{"id":5588,"date":"2018-08-06T10:40:15","date_gmt":"2018-08-06T10:40:15","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5588"},"modified":"2018-08-06T10:40:15","modified_gmt":"2018-08-06T10:40:15","slug":"hospitais-adotam-novas-formas-de-remuneracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/08\/hospitais-adotam-novas-formas-de-remuneracao\/","title":{"rendered":"Hospitais adotam novas formas de remunera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/hospital.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-5589\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/hospital-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>Hospitais e operadoras de sa\u00fade est\u00e3o substituindo o pagamento por servi\u00e7o (fee for service), modelo de remunera\u00e7\u00e3o predominante no sistema de sa\u00fade do Pa\u00eds \u2013 por alternativas que tornem o custo de cada atendimento mais previs\u00edvel e associado ao desempenho.<\/p>\n<p>No fee for service, a conta \u00e9 feita a partir de cada exame, procedimento, material, di\u00e1ria etc. Ou seja, o valor final varia muito e a remunera\u00e7\u00e3o depende do volume de servi\u00e7o e material envolvido \u2013 o que pode induzir ao desperd\u00edcio. Novos modelos buscam superar essa l\u00f3gica. \u201cIsso potencializa o desperd\u00edcio por inefici\u00eancia ao induzir o prestador de sa\u00fade a realizar mais procedimentos, para aumentar sua remunera\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Jos\u00e9 Cechin, diretor executivo da Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade Suplementar (FenaSa\u00fade).<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do Hospital Alem\u00e3o Oswaldo Cruz, em S\u00e3o Paulo, que inaugurou h\u00e1 um ano uma unidade onde os procedimentos t\u00eam pre\u00e7o fixo. J\u00e1 o Hospital Albert Einstein, tamb\u00e9m paulistano, adota desde 2017 um modelo de remunera\u00e7\u00e3o fixa para procedimentos de ortopedia e, h\u00e1 tr\u00eas meses, incorporou a ideia ao atendimento ambulatorial. Agora, conduz projeto-piloto para avaliar a possibilidade de pacotes com pre\u00e7o fixo para tratar c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, o hospital M\u00e3e de Deus se uniu \u00e0 Unimed Porto Alegre, em 2017, para criar o Sistema UM, que prev\u00ea nova forma de pagamento, com base em Diagnosis Related Groups (DRG), metodologia que categoriza os pacientes internados segundo a complexidade assistencial, incluindo idade, diagn\u00f3stico, comorbidades e procedimentos cir\u00fargicos.<\/p>\n<p>Hoje, boa parte do Sistema Unimed usa essa ferramenta, diz Renato Couto, s\u00f3cio-diretor do DRG Brasil. Em 2017, a metodologia tamb\u00e9m foi adotada na rede SUS, em Belo Horizonte. S\u00e3o exemplos de um processo que tem ganhado for\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cCom a crise, os clientes n\u00e3o suportam mais grandes reajustes, e precisamos de solu\u00e7\u00f5es para que o modelo n\u00e3o colapse\u201d, diz Daniel Couldry, diretor executivo de Qualidade da Amil.<\/p>\n<p>A operadora instituiu, ao longo de 2017, um modelo desenvolvido pela pr\u00f3pria equipe: o Adjustable Budget Payment (ABP). Ele prev\u00ea repasse de valor fixo, calculado com base no hist\u00f3rico de atendimentos do hospital. Essa verba \u00e9 revisada trimestralmente, e reajustes s\u00e3o feitos conforme a complexidade e o volume de atendimentos. O modelo \u00e9 adotado em 35 hospitais \u2013 20 deles da pr\u00f3pria Amil. A meta \u00e9 fechar oito novos contratos este ano.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma fase de transi\u00e7\u00e3o. Nosso destino final \u00e9 a remunera\u00e7\u00e3o por valor, em que eu vou pagar o prestador pela qualidade do desfecho cl\u00ednico, vendo se o paciente n\u00e3o teve sequelas, se ficou com dor. Vamos fazer projetos-piloto desse novo modelo, mais inteligente, ainda neste ano, para acelerar ano que vem\u201d, diz Couldry.<\/p>\n<p>O Grupo de Trabalho de Modelos de Remunera\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/ans-agencia-nacional-de-saude\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade (ANS)<\/a><\/strong>tamb\u00e9m se prepara para implementar projetos-piloto que adotem formas inovadoras de pagamento. Um documento com a descri\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de modelos de remunera\u00e7\u00e3o, diz o \u00f3rg\u00e3o, ser\u00e1 divulgado em breve.<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Desafio<\/h3>\n<p>\u201cSabemos que n\u00e3o h\u00e1 \u2018o modelo\u2019 que v\u00e1 resolver tudo. S\u00e3o v\u00e1rios, e o importante \u00e9 que a op\u00e7\u00e3o adotada reforce o que precisa ser refor\u00e7ado naquele modelo assistencial\u201d, diz Martha Oliveira, da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hospitais Privados.