{"id":5538,"date":"2018-07-30T09:06:09","date_gmt":"2018-07-30T09:06:09","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5538"},"modified":"2018-07-30T09:06:09","modified_gmt":"2018-07-30T09:06:09","slug":"numero-de-medicos-brasileiros-em-portugal-cresce-e-deve-ser-recorde-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/07\/numero-de-medicos-brasileiros-em-portugal-cresce-e-deve-ser-recorde-em-2018\/","title":{"rendered":"N\u00famero de m\u00e9dicos brasileiros em Portugal cresce e deve ser recorde em 2018"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Hospital-Lusiadas-Lisboa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-5539\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Hospital-Lusiadas-Lisboa-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>O n\u00famero de m\u00e9dicos brasileiros que querem\u00a0trabalhar em Portugal disparou nos \u00faltimos anos e promete subir ainda mais nos pr\u00f3ximos meses, com os novos\u00a0pedidos de inscri\u00e7\u00e3o no conselho de medicina portugu\u00eas que chegam todas as semanas.<\/p>\n<p>Os pedidos partem tanto de jovens quanto de especialistas j\u00e1 com 60 anos e no topo da carreira. O que une esses extremos, na maioria dos casos, \u00e9 a vontade de fugir da crise econ\u00f4mica e da inseguran\u00e7a brasileira.<\/p>\n<p>Em 2017, houve 57 inscri\u00e7\u00f5es de brasileiros na Ordem dos M\u00e9dicos de Portugal, praticamente a mesma busca por registros verificada no\u00a0ano\u00a0anterior.<\/p>\n<p>Enquanto em 2013 o n\u00famero era de apenas sete matr\u00edculas, 2018 caminha j\u00e1 para bater com folga o recorde da \u00faltima d\u00e9cada. Em apenas seis meses, e s\u00f3 na regi\u00e3o sul de Portugal, j\u00e1 houve quase tantas inscri\u00e7\u00f5es quanto em todo o ano de 2017.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, em 2014, e o in\u00edcio da crise pol\u00edtico-econ\u00f4mica, muitos m\u00e9dicos brasileiros buscaram certificar diplomas nas universidades portuguesas e garantir um plano B.<\/p>\n<p>O Brasil tem cerca de 450 mil m\u00e9dicos. \u201cSe o pa\u00eds se desestabiliza e os m\u00e9dicos percebem que \u00e9 f\u00e1cil estabelecerem-se em Portugal, a imigra\u00e7\u00e3o destes profissionais tende a subir muito\u201d, diz Alexandre Valentim Louren\u00e7o, presidente da se\u00e7\u00e3o sul da Ordem dos M\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Louren\u00e7o aponta um problema de press\u00e3o no sistema. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o temos onde colocar os nossos pr\u00f3prios m\u00e9dicos.\u201d<\/p>\n<p>Neste momento, h\u00e1 cerca de 600 m\u00e9dicos brasileiros trabalhando em Portugal \u2014contingente que se aproxima do de espanh\u00f3is, que est\u00e1 em queda\u2014, mas h\u00e1 quem diga que o n\u00famero pode explodir.<\/p>\n<p>\u200bA diferen\u00e7a de sal\u00e1rio\u00a0\u2014que pode ser grande\u2014 \u00e9 uma das quest\u00f5es que preocupam os m\u00e9dicos brasileiros que buscam Portugal para exercer a profiss\u00e3o.\u00a0Um m\u00e9dico pode chegar a ganhar R$ 30 mil (cerca de 6700 euros) por m\u00eas no Brasil, acumulando fun\u00e7\u00f5es no setor privado, e\u00a0um profissional altamente especializado pode ganhar mais de R$\u00a0100 mil.<\/p>\n<p>Em Portugal, especialistas que tenham uma carga de trabalho de 35 horas em dedica\u00e7\u00e3o exclusiva ganham cerca de 4.300 euros brutos (cerca de R$ 18 mil), enquanto os sem\u00a0especialidade n\u00e3o chegam aos dois mil euros (mais de R$ 8.000). Esse \u00faltimo caso acaba sendo a porta de entrada de muitos dos m\u00e9dicos que chegam ao pa\u00eds ib\u00e9rico, o que significa praticamente\u00a0come\u00e7ar do zero.