{"id":5325,"date":"2018-06-18T13:31:45","date_gmt":"2018-06-18T13:31:45","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5325"},"modified":"2018-06-18T13:31:45","modified_gmt":"2018-06-18T13:31:45","slug":"medicos-disputam-atencao-de-pacientes-e-seguidores-em-canais-de-youtube","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/06\/medicos-disputam-atencao-de-pacientes-e-seguidores-em-canais-de-youtube\/","title":{"rendered":"M\u00e9dicos disputam aten\u00e7\u00e3o de pacientes e seguidores em canais de YouTube"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-5326\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/medico_youtube-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea quer melhorar o gosto da sua periquita?\u201d, questiona Bruno Jacob, 29, acompanhado de uma animada abertura musical.<\/p>\n<p>A pergunta era o t\u00edtulo original de uma publica\u00e7\u00e3o no YouTube do ginecologista<br \/>\n\u2014um ca\u00e7a-clique, segundo ele, criado pela pessoa que o auxilia nos v\u00eddeos.<\/p>\n<p>A repercuss\u00e3o negativa levou \u00e0 mudan\u00e7a do nome para \u201cAlimentos que alteram o sabor da vagina\u201d (em mai\u00fasculas, como \u00e9 comum em outros tantos t\u00edtulos da plataforma).<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas que reclamam n\u00e3o chegaram a ver o v\u00eddeo\u201d, diz Jacob. \u201cCirculou como se a vagina tivesse um gosto ruim ou que a mulher deveria mudar o gosto para agradar o homem. E n\u00e3o \u00e9 nada disso. A mulher tem que se sentir bem quando for receber o sexo oral do parceiro.\u201d<\/p>\n<p>Por sinal, sexo \u00e9 um dos temas mais frequentes no canal do m\u00e9dico, inaugurado cerca de um ano atr\u00e1s.\u00a0Tudo come\u00e7ou no Instagram (onde tem 45 mil seguidores); depois, ele migrou para o YouTube (onde tem mais de 400 mil inscritos).<\/p>\n<p>Em seu canal, chama suas seguidoras de &#8220;ginequetes&#8221; e usa linguagem simples para atrair aten\u00e7\u00e3o e f\u00e3s. \u201cVendo v\u00eddeos, eu aprendi a tocar viol\u00e3o e fazer sushi. O que eu tenho para ensinar? Ginecologia.\u201d<\/p>\n<p>Para ele e para a ginecologista e obstetra Laura L\u00facia Martins, 44 (240 mil inscritos), o tempo reduzido das consultas e a preocupa\u00e7\u00e3o em passar informa\u00e7\u00f5es de modo acess\u00edvel foram o combust\u00edvel para as recentes iniciativas.<\/p>\n<p>Os resultados, diz Jacob, aparecem em relatos de seguidoras, que contam ter menor frequ\u00eancia de epis\u00f3dios de candid\u00edase, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cTodo mundo sabe os cuidados b\u00e1sicos com os dentes: passar fio dental, escovar ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, meu sonho \u00e9 que todas as mulheres saibam quais s\u00e3o os cuidados b\u00e1sicos com a regi\u00e3o \u00edntima\u201d, afirma Laura L\u00facia.<\/p>\n<p>\u201cQuando recebi a placa de 100 mil inscritos, me perguntei: \u2018Ser\u00e1 que eu sou um youtuber?\u2019 N\u00e3o sei. Sou um m\u00e9dico que fala sobre sa\u00fade no YouTube\u201d, diz Jacob.<\/p>\n<p>Alguns m\u00e9dicos j\u00e1 se encontram na lista de milion\u00e1rios de inscritos. Um deles \u00e9 o cirurgi\u00e3o vascular e especialista em medicina ortomolecular Dayan Siebra, 43, que diz dedicar a maior parte do tempo \u00e0 nova atividade\u2014seu canal tamb\u00e9m tem aproximadamente de um ano.<\/p>\n<p>Siebra diz que \u00e9 dele o perfil brasileiro na \u00e1rea m\u00e9dica mais visualizado e com maior faturamento com propaganda do YouTube. Segundo informa o m\u00e9dico, o faturamento est\u00e1 em cerca de US$ 8.000 (R$ 30 mil) ao m\u00eas.<\/p>\n<p>Com o canal, a procura de pacientes aumentou, assim como o valor das consultas \u2014que agora ele classifica como consultorias, que foram de R$ 750 para R$ 5.000, por seis meses de acompanhamento.<\/p>\n<p>&#8220;Se fosse meu objetivo principal, eu atenderia pessoas todo dia e toda hora.&#8221;\u00a0 Atualmente, em seu site pessoal, ele se define como \u201cm\u00e9dico, youtuber, escritor e palestrante internacional\u201d.<\/p>\n<p>O YouTube afirma que n\u00e3o tem pesquisas de audi\u00eancia na \u00e1rea m\u00e9dica e n\u00e3o confirmou os valores.