{"id":4799,"date":"2018-03-12T13:14:48","date_gmt":"2018-03-12T13:14:48","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4799"},"modified":"2018-03-12T13:14:48","modified_gmt":"2018-03-12T13:14:48","slug":"dieta-rica-em-fibras-pode-ajudar-a-controlar-diabetes-tipo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/03\/dieta-rica-em-fibras-pode-ajudar-a-controlar-diabetes-tipo-2\/","title":{"rendered":"Dieta rica em fibras pode ajudar a controlar diabetes tipo 2"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Uma dieta rica em fibras integrais e um determinado grupo de bact\u00e9rias que acompanha esse tipo de alimenta\u00e7\u00e3o\u00a0podem ajudar pessoas com diabetes tipo 2 a controlar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade mostram que h\u00e1 cerca de 422 milh\u00f5es de pessoas no mundo com a doen\u00e7a, o que representa cerca de 6% da popula\u00e7\u00e3o. O n\u00famero de casos tem crescido ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Atualmente o tipo mais comum de diabetes \u00e9 o 2, do qual trata o estudo publicado nesta quinta (8) na revista\u00a0<span class=\"pba_container\">Science<\/span>.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma forte liga\u00e7\u00e3o desse tipo de diabetes, que \u00e9\u00a0causado pela crescente resist\u00eancia do corpo \u00e0 insulina \u2014<span class=\"pba_container\">horm\u00f4nio<\/span>\u00a0que sinaliza para o corpo capturar o a\u00e7\u00facar que circula pelo\u00a0<span class=\"pba_container\">sangue\u2014<\/span>\u00a0ou \u00e0 produ\u00e7\u00e3o reduzida dela, com envelhecimento,\u00a0obesidade e sedentarismo, entre outros fatores.<\/p>\n<p>Dessa forma, a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0um dos &#8220;fronts&#8221; estudados por pesquisadores\u00a0para combater o\u00a0diabetes tipo 2. (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2018\/03\/diabetes-deveria-ser-dividido-em-5-tipos-em-vez-de-2-dizem-cientistas.shtml\" target=\"\">Com o objetivo de auxiliar na escolha de terapias mais efetivas, recentemente pesquisadores dividiram os dois tipos conhecidos de diabetes em cinco<\/a>).<\/p>\n<p>No novo estudo da\u00a0<span class=\"pba_container\">Science<\/span>,\u00a0cientistas chineses forneceram uma dieta rica em fibras\u00a0<span class=\"pba_container\">para um grupo de pacientes<\/span>\u00a0diab\u00e9ticos do tipo 2. Outro grupo de pacientes com a mesma condi\u00e7\u00e3o seguiu\u00a0uma dieta padronizada e comumente recomendada.<\/p>\n<p>Com a\u00a0ideia de ativar a flora intestinal, ambos os grupos\u00a0tomavam um medicamento para retardar a digest\u00e3o dos\u00a0<span class=\"pba_container\">carboidratos<\/span>, fazendo com que ela ocorresse mais intensamente no intestino grosso \u2014<span class=\"pba_container\">onde<\/span>\u00a0a presen\u00e7a de bact\u00e9rias \u00e9 maior.<\/p>\n<p>Os pesquisadores verificaram que em ambos os grupos houve ganhos no controle do diabetes, como melhora em exames de sangue que medem a taxa de\u00a0a\u00e7\u00facar no organismo. Os benef\u00edcios foram maiores, no entanto,<span class=\"pba_container\">\u00a0no<\/span>\u00a0grupo que seguia a dieta rica em fibras.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma hip\u00f3tese de que o tipo de flora intestinal que temos pode influenciar no aparecimento do diabetes\u201d, afirma Jo\u00e3o Salles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, que n\u00e3o participou da pesquisa. \u201cNo estudo foi feita uma modula\u00e7\u00e3o da flora para se ter uma maior porcentagem de bact\u00e9rias que produzissem \u00e1cidos graxos de cadeia curta.\u201d<\/p>\n<p>Esses \u00e1cidos graxos, de forma geral, est\u00e3o ligados ao aumento da produ\u00e7\u00e3o de algumas prote\u00ednas, como a\u00a0<span class=\"pba_container\">GLP-1<\/span>, que estimula a produ\u00e7\u00e3o de insulina.