{"id":4722,"date":"2018-02-26T12:54:34","date_gmt":"2018-02-26T12:54:34","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4722"},"modified":"2018-02-26T12:54:34","modified_gmt":"2018-02-26T12:54:34","slug":"ricardo-barros-o-modelo-do-sus-financia-a-doenca-nao-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2018\/02\/ricardo-barros-o-modelo-do-sus-financia-a-doenca-nao-a-saude\/","title":{"rendered":"Ricardo Barros: \u201cO modelo do SUS financia a doen\u00e7a, n\u00e3o a sa\u00fade\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4723\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/roda_viva_ricardo_barros-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/>fonte: Veja<\/p>\n<p>O ministro da Sa\u00fade, Ricardo Barros, foi o convidado do programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira, dia 19. Eleito prefeito de Maring\u00e1 (PR) aos 28 anos, em 1989, governou o munic\u00edpio at\u00e9 1993. Em 1995, conquistou o primeiro dos quatro mandatos consecutivos como deputado federal, exercendo a lideran\u00e7a do governo no Congresso em 2002, durante a gest\u00e3o de Fernando Henrique Cardoso. Entre outros assuntos, foram abordados temas como o surto de febre amarela que atinge o pa\u00eds e os principais desafios da \u00e1rea que comanda.<\/p>\n<p>Confira trechos da entrevista:<\/p>\n<p><em>\u201cMesmo as doen\u00e7as consideradas erradicadas podem voltar. Neste momento, por exemplo, estamos vacinando sarampo em Roraima, por causa da imigra\u00e7\u00e3o dos venezuelanos\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cHouve um grande avan\u00e7o na informatiza\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade e, com isso, conseguiremos ter uma capacidade de informa\u00e7\u00e3o melhor. Mas hoje, infelizmente, ainda dependemos muito do que \u00e9 reportado pelos agentes locais, o que nem sempre \u00e9 eficiente\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cPor alguma raz\u00e3o que n\u00e3o sabemos exatamente qual \u00e9, os mosquitos que transmitem a febre amarela silvestre passaram a circular em \u00e1reas que n\u00e3o costumavam circular antes. Isso fez com que o atual ciclo fosse maior do que os anteriores\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o h\u00e1 falta de recursos para a \u00e1rea da sa\u00fade. O problema \u00e9 que o minist\u00e9rio passa o dinheiro, mas nem sempre ele \u00e9 bem utilizado. O Esp\u00edrito Santo fez a li\u00e7\u00e3o de casa e est\u00e1 com o surto de febre amarela controlado. Minas Gerais n\u00e3o fez e est\u00e1 sofrendo com isso. Repassamos para Minas os recursos, mas o Estado n\u00e3o transferiu para os munic\u00edpios. Isso comprometeu toda a estrutura\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cN\u00f3s estamos fazendo um trabalho cada vez maior de municipaliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Tenho certeza de que uma decis\u00e3o tomada no munic\u00edpio \u00e9 melhor do que uma decis\u00e3o tomada em Bras\u00edlia. Todos podem errar, mas quando voc\u00ea est\u00e1 perto do problema o risco \u00e9 muito menor\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cCada cidad\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelo combate ao aedes\u00a0aegypti. Este ano fizemos um excelente trabalho e tivemos mais de 80% de redu\u00e7\u00e3o da dengue e 90% da zika\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cOs planos de sa\u00fade populares s\u00e3o uma grande solu\u00e7\u00e3o para o SUS e uma \u00f3tima alternativa para a popula\u00e7\u00e3o. Eles podem dar conta do atendimento at\u00e9 certo momento e isso desafoga o sistema\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cTemos habilitado permanentemente novos centros de qualifica\u00e7\u00e3o para fazer a estimula\u00e7\u00e3o precoce de crian\u00e7as que nasceram com microcefalia. O problema \u00e9 que muitas fam\u00edlias moram longe dos centros de tratamento e o transporte \u00e9 falho\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cAcho totalmente desnecess\u00e1ria a volta da CPMF. A Sa\u00fade tem piso constitucional de 15% da receita corrente l\u00edquida. Ela n\u00e3o tem teto de gastos, tem piso. No m\u00ednimo 15% de tudo o que se arrecada no pa\u00eds tem que ser aplicado na \u00e1rea de sa\u00fade\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cEnfrentei lobbies pesad\u00edssimos durante a minha administra\u00e7\u00e3o de todos aqueles que se beneficiam do descontrole da sa\u00fade. O lobby contra a informatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 brutal. A judicializa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 lament\u00e1vel. Cerca de 80% dos exames de imagens no Brasil d\u00e3o resultado normal. Eventualmente poderiam n\u00e3o ter sido solicitados. E 50% dos exames laboratoriais n\u00e3o s\u00e3o sequer visualizados. \u00c9 um desperd\u00edcio\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO modelo do SUS hoje financia a doen\u00e7a n\u00e3o a sa\u00fade. Se ningu\u00e9m ficar doente durante um m\u00eas inteiro, quebra o sistema. Hospitais, laborat\u00f3rios, todos deixam de faturar. Isso \u00e9 a evid\u00eancia de que o modelo est\u00e1 errado. N\u00f3s temos que financiar a sa\u00fade e n\u00e3o a doen\u00e7a. Pagamos o procedimento. No atual modelo, o sistema n\u00e3o se beneficia do investimento em preven\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO maior problema \u00e9 que eu n\u00e3o sei o que acontece no sistema. Primeiro \u00e9 preciso informatizar. Depois, saber o que acontece. Da\u00ed mudar o modelo e financiar a sa\u00fade. Com isso a preven\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a menina dos olhos de todo o gestor. Hoje, quem investe em preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 remunerado\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>CONFIRA O PROGRAMA NA \u00cdNTEGRA<\/strong>:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JiuxorFYJAw\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Veja O ministro da Sa\u00fade, Ricardo Barros, foi o convidado do programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-4722","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4722"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4722\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4724,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4722\/revisions\/4724"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}