{"id":5458,"date":"2018-07-13T10:17:53","date_gmt":"2018-07-13T10:17:53","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5458"},"modified":"2018-07-13T10:17:53","modified_gmt":"2018-07-13T10:17:53","slug":"inspirado-na-industria-de-carros-sus-quer-reduzir-lotacao-em-emergencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/07\/inspirado-na-industria-de-carros-sus-quer-reduzir-lotacao-em-emergencias\/","title":{"rendered":"Inspirado na ind\u00fastria de carros, SUS quer reduzir lota\u00e7\u00e3o em emerg\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sus_maca.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-5459\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sus_maca-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>&#8220;P\u00e9ssimo atendimento. Estava com dores fortes no peito e na cabe\u00e7a e fiquei oito horas esperando para uma m\u00e9dica receitar um Buscopan [analg\u00e9sico] em gotas\u201d, diz Daniel, 35, no pronto-socorro da Santa Casa de S\u00e3o Paulo (regi\u00e3o central).<\/p>\n<p>A 10 km dali, no Hospital do Mandaqui (zona norte), as reclama\u00e7\u00f5es s\u00e3o parecidas. A demora no pronto-socorro chega a dez horas e h\u00e1 cerca de 40 pacientes deitados em macas.<\/p>\n<p>Celly, 54, nem maca conseguiu. Precisa de um cateterismo, mas n\u00e3o h\u00e1 leito. Espera uma vaga sentada na cadeira.<\/p>\n<p>&#8220;P\u00e9ssimo atendimento. Estava com dores fortes no peito e na cabe\u00e7a e fiquei oito horas esperando para uma m\u00e9dica receitar um Buscopan [analg\u00e9sico] em gotas\u201d, diz Daniel, 35, no pronto-socorro da Santa Casa de S\u00e3o Paulo (regi\u00e3o central).<\/p>\n<p>A 10 km dali, no Hospital do Mandaqui (zona norte), as reclama\u00e7\u00f5es s\u00e3o parecidas. A demora no pronto-socorro chega a dez horas e h\u00e1 cerca de 40 pacientes deitados em macas.<\/p>\n<p>Celly, 54, nem maca conseguiu. Precisa de um cateterismo, mas n\u00e3o h\u00e1 leito. Espera uma vaga sentada na cadeira.<\/p>\n<p>Em prontos-socorros de seis hospitais p\u00fablicos das cidades de S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte (MG), Palmas (TO), Goi\u00e2nia (GO), Florian\u00f3polis (SC) e Fortaleza (CE) onde o sistema foi inicialmente implantado, houve redu\u00e7\u00e3o do tempo de atendimento em at\u00e9 50%.<\/p>\n<p>O Lean nas emerg\u00eancias \u00e9 desenvolvido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em parceria com o Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas (SP), e atingir\u00e1 cem hospitais p\u00fablicos em tr\u00eas anos. A Santa Casa de S\u00e3o Paulo \u00e9 um deles.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo, criado na f\u00e1brica de carros Toyota, na d\u00e9cada de 1940, para aumentar a produtividade e a efici\u00eancia, evitando desperd\u00edcios, busca organizar fluxos internos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/seminariosfolha\/2018\/04\/apesar-de-problemas-sus-e-referencia-em-saude-publica-dizem-especialistas.shtml\">No SUS<\/a>, pode ser empregado, por exemplo, na organiza\u00e7\u00e3o de fluxos de pacientes, separando os de maior dos de menor gravidade ainda na sala de espera. Os de baixo risco, ap\u00f3s o atendimento inicial s\u00e3o encaminhados para a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u2014que pode atender at\u00e9 80% dos casos.<\/p>\n<p>J\u00e1 os mais graves, ap\u00f3s a assist\u00eancia inicial, seguem para interna\u00e7\u00e3o ou realiza\u00e7\u00e3o de exames e procedimentos. Isso agiliza o atendimento e faz com que a pessoa se sinta cuidada e n\u00e3o apenas sentada na sala de espera.<\/p>\n<p>Com o m\u00e9todo, o hospital de urg\u00eancias de Goi\u00e2nia (Hugol) reduziu o tempo m\u00e9dio do atendimento na emerg\u00eancia em 55% \u2014de 7,35 horas para 3,27 horas seis meses depois.<\/p>\n<p>Recente\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2018\/06\/maioria-dos-brasileiros-avalia-saude-como-ruim-ou-pessima-diz-datafolha.shtml\">pesquisa Datafolha<\/a>\u00a0encomendada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) mostra que s\u00f3 27% dos atendimentos dos prontos-socorros s\u00e3o avaliados como bons ou \u00f3timos pela popula\u00e7\u00e3o. A demora \u00e9 a principal queixa.