{"id":5498,"date":"2018-07-23T16:17:38","date_gmt":"2018-07-23T16:17:38","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5498"},"modified":"2018-07-23T16:17:38","modified_gmt":"2018-07-23T16:17:38","slug":"cientistas-buscam-mobilizar-diferentes-processos-imunologicos-para-ataque-combinado-ao-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/07\/cientistas-buscam-mobilizar-diferentes-processos-imunologicos-para-ataque-combinado-ao-cancer\/","title":{"rendered":"Cientistas buscam mobilizar diferentes processos imunol\u00f3gicos para ataque combinado ao c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cancer_celulas.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-2929\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cancer_celulas-150x150.jpeg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>fonte: O Globo<\/p>\n<p>O futuro j\u00e1 \u00e9 presente na luta contra o c\u00e2ncer. Nos \u00faltimos anos, diversos tratamentos baseados no uso do pr\u00f3prio sistema imunol\u00f3gico do paciente para ca\u00e7ar e matar tumores sa\u00edram das bancadas dos laborat\u00f3rios para a aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. Conhecidas genericamente como imunoterapias, elas estenderam significativamente a sobrevida dos doentes ou mesmo aparentemente promoveram sua cura. Ao mesmo tempo, conseguiram melhorar sua qualidade de vida, com menos efeitos colaterais que as convencionais radioterapia e quimioterapia.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, um dos mais comuns no mundo e o mais mortal, com cerca de 1,7 milh\u00e3o de v\u00edtimas anuais. N\u00e3o faz muito tempo, o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a em est\u00e1gio avan\u00e7ado era praticamente uma senten\u00e7a de morte em curto prazo, com expectativa de sobrevida m\u00e9dia de seis meses, lembra David Carbone, pesquisador e professor do Centro M\u00e9dico da Universidade do Estado de Ohio, EUA, e um dos mais respeitados especialistas em c\u00e2ncer de pulm\u00e3o do mundo. A introdu\u00e7\u00e3o das imunoterapias, no entanto, mudou radicalmente o cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u2014 Hoje cerca de 15% destes pacientes com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o metast\u00e1tico (que j\u00e1 se espalhou pelo resto do corpo) podem ter uma sobrevida de cinco anos com boa qualidade \u2014 destacou Carbone, que esteve recentemente no Brasil para participar de f\u00f3rum de discuss\u00e3o com oncologistas sobre as pesquisas mais recentes na \u00e1rea, promovida pela farmac\u00eautica AstraZeneca, em entrevista exclusiva ao GLOBO. \u2014 Nos estudos mais recentes com tratamentos combinados com imunoterapias, mais da metade dos pacientes tem uma sobrevida de tr\u00eas anos. Estamos tornando a vida melhor para a maioria dos pacientes, mas ainda temos muita pesquisa para fazer.<\/p>\n<p>Assim, os cientistas buscam uma nova fronteira no combate ao c\u00e2ncer, e ela parece continuar ligada ao funcionamento do sistema imunol\u00f3gico humano, s\u00f3 que sob outro aspecto. As principais abordagens das imunoterapias em uso ou em fase avan\u00e7ada de pesquisas atualmente t\u00eam como base principalmente mecanismos do chamado sistema imunol\u00f3gico adaptativo, que compreende processos que incluem, entre outros, o reconhecimento de agentes agressores pelo organismo e a consequente fabrica\u00e7\u00e3o de anticorpos e envio de c\u00e9lulas de defesa para marc\u00e1-los ou atac\u00e1-los, explorado, por exemplo, pelas tradicionais vacinas.<\/p>\n<p><strong>V\u00cdRUS E BACT\u00c9RIAS<\/strong><\/p>\n<p>Mas as imunoterapias atuais tamb\u00e9m incluem processos n\u00e3o exatamente imunol\u00f3gicos \u2014 e que apesar disso ainda s\u00e3o referidas como tais \u2014, como o uso de v\u00edrus desenhados para se aproveitarem exclusivamente de mecanismos bioqu\u00edmicos t\u00edpicos de c\u00e9lulas tumorais para se replicar, eventualmente levando-as \u00e0 morte. Desta seara fazem parte, por exemplo, pesquisas hoje em curso no Brasil e outras partes do mundo que pretendem usar o v\u00edrus da zika como plataforma para combater c\u00e2nceres no c\u00e9rebro, tirando proveito da afinidade \u201cnatural\u201d que o micro-organismo tem por infectar c\u00e9lulas do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, por\u00e9m, os