{"id":4856,"date":"2018-03-19T17:19:11","date_gmt":"2018-03-19T17:19:11","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4856"},"modified":"2018-03-19T17:19:11","modified_gmt":"2018-03-19T17:19:11","slug":"como-conter-resistencia-a-antibioticos-epidemia-que-matara-mais-que-o-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/03\/como-conter-resistencia-a-antibioticos-epidemia-que-matara-mais-que-o-cancer\/","title":{"rendered":"Como conter resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos, \u2018epidemia\u2019 que matar\u00e1 mais que o c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2734\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/bacteria-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/>fonte: El Pa\u00eds<\/p>\n<p>Os que hoje t\u00eam 80 anos nasceram e passaram sua inf\u00e2ncia sem\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/antibioticos\/a\/\">antibi\u00f3ticos<\/a>. Em uma vida viram como seu uso se espalhou, como salvaram milh\u00f5es de pessoas \u2013 talvez eles mesmos \u2013 e agora, como seu abuso est\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/05\/27\/ciencia\/1464347964_757327.html\">diminuindo sua efic\u00e1cia<\/a>. A ponto das infec\u00e7\u00f5es poderem voltar a ser uma das principais amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cSe extraterrestres nos olhassem do espa\u00e7o se perguntariam que esp\u00e9cie pode ser t\u00e3o est\u00fapida. N\u00f3s humanos\u201d, ironizou o professor Lindsay Grayson, da Universidade de Monash (Austr\u00e1lia), durante o Congresso Internacional de Doen\u00e7as Infecciosas, realizado durante os primeiros dias de mar\u00e7o em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/buenos_aires\/a\">Buenos Aires<\/a>\u00a0(Argentina). Em todos os dias do encontro ocorreram apresenta\u00e7\u00f5es sobre a resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos, um problema que em 2050 causar\u00e1 mais mortes do que o c\u00e2ncer se medidas dr\u00e1sticas n\u00e3o forem tomadas, de acordo com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/oms_organizacion_mundial_salud\/a\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade<\/a>\u00a0(OMS).<\/p>\n<p>E durante todo o congresso foram abordadas solu\u00e7\u00f5es a essa emerg\u00eancia sanit\u00e1ria. \u201cSe a compararmos com um inc\u00eandio, poder\u00edamos dizer que est\u00e1 se expandindo sem parar. E para cont\u00ea-la n\u00e3o precisamos s\u00f3 de helic\u00f3pteros, mas tamb\u00e9m de barreiras\u201d, disse Grayson. Sua proposta \u00e9 focar-se mais em conter as infec\u00e7\u00f5es do que em procurar m\u00e9todos para vencer as resist\u00eancias. \u201cSe n\u00e3o as controlarmos, o futuro ser\u00e1 sombrio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As barreiras propostas por Grayson passam por aumentar as precau\u00e7\u00f5es nos hospitais, os locais que costumam produzir e propagar as infec\u00e7\u00f5es mais graves. \u201c\u00c9 preciso melhorar a higiene das m\u00e3os; tamb\u00e9m a limpeza do local, e isso passa por melhores condi\u00e7\u00f5es aos que fazem esse trabalho, que s\u00e3o muito mal pagos; \u00e9 preciso mudar o projeto dos hospitais e que exista um banheiro para cada paciente. Dir\u00e3o que isso \u00e9 car\u00edssimo, mas o pre\u00e7o a longo prazo ser\u00e1 maior\u201d, disse.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que as bact\u00e9rias, pelo contato com os antibi\u00f3ticos, seu uso equivocado e seu abuso, geram diversos mecanismos de resist\u00eancia; os rem\u00e9dios v\u00e3o perdendo efic\u00e1cia e s\u00e3o necess\u00e1rios outros novos e mais t\u00f3xicos para combat\u00ea-las. Por ano, calcula-se, 700.000 morrem no mundo por esse fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Mas al\u00e9m de evitar as infec\u00e7\u00f5es, existem outras aproxima\u00e7\u00f5es para lidar com essa quest\u00e3o. Um dos grandes problemas \u00e9 que o gado recebe quantidades enormes de antibi\u00f3ticos. Mesmo seu uso para potencializar o crescimento sendo proibido na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ue_union_europea\/a\">Uni\u00e3o Europeia<\/a>, muitos outros pa\u00edses continuam a faz\u00ea-lo. A recomenda\u00e7\u00e3o da OMS \u00e9 erradicar essa pr\u00e1tica e restringir o uso dos antibi\u00f3ticos a animais que estejam realmente doentes. Estudos moleculares, entretanto, mostraram que a transmiss\u00e3o direta das resist\u00eancias de animais a humanos pode ser menos importante do que outras, como as que ocorrem no cont\u00e1gio entre pessoas. Os res\u00edduos que a ind\u00fastria farmac\u00eautica lan\u00e7a em suas f\u00e1bricas na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/china\/a\">China<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/india\/a\">\u00cdndia<\/a>\u00a0s\u00e3o apontados como outra fonte de resist\u00eancias.