{"id":5081,"date":"2018-05-02T11:23:32","date_gmt":"2018-05-02T11:23:32","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=5081"},"modified":"2018-05-02T11:23:32","modified_gmt":"2018-05-02T11:23:32","slug":"consulta-na-rede-publica-de-saude-do-rio-demora-ate-681-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/05\/consulta-na-rede-publica-de-saude-do-rio-demora-ate-681-dias\/","title":{"rendered":"Consulta na rede p\u00fablica de sa\u00fade do Rio demora at\u00e9 681 dias"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Moradora de Mesquita, a faxineira Catarina da Silva, de 59 anos, usa as redes sociais para pedir doa\u00e7\u00f5es e ajuda financeira para tratar um c\u00e2ncer, diagnosticado em 2013, que come\u00e7ou no f\u00edgado e chegou a outros \u00f3rg\u00e3os. A luta contra uma doen\u00e7a grave ganhou contornos ainda mais dram\u00e1ticos porque ela n\u00e3o conseguia marcar exames e consultas na rede p\u00fablica de sa\u00fade. Depois de um ano, amigos pagaram para que ela fizesse uma eletroneuromiografia para avaliar a origem de fortes dores pelo corpo. Apos alguns meses, ela recorreu \u00e0 Defensoria P\u00fablica Federal para tentar, ao menos, ser vista por um especialista. Agora, \u00e9 atendida numa cl\u00ednica particular da Baixada. N\u00e3o bastassem seus problemas, Catarina teve que reunir for\u00e7as para cuidar da filha, Josiane, que, em fevereiro de 2017, teve um AVC hemorr\u00e1gico e desde ent\u00e3o n\u00e3o recobrou a consci\u00eancia. Mais uma vez, ela se viu \u00e0s voltas com as agruras para conseguir atendimento m\u00e9dico no Rio.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 tr\u00eas meses, os exames que ela precisava foram feitos. Mas, at\u00e9 agora, n\u00e3o conseguimos um neurologista para avaliar o quadro e indicar o tratamento ideal. Vivemos com dificuldades. Ela me deu um neto e duas netas. Foi preciso que o menino, agora com 18 anos, fosse morar com o pai, porque n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es financeiras para manter todos \u2014 disse Catarina.<\/p>\n<p><strong>EM MAR\u00c7O, FILA CRESCEU 59,7%<\/strong><\/p>\n<p>M\u00e3e e filha est\u00e3o longe de serem exce\u00e7\u00f5es. Dos exames mais b\u00e1sicos aos servi\u00e7os de sa\u00fade mais complexos, as filas se multiplicam. Na Regi\u00e3o Metropolitana do Rio, 228 mil pacientes \u2014 dos quais 214 mil apenas na capital \u2014 est\u00e3o cadastrados no chamado Sistema de Centrais de Regula\u00e7\u00e3o (Sisreg) \u00e0 espera de consultas, exames e cirurgias de baixa complexidade. Os dados indicam que, na capital, houve em mar\u00e7o um crescimento de 59,7% do n\u00famero de inscritos na fila, em compara\u00e7\u00e3o com dezembro de 2016, quando 134 mil pessoas aguardavam pelos procedimentos. No extremo dessa fila virtual, o tempo de espera por uma simples consulta oftalmol\u00f3gica pode chegar a 681 dias, quase dois anos.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, na cidade do Rio, o paciente da rede p\u00fablica leva mais de tr\u00eas meses para ser avaliado (99 dias) e 34 dias para realizar exames, que podem, ou n\u00e3o, apontar a necessidade de cirurgias. Se uma interven\u00e7\u00e3o for indicada, ser\u00e1 preciso voltar \u00e0 fila para agend\u00e1-la. As estat\u00edsticas s\u00e3o da pr\u00f3pria Secretaria de Sa\u00fade da prefeitura, que administra o Sisreg.<\/p>\n<p>Enquanto as filas aumentam, a oferta de vagas para pacientes cai, puxada pelas unidades da prefeitura. Um estudo do F\u00f3rum de Sa\u00fade, com base em dados oficiais do pr\u00f3prio munic\u00edpio, mostra uma redu\u00e7\u00e3o na quantidade de procedimentos entre fevereiro de 2017 e o mesmo m\u00eas deste ano. O total de ultrassonografias, por exemplo, caiu de 21.170 para 13.667, ou 35,4% a menos. O n\u00famero de cirurgias foi reduzido em 49,8%: de 47.214 para 23.717. Detalhe: os dados incluem as opera\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Outro indicador preocupante revela que, em mar\u00e7o, a rede municipal fez menos um milh\u00e3o de procedimentos em rela\u00e7\u00e3o a mar\u00e7o de 2017.