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">SEM ESPECIALIDADE N\u00c3O \u00c9 F\u00c1CIL<\/h3>\n<p>S\u00f3 a Administra\u00e7\u00e3o Regional de Sa\u00fade de Lisboa e Vale do Tejo tem tr\u00eas m\u00e9dicos n\u00e3o-especialistas brasileiros\u00a0trabalhando nos seus centros de sa\u00fade. Eles se juntaram a outros tr\u00eas cl\u00ednicos j\u00e1 na carreira m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Embora j\u00e1 esteja no pa\u00eds h\u00e1 quase dez anos, Alessandra Pinheiro, que era cl\u00ednica-geral no Rio Grande do Sul, \u00e9 uma dessas n\u00e3o-especialistas. Ao argumento da seguran\u00e7a juntou o do clima e a proximidade da m\u00e3e, que j\u00e1 morava em Portugal.<\/p>\n<p>Durante os quatro anos em que trabalhou em centros de sa\u00fade da regi\u00e3o de Lisboa, refor\u00e7ou a vontade de se tornar m\u00e9dica de fam\u00edlia. &#8220;Percebi que precisava de especializa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade infantil, em sa\u00fade materna, e decidi fazer a prova de seria\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>No entanto, segundo Louren\u00e7o, estes profissionais n\u00e3o v\u00eam preferencialmente para o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, mas, sim,\u00a0s\u00e3o mais absorvidos por unidades privadas ou por\u00a0parcerias p\u00fablico-privadas.\u00a0&#8220;S\u00e3o boa aposta, porque v\u00eam sem fam\u00edlia, sem amigos, dedicam-se exclusivamente\u00a0ao trabalho&#8221;, diz Louren\u00e7o, segundo o qual muitos olham para Portugal como uma porta de entrada para outros pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>S\u00f3 num dos principais hospitais em parceria p\u00fablico-privada do pa\u00eds h\u00e1 tr\u00eas m\u00e9dicos brasileiros em vias de refor\u00e7ar os servi\u00e7os, &#8220;o que prova que h\u00e1 de fato um mercado nesta \u00e1rea&#8221;, diz uma representante de um dos maiores grupos privados portugueses de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mas os casos multiplicam-se no pa\u00eds. Lu\u00edsa Medeiros, 35,\u00a0teve de ignorar sua especialidade para mudar de vida. Perto de fazer 36 anos, formada em 2007 no Rio de Janeiro, Lu\u00edsa \u00e9 agora interna do primeiro ano em Medicina F\u00edsica e Reabilita\u00e7\u00e3o em Alcoit\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil era especialista em otorrino, com internato feito em S\u00e3o Paulo, mas cedo percebeu que n\u00e3o queria ficar no pa\u00eds. Como o marido \u00e9 franc\u00eas, decidiu em 2015 vir para a Europa.<\/p>\n<p>Faz at\u00e9 quest\u00e3o de sublinhar que as raz\u00f5es que a levaram para Portugal n\u00e3o foram sociais ou pol\u00edticas, embora saiba que essa \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o da maioria dos profissionais que deixam o Brasil. &#8220;Ao chegar percebi que vida de m\u00e9dico sem especialidade n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, a oferta n\u00e3o \u00e9 boa, e decidi submeter-me \u00e0 prova nacional de seria\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Lu\u00edsa, mesmo ganhando menos do que ganharia no Brasil, se diz muito feliz. &#8220;Se n\u00e3o estivesse com o meu marido, e s\u00f3 com o que ganho como interna, 1.250 euros l\u00edquidos (cerca de R$ 5.300), apenas conseguiria alugar um quarto em Lisboa.&#8221;<\/p>\n<p>Os \u00edndices de pre\u00e7os ao consumidor apresentam os mesmos valores nos dois pa\u00edses (1,4%), mas a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 significativamente maior nas \u00e1reas da habita\u00e7\u00e3o (2,6%) e na alimenta\u00e7\u00e3o (2,2%) no Brasil (dados de junho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), em compara\u00e7\u00e3o com Portugal (0,6% e 1,5%, respectivamente, segundo os dados da Pordata para o ano passado).