{"id":5607,"date":"2018-08-07T13:00:55","date_gmt":"2018-08-07T13:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5607"},"modified":"2019-02-21T10:16:05","modified_gmt":"2019-02-21T10:16:05","slug":"artigo-medicas-guerreiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/08\/artigo-medicas-guerreiras\/","title":{"rendered":"Artigo: M\u00e9dicas guerreiras"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-5450\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/alfredo_guarischi-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>fonte: O Globo<\/p>\n<p><em>por Alfredo Guarischi, m\u00e9dico<\/em><\/p>\n<p>O papel do m\u00e9dico na sociedade n\u00e3o mudou, mas a medicina no Brasil, como em outros pa\u00edses, tem se tornado uma profiss\u00e3o de mulheres, trazendo mais calor humano e novos desafios \u00e0 profiss\u00e3o, numa longa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A primeira escola de medicina brasileira foi criada em 1808, na Bahia, mas n\u00e3o aceitava mulheres. Em 1879, a carioca Maria Augusta Estrela, ap\u00f3s vencer preconceitos e quebrar barreiras, tornou-se a primeira brasileira a se formar em Medicina, pelo New York Medical College, uma faculdade exclusiva para mulheres. Foi a oradora da turma e agraciada com uma medalha de ouro pelo seu desempenho. Em 1882, ao retornar ao Brasil, foi recebida pelo imperador, e seu diploma revalidado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Somente em 1887 diplomou-se a primeira m\u00e9dica no Brasil, a ga\u00facha Rita Lobato Lopes, pela Faculdade de Medicina da Bahia. No ano seguinte, a tamb\u00e9m ga\u00facha Ermelinda Lajes de Vasconcelos foi a segunda m\u00e9dica a se formar no Brasil e a primeira pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Segundo o excepcional trabalho do Dr. M\u00e1rio Scheffer, &#8220;Demografia M\u00e9dica no Brasil&#8221;, at\u00e9 hoje existem mais m\u00e9dicos em atividade do que m\u00e9dicas, mas o predom\u00ednio de 70%, at\u00e9 1980, caiu para 51% a partir de 2000. Em 2017, 46% dos m\u00e9dicos entre 35 a 59 anos de idade eram mulheres, e a maioria \u2014 55% \u2014 na faixa at\u00e9 os 34 anos de idade.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o em Medicina \u00e9 longa. No m\u00ednimo de nove anos, com dedica\u00e7\u00e3o integral entre faculdade e resid\u00eancia m\u00e9dica, num intenso treinamento, priva\u00e7\u00e3o de sono e hierarquias r\u00edgidas. Para as m\u00e9dicas, ainda h\u00e1 a desigualdade do trabalho dom\u00e9stico; as que s\u00e3o m\u00e3es gastam muito mais horas semanais nessa miss\u00e3o do que seus colegas do sexo masculino e s\u00e3o mais propensas a atrasos ou faltas no emprego por causa das doen\u00e7as e \u201curg\u00eancias escolares\u201d dos filhos.<\/p>\n<p>Homens e mulheres s\u00e3o tratados de forma diferente, o que n\u00e3o \u00e9 adequado, pois cria-se espa\u00e7o para o preconceito \u2013 consciente e inconsciente \u2013, interferindo-se na rela\u00e7\u00e3o com os pacientes e entre os colegas m\u00e9dicos. Esses vieses influenciam no respeito m\u00fatuo e nas promo\u00e7\u00f5es. Nos EUA, a possibilidade de as m\u00e9dicas se divorciarem e de cometerem suic\u00eddio \u00e9 bem maior do que a de mulheres em outras profiss\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ditado que diz que n\u00e3o se pode cuidar bem dos pacientes, a menos que se cuide bem de si mesmo, por\u00e9m, como li numa revista m\u00e9dica: como cuidar dos pacientes, de voc\u00ea e dos filhos trabalhando 80 horas por semana? No Brasil \u00e9 muito pior, j\u00e1 que o nosso desorganizado sistema de sa\u00fade est\u00e1 ca\u00f3tico.<\/p>\n<p>Os preconceitos \u2013 tanto sutis quanto evidentes, de pacientes e de profissionais \u2013 podem ser igualmente perniciosos. \u00c9 poss\u00edvel que essas lacunas diminuam \u00e0 medida que a medicina passe de um clube de meninos para um com mais meninas. Lembre-se, contudo, de que as disparidades n\u00e3o desaparecem ao toque de uma fada-madrinha, e sim com a perseveran\u00e7a e a resili\u00eancia de Jessicas, Adrianas, Paulas e outras guerreiras que seguiram a \u201cEstrela\u201d pioneira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo por Alfredo Guarischi, m\u00e9dico O papel do m\u00e9dico na sociedade n\u00e3o mudou, mas a medicina no Brasil, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2],"tags":[],"class_list":["post-5607","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5607"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5607\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5608,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5607\/revisions\/5608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}