gmt":"2018-10-08T14:25:46","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=6332"},"modified":"2018-10-08T14:25:46","modified_gmt":"2018-10-08T14:25:46","slug":"o-misterioso-avanco-das-alergias-a-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/10\/o-misterioso-avanco-das-alergias-a-alimentos\/","title":{"rendered":"O misterioso avan\u00e7o das alergias a alimentos"},"content":{"rendered":"<p>fonte: El Pa\u00eds<\/p>\n<p>inham pedido o almo\u00e7o em uma\u00a0lanchonete. Iam sempre l\u00e1 porque d\u00e3o muitas informa\u00e7\u00f5es sobre os ingredientes utilizados na cozinha. Rodrigo Capap\u00e9, de oito anos, \u00e9\u00a0al\u00e9rgico a ovos e frutas secas. N\u00e3o pode comer nada que os contenha, sequer em pequenos tra\u00e7os. Ent\u00e3o pediu o mesmo prato de sempre, por seguran\u00e7a. Em seguida notou que algo n\u00e3o ia bem. Come\u00e7ou a se sentir mal. Cada vez pior. Estava com a m\u00e3e, que viu que o filho estava com dificuldade para respirar. \u201cPensei que era asma\u201d, recorda angustiada Trinidad Rodr\u00edguez. Era pior. Estava asfixiando-se porque, de alguma forma, algum res\u00edduo de frutas secas tinha chegado a seu prato. \u201cMam\u00e3e, estou morrendo\u201d, disse a ela. \u201cA traqueia dele estava fechando. Levei-o correndo ao hospital. Foi colocado em tratamento e ficou em observa\u00e7\u00e3o\u201d, relata, e confessa que ainda se sente mal pelo que aconteceu, h\u00e1 apenas alguns meses. Ainda se emociona ao lembrar.<\/p>\n<p>A culpa \u00e9 um sentimento habitual em pais e m\u00e3es de crian\u00e7as al\u00e9rgicas aos alimentos. Sentem-se assim quando afirmam ao filho que pode comer certa coisa com total confian\u00e7a, que n\u00e3o vai acontecer nada, mas no fim acontece, se por qualquer erro ou mal-entendido a crian\u00e7a ingere algo que n\u00e3o deveria. Sentem-se culpados quando levam a crian\u00e7a ao anivers\u00e1rio de um amigo e por engano ela consome algo que n\u00e3o pode comer. Sentem-se culpados quando, diante de uma rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica, n\u00e3o interpretam bem os sinais e a crian\u00e7a sofre mais do que o necess\u00e1rio. E algumas rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito fortes, podendo inclusive levar \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Nerea Ortiz, madrilenha de 14 anos, sentiu o cheiro de uma tortilla rec\u00e9m-preparada que algumas crian\u00e7as estavam comendo, a alguns metros dela, no descanso de uma competi\u00e7\u00e3o esportiva. A simples inala\u00e7\u00e3o de part\u00edculas de ovo lhe causou uma grave anafilaxia que a deixou tr\u00eas dias internada em um hospital depois de sofrer problemas respirat\u00f3rios, estomacais e perda de consci\u00eancia.<\/p>\n<p>A anafilaxia \u00e9 uma esp\u00e9cie de explos\u00e3o al\u00e9rgica que afeta todo o organismo e que ocorre de forma brusca. Pode ser fatal. Uma rea\u00e7\u00e3o pode ser leve e causar comich\u00e3o na boca ou na garganta, ou moderada e provocar sintomas cut\u00e2neos (vermelhid\u00e3o, comich\u00e3o, incha\u00e7o), respirat\u00f3rios (sufoca\u00e7\u00e3o) ou digestivos (n\u00e1useas, diarreia). Mas uma anafilaxia \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o grave que causa dois ou mais desses sintomas ao mesmo tempo, e pode tamb\u00e9m produzir enjoo, queda de press\u00e3o e afetar o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ovo n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema de Nerea Ortiz. \u201cTamb\u00e9m sou al\u00e9rgica a frutas secas, legumes, a quase todas as frutas, menos ma\u00e7\u00e3, pera e laranja; tamb\u00e9m n\u00e3o posso comer a casca da fruta, frango mal cozido e amendoim [que, apesar da cren\u00e7a popular, n\u00e3o \u00e9 uma fruta seca, mas uma leguminosa]\u201d, enumera a adolescente de cabelo castanho escuro e pele bronzeada pelo sol de Guadarrama (Madri), onde passa uma semana no fim de junho com outras crian\u00e7as em um acampamento de ver\u00e3o para al\u00e9rgicos a alimentos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6333\" aria-describedby=\"caption-attachment-6333\" style=\"width: 595px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/alergia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6333 size-large\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/alergia-595x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"595\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/alergia-595x1024.jpg 595w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/alergia-600x1033.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/alergia-174x300.jpg 174w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/alergia.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6333\" class=\"wp-caption-text\">Principais causas das alergias a alimentos (em porcentagem). FONTE: ALERGOL\u00d3GICA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao seu lado est\u00e1 Juan Juli\u00e1n Mart\u00ednez, de 14 anos, de Guadalajara, que recita sua lista de alimentos proibidos: \u201cFrutas secas, amendoim, p\u00f3len de gram\u00edneas, s\u00e1lvia e p\u00eassego\u201d. Quando ingere algum deles por engano, suas vias respirat\u00f3rias fecham e vem um comich\u00e3o insuport\u00e1vel na boca.<\/p>\n<p>O n\u00famero de pessoas com alergias disparou desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando dois cientistas franceses, Charles Richet e Paul Portier, diagnosticaram o primeiro caso mortal de anafilaxia. Em 1913 ganharam o\u00a0pr\u00eamio Nobel\u00a0por seu trabalho, mas na \u00e9poca esse tipo de rea\u00e7\u00e3o era pouco frequente. Agora come\u00e7a a ser. N\u00e3o s\u00f3 as alergias a alimentos, mas tamb\u00e9m a medicamentos e aspectos ambientais. Atualmente, cerca de 17 milh\u00f5es de europeus sofrem de algum tipo de alergia relacionada \u00e0 comida, segundo a Academia Europeia de Alergia e Imunologia Cl\u00ednica. Deles, 3,5 milh\u00f5es t\u00eam menos de 25 anos. Calcula-se que haja 15 milh\u00f5es nos Estados Unidos. No Brasil, os dados sobre preval\u00eancia de alergia alimentar s\u00e3o escassos e limitados a grupos populacionais, o que dificulta uma avalia\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da realidade. Um\u00a0estudo realizado por gastroenterologistas\u00a0pedi\u00e1tricos apontou como incid\u00eancia de alergia no Brasil as prote\u00ednas do leite de vaca (2,2%), e a preval\u00eancia de 5,4% em crian\u00e7as entre os servi\u00e7os avaliados\u201d, relata o documento desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Pediatria em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alergia e Imunologia.<\/p>\n<p>\u201cSa\u00edmos sempre com uma mochila com medicamentos e outra com comida\u201d, explica uma m\u00e3e<\/p>\n<p>As\u00a0rea\u00e7\u00f5es graves aos alimentos\u00a0afetam mais crian\u00e7as e adolescentes (s\u00e3o a principal causa de anafilaxia em menores de 14 anos). \u00c9 o que v\u00ea diariamente em seu consult\u00f3rio a m\u00e9dica Sonia V\u00e1zquez, alergologista do hospital Cl\u00ednico San Carlos, de Madri. \u201cEm todo o mundo aumentaram os casos de\u00a0alergia a alimentos\u00a0nos \u00faltimos 10 anos. Piorou tamb\u00e9m a severidade das rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas e aumentou o n\u00famero de rea\u00e7\u00f5es graves que amea\u00e7am a vida do paciente\u201d, explica em seu consult\u00f3rio. Quando se trata de beb\u00eas ou crian\u00e7as pequenas, as mais frequentes s\u00e3o as alergias a leite, ovos, peixes e frutas secas. Quando s\u00e3o maiores, inclusive adultos, surgem \u201cas alergias a prote\u00ednas associadas a frutas e vegetais: a profilina e a LTP [que se concentra na casa do alimento]\u201d. As frutas provocam 44,7% das alergias no total da popula\u00e7\u00e3o, 10 pontos a mais do que em 2005, segundo Alergol\u00f3gica, seguidas de frutas secas, mariscos e peixes.