<\/p>\n<p>\u2014 Em 2017, o Hospital Ronaldo Gazolla (Acari) cortou 150 pessoas de uma equipe de 1.300. J\u00e1 o Hospital da Piedade fechou 45 leitos (30%). S\u00e3o apenas dois exemplos. Os cortes de verba tamb\u00e9m obrigaram as cl\u00ednicas da fam\u00edlia a reduzir os procedimentos. Isso se reflete nas estat\u00edsticas \u2014 diz o m\u00e9dico Carlos Vasconcellos, integrante do F\u00f3rum de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Entre as poucas exce\u00e7\u00f5es na queda de produtividade est\u00e3o as cirurgias de catarata. Os indicadores, por\u00e9m, est\u00e3o bem abaixo da meta anunciada pelo governo, de fazer 3.104 interven\u00e7\u00f5es por m\u00eas. Embora tenham sido eleitas prioridade, aumentaram de 22 para 117, comparando-se mar\u00e7o do ano passado e deste ano. Ainda \u00e9 muito pouco.<\/p>\n<p>Os recursos est\u00e3o minguando, o que indica que o cen\u00e1rio \u00e9 desolador.<\/p>\n<p>\u2014 Em 2017, a prefeitura deixou de aplicar R$ 400 milh\u00f5es do or\u00e7amento da sa\u00fade (R$ 5,4 bilh\u00f5es). Esse quadro pode piorar por falta de recursos. Este ano, R$ 600 milh\u00f5es da verba j\u00e1 foram bloqueados. Al\u00e9m disso, h\u00e1 problemas em outras redes. Nas unidades federais, foram fechados leitos, e especialistas n\u00e3o t\u00eam sido repostos \u2014 disse o vereador Paulo Pinheiro (PSOL), da Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Segundo dados oficiais, apenas nas redes federal e municipal, a car\u00eancia de profissionais chega a 5.149. Nos seis hospitais da rede federal, faltam pelo menos 3.592 m\u00e9dicos, enfermeiros, al\u00e9m de outros profissionais. Entre os que est\u00e3o em dificuldades, h\u00e1 unidades de refer\u00eancia como os hospitais de Bonsucesso, de Ipanema e Cardoso Fontes. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade planeja completar os quadros recrutando pessoal em contratos tempor\u00e1rios (por at\u00e9 dois anos), mas n\u00e3o informou quando isso acontecer\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5082\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/filasus1.jpg\" alt=\"\" width=\"718\" height=\"597\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/filasus1.jpg 718w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/filasus1-600x499.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/filasus1-300x249.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 718px) 100vw, 718px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5083\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/filasus2.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"567\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/filasus2.jpg 700w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/filasus2-600x486.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/filasus2-300x243.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>A falta de pessoal em unidades de refer\u00eancia \u00e9 um dos motivos para o aumento do tempo de espera no Sistema Estadual de Regula\u00e7\u00e3o (SER), que gerencia as vagas de m\u00e9dia e alta complexidade. Uma das preocupa\u00e7\u00f5es hoje \u00e9 com a \u00e1rea de oncologia. Em um ano, o tempo de espera por um exame de mama, por exemplo, passou de dez para 42 dias. H\u00e1 ainda outros fatores. Em setembro de 2017, depois que uma cl\u00ednica particular deixou de atender pacientes pelo SUS, o sistema perdeu 195 vagas por m\u00eas para exames e tratamentos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Na prefeitura, a car\u00eancia \u00e9 de 1.557 profissionais na rede b\u00e1sica e nas oito policl\u00ednicas que oferecem exames de especialidades como ginecologia, cardiologia, dermatologia, endocrinologia e ortopedia. Restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias s\u00e3o o principal empecilho para que esses quadros sejam preenchidos. Desde abril de 2017, a prefeitura ultrapassou o limite de alerta para gastos com pessoal pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que dificulta a realiza\u00e7\u00e3o de concursos. Enquanto isso, os pacientes sofrem.