{"id":5235,"date":"2018-05-21T17:20:37","date_gmt":"2018-05-21T17:20:37","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5235"},"modified":"2018-05-21T17:20:37","modified_gmt":"2018-05-21T17:20:37","slug":"demografia-medica-2018-revela-ociosidade-em-40-das-vagas-dos-programas-de-residencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/05\/demografia-medica-2018-revela-ociosidade-em-40-das-vagas-dos-programas-de-residencia\/","title":{"rendered":"Demografia M\u00e9dica 2018 revela ociosidade em 40% das vagas dos programas de Resid\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>fonte: CFM<\/p>\n<p>Pouco menos que a metade das vagas para programas de Resid\u00eancia M\u00e9dica (RM) no Brasil est\u00e3o ociosas. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es do estudo Demografia M\u00e9dica no Brasil \u2013 2018, desenvolvido pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e com o Conselho Regional de Medicina do Estado de S\u00e3o Paulo (Cremesp). Esse percentual materializa a exata dist\u00e2ncia entre a capacidade potencial ou pretendida e aquilo que \u00e9 poss\u00edvel realizar com as condi\u00e7\u00f5es oferecidas.<\/p>\n<p>Os dados revelam que, enquanto as vagas preenchidas somam 35.178, o total de autoriza\u00e7\u00f5es chega a 58.077. A diferen\u00e7a corresponde a 22.899 vagas n\u00e3o ocupadas, equivalentes a 39,4% do permitido pela Comiss\u00e3o Nacional de Resid\u00eancia M\u00e9dica (CNRM). A dist\u00e2ncia \u00e9 mais acentuada no per\u00edodo inicial de forma\u00e7\u00e3o (R1), no qual 16.499 das 22.432 vagas liberadas, em 2017, foram de fato ocupadas, ou seja, uma diferen\u00e7a de 5.933 vagas ociosas.<\/p>\n<p>\u201cSob o risco de s\u00e9rios preju\u00edzos ao processo de forma\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos especialistas \u2013 essenciais ao sistema de sa\u00fade brasileiro \u2013, \u00e9 preciso compreender melhor e superar os v\u00e1rios obst\u00e1culos que impedem a qualifica\u00e7\u00e3o e o pleno preenchimento de vagas de Resid\u00eancia M\u00e9dica\u201d, alerta o presidente do CFM, Carlos Vital, que tem demonstrado grande preocupa\u00e7\u00e3o com os problemas que afetam a forma\u00e7\u00e3o de especialistas.<\/p>\n<p><strong>Autorizadas<\/strong>\u00a0\u2013 Em 13 unidades da federa\u00e7\u00e3o, mais de 40% das vagas n\u00e3o foram ocupadas. S\u00e3o Paulo tem 7.158 vagas n\u00e3o preenchidas, totalizando 37,1% das vagas que foram autorizadas pela CNRM para o estado. O Maranh\u00e3o, que j\u00e1 tem a menor raz\u00e3o de vagas autorizadas por 100 mil habitantes, tem tamb\u00e9m a maior porcentagem de vagas n\u00e3o preenchidas: das 406 autorizadas, 57,9% estavam ociosas em 2017. No Cear\u00e1, 53,7% das vagas tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o preenchidas. O censo realizado pela Demografia M\u00e9dica revela que, em 2017, o Brasil tinha 35.187 m\u00e9dicos cursando RM em 6.574 programas de 790 institui\u00e7\u00f5es credenciadas. De acordo com o trabalho, h\u00e1 programas autorizados de RM 55 especialidades m\u00e9dicas e nas 59 \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o reconhecidas pela Comiss\u00e3o Mista de Especialidades (CME), composta pela CNRM, pelo CFM e pela Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB).<\/p>\n<p>Na busca de entender as dificuldades, a Demografia M\u00e9dica se debru\u00e7ou sobre o n\u00famero de vagas autorizadas pela CNRM sobre quantas destas deixaram de ser ocupadas ou preenchidas. Entende-se que a oferta de vagas de RM depende da sua regulamenta\u00e7\u00e3o, do financiamento de bolsas, das pol\u00edticas de incentivo, da capacidade das institui\u00e7\u00f5es e programas credenciados, dentre outros fatores.<\/p>\n<p><strong>Ociosidade<\/strong>\u00a0\u2013 Por sua vez, os problemas que levam \u00e0 ociosidade das vagas se manifestam de diferentes maneiras. O diagn\u00f3stico inclui problemas como a desist\u00eancia de candidatos selecionados; as falhas no registro de dados sobre a ocupa\u00e7\u00e3o de vagas; a menor demanda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oferta ampliada em determinadas especialidades, ou seja, mais vagas do que candidatos; o desinteresse dos egressos por programas de pouca tradi\u00e7\u00e3o; e as dificuldades ou atrasos de financiamento de bolsas.<\/p>\n<p>O preparo inadequado dos programas para acolher os alunos tamb\u00e9m interfere neste cen\u00e1rio. \u201cO planejamento do programa, por vezes, se mostra incompat\u00edvel com a real capacidade de implementar as vagas. \u00c9 quando se percebe que n\u00e3o existem preceptores em quantidade sufi ciente ou que s\u00e3o inadequados os campos de pr\u00e1tica\u201d, alerta o conselheiro L\u00facio Fl\u00e1vio Gonzaga, coordenador da Comiss\u00e3o de Ensino M\u00e9dico do CFM, que tem analisado essa conjuntura.