<\/p>\n<p>Para demonstrar que os ganhos \u2014<span class=\"pba_container\">inclusive<\/span>\u00a0aqueles relacionados \u00e0 glicemia em jejum e ao\u00a0<span class=\"pba_container\">emagrecimento\u2014<\/span>\u00a0estavam relacionadas ao aumento das bact\u00e9rias produtoras de \u00e1cidos graxos de cadeia curta, os cientistas transplantaram os micr\u00f3bios dos pacientes humanos para camundongos \u201c<span class=\"pba_container\">germ-free<\/span>\u201d (sem germes, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>O transplante de fezes, como \u00e9 popularmente conhecido, vem sendo associado a tratamentos de diversos problemas de sa\u00fade, como infec\u00e7\u00e3o persistente pela bact\u00e9ria\u00a0<em><span class=\"pba_container\">Clostridium<\/span>\u00a0<\/em><em><span class=\"pba_container\">difficile<\/span><\/em>, doen\u00e7a de\u00a0<span class=\"pba_container\">Crohn<\/span>e at\u00e9 obesidade.<\/p>\n<p>Os efeitos positivos encontrados em humanos se repetiram nos roedores, com menores taxas de a\u00e7\u00facar no sangue naqueles que receberam a\u00a0<span class=\"pba_container\">microbiota<\/span>\u00a0das pessoas que seguiram a dieta rica em fibras.<\/p>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\">BOAS BACT\u00c9RIAS<\/h3>\n<p>Por fim, os pesquisadores conseguiram tamb\u00e9m identificar 15 tipos de bact\u00e9rias que foram favorecidas pela maior disponibilidade de alimento no trato gastrointestinal e que seriam importantes para o controle do diabetes.<\/p>\n<p>Outro bom efeito foi a diminui\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias de micro-organismos potencialmente prejudiciais, que agravam o quadro do\u00a0diabetes.<\/p>\n<p>\u201cIsso abre espa\u00e7o para estudos futuros, n\u00e3o s\u00f3 com o transplante de flora para melhora do diabetes e da obesidade, mas tamb\u00e9m para modula\u00e7\u00e3o da flora com esses probi\u00f3ticos [as bact\u00e9rias encontradas pelos pesquisadores]\u201d, diz Salles.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da indica\u00e7\u00e3o de consumo de frutas e verduras (tamb\u00e9m fontes de fibras), o estudo leva ao aconselhamento da ingest\u00e3o de fibras e\u00a0<span class=\"pba_container\">carboidratos<\/span>\u00a0como arroz e trigo, mas em suas formas integrais, segundo M\u00e1rcio\u00a0<span class=\"pba_container\">Mancini<\/span>, chefe do grupo de obesidade e s\u00edndrome metab\u00f3lica do Hospital das Cl\u00ednicas (<span class=\"pba_container\">HC<\/span>) da USP.<\/p>\n<p>O impacto disso, no futuro e com a realiza\u00e7\u00e3o de novas pesquisas, pode ser a indica\u00e7\u00e3o de\u00a0<span class=\"pba_container\">novos tipos<\/span>\u00a0de dietas mais direcionadas \u00e0s fibras \u2014<span class=\"pba_container\">que<\/span>\u00a0j\u00e1 s\u00e3o consideradas importantes para pessoas com diabetes.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o se chegou ao n\u00edvel de aconselhar algum tratamento, de passar c\u00e1psulas com\u00a0<span class=\"pba_container\">prebi\u00f3ticos<\/span>\u00a0[nutrientes para\u00a0bact\u00e9rias ben\u00e9ficas se\u00a0<span class=\"pba_container\">multiplicarem<\/span>] ou probi\u00f3ticos\u201d, diz\u00a0<span class=\"pba_container\">Mancini<\/span>.<\/p>\n<p>Para Andr\u00e9\u00a0<span class=\"pba_container\">Zonetti<\/span>, gastroenterologista do\u00a0<span class=\"pba_container\">HC<\/span>, mais do que se pensar nas bact\u00e9rias que poderiam ser manipuladas, o estudo mostra a import\u00e2ncia de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, que, a longo prazo, consegue modificar a\u00a0<span class=\"pba_container\">microbiota<\/span>\u00a0da pessoa. \u201cA gente \u00e9 o que gente come.\u201d<\/p>\n<p><span class=\"pba_container\">Antonio<\/span>\u00a0Carlos do Nascimento, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, afirma que, al\u00e9m da quest\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o da\u00a0<span class=\"pba_container\">microbiota<\/span>pelos alimentos, \u00e9 importante tamb\u00e9m destacar outro papel de uma dieta rica em fibras.<\/p>\n<p>Esse tipo de alimenta\u00e7\u00e3o diminui a velocidade de absor\u00e7\u00e3o do intestino e assim evita picos glic\u00eamicos, o que, a longo prazo, pode acabar debilitando a a\u00e7\u00e3o do p\u00e2ncreas \u2014<span class=\"pba_container\">gl\u00e2ndula<\/span>\u00a0respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de insulina.