<\/p>\n<p>S\u00e3o os primeiros dias de ver\u00e3o e a agita\u00e7\u00e3o \u00e9 comum no Cl\u00ednico de Madri. Como sempre, o servi\u00e7o de alergia funciona a plena capacidade. Dezenas de pacientes esperam em uma sala. H\u00e1 alguns meses, Leire Gil P\u00e9rez, de 10 anos, n\u00e3o pode mais comer ovo, e vai ao centro de sa\u00fade para uma revis\u00e3o rotineira. Confessa que, apesar de finalmente poder comer tortillas de batata, n\u00e3o se anima muito com o sabor. Ela \u00e9 um caso de sucesso do que se conhece como imunoterapia oral, o tratamento mais comum nos casos de alergia a alimentos, e que se costuma utilizar sobretudo com ovo e leite. Consiste em dar aos pacientes uma dose cada vez maior do alimento em quest\u00e3o para que possa comer sem que lhe seja prejudicial. \u201cVoc\u00ea consegue que o alimento seja tolerado, mas n\u00e3o cura a pessoa. \u00c9 preciso manter essa ingest\u00e3o regular; apenas 30% conseguem uma resposta mantida sem tomar sua dose\u201d, explica V\u00e1zquez. Ent\u00e3o, para evitar uma reca\u00edda, Leire tem de comer tr\u00eas ovos por semana.<\/p>\n<p>O processo exige passar uma ou duas manh\u00e3s por semana no hospital, na chamada \u201csala dos alimentos\u201d, um espa\u00e7o no qual os pacientes s\u00e3o controlados caso tenham uma rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica. O resto dos dias mant\u00eam em casa a \u00faltima dose atingida no hospital, em um processo delicado que pode estressar os pais e exige que a crian\u00e7a n\u00e3o realize uma atividade f\u00edsica forte durante as quatro horas posteriores para evitar complica\u00e7\u00f5es. \u201cUm dos motivos por que reduzi minha jornada de trabalho \u00e9 para estar com minha filha quando toma leite, no hospital ou em casa\u201d, conta Eva Maroto. Sua filha, Silvia Garc\u00eda, de sete anos, foi diagnosticada com alergia \u00e0 prote\u00edna do leite de vaca aos dois meses (n\u00e3o confundir com a intoler\u00e2ncia a lactose, que causa problemas digestivos ao paciente, mas n\u00e3o ataca o sistema imunol\u00f3gico).<\/p>\n<p>Agora Silvia est\u00e1 tentando tolerar esse alimento. Hoje tem de tomar 16 mililitros. Durante a administra\u00e7\u00e3o do tratamento em casa, teve uma rea\u00e7\u00e3o muito forte de forma inesperada. \u201cMe disse que estava sufocando, seus l\u00e1bios ficaram roxos\u201d, lembra a m\u00e3e. \u201cSua alergia afeta nossas vidas em 100%. Sa\u00edmos sempre com uma mochila com sua comida e outra com rem\u00e9dios.\u201d Os f\u00e1rmacos, que variam em fun\u00e7\u00e3o do tipo e intensidade da rea\u00e7\u00e3o, s\u00e3o anti-histam\u00ednicos, inaladores que abrem as vias respirat\u00f3rias, corticoides e um auto-injetor de adrenalina (este \u00faltimo, fundamental em caso de anafilaxia).<\/p>\n<p>Faz mais de uma d\u00e9cada que o tratamento de imunoterapia oral permitiu a muitos al\u00e9rgicos vencer seus limites, com um \u00edndice de sucesso acima de 80%. Esses tratamentos come\u00e7am a ser aplicados quando as crian\u00e7as t\u00eam mais de dois ou tr\u00eas anos, porque a maioria das alergias a leite e ovos pode desaparecer sozinha antes disso. Mas n\u00e3o todas. Javier Bon\u00e9, da cl\u00ednica do Pilar, de Zaragoza, come\u00e7a a tratar quando se diagnostica a alergia imediata a leite, mesmo sendo um beb\u00ea de seis meses: \u201cTratamos at\u00e9 agora quase 350 crian\u00e7as, com mais de 95% de sucesso\u201d. H\u00e1 um estudo em andamento para confirmar esses primeiros resultados. \u201cQuanto antes agimos, melhor\u201d, afirma o m\u00e9dico, que lembra o caso de uma adolescente al\u00e9rgica a leite que morreu em Bath (Reino Unido) em 2017 depois de comer por acidente um kebab que continha iogurte. Na Espanha, foi pol\u00eamica a morte de uma crian\u00e7a de seis anos em um acampamento escolar em 2014.