{"id":5328,"date":"2018-06-25T13:32:02","date_gmt":"2018-06-25T13:32:02","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5328"},"modified":"2019-02-21T10:16:30","modified_gmt":"2019-02-21T10:16:30","slug":"risco-de-cancer-ameaca-revolucao-prometida-por-revisao-ortografica-de-genes-com-crispr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/06\/risco-de-cancer-ameaca-revolucao-prometida-por-revisao-ortografica-de-genes-com-crispr\/","title":{"rendered":"Risco de c\u00e2ncer amea\u00e7a revolu\u00e7\u00e3o prometida por &#8216;revis\u00e3o ortogr\u00e1fica&#8217; de genes com Crispr"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>por Marcelo Leite<\/p>\n<p>Essa li\u00e7\u00e3o j\u00e1 deveria ter sido aprendida h\u00e1 muito tempo: nada na biotecnologia \u00e9 simples nem est\u00e1 livre de efeitos n\u00e3o pretendidos. N\u00e3o poderia ser diferente com a Crispr-Cas9.<\/p>\n<p>Essa t\u00e9cnica experimental, que usa enzimas para cortar e colar sequ\u00eancias espec\u00edficas de DNA, vem despertando aten\u00e7\u00e3o e entusiasmo desde que se comprovou, em 2011, que era poss\u00edvel \u201cconsertar\u201d genes com ela.<\/p>\n<p>Talvez aten\u00e7\u00e3o e entusiasmo um pouco prematuros, indicam dois estudos publicados h\u00e1 uma semana no peri\u00f3dico cient\u00edfico Nature Medicine,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41591-018-0049-z\">aqui<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41591-018-0050-6\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>(S\u00e3o texto muito especializados em ingl\u00eas. Um resumo mais acess\u00edvel para interessados na quest\u00e3o, tamb\u00e9m em ingl\u00eas, pode ser encontrado no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.statnews.com\/2018\/06\/11\/crispr-hurdle-edited-cells-might-cause-cancer\/\">boletim Stat<\/a>.)<\/p>\n<p>O grau da excita\u00e7\u00e3o desencadeada pela\u00a0Crispr-Cas9\u00a0pode ser aquilatado pelo t\u00edtulo do livro de uma pioneira,\u00a0Jennifer\u00a0Doudna: Uma ruptura na Cria\u00e7\u00e3o \u2013 Edi\u00e7\u00e3o de genes e o\u00a0poder\u00a0inimagin\u00e1vel de controlar a evolu\u00e7\u00e3o (tradu\u00e7\u00e3o da coluna para o nome em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Bem, a evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora dando o troco.<\/p>\n<p>A dificuldade surge com um mecanismo natural de defesa das c\u00e9lulas humanas contra danos causados por quebras na sequ\u00eancia de\u00a0DNA. Quando elas acontecem, um dispositivo mediado pelo gene\u00a0p53\u00a0entra em a\u00e7\u00e3o para\u00a0consertar\u00a0a ruptura ou disparar o processo de morte celular (apoptose).<\/p>\n<p>O\u00a0p53\u00a0est\u00e1 por tr\u00e1s da baix\u00edssima efici\u00eancia das modifica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas que v\u00eam sendo buscadas com\u00a0Crispr-Cas9. As c\u00e9lulas em que tem sucesso a edi\u00e7\u00e3o pretendida s\u00e3o justamente aquelas em que o\u00a0p53\u00a0n\u00e3o funciona bem.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dna_filha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5330 size-full\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dna_filha.jpg\" alt=\"\" width=\"523\" height=\"522\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dna_filha.jpg 523w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dna_filha-300x300.jpg 300w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dna_filha-100x100.jpg 100w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dna_filha-150x150.jpg 150w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dna_filha-160x160.jpg 160w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/dna_filha-320x320.jpg 320w\" sizes=\"auto, (max-width: 523px) 100vw, 523px\" \/><\/a><\/p>\n<p>S\u00f3 que o p53 \u00e9 tamb\u00e9m um gene essencial para combater a multiplica\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas em tumores. Defeitos nele est\u00e3o associados com propor\u00e7\u00f5es significativas de c\u00e2nceres: segundo a Stat, quase metade dos tumores de ov\u00e1rio, dos colorretais (43%), dos pulmonares (38%) e quase um ter\u00e7o dos pancre\u00e1ticos, estomacais e hep\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Dito de outra maneira: a Crispr-Cas9, quando bem-sucedida, seleciona positivamente as c\u00e9lulas com potencial cancer\u00edgeno. Como v\u00e1rias daquelas em que o p53 funciona bem acabam morrendo, saem favorecidas, nessa forma de sele\u00e7\u00e3o artificial, as que carregam muta\u00e7\u00f5es delet\u00e9rias ao gene protetor.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o dos estudos, n\u00e3o por acaso, fez despencarem as a\u00e7\u00f5es de empresas startups baseadas nessa tecnologia, como Editas Medicine, CRISPR Therapeutics e Intellia. Desistir da Crispr-Cas9, por\u00e9m, seria um erro de precipita\u00e7\u00e3o t\u00e3o grave quanto pint\u00e1-la como panaceia para todos os males do mundo.<\/p>\n<p>H\u00e1 aplica\u00e7\u00f5es da t\u00e9cnica que buscam trocar s\u00f3 uma letra na sequ\u00eancia de DNA, ou cortar fora uma sequ\u00eancia maior sem substitu\u00ed-la por outra, \u201ccorreta\u201d. Nesses casos, as tropas celulares de defesa n\u00e3o s\u00e3o convocadas pelo p53.<\/p>\n<p>\u201cNada em biologia faz sentido a n\u00e3o ser sob a luz da evolu\u00e7\u00e3o\u201d, j\u00e1 ensinou o geneticista ucraniano-americano Theodosius Dobzhansky (1900-1975).<\/p>\n<p>Isso vale tamb\u00e9m para as inven\u00e7\u00f5es do engenho humano que tentam control\u00e1-la. N\u00e3o que seja imposs\u00edvel, mas tampouco parece f\u00e1cil. Ou simples.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP por Marcelo Leite Essa li\u00e7\u00e3o j\u00e1 deveria ter sido aprendida h\u00e1 muito tempo: nada na biotecnologia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2],"tags":[],"class_list":["post-5328","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5328"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5328\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5331,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5328\/revisions\/5331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}