<\/p>\n<p>Ainda que faltem mais pesquisa para se conhecer a natureza do problema em sua totalidade, como mostra um estudo recente, no congresso realizado em Buenos Aires os pesquisadores centraram-se no uso de antibi\u00f3ticos por parte de profissionais e seus pacientes. \u201cO problema nos animais n\u00e3o deve nos distrair da a\u00e7\u00e3o que devemos realizar na sa\u00fade humana, o uso racional de medicamentos e a preven\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es\u201d, pediu Alison Holmes, especialista sobre o assunto no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/reino_unido\/a\">Reino Unido<\/a>. A regra b\u00e1sica ainda custa a se espalhar: s\u00f3 devemos tomar esse tipo de medicamento se for prescrito por um m\u00e9dico. E n\u00e3o s\u00e3o eficientes contra os v\u00edrus, de modo que nada fazem contra uma gripe e um resfriado, ao contr\u00e1rio do que acredita quase metade dos europeus, de acordo com v\u00e1rias pesquisas.<\/p>\n<p>Holmes pediu para que sejam os profissionais da sa\u00fade a liderar essa conscientiza\u00e7\u00e3o, com men\u00e7\u00e3o especial \u00e0 enfermaria. \u201c\u00c9 o mais numeroso grupo de profissionais: \u00e9 preciso melhorar seu papel no momento de se prescrever antibi\u00f3ticos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das campanhas e da conscientiza\u00e7\u00e3o, que os especialistas consideram crucial, no congresso falou-se do papel da tecnologia para melhorar as doses de antibi\u00f3ticos. \u201c\u00c9 algo a que n\u00e3o prest\u00e1vamos muita aten\u00e7\u00e3o, prescreviam-se tr\u00eas por dia e pronto; e tradicionalmente a mesma dose \u00e9 administrada a todos os pacientes, independentemente de seu peso, seu tamanho, suas caracter\u00edsticas particulares\u201d, disse a microbiologista Ursula Theuretzbacher.<\/p>\n<p>Mas de acordo com o tipo de rem\u00e9dio, a maneira de agir \u00e9 diferente. Costumam adquirir uma presen\u00e7a m\u00ednima para sua efetividade e a absor\u00e7\u00e3o do corpo geralmente n\u00e3o \u00e9 uniforme, ocorre um pico que baixa conforme o passar do tempo. Dependendo do caso, pode ser melhor uma dose mais baixa, mas cont\u00ednua. Usar as quantidades exatas, nem mais nem menos, \u00e9 importante, j\u00e1 que as bact\u00e9rias podem acabar gerando resist\u00eancias tanto pelo abuso como por quantidades insuficientes para elimin\u00e1-las totalmente. Por essa raz\u00e3o insiste-se tanto em completar as prescri\u00e7\u00f5es mesmo que os sintomas tenham desaparecido.<\/p>\n<p>As tecnologias existentes permitiriam, especialmente nos casos mais graves, monitorar a quantidade do princ\u00edpio ativo necessitada em cada momento, de acordo com Holmes. \u201cTemos os sensores, o monitoramento, capacidade para adapta\u00e7\u00e3o em tempo real da dosagem. Podemos at\u00e9 administrar o medicamento de maneira n\u00e3o invasiva, com microagulhas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Esse m\u00e9todo, entretanto, que n\u00e3o est\u00e1 generalizado, provavelmente nunca ser\u00e1 adequado para todos que precisem de antibi\u00f3ticos. H\u00e1 outras maneiras para ajustar melhor a dose do que simplesmente receitar tr\u00eas por dia. Theuretzbacher prop\u00f5e um software que, ao se introduzir par\u00e2metros simples, indique as quantidades e n\u00famero de doses di\u00e1rias adequadas a cada paciente.<\/p>\n<p>S\u00e3o s\u00f3 algumas iniciativas para abordar um problema que pode custar 10 milh\u00f5es de vidas por ano em 2050, de acordo com a OMS. A comunidade internacional o discute desde 2016 nos n\u00edveis mais altos. \u201c\u00c9 uma \u00f3tima not\u00edcia que esteja na agenda p\u00fablica\u201d, frisou Holmes. E o certo \u00e9 que, ao n\u00e3o abord\u00e1-lo, muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a agenda que a ONU colocou em andamento para conseguir um mundo melhor, acabar\u00e3o em nada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: El Pa\u00eds Os que hoje t\u00eam 80 anos nasceram e passaram sua inf\u00e2ncia sem\u00a0antibi\u00f3ticos. 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