<\/p>\n<p>&#8220;E Portugal est\u00e1\u00a0crescendo\u00a0economicamente, acredito que as condi\u00e7\u00f5es para os m\u00e9dicos tamb\u00e9m v\u00e3o melhorar&#8221;, diz Lu\u00edsa.<\/p>\n<p>Aos muitos colegas que todas as semanas lhe pedem conselhos sobre as condi\u00e7\u00f5es em Portugal, Lu\u00edsa deixa dois tipos de mensagens: incentiva a vir os que est\u00e3o em in\u00edcio de carreira,\u00a0mas desaconselha os que j\u00e1 est\u00e3o no topo, porque a inscri\u00e7\u00e3o na especialidade \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Uma realidade reconhecida pelo presidente da se\u00e7\u00e3o sul da Ordem dos M\u00e9dicos, Alexandre\u00a0Valentim Louren\u00e7o. &#8220;Os m\u00e9dicos no topo da carreira levantam outros problemas quando querem inscrever-se numa especialidade, porque o sistema de especializa\u00e7\u00e3o l\u00e1 \u00e9 diferente do nosso. H\u00e1 \u00e1reas em que at\u00e9 h\u00e1 \u00f3timos profissionais, como cirurgi\u00f5es, mas outras em que n\u00e3o, e j\u00e1 tivemos processos que foram rejeitados e acabaram em tribunal, porque os candidatos nos processam.&#8221;<\/p>\n<p>Alguns destes casos arrastam-se mais de dez anos no judici\u00e1rio e o pr\u00f3prio processo de revalida\u00e7\u00e3o da especialidade n\u00e3o tem um prazo. H\u00e1 relatos de esperas de tr\u00eas anos pela decis\u00e3o da Ordem, diz\u00a0um representante dos m\u00e9dicos que aguardam a valida\u00e7\u00e3o, que ataca o corporativismo da Ordem.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">DO RIO AT\u00c9 BEJA<\/h3>\n<p>L\u00facio Silva, 42, foi daqueles que come\u00e7aram praticamente do zero em Portugal. Mais de dez anos depois de ter acabado a forma\u00e7\u00e3o em psiquiatria no Brasil, resolveu cruzar o oceano Atl\u00e2ntico em 2016. Inicialmente a mudan\u00e7a esteve relacionada \u00e0 sua mulher querer\u00a0fazer doutorado em Direito e depois porque &#8220;n\u00e3o estava satisfeito com a inseguran\u00e7a no Rio de Janeiro&#8221;, que trazia medo ao\u00a0pensar nos planos de ter filhos.<\/p>\n<p>Agora L\u00facio\u00a0faz o primeiro ano de internato em psicologia em Beja. &#8220;Gosto do Alentejo, j\u00e1 tinham\u00a0me dito que era quente como a minha terra, Salvador. Mas as comidas s\u00e3o um pouco pesadas&#8221;, brinca. Os sal\u00e1rios, por outro lado, trazem menos sorrisos.\u00a0&#8220;S\u00e3o demasiado baixos&#8221;, diz L\u00facio. &#8220;E\u00a0n\u00f3s temos de manter uma casa em Lisboa e outra em Beja.&#8221;<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos brasileiros que planejam ir para Portugal podem ter que desembolsar cerca de 800 euros (aproximadamente R$ 3.400)\u00a0e esperar um ano, entre a equival\u00eancia de diplomas numa universidade portuguesa e a inscri\u00e7\u00e3o na Ordem dos M\u00e9dicos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a revalida\u00e7\u00e3o da especialidade n\u00e3o tem um prazo. As faculdades t\u00eam tentado criar planos comuns para uniformizar as provas de revalida\u00e7\u00e3o de diplomas. Neste ano a janela para inscri\u00e7\u00e3o nestes exames dever\u00e1 ser no \u00faltimo trimestre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP O n\u00famero de m\u00e9dicos brasileiros que querem\u00a0trabalhar em Portugal disparou nos \u00faltimos anos e promete subir [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-5538","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5538"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5538\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5540,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5538\/revisions\/5540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}