{"id":4730,"date":"2018-02-26T13:11:47","date_gmt":"2018-02-26T13:11:47","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4730"},"modified":"2019-02-21T10:16:31","modified_gmt":"2019-02-21T10:16:31","slug":"como-conviver-bem-com-o-dr-google","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/02\/como-conviver-bem-com-o-dr-google\/","title":{"rendered":"Como conviver (bem) com o dr. Google"},"content":{"rendered":"<p>fonte: CFM<\/p>\n<p>por\u00a0<em>Alexandre Ruschi &#8211;\u00a0M\u00e9dico, presidente da Central Nacional Unimed.<\/em><\/p>\n<p>Ao digitar a palavra \u201cc\u00e2ncer\u201d no Google, obt\u00eam-se 27,2 milh\u00f5es de resultados em 0,56 segundos. Se a busca for bem mais ampla e gen\u00e9rica, por exemplo, pelo termo \u201cdoen\u00e7a\u201d, o retorno \u00e9 bem maior: 34 milh\u00f5es; para \u201csintomas\u201d, 26 milh\u00f5es. Para a pesquisa por \u201csintoma\u201d, h\u00e1 25 milh\u00f5es de sugest\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 comum que estas buscas ocorram ap\u00f3s exames cl\u00ednicos peri\u00f3dicos. As consultas, nesse caso, tentam antecipar as conclus\u00f5es que os pacientes ouvir\u00e3o do m\u00e9dico. Eles querem logo saber se tudo est\u00e1 bem ou por que determinado exame est\u00e1 abaixo ou acima dos par\u00e2metros recomendados.<\/p>\n<p>A procura por detalhes sobre enfermidades n\u00e3o \u00e9 novidade e vai al\u00e9m da internet. Quem nunca recebeu a liga\u00e7\u00e3o de um familiar ou amigo para checar se estava com alguma doen\u00e7a atire a primeira pedra. Da mesma forma, n\u00e3o s\u00e3o poucos os que nos consultam sobre enfermidades em uma festa ou no shopping.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos sites pretensamente especializados, as pessoas tamb\u00e9m recorrem a aplicativos, nos quais leigos t\u00eam acesso a dados como sintomas e tratamentos para doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Alguns desses apps, a prop\u00f3sito, s\u00e3o desenvolvidos por institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade altamente credenciadas e se prop\u00f5em a auxiliar as pessoas em casos de atendimento domiciliar (por m\u00e9dicos), controle de vacinas, dietas, qualidade do sono e n\u00edvel de a\u00e7\u00facar no sangue, para citar apenas algumas funcionalidades.<\/p>\n<p>Por mais que a abordagem da maioria dos sites seja superficial, n\u00e3o adianta simplesmente condenar essa invas\u00e3o de \u00e1rea de compet\u00eancia. Neste mundo de redes sociais, os internautas compram, vendem, se informam, estudam, trabalham, namoram e se divertem na web. Logo, tamb\u00e9m procuram apoio quando t\u00eam sintomas de prov\u00e1veis doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Alguns pacientes avan\u00e7am os limites e se julgam aptos a discutir o tratamento para seus males com base em informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas, nem sempre obtidas em p\u00e1ginas com suporte cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Lembro que, no passado, se dizia que n\u00f3s, brasileiros, \u00e9ramos milh\u00f5es de t\u00e9cnicos de futebol. Todos nos julg\u00e1vamos capazes de escolher os melhores jogadores para a Sele\u00e7\u00e3o ou para nossos times. Nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, tamb\u00e9m nos consider\u00e1vamos aptos a fazer propostas para acabar com a hiperinfla\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o f\u00f4ssemos economistas.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 que no futebol e na economia nossos palpites s\u00e3o apenas uma ilus\u00e3o do dom\u00ednio de atividades que, na verdade, exigem muito conhecimento e experi\u00eancia. Na medicina, a interfer\u00eancia exagerada do paciente pode constranger os profissionais, que estudam longos anos para exercer uma atividade ligada \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Talvez a maioria das pessoas ainda desconhe\u00e7a que os m\u00e9dicos est\u00e3o sempre participando de congressos, semin\u00e1rios, palestras e estudando trabalhos cient\u00edficos para se atualizarem sobre os melhores tratamentos e tecnologias inovadoras em sa\u00fade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como resultados de exames devem ser considerados em conjunto, de acordo com o hist\u00f3rico do paciente, informa\u00e7\u00f5es isoladas podem provocar p\u00e2nico indesej\u00e1vel, desnecess\u00e1rio e injustificado.<\/p>\n<p>Minha sugest\u00e3o para os jovens m\u00e9dicos \u00e9 que tenham paci\u00eancia. Consultem a internet para se familiarizar com as dicas repassadas a seus pacientes. Dialoguem com eles. Transpar\u00eancia, informa\u00e7\u00e3o, empatia e bom humor s\u00e3o coadjuvantes importantes de uma boa anamnese.<\/p>\n<p>No passado, o m\u00e9dico era uma autoridade mais respeitada e acatada nas pequenas e grandes cidades do pa\u00eds: o que ele dizia era lei. Assim como ocorre com as operadoras de planos de sa\u00fade, tamb\u00e9m os profissionais da medicina s\u00e3o alvo de cr\u00edticas e de contesta\u00e7\u00f5es, e as pessoas tentam ser mais proativas em suas consultas.<\/p>\n<p>O melhor ant\u00eddoto contra essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a confian\u00e7a. Por isso, o ideal \u00e9 que m\u00e9dicos e pacientes tenham rela\u00e7\u00f5es duradouras para ampliar o respeito e o entendimento m\u00fatuo do seu hist\u00f3rico de sa\u00fade.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta reclamar do dr. Google. Temos de nos adaptar aos novos tempos, como os m\u00e9dicos sempre fizeram \u00e0 medida que surgiam avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, tratamentos inovadores ou simplesmente mudan\u00e7as comportamentais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: CFM por\u00a0Alexandre Ruschi &#8211;\u00a0M\u00e9dico, presidente da Central Nacional Unimed. 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