{"id":4879,"date":"2018-03-26T17:34:27","date_gmt":"2018-03-26T17:34:27","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4879"},"modified":"2018-03-26T17:34:27","modified_gmt":"2018-03-26T17:34:27","slug":"brasil-nao-preenche-40-das-vagas-autorizadas-para-residencia-medica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/03\/brasil-nao-preenche-40-das-vagas-autorizadas-para-residencia-medica\/","title":{"rendered":"Brasil n\u00e3o preenche 40% das vagas autorizadas para resid\u00eancia m\u00e9dica"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>Boa parte das vagas autorizadas para resid\u00eancia m\u00e9dica no Brasil continua s\u00f3 no papel. Estudo feito pela Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) com apoio do Conselho Federal de Medicina e do Conselho Regional de Medicina de S\u00e3o Paulo mostra que 40% dos postos de estudo est\u00e3o ociosos. Ao todo, s\u00e3o 22.890\u00a0vagas n\u00e3o ocupadas pelo Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno ocorre num momento em que a demanda por especialistas no sistema de sa\u00fade \u00e9 crescente. Al\u00e9m de n\u00e3o atender \u00e0s necessidades da assist\u00eancia, os postos ociosos deixam claro a grande contradi\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica brasileira. Enquanto quase metade dos postos est\u00e1 vaga ou nem foi ativada, muitos profissionais enfrentam processos seletivos para cursos de especializa\u00e7\u00e3o t\u00e3o disputados quanto uma prova de vestibular.<\/p>\n<p>Coordenador do estudo, o professor da USP M\u00e1rio Scheffer atribui o problema, em parte, \u00e0 falta de recursos. Institui\u00e7\u00f5es obt\u00eam autoriza\u00e7\u00e3o para abrir vagas mas, diante da aus\u00eancia de financiamento das bolsas, acabam desistindo ou ofertando menos postos do que a sua real capacidade.<\/p>\n<p>A bolsa mensal do residente \u00e9 de R$ 3.330. Nos hospitais universit\u00e1rios federais, o financiamento do treinamento \u00e9 feito pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC).<\/p>\n<p>A pasta da Sa\u00fade, por sua vez, arca com bolsas atreladas a programas estrat\u00e9gicos. Estados, munic\u00edpios, hospitais filantr\u00f3picos e privados financiam bolsas de resid\u00eancia em seus pr\u00f3prios servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A coordenadora geral das resid\u00eancias em sa\u00fade do MEC, Rosana Leite de Melo, afirma que o \u201ccongelamento\u201d de vagas de resid\u00eancia \u00e9 irregular. \u201cQuando a autoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 concedida, institui\u00e7\u00f5es devem cumpri-la. N\u00e3o \u00e9 apenas um transa\u00e7\u00e3o administrativa. O Estado conta que tais vagas sejam abertas, que entrem em funcionamento para que m\u00e9dicos sejam treinados.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do problema de recursos, outros fatores contribuem para as altas taxas de vagas ociosas. Um deles \u00e9 a falta de preceptores, os profissionais encarregados de orientar os alunos durante a forma\u00e7\u00e3o. \u201cEsse n\u00e3o \u00e9 um posto obrigatoriamente remunerado. Com a amplia\u00e7\u00e3o das vagas, institui\u00e7\u00f5es se deparam com a dificuldade de encontrar profissionais dispostos a atuar\u201d, afirma Rosana.<\/p>\n<p>Alguns cursos registram alta taxa de desist\u00eancia de residentes na transi\u00e7\u00e3o entre o 1.\u00ba e 2.\u00ba ano de curso. \u201cS\u00e3o v\u00e1rios fatores que levam \u00e0 desist\u00eancia. Entre eles, a falta de qualidade da resid\u00eancia\u201d, completa ela.<\/p>\n<p>Os dados do estudo feito pela USP, batizado de\u00a0<em>Demografia M\u00e9dica,\u00a0<\/em>indicam uma diferen\u00e7a significativa das vagas ociosas de acordo com o ano de resid\u00eancia. Em 2017, o 1.\u00ba ano de resid\u00eancia apresentava 5.933 vagas n\u00e3o ocupadas. J\u00e1 no 2.