{"id":5621,"date":"2018-08-13T15:31:46","date_gmt":"2018-08-13T15:31:46","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5621"},"modified":"2018-08-13T15:31:46","modified_gmt":"2018-08-13T15:31:46","slug":"40-fazem-autodiagnostico-medico-pela-internet-e-maioria-tem-ensino-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/08\/40-fazem-autodiagnostico-medico-pela-internet-e-maioria-tem-ensino-superior\/","title":{"rendered":"40% fazem autodiagn\u00f3stico m\u00e9dico pela internet; e maioria tem ensino superior"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/telefone_consulta.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-5622\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/telefone_consulta-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>Pessoas das classes A e B, com curso superior e jovens, s\u00e3o o perfil dos pacientes que usam a internet para se autodiagnosticar, segundo levantamento do Instituto de Ci\u00eancia, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), entidade de pesquisa e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea\u00a0<strong>farmac\u00eautica<\/strong>. O terceiro estudo do instituto sobre o tema apontou que 40,9% dos brasileiros fazem autodiagn\u00f3stico pela\u00a0<strong>internet<\/strong>. Desses, 63,84% t\u00eam forma\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p>Na pesquisa anterior, de 2016, o \u00edndice de autodiagn\u00f3stico online foi de 40%. Na edi\u00e7\u00e3o atual, os pesquisadores resolveram tra\u00e7ar o perfil de quem busca diagn\u00f3sticos na internet e foram surpreendidos pelo resultado. \u201cNa pesquisa anterior, n\u00e3o t\u00ednhamos esse recorte socioecon\u00f4mico. \u00c9 uma novidade e foi algo que nos surpreendeu muito, porque imagin\u00e1vamos que quem se autodiagnosticava eram pessoas que n\u00e3o t\u00eam acesso ao m\u00e9dico, mas, pesquisando mais a fundo, s\u00e3o pessoas das classes A e B, esclarecidas e com poder econ\u00f4mico para buscar uma informa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mais concreta e consciente\u201d, diz Marcus Vinicius Andrade, diretor de pesquisa do Instituto de Pesquisa e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o para o Mercado Farmac\u00eautico do ICTQ.<\/p>\n<p>Na classifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, 55% das pessoas que fazem autodiagn\u00f3stico s\u00e3o das classes A e B e 26%, das classes D e E. \u201cPessoas de baixa renda ainda buscam mais o m\u00e9dico em prontos-socorros. Quanto mais idosas, mais as pessoas recorrem ao m\u00e9dico, pois t\u00eam dificuldade com a internet de modo geral.\u201d O levantamento foi feito em maio deste ano em 120 munic\u00edpios, incluindo todas as capitais, e ouviu 2.090 pessoas com mais de 16 anos.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, o imediatismo est\u00e1 entre as motiva\u00e7\u00f5es. \u201cIsso acontece principalmente entre os jovens. A gera\u00e7\u00e3o de 16 a 34 anos \u00e9 a mais imediatista. O que a gente concluiu \u00e9 que essas pessoas t\u00eam mais acesso \u00e0 internet e aos smartphones\u201d, avalia Ismael Rosa, farmac\u00eautico cl\u00ednico e pesquisador do ICTQ. A professora Isabella Oku, de 28 anos, \u00e9 um exemplo. \u201cEvito ir a consultas em rela\u00e7\u00e3o a certos sintomas, coisas que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o graves, como alergias.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de oito meses, ela est\u00e1 com um desconforto na unha, que co\u00e7a sempre que ela vai \u00e0 manicure. Ela pesquisou uma pomada na internet e est\u00e1 usando. \u201cN\u00e3o quero ter de esperar o m\u00e9dico ter disponibilidade para me atender.\u201d<\/p>\n<p>Na semana passada, com dor de garganta, Isabella j\u00e1 chegou ao m\u00e9dico dizendo que estava com amidalite. \u201cTomei um antibi\u00f3tico e n\u00e3o adiantou nada. O m\u00e9dico falou que eu estava resfriado e isso \u00e9 muito gen\u00e9rico.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Riscos<\/h3>\n<p>Denize Ornelas, m\u00e9dica e diretora de Comunica\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de\u00a0<strong>Medicina<\/strong>de Fam\u00edlia e Comunidade (SBMFC), diz que o n\u00famero de pacientes que chegam aos consult\u00f3rios com autodiagn\u00f3stico e automedica\u00e7\u00e3o \u00e9 crescente. \u201cO maior impacto \u00e9 quando chegam por efeitos colaterais ou intera\u00e7\u00e3o medicamentosa. O principal problema \u00e9 retardar o diagn\u00f3stico.\u201d<\/p>\n<p>Ela defende que a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e9dico e paciente seja fortalecida para evitar que as pessoas tenham consequ\u00eancias mais graves. \u201cA maior parte das doen\u00e7as come\u00e7a com dor, febre, indisposi\u00e7\u00e3o, sintomas mais gerais. Se o paciente se automedica e n\u00e3o espera a progress\u00e3o, pode estar mascarando uma doen\u00e7a. Uma dor abdominal pode ser azia e m\u00e1 digest\u00e3o, mas, se voc\u00ea faz uso constante de um anti\u00e1cido, pode estar retardando um diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de est\u00f4mago. \u00c9 raro, mas pode acontecer.