<\/p>\n<p>\u201cCada vez mais teremos a nosso alcance um leque mais amplo de ferramentas terap\u00eauticas para os pacientes al\u00e9rgicos\u201d, vaticina Carmelo Escudero, do hospital Menino Jesus de Madri, que adianta que seu servi\u00e7o come\u00e7a neste outono um ensaio cl\u00ednico com uma vacina sublingual para tratar algumas alergias a frutas secas. Em rela\u00e7\u00e3o ao amendoim, um dos alimentos mais problem\u00e1ticos no mundo anglo-sax\u00e3o e inconveniente crescente na Espanha, est\u00e3o sendo feitos exames com vacinas orais mediante a ingest\u00e3o de pequenas quantidades de farinha de amendoim, com uma resposta positiva em mais de 80% dos casos. Tamb\u00e9m h\u00e1 ensaios que utilizam emplastros na pele, mas com uma efic\u00e1cia, at\u00e9 o momento, mais limitada. No caso das alergias a alimentos que aparecem na idade adulta, algo tamb\u00e9m cada vez mais comum, \u00e9 muito dif\u00edcil que recuem ao longo do tempo.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">As teorias sobre o aumento dessas alergias apontam para as mudan\u00e7as no estilo de vida<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Os humanos comem leite, frutas, ovos e frutas secas h\u00e1 mil\u00eanios. O que est\u00e1 ocorrendo? Por que os alimentos se voltam contra n\u00f3s? \u00c9 verdade que h\u00e1 um conhecimento maior sobre as alergias e s\u00e3o melhor diagnosticadas, o que revela mais casos, mas o aumento \u00e9 grande demais para ser justificado s\u00f3 com este fato. As teorias para explicar o aumento diferem, mas uma ideia se repete: as mudan\u00e7as de estilo de vida. \u201c\u00c9 um dos pre\u00e7os que pagamos pelo desenvolvimento\u201d, adverte o m\u00e9dico Joan Bartra, especialista do hospital Cl\u00ednico de Barcelona e professor da Universidade de Barcelona.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas pe\u00e7as no quebra-cabe\u00e7as das disfun\u00e7\u00f5es do sistema imune. Fala-se de certa influ\u00eancia gen\u00e9tica que, no entanto, n\u00e3o explicaria o problema como um todo, j\u00e1 que as mudan\u00e7as ocorreram em pouco tempo, e os genes n\u00e3o mudam t\u00e3o r\u00e1pido. Tudo aponta, diz Bartra, para o fato de a dieta desempenhar papel importante: \u201cComemos mais alimentos processados e gorduras saturadas de origem animal, e menos frutas e verduras\u201d. Tudo isso prejudica os microrganismos que habitam nossos intestinos (microbiota ou flora intestinal).<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o ambiental tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda, porque estimula a resposta al\u00e9rgica em geral e faz o sistema imune ser mais sens\u00edvel. Os pesquisadores tamb\u00e9m est\u00e3o interessados no que acontece na gravidez e durante os primeiros dias de vida do beb\u00ea. Por exemplo, como afeta o fato de haver mais nascimentos por ces\u00e1rea, uma vez que esses beb\u00eas n\u00e3o atravessam o canal de parto, cheio de bact\u00e9rias protetoras da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Os amish podem ter algumas respostas. Vivem em s\u00edtios. As crian\u00e7as est\u00e3o expostas a micr\u00f3bios e bact\u00e9rias. Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine descobriu que as crian\u00e7as dessa comunidade t\u00eam menos alergias porque seu sistema imunol\u00f3gico \u00e9 refor\u00e7ado pelo contato com os animais. Ao que parece, esse modo de vida pode ter uma influ\u00eancia positiva na microbiota, que se conforma basicamente nos 100 primeiros dias de vida. Estudos como este s\u00e3o a pouca evid\u00eancia cient\u00edfica que existe sobre a teoria higienista, que sustenta que vivemos em ambientes t\u00e3o limpos que o sistema imune fica perdido e reconhece como daninho algo que n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>A