\u00ba ano, o n\u00famero saltava para 10.529. Para Rosana, a diferen\u00e7a entre as vagas ofertadas e as efetivamente usadas indicam a necessidade de melhor planejamento.<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica.<\/strong>\u00a0\u201cPassar no curso \u00e9 dif\u00edcil. Mas ningu\u00e9m quer dedicar dois, tr\u00eas, quatro anos de sua vida para uma forma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 boa. Quando o m\u00e9dico percebe que a resid\u00eancia n\u00e3o \u00e9 boa, ele desiste, tenta em outro lugar\u201d, afirma Juracy Barbosa, de 33 anos, que h\u00e1 duas semanas concluiu a resid\u00eancia em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das For\u00e7as Armadas, em Bras\u00edlia. Agora, ele se prepara para se dedicar a uma subespecialidade.<\/p>\n<p>Mesmo especialidades mais buscadas, como Cl\u00ednica M\u00e9dica, Pediatria., Cirurgia Geral e Ginecologia e Obstetr\u00edcia t\u00eam aproximadamente 30% das vagas autorizadas n\u00e3o preenchidas. \u201cVagas ociosas representam um desperd\u00edcio. M\u00e9dicos especialistas s\u00e3o essenciais no sistema de sa\u00fade brasileiro\u201d, afirma Scheffer.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4880\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/residencia_vagas.jpg\" alt=\"\" width=\"664\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/residencia_vagas.jpg 664w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/residencia_vagas-600x426.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/residencia_vagas-300x213.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 664px) 100vw, 664px\" \/><\/p>\n<p><strong>Regi\u00f5es carentes.<\/strong>\u00a0O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou, por meio de nota, que o programa de resid\u00eancia m\u00e9dica tem como objetivo dar prioridade \u00e0s regi\u00f5es onde existe car\u00eancia na assist\u00eancia e de forma\u00e7\u00e3o profissional. As vagas do programa s\u00e3o definidas em acordo com secretarias municipais e estaduais de sa\u00fade, com base nas necessidades locais.<\/p>\n<p>Entre as a\u00e7\u00f5es, est\u00e1 a concess\u00e3o de bolsas e forma\u00e7\u00e3o de tutores do programa. O minist\u00e9rio financia vagas de resid\u00eancia autorizadas pela Comiss\u00e3o Nacional de Resid\u00eancia M\u00e9dica.<\/p>\n<p><strong>Oferta ainda est\u00e1 abaixo da demanda, defende professor<\/strong><\/p>\n<p>Entre 2016 e o ano passado, a expans\u00e3o de vagas de resid\u00eancia m\u00e9dica no Pa\u00eds foi de quase 40%, mostra o estudo da Faculdade de Medicina da USP. Embora seja o mesmo porcentual de postos de forma\u00e7\u00e3o ociosos, o coordenador do trabalho, M\u00e1rio Scheffer, est\u00e1 convicto de que a oferta atual ainda est\u00e1 abaixo da demanda.<\/p>\n<p>Em 2017, foram ocupadas 16.499 vagas reservadas para o 1\u00ba ano da resid\u00eancia. No ano anterior, 18.737 novos m\u00e9dicos entraram no mercado. \u201cMesmo se considerarmos que parte dos profissionais n\u00e3o tem interesse na resid\u00eancia, h\u00e1 um passivo, um grupo formado em anos anteriores interessados em fazer e que n\u00e3o tiveram at\u00e9 agora oportunidade\u201d, diz ele. Por isso, defende, \u00e9 importante reduzir a defasagem entre vagas autorizadas e ocupadas.<\/p>\n<p>Para ele, a oferta e a ocupa\u00e7\u00e3o de vagas tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada com a distribui\u00e7\u00e3o de especialistas em atividade. Aquelas que t\u00eam maior n\u00famero de residentes s\u00e3o tamb\u00e9m as de maior quantidade de especialistas titulados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o Boa parte das vagas autorizadas para resid\u00eancia m\u00e9dica no Brasil continua s\u00f3 no papel. 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