<\/p>\n<p>\u2014 Aguardo h\u00e1 cinco anos para extrair uma pedra da ves\u00edcula. No per\u00edodo, fiz exames pr\u00e9-operat\u00f3rios duas vezes, mas eles perderam a validade. Essa espera \u00e9 incompreens\u00edvel. Sofro muitas dores, principalmente \u00e0 noite. Quase n\u00e3o durmo \u2014 diz o serralheiro Andr\u00e9 da Silva Castilho, de 41 anos.<\/p>\n<p><strong>CIRURGIA DE CRIAN\u00c7AS PARA NA JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p>A desempregada Ros\u00e2ngela Marques Fernandes, de 52 anos, \u00e9 outra que convive com dores frequentes, tamb\u00e9m causadas pela ves\u00edcula, que n\u00e3o p\u00f4de operar at\u00e9 hoje. Indignada, ela diz que a espera j\u00e1 chega a quatro meses:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 um desrespeito. Quando estou em crise, sinto muita dor perto das costelas. Nem consigo ficar de p\u00e9.<\/p>\n<p>Com a crise econ\u00f4mica, a classe m\u00e9dia passou a pressionar as redes p\u00fablicas. A bioqu\u00edmica Rafaela Kowalski, de 34 anos, moradora da Ilha do Governador, \u00e9 uma das muitas pessoas que n\u00e3o podem mais arcar com as despesas de um plano de sa\u00fade particular.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 meses tento agendar um exame de monitoramento de hipertens\u00e3o. Estou desempregada e n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de pagar na rede particular \u2014 afirma Rafaela.<\/p>\n<p>Em nota, a SMS confirmou que o contingenciamento afetou os servi\u00e7os da rede. Mas alegou que, proporcionalmente, o ano de 2017 foi o que mais investiu recursos (25,71% do or\u00e7amento) enquanto a legisla\u00e7\u00e3o exige que sejam aplicados 15%. Sobre a limita\u00e7\u00e3o de verba, a secretaria informou que gastou R$ 4,9 bilh\u00f5es dos R$ 5 bilh\u00f5es dispon\u00edveis no ano passado. \u201cO valor n\u00e3o executado (R$ 100 milh\u00f5es) refere-se a recursos do SUS repassados ap\u00f3s fechamento do or\u00e7amento que ser\u00e3o aplicados em 2018\u201d, disse. Sobre a queda de produtividade apontada pelo F\u00f3rum de Sa\u00fade, argumentou que os dados est\u00e3o sujeitos \u00e0 revis\u00e3o. Segundo a prefeitura, as unidades t\u00eam 60 dias, ap\u00f3s o fechamento do m\u00eas, para rever os dados inciais, quando ent\u00e3o a an\u00e1lise pode ser feita.<\/p>\n<p>A subsecret\u00e1ria de Regula\u00e7\u00e3o, Controle, Avalia\u00e7\u00e3o, Contratualiza\u00e7\u00e3o e Auditoria da SMS, Cl\u00e1udia da Silva Lunardi, nega que quest\u00f5es financeiras estejam alongando as filas. Segundo ela, no ano passado, a prefeitura reviu as regras que disciplinam a fila para faz\u00ea-las andar. Ela, no entanto, reconhece que h\u00e1 gargalos, principalmente, por car\u00eancia de pessoal nas policl\u00ednicas municipais.<\/p>\n<p>\u2014 A rede p\u00fablica n\u00e3o funciona de forma realmente integrada. A consequ\u00eancia \u00e9 o agravamento do quadro cl\u00ednico dos pacientes enquanto as filas crescem \u2014 critica o presidente do Cremerj, Nelson Nahoun.<\/p>\n<p>Muitas vezes, os casos v\u00e3o para o balc\u00e3o da Justi\u00e7a. Na semana passada, a Defensoria P\u00fablica Federal entrou com uma a\u00e7\u00e3o exigindo um plano para a redu\u00e7\u00e3o das filas de cirurgias card\u00edacas infantis em 60 dias, da Uni\u00e3o e do governo estadual. Em 2016, o Cremerj constatou que 200 crian\u00e7as esperavam atendimento no Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras, que tinha seis de 24 leitos fechados. J\u00e1 o Instituto Estadual de Cardiologia Alu\u00edsio de Castro tinha insufici\u00eancia de pessoal em 12 de 15 especialidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Moradora de Mesquita, a faxineira Catarina da Silva, de 59 anos, usa as redes sociais para pedir [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5082,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-5081","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5081"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5084,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5081\/revisions\/5084"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}