<\/p>\n<p>No\u00a0pronto-socorro central da Santa Casa de S\u00e3o Paulo, o maior da capital, h\u00e1 uma demora m\u00e9dia de 208 minutos entre a chegada e a consulta.<\/p>\n<p>Quase metade do tempo (cem minutos) \u00e9 gasto na classifica\u00e7\u00e3o de risco (grau de gravidade). \u201cIsso pode ser reduzido a dez minutos\u201d, diz Welfane Cordeiro J\u00fanior, coordenador m\u00e9dico do projeto.<\/p>\n<p>No Hugol, foi criada uma unidade de decis\u00e3o cl\u00ednica. Em quatro horas, o m\u00e9dico do PS\u2002precisa decidir se interna\u00a0ou libera o paciente.<\/p>\n<p>\u201cTem uma funcion\u00e1ria na equipe para monitorar isso. Se h\u00e1 risco de atraso, ela diz:\u00a0\u2018Doutora, tem um paciente que est\u00e1 esperando h\u00e1 tr\u00eas horas\u2019. Se falta exame, ela vai atr\u00e1s, providencia\u201d, explica Ana Carolina Brasil, gerente do projeto Lean.<\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a foi evitar que o paciente fique se deslocando de sala em sala. O m\u00e9dico e a enfermeira v\u00e3o at\u00e9 ele.<\/p>\n<p>O desafio maior, por\u00e9m, \u00e9 o destino de quem precisa de uma cirurgia e que passa dias na maca no corredor\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/seminariosfolha\/2018\/04\/concentrada-em-grandes-cidades-oferta-de-leitos-hospitalares-diminui-na-maior-parte-do-pais.shtml\">\u00e0 espera de um leito<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cOs PSs viraram enfermarias, isso est\u00e1 naturalizado. Com mais de 12 horas internado no PS, aumenta o risco da mortalidade [por infec\u00e7\u00f5es, por exemplo]. Corredor n\u00e3o \u00e9 leito\u201d, diz Cordeiro J\u00fanior.<\/p>\n<p>Na Santa Casa de S\u00e3o Paulo, a desorganiza\u00e7\u00e3o respondia por parte da dificuldade na libera\u00e7\u00e3o de leitos.<\/p>\n<p>Antonio Penteado Mendon\u00e7a, provedor da institui\u00e7\u00e3o, diz que at\u00e9 2017 a desconex\u00e3o na \u00e1rea cir\u00fargica era apavorante. \u201cO m\u00e9dico marcava a cirurgia e esquecia de avisar o cara do exame de imagem. Ou quando fazia isso, esquecia de avisar o anestesista ou ainda n\u00e3o agendava o hor\u00e1rio da sala de cirurgia. Morre gente por causa disso\u201d, conta.<\/p>\n<p>Segundo ele, o Lean mudou a cultura do hospital. \u201cA gente descobriu que pode ter fluxos organizados e padronizados.\u201d<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de uma central de agendamento cir\u00fargico \u00e9 uma das mudan\u00e7as. A outra foi estabelecer um hor\u00e1rio de alta. O m\u00e9dico demorava horas, \u00e0s vezes dias, para oficializ\u00e1-la. \u201cAgilizando isso, o leito gira mais rapidamente e a gente interna o paciente que est\u00e1 no PS\u201d, diz Ana Carolina. A ideia \u00e9 que a programa\u00e7\u00e3o da alta comece na interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o modelo enfrenta a resist\u00eancia do corpo cl\u00ednico em aderir \u00e0s mudan\u00e7as de fluxos e processos internos.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem tentado envolver cada vez mais pessoas e mostrar os benef\u00edcios, os dados e pedir que reflitam sobre as possibilidades de mudan\u00e7as\u201d, diz Rog\u00e9rio Pecchini, diretor t\u00e9cnico da Santa Casa.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7a e engajamento da equipe s\u00e3o partes essenciais para o sucesso do projeto, segundo Francisco Figueiredo, secret\u00e1rio de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Para Walter Cintra J\u00fanior, coordenador de administra\u00e7\u00e3o hospitalar da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, s\u00e3o necess\u00e1rias tamb\u00e9m interven\u00e7\u00f5es, como a disponibilidade de insumos e equipes.<\/p>\n<p>Segundo Cordeiro J\u00fanior, a falta de materiais para as cirurgias \u00e9 um dos entraves. No Hospital de Messejana (CE), por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o da superlota\u00e7\u00e3o foi de apenas 7%.<\/p>\n<p>\u201cO hospital \u00e9 de administra\u00e7\u00e3o direta e refer\u00eancia na \u00e1rea cardiovascular. Houve falta de fio cir\u00fargico e as cirurgias foram interrompidas. Os pacientes n\u00e3o giravam [n\u00e3o houve libera\u00e7\u00e3o de leitos]. Isso tudo influencia no resultado.