pesquisadores tamb\u00e9m querem convocar para a batalha o chamado sistema imunol\u00f3gico inato. De a\u00e7\u00e3o mais \u201cgen\u00e9rica\u201d, ele \u00e9 o respons\u00e1vel pelas respostas inflamat\u00f3rias. Os cientistas acreditam que ele pode aumentar ainda mais a efic\u00e1cia das imunoterapias atuais em um ataque combinado contra os tumores, e tamb\u00e9m poderia ser usado isoladamente no combate e preven\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer, j\u00e1 que cerca de 15% a 20% dos casos da doen\u00e7a s\u00e3o relacionados a processos de inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, como o c\u00e2ncer de c\u00f3lon e a colite.<\/p>\n<p>Na linha de frente dessas pesquisas est\u00e1 o italiano radicado nos EUA Giorgio Trinchieri. Chefe do Programa de C\u00e2ncer e Inflama\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Sa\u00fade americano (NIH), ele tamb\u00e9m esteve recentemente no Brasil para participar de evento em que foram debatidas as novas fronteiras no tratamento da doen\u00e7a, promovido pelo A.C. Camargo Cancer Center, em S\u00e3o Paulo. Segundo ele, a estrat\u00e9gia \u00e9 unir as for\u00e7as das respostas dos sistemas inato e adaptativo para matar o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>\u2014 A ideia \u00e9 montar uma resposta imunol\u00f3gica conjunta para atacar o tumor, para que no futuro tenhamos terapias combinadas que estimulem o sistema imunol\u00f3gico inato e o adaptativo \u2014 disse. \u2014 A inflama\u00e7\u00e3o e a imunidade adaptativa andam e trabalham juntas. Embora esses processos tenham caminhos diferentes, \u00e9 preciso um microambiente inflamat\u00f3rio nos tumores para que as c\u00e9lulas de defesa ataquem as cancerosas.<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 fundamental compreender o papel-chave que o chamado microbioma \u2014 os trilh\u00f5es de bact\u00e9rias e outros micro-organismos que vivem dentro de n\u00f3s \u2014 tem na ativa\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o das respostas inflamat\u00f3rias, explicou Trinchieri:<\/p>\n<p>\u2014 Este microbioma regula muitos processos fisiol\u00f3gicos do corpo, particularmente os de inflama\u00e7\u00e3o e resposta imunol\u00f3gica. Como qualquer imunoterapia contra o c\u00e2ncer depende da resposta das c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas, o microbioma pode modular seu efeito e efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>Esta no\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 chegou \u00e0 pr\u00e1tica cl\u00ednica, contou o m\u00e9dico. Segundo ele, em experimento conjunto de seu laborat\u00f3rio com um hospital de Pittsburg, nos EUA, observou-se que tanto no caso de algumas das novas imunoterapias do tipo conhecido como inibidores de controles imunol\u00f3gicos quanto de algumas quimioterapias convencionais, pacientes que antes n\u00e3o respondiam aos tratamentos passaram a ter sucesso ap\u00f3s receberem transplantes de fezes \u2014 e portanto do microbioma \u2014, de pacientes que estavam se beneficiando deles, deixando clara a influ\u00eancia das bact\u00e9rias do intestino na ativa\u00e7\u00e3o e metabolismo desses rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>Dever\u00edamos saber quais bact\u00e9rias s\u00e3o boas para isso, mas ainda n\u00e3o estamos l\u00e1. Ent\u00e3o fazemos um transplante de todo microbioma. Essa estrat\u00e9gia deve ser aperfei\u00e7oada nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, m\u00e9dicos e, principalmente, pacientes se beneficiam da revolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 trazida pelas imunoterapias em uso ou fase final de pesquisas. Antes \u201creservadas\u201d para os est\u00e1gios finais do c\u00e2ncer, elas come\u00e7am a ser encaradas como primeira op\u00e7\u00e3o para o tratamento, disse Carbone:<\/p>\n<p>\u2014 Estamos descobrindo que, quando damos a imunoterapia como primeira op\u00e7\u00e3o, ela funciona ainda melhor. N\u00e3o sabemos qual ser\u00e1 a sobrevida destes pacientes porque s\u00f3 estamos fazendo isso h\u00e1 poucos anos. Mas eles est\u00e3o evoluindo muito bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo O futuro j\u00e1 \u00e9 presente na luta contra o c\u00e2ncer. 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