<\/p>\n<p><strong>Sudeste e Sul concentram a maior parte dos residentes distribu\u00eddos pelo Pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos residentes est\u00e3o distribu\u00eddos de forma desigual no territ\u00f3rio nacional. A regi\u00e3o Sudeste tem 58,5% dos 35.178 residentes inscritos em 2017 em todos os programas \u2013 mais da metade de todo o Pa\u00eds. Essa tend\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 caracter\u00edstica da distribui\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos especialistas j\u00e1 titulados e em atividade, assim como dos n\u00e3o especialistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5236\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dm18_dist_rm.jpg\" alt=\"\" width=\"468\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dm18_dist_rm.jpg 468w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dm18_dist_rm-300x193.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 468px) 100vw, 468px\" \/><\/p>\n<p>Por sua vez, a regi\u00e3o Sul tem 5.631 residentes, equivalentes a 16% do total nacional. O Nordeste re\u00fane 14,2%, o Centro-Oeste, 7,2%, e o Norte tem o menor grupo de residentes \u2013 1.449, ou 4,1% \u2013, a maioria deles em programas de dois anos de dura\u00e7\u00e3o (R1 e R2). Somados, Sudeste e Sul re\u00fanem praticamente tr\u00eas quartos de todas as vagas de RM do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quando se considera as vagas ocupadas de Resid\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o (taxa de m\u00e9dicos cursando RM por 100 mil habitantes), as diferen\u00e7as permanecem significativas. Enquanto no Sudeste h\u00e1 23,7 m\u00e9dicos residentes por 100 mil habitantes e no Sul h\u00e1 19, no Norte e Nordeste a raz\u00e3o \u00e9 de 8,1 e 8,7, respectivamente, bem abaixo da m\u00e9dia nacional, que \u00e9 de 16,9 por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>Na distribui\u00e7\u00e3o por unidade da federa\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo concentra 34,5% de todos os m\u00e9dicos residentes, ou seja, mais de um ter\u00e7o do total nacional. Em seguida vem o Rio de Janeiro, com 11,4% dos residentes; Minas Gerais, com 11%; e o Rio Grande do Sul, com 7,1%.<\/p>\n<p>Doze das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o t\u00eam, cada uma, 1% ou menos dos m\u00e9dicos residentes do Pa\u00eds. Entre os sete estados do Norte, apenas o Par\u00e1 fica ligeiramente acima dessa linha, com 1,7% dos m\u00e9dicos residentes de todo o Pa\u00eds. Na raz\u00e3o de m\u00e9dicos residentes por 100 mil habitantes, o Distrito Federal lidera com 39,3.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia est\u00e1 S\u00e3o Paulo, com raz\u00e3o de 26,9; Rio de Janeiro, com 24,1; e Rio Grande do Sul, com 21,9 m\u00e9dicos residentes por 100 mil habitantes. No Nordeste, Pernambuco tem raz\u00e3o de 15,1; e a Para\u00edba, 11. Acre e Roraima t\u00eam 12,1 e 13,2, respectivamente, enquanto a m\u00e9dia nacional \u00e9 de 16,9.<\/p>\n<p><strong>Quatro especialidades dominam ranking<\/strong><\/p>\n<p>Aproximadamente 40% das vagas de Resid\u00eancia M\u00e9dica (RM) e, portanto, de m\u00e9dicos residentes, est\u00e3o concentradas em quatro especialidades: cl\u00ednica m\u00e9dica, pediatria, cirurgia geral, e ginecologia e obstetr\u00edcia. Cabe ressaltar que cl\u00ednica m\u00e9dica \u00e9 pr\u00e9-requisito para RM em outras 12 especialidades, e cirurgia geral, para 10.<\/p>\n<p><strong>Distribui\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2013 A oferta e ocupa\u00e7\u00e3o de vagas de RM nas especialidades guardam rela\u00e7\u00e3o com a distribui\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos especialistas j\u00e1 titulados e em atividade. \u201cPor exemplo, as cinco especialidades com maior n\u00famero de residentes s\u00e3o tamb\u00e9m as cinco com maior n\u00famero de especialistas titulados\u201d, destacou o professor M\u00e1rio Scheffer, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), coordenador do estudo.<\/p>\n<p>Segundo ele, h\u00e1 mudan\u00e7as em curso na oferta de RM que podem repercutir no aumento futuro do n\u00famero de especialistas em algumas especialidades. O professor enumera que medicina de fam\u00edlia e comunidade, que re\u00fane apenas 1,4% dos especialistas em atividade, passou a representar 4,4% de todos os m\u00e9dicos residentes. Por sua vez, psiquiatria, que re\u00fane 2,7% dos especialistas, j\u00e1 representa 4,1% das vagas ocupadas de RM.