<\/p>\n<p>Mas, para essa mudan\u00e7a, \u00e9 preciso que todos os atores se vejam como parte do sistema, segundo ela. \u201cConfian\u00e7a requer informa\u00e7\u00e3o, e a gente ainda est\u00e1 come\u00e7ando a ter dados em sa\u00fade. Para esse tipo de an\u00e1lise, todo mundo precisa enxergar a mesma informa\u00e7\u00e3o, com dados cl\u00ednicos consolidados, circulando de forma segura.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDados s\u00e3o cruciais\u201d, diz Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Em 2017, o hospital instituiu um escrit\u00f3rio de gest\u00e3o de valor, primeiro do tipo na Am\u00e9rica Latina, para trabalhar com dados de prontu\u00e1rios eletr\u00f4nicos. tipo da Am\u00e9rica Latina, para trabalhar com dados provenientes de prontu\u00e1rios eletr\u00f4nicos. \u201cO big data permite medir a pr\u00e1tica de cada procedimento, mensurar consumo de recursos, o percentual de complica\u00e7\u00f5es&#8230; A\u00ed sim, d\u00e1 para medir o valor de cada tratamento. Com isso, a gente deixa de remunerar o servi\u00e7o e passa a remunerar o resultado.\u201d<\/p>\n<p>Com base em an\u00e1lise de dados e otimiza\u00e7\u00e3o de processos, o hospital conseguiu reduzir o tempo de espera por leito em 1h20 e o tempo m\u00e9dio de interna\u00e7\u00e3o de 5 para 3.16 dias. \u201cEssa queda representa \u2018novos leitos\u2019, criados a partir da efici\u00eancia.\u201d Mas se o tempo de interna\u00e7\u00e3o menor se refletir numa remunera\u00e7\u00e3o menor, o ganho de efici\u00eancia acaba sendo \u201cpenalizado\u201d, diz o diretor. \u00c9 por isso que os pacotes, com pre\u00e7o fixo, v\u00eam sendo adotados.<\/p>\n<p>O modelo tamb\u00e9m ajuda a reduzir a burocracia, observa Klajner. \u201cHoje, cada paciente atendido na emerg\u00eancia \u00e9 enquadrado em tr\u00eas n\u00edveis de custo, conforme o volume de recursos que dever\u00e1 usar (exames, medica\u00e7\u00e3o etc.). Naquele grupo, o pre\u00e7o vai ser igual. Isso evita a necessidade de fazer auditoria de cada item usado, desburocratiza nossa rela\u00e7\u00e3o com as operadoras.\u201d<\/p>\n<p>Esse ganho tamb\u00e9m foi observado no Hospital M\u00e3e de Deus, afirma F\u00e1bio Pereira Fraga, superintendente executivo da institui\u00e7\u00e3o. Em 2018, o tempo m\u00e9dio de faturamento para os cinco DRG\u2019s negociados no Sistema UM \u00e9 de dez dias. \u201cAntes disso, o tempo m\u00e9dio girava em torno de 35 dias, somando a isso o prazo de recebimento. O novo processo interno eliminou a burocracia interna de discuss\u00e3o e auditoria de conta e diminuiu bastante o ciclo financeiro para o hospital.\u201d<\/p>\n<p>Para o paciente, a vantagem \u00e9 saber que o atendimento seguir\u00e1 protocolos de alta performance, com foco em prevenir complica\u00e7\u00f5es, diz Paulo Vasconcellos Bastian, CEO do Oswaldo Cruz. \u201cSe o paciente recebe alta antes, \u00e9 melhor para ele. Se precisa ficar mais tempo que o previsto, o pre\u00e7o pago n\u00e3o muda.\u201d A proposta foi financeiramente sustent\u00e1vel no primeiro ano da unidade Vergueiro, zona sul, onde todos os procedimentos s\u00e3o remunerados de forma fixa.<\/p>\n<p>A padroniza\u00e7\u00e3o do atendimento traz, ainda, a possibilidade de prever melhor a quantidade e o tipo de materiais consumidos, o que se reflete em oportunidades de negocia\u00e7\u00e3o junto aos fornecedores, afirma Bastian. Por outro lado, observou-se a necessidade de um novo modelo de gest\u00e3o de equipe, j\u00e1 que o corpo cl\u00ednico precisa se adaptar a uma forma mais homog\u00eanea de trabalho e a novas regras de pagamento. \u201cNosso projeto demandou um grande investimento em treinamento, em capacita\u00e7\u00e3o. Ele requer uma mudan\u00e7a cultural.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um processo normal de amadurecimento e consolida\u00e7\u00e3o de novos conceitos\u201d, diz Cechin, da FenaSa\u00fade. \u201cPara que as propostas de mudan\u00e7a nas formas de pagamento possam ter \u00eaxito \u00e9 essencial que se reconhe\u00e7am as incertezas que qualquer mudan\u00e7a produz, a exist\u00eancia de interesses leg\u00edtimos e por vezes conflitantes entre os envolvidos na cadeia da sa\u00fade. Todas essas quest\u00f5es precisam ser levadas em conta no momento da proposi\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o de novos modelos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o Hospitais e operadoras de sa\u00fade est\u00e3o substituindo o pagamento por servi\u00e7o (fee for service), modelo de remunera\u00e7\u00e3o predominante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5588","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5588"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5588\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5590,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5588\/revisions\/5590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}