{"id":6221,"date":"2018-09-10T14:12:06","date_gmt":"2018-09-10T14:12:06","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=6221"},"modified":"2019-02-21T10:16:05","modified_gmt":"2019-02-21T10:16:05","slug":"falta-de-respostas-estimula-pacientes-a-buscar-solucao-na-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/09\/falta-de-respostas-estimula-pacientes-a-buscar-solucao-na-justica\/","title":{"rendered":"Falta de respostas estimula pacientes a buscar solu\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/justica.jpe\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-331\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/justica-150x150.jpe\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>por Cl\u00e1udia Collucci<\/p>\n<p>Ano passado, entrevistei a mineira Vera Maria Pinho de Oliveira, 57, para uma mat\u00e9ria sobre\u00a0medicamentos essenciais\u00a0sendo retirados do mercado pelas farmac\u00eauticas por falta de interesse comercial. Rem\u00e9dios seguros e efetivos que, por serem baratos demais, sumiram. Por mais imoral que possa\u00a0parecer, isso \u00e9 perfeitamente legal, as farmac\u00eauticas s\u00f3 precisam avisar a ag\u00eancia reguladora (Anvisa) sobre a &#8220;descontinuidade&#8221; com uma\u00a0certa anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>Na segunda (3), Vera me telefonou. Com a voz tr\u00eamula e por vezes engolindo o choro, ela me atualizou sobre o seu drama. Com um linfoma desde 2009, ela diz que, por ter ficado no ano passado seis meses sem o medicamento Leukeran\u00a0(que custava em torno de R$ 30 a caixa), a doen\u00e7a avan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Recebeu ent\u00e3o indica\u00e7\u00e3o de uma quimioterapia, mas teve que interromp\u00ea-la ap\u00f3s sofrer um choque anafil\u00e1tico. Ela tem agora indica\u00e7\u00e3o de um medicamento\u00a0(Ibrutinibe) que custa em torno de\u00a0R$ 36\u00a0mil a caixa. Mas o\u00a0plano de sa\u00fade diz que n\u00e3o pode fornec\u00ea-lo porque a medica\u00e7\u00e3o n\u00e3o consta no rol de medicamentos\/procedimentos da ANS (Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar). A ANS, por sua vez,\u00a0alega\u00a0que o rol \u00e9 atualizado a cada dois anos, mas que os\u00a0planos podem fornecer terapias que n\u00e3o constam nele.<\/p>\n<p>Sem medica\u00e7\u00e3o,\u00a0Vera est\u00e1 cada dia mais debilitada. Por\u00a0orienta\u00e7\u00e3o\u00a0m\u00e9dica, n\u00e3o\u00a0sai\u00a0mais de casa porque o seu sistema autoimune est\u00e1 muito enfraquecido. Ela pretende recorrer \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>De m\u00e3os atadas tamb\u00e9m se sente a fam\u00edlia de Cau\u00ea Tr\u00e9s, de seis anos. O menino nasceu com<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2018\/07\/falta-de-droga-contra-lesao-vascular-suspende-terapia-de-criancas.shtml\">\u00a0<\/a>linfangioma, uma les\u00e3o cong\u00eanita dos vasos linf\u00e1ticos que causa deforma\u00e7\u00e3o dessas estruturas e que pode afetar face, pesco\u00e7o e boca, entre outros. H\u00e1 quatro anos sendo tratado\u00a0no hospital A.C. Camargo\u00a0com a subst\u00e2ncia bleomicina, Cau\u00ea\u00a0vinha apresentando\u00a0melhora, com a\u00a0diminui\u00e7\u00e3o da\u00a0les\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas em outubro do ano passado, o com\u00e9rcio da bleomicina foi suspenso pela Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) por problemas da f\u00e1brica do medicamento no M\u00e9xico. At\u00e9 mar\u00e7o deste ano houve colabora\u00e7\u00e3o entre hospitais para que n\u00e3o ocorresse\u00a0interrup\u00e7\u00e3o do tratamento. Por\u00e9m, o estoque do rem\u00e9dio acabou e desde ent\u00e3o Cau\u00ea e outras centenas de crian\u00e7as e adultos est\u00e3o sem a\u00a0medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O linfangioma do meu neto est\u00e1 voltando. \u00c9 desesperador n\u00e3o ter informa\u00e7\u00f5es por parte da Anvisa&#8221;, diz a av\u00f3, Tania Tr\u00e9s. \u00c0 Folha, a\u00a0Anvisa disse\u00a0que espera a fabricante do rem\u00e9dio\u00a0regularizar a sua situa\u00e7\u00e3o, mas que hospitais podem importar medica\u00e7\u00f5es n\u00e3o regularizadas.\u00a0Muitas fam\u00edlias t\u00eam buscado uma solu\u00e7\u00e3o do impasse na Justi\u00e7a. Alguns tiveram decis\u00f5es favor\u00e1veis, outros n\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o dois dramas humanos dentre tantos outros que diariamente chegam \u00e0s reda\u00e7\u00f5es\u00a0e que, possivelmente, v\u00e3o parar nos Tribunais de Justi\u00e7a. Se por um lado a judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade tem desestruturado or\u00e7amentos p\u00fablicos e da rede\u00a0suplementar, consumindo mais de R$ 7 bilh\u00f5es do\u00a0SUS, por outro ela parece ser o \u00fanico caminho poss\u00edvel para pessoas como Vera e Cau\u00ea.<\/p>\n<p>Mas tem algo anterior a isso tudo que incomoda muito, o descaso com\u00a0a vida humana. A falta de respostas efetivas faz com que essas pessoas sofram duplamente: pela doen\u00e7a em si e pela incerteza do acesso ao tratamento. E tamb\u00e9m leva \u00e0 Justi\u00e7a casos pass\u00edveis de solu\u00e7\u00e3o antes do lit\u00edgio.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, um\u00a0<a href=\"http:\/\/%20https\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2018\/03\/pedidos-de-remedio-na-justica-caem-e-sp-evita-gastos-de-r-205-milhoes.shtml\">programa<\/a>\u00a0tem buscado\u00a0atender \u00e0s demandas do usu\u00e1rio sem a necessidade de ingressar com a\u00e7\u00e3o judicial. Em 2017, os gastos do governo paulista com esses pedidos encolheram pela primeira vez na atual d\u00e9cada. Ainda est\u00e1 limitado \u00e0 capital e arredores, mas parece ser\u00a0uma sa\u00edda promissora.<\/p>\n<p>Nem sempre um acordo judicial ser\u00e1\u00a0poss\u00edvel, mas a busca por solu\u00e7\u00f5es administrativas antes da a\u00e7\u00e3o judicial deve ser priorizada. Contudo,\u00a0\u00e9 preciso que as respostas do poder p\u00fablico e\u00a0dos planos de sa\u00fade sejam r\u00e1pidas e resolutivas. Ningu\u00e9m suporta\u00a0o\u00a0jogo de empurra-empurra por muito tempo. A\u00a0doen\u00e7a muito menos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP por Cl\u00e1udia Collucci Ano passado, entrevistei a mineira Vera Maria Pinho de Oliveira, 57, para uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2],"tags":[],"class_list":["post-6221","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6221"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6221\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6222,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6221\/revisions\/6222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}