<\/p>\n<p>Segundo Nascimento, as fibras tamb\u00e9m promovem uma sensa\u00e7\u00e3o mais duradoura de saciedade e, dessa forma, podem diminuir as chances de consumo excessivo de\u00a0<span class=\"pba_container\">alimentos.<\/span><\/p>\n<p>Mesmo com os efeitos ben\u00e9ficos apresentados no estudo, Salles, da\u00a0<span class=\"pba_container\">SBD<\/span>, lembra que qualquer tipo de\u00a0<span class=\"pba_container\">exagero alimentar \u00e9<\/span>\u00a0prejudicial e pode levar \u00e0 obesidade e maior risco de diabetes. N<span class=\"pba_container\">\u00e3o<\/span>\u00a0<span class=\"pba_container\">conv\u00e9m<\/span>\u00a0exagerar no p\u00e3o integral, portanto.<\/p>\n<p><strong>RECEITA CONTRA DIABETES<\/strong><\/p>\n<p><em>Estudo mostra como uma alimenta\u00e7\u00e3o com muitas fibras pode auxiliar tratamento de diabetes tipo 2<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4800\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/diabete_fibra_1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"307\" \/><\/p>\n<p><strong>Como foi feito<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Cientistas deram uma dieta rica em fibras (gr\u00e3os integrais) para pessoas com diabetes<\/li>\n<li>Um outro grupo de pacientes com dieta normal tamb\u00e9m foi acompanhado; a ingest\u00e3o cal\u00f3rica de ambos era semelhante<\/li>\n<li>Depois de 28 dias, 89% dos pacientes com a dieta rica em fibras conseguiu o controle glic\u00eamico (contra 50% do outro grupo)<\/li>\n<\/ul>\n<div>\n<div class=\"widget-image\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4801\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/diabete_fibra_2.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"308\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><b>Comida para bact\u00e9rias<\/b><\/p>\n<ul>\n<li>Os pesquisadores descobriram que a rea\u00e7\u00e3o positiva dos pacientes com diabetes estava ligada \u00e0 maior disponibilidade de\u00a0<span class=\"pba_container\">carboidratos<\/span>\u00a0fermentados no trato digest\u00f3rio<\/li>\n<li>Com esses\u00a0<span class=\"pba_container\">carboidratos<\/span>\u00a0\u2014derivados das fibras integrais\u00a0<span class=\"pba_container\">consumidas\u2014<\/span>\u00a0havia maior prolifera\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias ben\u00e9ficas para o corpo<\/li>\n<\/ul>\n<div>\n<div class=\"widget-image\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4802\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/diabete_fibra_3.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"308\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/diabete_fibra_3.jpg 768w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/diabete_fibra_3-600x241.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/diabete_fibra_3-300x120.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><b>Barriga cheia<\/b><\/p>\n<ul>\n<li>A altera\u00e7\u00e3o da\u00a0<span class=\"pba_container\">microbiota<\/span>\u00a0intestinal dos pacientes com dieta rica em fibras foi respons\u00e1vel pelo melhor controle do diabetes e outros efeitos positivos<\/li>\n<li>Para provar isso, os cientistas ainda transferiram essa\u00a0<span class=\"pba_container\">microbiota<\/span>para camundongos e conseguiram resultados semelhantes<\/li>\n<\/ul>\n<h3 class=\"c-news__subtitle\"><span class=\"pba_container\">ATEN\u00c7\u00c3O<\/span>!<\/h3>\n<ul>\n<li><b>\u00a0<\/b>Os resultados positivos n\u00e3o significam abandono do tratamento tradicional<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Uma dieta rica em fibras integrais e um determinado grupo de bact\u00e9rias que acompanha esse tipo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-4799","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4799"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4799\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4803,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4799\/revisions\/4803"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}