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Lucas Fustinoni, 30, de Curitiba, tamb\u00e9m j\u00e1 ultrapassou a marca de 1 milh\u00e3o de inscritos. Ele montou um pequeno est\u00fadio em sua casa, tem uma equipe de edi\u00e7\u00e3o, come\u00e7ar\u00e1 a postar v\u00eddeos em ingl\u00eas e tem planos de expandir para o chin\u00eas.<\/p>\n<p>A fama tamb\u00e9m trouxe mais pessoas \u00e0 sua cl\u00ednica, mas, citando regras do CFM (Conselho Federal de Medicina) e aconselhado por seus advogados, diz que o objetivo do canal \u00e9 informar, n\u00e3o angariar clientela.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos que conversam com o p\u00fablico por meio de uma tela n\u00e3o s\u00e3o novidade \u2014a diferen\u00e7a \u00e9 que agora n\u00e3o dependem de intermedi\u00e1rios e que, com o aumento da oferta, precisam disputar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<p>H\u00e1 25 anos, Jairo Bouer come\u00e7ou a informar sobre sa\u00fade no Folhateen, suplemento da Folha publicado at\u00e9 2011. Passou pela TV e hoje tamb\u00e9m est\u00e1 na internet.<\/p>\n<p>Para Bouer, a transmiss\u00e3o de conhecimento est\u00e1 pulverizada e a internet virou uma faca de dois gumes: se por um lado amplia a dissemina\u00e7\u00e3o, por outro pode ter uma parcela de culpa na resist\u00eancia das pessoas em falar com um especialista de verdade. \u201c<\/p>\n<p>\u201cPor isso, todo cuidado \u00e9 pouco com o conte\u00fado que se consome\u201d, defende. \u201cP\u00edlula \u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico. Precisa ser superpensada no consult\u00f3rio, dependendo das caracter\u00edsticas da pessoa\u201d, diz. \u201cD\u00e1 mais trabalho produzir hoje para a \u00e1rea de sa\u00fade. Voc\u00ea precisa desconstruir mitos.<\/p>\n<p>Para evitar comportamentos inadequados nas redes, o CFM tem regras espec\u00edficas de publicidade na internet para profissionais m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>\u201cRedes sociais como YouTube, Instagram e WhatsApp fazem parte do cotidiano das pessoas, e o conselho n\u00e3o v\u00ea com nenhuma restri\u00e7\u00e3o a divulga\u00e7\u00e3o de assuntos que s\u00e3o pertinentes e de interesse da sociedade\u201d, afirma Jos\u00e9 Fernando Vinagre, do CFM.<\/p>\n<p>\u00c9 essencial, por\u00e9m, se ater ao conhecimento j\u00e1 reconhecido pela comunidade cient\u00edfica. Ou seja, o melhor \u00e9 fugir de canais que prometem curas milagrosas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o proibidos a publica\u00e7\u00e3o de nomes de medicamentos (somente princ\u00edpios ativos podem ser citados), exposi\u00e7\u00e3o de pacientes (inclusive imagens de antes e depois) e a prescri\u00e7\u00e3o de tratamentos \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos que se arriscam no segmento devem tomar cuidado ao falar sobre tratamentos ainda n\u00e3o reconhecidos e em fase de estudos. Jos\u00e9 Fernando Vinagre diz que deve ser enfatizado que o produto ainda \u00e9 experimental.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio ainda que os canais do m\u00e9dico informem o nome, o CRM (registro no conselho profissional e estado) e que conste a qualifica\u00e7\u00e3o de especialista. (Sim, voc\u00ea provavelmente segue algum m\u00e9dico que n\u00e3o apresenta nada disso em seu perfil.)<\/p>\n<p>Por fim, o CFM afirma que se deve evitar a autopromo\u00e7\u00e3o \u2014embora seja t\u00eanue linha divis\u00f3ria entre a pr\u00e1tica e a busca por seguidores virtuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SZC9f-nDPVU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP \u201cVoc\u00ea quer melhorar o gosto da sua periquita?\u201d, questiona Bruno Jacob, 29, acompanhado de uma animada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5325","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5325"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5325\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5327,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5325\/revisions\/5327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}