rebeli\u00e3o dos alimentos \u00e9, basicamente, um mist\u00e9rio. A busca das causas acaba de come\u00e7ar. \u201cNa verdade n\u00e3o se sabe com certeza por que aumentaram tanto as alergias alimentares. Tamb\u00e9m estamos vendo uma rela\u00e7\u00e3o com o aumento das alergias a p\u00f3len com as alergias a frutas\u201d, explica o m\u00e9dico Luis Echeverr\u00eda, de seu consult\u00f3rio de pediatria no hospital Severo Ochoa, de Legan\u00e9s, onde ajuda crian\u00e7as como Rodrigo Capap\u00e9 a superar suas alergias. Enquanto o menino come um fil\u00e9 de frango empanado com ovo, sem nenhuma rea\u00e7\u00e3o para alegria de sua m\u00e3e, o m\u00e9dico aborda outro debate. Durante um tempo, aconselhava-se a atrasar a introdu\u00e7\u00e3o de novos alimentos, sobretudo em crian\u00e7as com risco de alergia. Por exemplo, o ovo tinha de ser dado a partir de um ano de vida. No entanto, pesquisas recentes apontam que a introdu\u00e7\u00e3o precoce pode ser mais ben\u00e9fica.<\/p>\n<p>Nem sempre h\u00e1 cura. E em muitos casos uma alergia condiciona a vida de quem sofre dela. Nos \u00faltimos 10 anos, aumentaram sete vezes as interna\u00e7\u00f5es hospitalares de crian\u00e7as por rea\u00e7\u00f5es graves causadas por alimentos. \u201cOs pais tentam proteg\u00ea-las, porque t\u00eam medo. Muitos fazem 15 anos quase sem terem sa\u00eddo de casa\u201d, conta Nuria Miguel, membro da Associa\u00e7\u00e3o Espanhola de Pessoas com Alergia a Alimentos e L\u00e1tex, e m\u00e3e de Nerea Ortiz. Ela \u00e9 coordenadora do acampamento em que sua filha e outros 65 crian\u00e7as com alergia passam alguns dias em Guadarrama. H\u00e1 uma m\u00e9dica e uma enfermeira. O card\u00e1pio \u00e9 pensado para todos, sem risco de que por um erro um ingrediente acabe no prato errado. Hoje \u00e9 dia de frango, vagem, alface e ma\u00e7\u00e3.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o de Nuria Miguel re\u00fane 1.500 fam\u00edlias que pedem melhorias nos r\u00f3tulos, porque leite, ovos e frutas secas est\u00e3o em alimentos inesperados (por exemplo, a maioria dos embutidos leva prote\u00edna de leite). Tamb\u00e9m exigem que se generalizem os protocolos nos col\u00e9gios, para que as rea\u00e7\u00f5es sejam reconhecidas e se saiba o que fazer, e nas emerg\u00eancias m\u00e9dicas, onde a resposta diante de uma suspeita de anafilaxia deveria ser a adrenalina (ainda h\u00e1 m\u00e9dicos que aplicam outros tratamentos menos contundentes).<\/p>\n<p>\u00c9 fim de tarde no acampamento. Ontem \u00e0 noite houve sess\u00e3o de cinema e as crian\u00e7as demoraram mais para dormir. Os menores demonstram a falta de sono, mas participam com gosto das atividades. Tamb\u00e9m n\u00e3o restou muito tempo para David Ortiz, marido de Nuria Miguel e pai de Nerea, dormir. Apesar do turno da noite em seu trabalho em Madri, na hora da refei\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 em Guadarrama para dar uma for\u00e7a: \u201cMinha filha tem 14 anos e vai come\u00e7ar a sair com amigos. Penso assim: \u2018Quem ela vai beijar? Ter\u00e1 restos de frutas secas nos l\u00e1bios?\u2019\u201d. D\u00favidas que nenhum m\u00e9dico poder\u00e1 esclarecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: El Pa\u00eds inham pedido o almo\u00e7o em uma\u00a0lanchonete. Iam sempre l\u00e1 porque d\u00e3o muitas informa\u00e7\u00f5es sobre os ingredientes utilizados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6333,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-6332","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6332"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6332\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6334,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6332\/revisions\/6334"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6333"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}