\u201d<\/p>\n<p>O giro de leitos tamb\u00e9m \u00e9 prejudicado pela ocupa\u00e7\u00e3o de parte deles por pacientes que n\u00e3o precisariam estar ali. S\u00e3o doentes graves, mas que est\u00e3o estabilizados e que poderiam estar em unidades de cuidados paliativos, de transi\u00e7\u00e3o ou de longa perman\u00eancia.<\/p>\n<p>Na Santa Casa, de 10% a 15% dos 40 pacientes na UTI de adulto est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Francisco Figueiredo, do minist\u00e9rio, diz que prepara um projeto de desospitaliza\u00e7\u00e3o no SUS. \u201cCom o r\u00e1pido envelhecimento populacional, as unidades hospitalares ficar\u00e3o ainda mais sobrecarregadas e vamos precisar de outras estruturas multiprofissionais.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">GESTORES TEMEM QUE EFICI\u00caNCIA GERE MAIOR PROCURA NAS UNIDADES<\/h3>\n<p>Um dos efeitos colaterais temidos pelos gestores de hospitais que est\u00e3o adotando o sistema de gest\u00e3o Lean nas emerg\u00eancias \u00e9 que a efici\u00eancia gerada atraia mais usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cSe os hospitais ofertam um servi\u00e7o diferenciado, r\u00e1pido e eficiente, acabam sendo mais procurados. Isso \u00e9 natural. Aconteceu o Hugol [hospital de Goi\u00e2nia que teve redu\u00e7\u00e3o de 62% da superlota\u00e7\u00e3o]\u201d, diz Welfane Cordeiro J\u00fanior, coordenador m\u00e9dico do projeto.<\/p>\n<p>Por mais paradoxal que pare\u00e7a, no SUS isso \u00e9 um problema pois os hospitais t\u00eam contratos fixos e n\u00e3o recebem pelos atendimentos feitos al\u00e9m dos previamente acordados.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2018\/06\/ministro-defende-nova-fonte-de-financiamento-para-santas-casas.shtml\">O provedor da Santa Casa<\/a>, Antonio Penteado Mendon\u00e7a, \u00e9 um dos que temem o aumento da procura com a melhoria do PS. Por ser o \u00fanico \u201cporta aberta\u201d da cidade, o hospital j\u00e1 atende al\u00e9m da capacidade.<\/p>\n<p>\u201cEm mar\u00e7o do ano passado a gente fazia de 700 a 800 cirurgias por m\u00eas. A\u00ed metemos o p\u00e9 no acelerador e fechamos dezembro com 2.360. Em janeiro, est\u00e1vamos quebrados\u201d, diz Mendon\u00e7a, para quem os resultados do Lean precisam coincidir com o\u00a0equil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEu espero que quando isso se tornar uma pr\u00e1tica rotineira no SUS, a forma de remunera\u00e7\u00e3o seja mudada e passe a valorizar os resultados.\u201d<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a do modelo de remunera\u00e7\u00e3o dos hospitais, que tem sido discutida no sistema suplementar, no entanto, ainda n\u00e3o encontrou eco nos hospitais que prestam servi\u00e7os ao sistema p\u00fablico.<\/p>\n<p>Segundo Cordeiro J\u00fanior, os resultados mostram que \u00e9 poss\u00edvel otimizar muito do que se gasta na assist\u00eancia, mas\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio discutir com toda a rede de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A equipe do S\u00edrio-Liban\u00eas respons\u00e1vel pelo Lean e o Conass (conselho dos secret\u00e1rios estaduais de sa\u00fade) est\u00e3o negociando uma parceria para estender a metodologia para mais hospitais de forma que a melhoria do atendimento seja em rede e n\u00e3o s\u00f3 m\u00e9rito de unidades isoladas.<\/p>\n<p>Francisco Figueiredo, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, diz que j\u00e1 \u00e9 esperado que um servi\u00e7o qualificado gere mais demanda, mas que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que os bons resultados sejam ampliados para toda a rede.<\/p>\n<p>\u201cQueremos v\u00e1rias portas qualificadas. Queremos contaminar toda a rede\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP &#8220;P\u00e9ssimo atendimento. Estava com dores fortes no peito e na cabe\u00e7a e fiquei oito horas esperando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-5458","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5458"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5458\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5460,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5458\/revisions\/5460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}