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Rem\u00e9dio sem prescri\u00e7\u00e3o deve ter uso restrito<\/h3>\n<p>Em 2016, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) definiu os crit\u00e9rios para que medicamentos pudessem ser considerados isentos de prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, entre eles n\u00e3o ter potencial para causar depend\u00eancia, n\u00e3o ter indica\u00e7\u00e3o para doen\u00e7as graves e ser tomados por curto per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o feitos para sintomas menores, do dia a dia, como dor de cabe\u00e7a, indisposi\u00e7\u00e3o estomacal. A frase \u2018se persistirem os sintomas, o m\u00e9dico deve ser consultado\u2019 tem de ser um mantra&#8221;, afirma Marli Sileci, vice-presidente executiva da Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria de Medicamentos Isentos de Prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Parceria<\/h3>\n<p>Em 2016, o Google e o Hospital Israelita Albert Einstein fecharam uma parceria para oferecer informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis para usu\u00e1rios que fazem buscas na \u00e1rea da sa\u00fade por meio de quadros com dados sobre as doen\u00e7as revisados pelo hospital.<\/p>\n<p>No ano passado, o projeto foi ampliado e passou a ter dados sobre os sintomas. \u201cEsta busca de sintomas aparece somente em celulares, uma vez que a maior parte das visitas \u00e9 via mobile\u201d, destaca o centro m\u00e9dico.<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">&#8216;Automedica\u00e7\u00e3o total. Vou bem pouco ao m\u00e9dico&#8217;<\/h3>\n<p>O analista de neg\u00f3cios Raul Almeida, de 27 anos, est\u00e1 entre os 63% dos brasileiros com n\u00edvel superior que t\u00eam o h\u00e1bito de se autodiagnosticar pela internet. Ele busca os sintomas de doen\u00e7as no Google, n\u00e3o gosta de ir ao m\u00e9dico por achar burocr\u00e1tico e cansativo \u2013 apesar de ter\u00a0<strong>plano de sa\u00fade<\/strong>\u00a0\u2013, e s\u00f3 sai de casa com uma bolsinha de rem\u00e9dios b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Em uma das \u00faltimas vezes que recorreu ao hospital, aguentou tr\u00eas semanas sentindo coceira e tentando se tratar com xarope antial\u00e9rgico. \u201cEstava co\u00e7ando pouco na primeira semana. Joguei no Google as palavras \u2018manchas vermelhas no corpo\u2019. A\u00ed falou que podia ser s\u00edfilis ou alergia e para todas essas coisas o tratamento era Benzetacil. Tentei tomar s\u00f3 xarope, mas j\u00e1 na terceira semana estava muito ruim. Precisei ir correndo para o hospital. Cheguei l\u00e1 e falei: isso \u00e9 uma bact\u00e9ria. O m\u00e9dico confirmou e tomei a Benzetacil\u201d, conta.<\/p>\n<p>Para Almeida, a regra \u00e9: se o nariz co\u00e7ou, lava com Rinossoro ou banho quente. Se sentiu dor de cabe\u00e7a, compra Tylenol e Advil. \u201cFa\u00e7o automedica\u00e7\u00e3o total\u201d, admite. Ali\u00e1s, na bolsa, o que \u201cnunca pode faltar\u201d, diz ele, \u00e9 Advil. \u201cAciclovir porque tenho herpes desde pequeno, Strepsys para a garganta \u00e9 bom ter tamb\u00e9m. E algum sorinho para lavar o nariz.\u201d<\/p>\n<p>&#8220;Esses dias minha gengiva estava sangrando. Joguei no Google \u2018gengiva sangrando\u2019. E dizia que podia ser provocada por causa dos dentes. Pensei que provavelmente est\u00e1 inflamada porque ainda tenho todos os meus sisos. N\u00e3o posso tirar os sisos agora por falta de dinheiro. Mas tamb\u00e9m pode ser outras coisas, n\u00e9? Pode ser gengivite&#8230; N\u00e3o tenho a confirma\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o me automediquei.\u201d<\/p>\n<p>O analista de neg\u00f3cios tem plano de sa\u00fade da empresa onde trabalha e confessa que n\u00e3o gosta de ir ao m\u00e9dico por \u201cpura pregui\u00e7a\u201d. \u201c\u00c9 fadiga, \u00e9 fila. Voc\u00ea chega l\u00e1 e tem um monte de gente doente, aquele clima ruim&#8230; Tem de esperar senha, se cadastrar. Parece banco. Tenho paci\u00eancia zero para ficar esperando. \u00c9 todo um processo.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Internet<\/h3>\n<p>Almeida defende ainda que no Brasil as consultas e as prescri\u00e7\u00f5es deveriam ser feitas por m\u00e9dicos virtualmente, seguindo moldes internacionais, onde o paciente pode ser consultado online, usando o tablet ou o computador. \u201cSe fosse um cen\u00e1rio assim, com certeza ia ser mais f\u00e1cil. Mas como \u00e9 muito burocr\u00e1tico, vou bem pouco mesmo ao m\u00e9dico.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o Pessoas das classes A e B, com curso superior e jovens, s\u00e3o o perfil dos pacientes que usam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-5621","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5621"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5621\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5623,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5621\/revisions\/5623"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}