<\/p>\n<p>Para Scheffer, isso \u00e9 reflexo da destina\u00e7\u00e3o de bolsas e de pol\u00edticas espec\u00edficas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, como o Programa Nacional de Apoio \u00e0 Forma\u00e7\u00e3o de M\u00e9dicos Especialistas em \u00c1reas Estrat\u00e9gicas (Pr\u00f3-Resid\u00eancia), que passaram a priorizar a expans\u00e3o de vagas de RM em determinadas regi\u00f5es e especialidades consideradas estrat\u00e9gicas para o SUS.<\/p>\n<p><strong>Tend\u00eancia<\/strong>\u00a0\u2013 A Demografia M\u00e9dica aponta ainda que outras especialidades, como cardiologia, seguem uma tend\u00eancia inversa. Os n\u00fameros mostram que os cardiologistas representam 4,1% do total de especialistas no Pa\u00eds e 3,1% do total de m\u00e9dicos residentes em 2017. \u201cDe qualquer modo, o crescimento da oferta global de vagas em RM no Brasil fica n\u00edtido ao se comparar os n\u00fameros de R1 (novas vagas de ingressos em 2017) com as vagas de R2. No segundo ano est\u00e3o 11.820 m\u00e9dicos residentes e, no primeiro, 16.499, crescimento de 39,6%\u201d, destaca Scheffer.<\/p>\n<p>Algumas especialidades se destacam, como medicina de fam\u00edlia e comunidade, que tem 1.043 residentes no primeiro ano e 508 no segundo, e medicina de emerg\u00eancia, que tem 54 residentes no primeiro ano e 14 no segundo. As especialidades com mais residentes (cl\u00ednica m\u00e9dica, pediatria, ginecologia e obstetr\u00edcia, cirurgia geral e anestesiologia) somam 8.281 em R1 e 5.974 em R2, o que representa um crescimento de 2.307 vagas ocupadas entre um ano e outro, ou 38,62%.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucas situa\u00e7\u00f5es inversas com queda de residentes no primeiro ano em rela\u00e7\u00e3o ao segundo, como pneumologia, que caiu de 63 para 54; acupuntura, que passou de 13 para quatro, medicina do trabalho, de 22 para 15, e patologia cl\u00ednica\/medicina laboratorial, de oito para quatro.<\/p>\n<p>Dados s\u00e3o fundamentais para definir pol\u00edticas de forma\u00e7\u00e3o de profissionais<\/p>\n<p>Embora tenha ocorrido uma expans\u00e3o significativa dos programas e vagas de Resid\u00eancia M\u00e9dica no Brasil nos \u00faltimos anos, as 16.499 vagas de R1 ocupadas em 2017 representam um n\u00famero menor que o de m\u00e9dicos formados no ano anterior. Em 2016 foram registrados nos CRMs 18.753 novos m\u00e9dicos. Assim, definir a necessidade exata de m\u00e9dicos especialistas em cada especialidade, de acordo com as necessidades do sistema de sa\u00fade e da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 um desafio das pol\u00edticas e pesquisas. As vagas preenchidas de R1 s\u00e3o um term\u00f4metro da evolu\u00e7\u00e3o da oferta de Resid\u00eancia M\u00e9dica e uma ferramenta \u00fatil para o planejamento e proje\u00e7\u00e3o do n\u00famero de especialistas com os quais o sistema de sa\u00fade poder\u00e1 futuramente contar.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a cl\u00ednica m\u00e9dica se destaca com 2,6 mil residentes em R1, seguida por dez outras especialidades com 400 residentes ou mais, enquanto na outra ponta oito especialidades t\u00eam dez ou menos residentes cada. \u201cRessalte-se ainda que as vagas de RM s\u00e3o disputadas n\u00e3o s\u00f3 pelos rec\u00e9m-egressos do sexto ano de medicina no ano anterior, mas tamb\u00e9m por m\u00e9dicos formados h\u00e1 mais tempo, que ainda n\u00e3o cursaram nenhuma RM ou que pretendem obter outro t\u00edtulo de especialista. Por isso \u00e9 fundamental diminuir a defasagem entre vagas autorizadas e vagas ocupadas\u201d, afirma o coordenador da Comiss\u00e3o de Ensino M\u00e9dico do CFM, L\u00facio Fl\u00e1vio Gonzaga.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5237\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dm18_tab_dist.jpg\" alt=\"\" width=\"916\" height=\"475\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dm18_tab_dist.jpg 916w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dm18_tab_dist-600x311.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dm18_tab_dist-300x156.jpg 300w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dm18_tab_dist-768x398.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 916px) 100vw, 916px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: CFM Pouco menos que a metade das vagas para programas de Resid\u00eancia M\u00e9dica (RM) no Brasil est\u00e3o ociosas. 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