{"id":4550,"date":"2017-12-04T13:06:45","date_gmt":"2017-12-04T13:06:45","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4550"},"modified":"2017-12-04T13:06:45","modified_gmt":"2017-12-04T13:06:45","slug":"pacientes-aguardam-mais-de-10-anos-na-fila-de-espera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/12\/pacientes-aguardam-mais-de-10-anos-na-fila-de-espera\/","title":{"rendered":"Pacientes aguardam mais de 10 anos na fila de espera"},"content":{"rendered":"<p>fonte: CFM<\/p>\n<p>Pelo menos 746 pedidos de cirurgias eletivas constam pendentes na lista de regula\u00e7\u00e3o dos estados e capitais h\u00e1 mais de 10 anos. O n\u00famero foi extra\u00eddo apenas das filas dos estados e capitais que atenderam ao pedido de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o analisados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), mas j\u00e1 revelam uma sist\u00eamica fragilidade na gest\u00e3o do SUS, que aflige pacientes e fam\u00edlias em todo o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um paciente de 36 anos, morador de Fortaleza (CE), confirmou que entrou na fila de espera para retirar um tumor de mama ainda em 2007. H\u00e1 um ano ele decidiu n\u00e3o esperar mais. &#8220;Me ligavam todos anos para agendar a cirurgia, que nunca aconteceu. No ano passado desisti de esperar e resolvi &#8216;pagar particular'&#8221;, conta o homem que n\u00e3o quis ser identificado, e tamb\u00e9m preferiu n\u00e3o delongar a conversa sobre sua hist\u00f3ria de depend\u00eancia do SUS.<\/p>\n<p>Embora sejam procedimentos que n\u00e3o precisam ser realizados em car\u00e1ter de urg\u00eancia, ou seja, podem ser agendadas, em muitos casos o tempo \u00e9 crucial. &#8220;O mais grave \u00e9 que, em determinadas cirurgias, a espera complica o quadro do paciente. Se elas esperarem muito tempo, podem ter sua sa\u00fade comprometida. N\u00e3o s\u00e3o raras as cirurgias eletivas que evoluem para uma cirurgia de emerg\u00eancia, que poderiam ser evitadas e cujas consequ\u00eancias podem ser tr\u00e1gicas&#8221;, explica Hermann von Tiesenhausen.<\/p>\n<p><strong>Pacientes \u2013<\/strong>\u00a0Uma pesquisa liderada pelo m\u00e9dico Ricardo Cohen, membro da C\u00e2mara T\u00e9cnica sobre Cirurgia Bari\u00e1trica e S\u00edndrome Metab\u00f3lica e coordenador do Centro de Obesidade e Diabete do Hospital Alem\u00e3o Oswaldo Cruz, avaliou as consequ\u00eancias da demora no acesso ao procedimento: a cada mil pacientes que aguardam a cirurgia, cinco morrem por ano de espera. Os estudos verificaram que o paciente que espera sete anos na fila tem 18% mais chance de morrer do que o doente operado de imediato.<\/p>\n<p>Para realizar uma cirurgia eletiva o paciente deve passar por uma avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica na rede do SUS e o m\u00e9dico indica a necessidade desse paciente para realizar uma cirurgia. Atualmente, as \u00e1reas mais comuns que se encaixam no perfil das eletivas s\u00e3o as cirurgias para resolu\u00e7\u00e3o de problemas em ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia, urologia e cirurgia vascular.<\/p>\n<p><strong>Espera \u2013<\/strong>\u00a0No Brasil, em geral o usu\u00e1rio do SUS n\u00e3o sabe quanto tempo vai esperar por uma cirurgia. A expectativa \u00e9 de que, com a efetiva\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de amplia\u00e7\u00e3o do acesso aos Procedimentos Cir\u00fargicos Eletivos no \u00e2mbito do SUS, institu\u00edda recentemente pela Portaria n\u00ba 1.294\/2017, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, seja poss\u00edvel estabelecer padr\u00f5es de qualidade e par\u00e2metros de tempo para a assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o ocorre, iniciativas paralelas tentam minimizar o sofrimento de quem espera por uma cirurgia na rede p\u00fablica. Pr\u00f3ximo de completar quatro anos, a Lei n\u00ba 12.732\/2012 determina um prazo de at\u00e9 60 dias a partir do diagn\u00f3stico para que pacientes com c\u00e2ncer iniciem o tratamento, com a realiza\u00e7\u00e3o de cirurgia ou in\u00edcio de radioterapia ou de quimioterapia. Segundo relatos de associa\u00e7\u00f5es de pacientes com c\u00e2ncer, no entanto, a lei n\u00e3o tem sido respeitada e o prazo continua sendo uma das grandes dificuldades para o combate \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Apesar dessas cr\u00edticas, tramita no Congresso Nacional o projeto de lei 3.752\/2012, que tenta suprir a aus\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria sobre o tempo m\u00e1ximo de espera no SUS para outros tipos de atendimentos. A proposta, que determina ao SUS estabelecer prazos para o tratamento de doen\u00e7as, com metas para que esse tempo seja cada vez menor, ainda pede a redu\u00e7\u00e3o de 60 para 30 dias do prazo para o primeiro tratamento para quem tem c\u00e2ncer. O projeto segue em car\u00e1ter conclusivo para an\u00e1lise nas Comiss\u00f5es de Finan\u00e7as e Tributa\u00e7\u00e3o (CFT) e de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania (CCJC).<\/p>\n<p><strong>Internacional \u2013<\/strong>\u00a0O que no Brasil \u00e9 uma inten\u00e7\u00e3o, em outros pa\u00edses j\u00e1 \u00e9 realidade. Em Portugal, todas as pessoas que necessitam de cirurgia em uma unidade p\u00fablica t\u00eam o direito de ser inclu\u00eddas em uma lista \u00fanica. Criado em 2004, o Sistema Integrado de Gest\u00e3o de Inscritos para Cirurgia (SIGIC) teve como um objetivo principal &#8220;minimizar o per\u00edodo que decorre entre o momento em que um doente \u00e9 encaminhado para uma cirurgia e a realiza\u00e7\u00e3o da mesma, garantindo, de uma forma progressiva, que o tratamento cir\u00fargico decorra dentro do tempo clinicamente admiss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com dados da Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade de Portugal, o tempo m\u00e9dio de espera por cirurgias n\u00e3o urgentes foi de 3,1 meses em 2016. Naquele pa\u00eds, o governo instituiu que o tempo m\u00e1ximo de resposta cir\u00fargica para o n\u00edvel de prioridade normal seja de 270 dias, isto \u00e9, pouco mais de oito meses. Todas as informa\u00e7\u00f5es sobre a quantidade de pacientes e os tempos de espera do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade portugu\u00eas podem ser consultados livremente por qualquer cidad\u00e3o pela internet.<\/p>\n<p>No Reino Unido, cujo sistema inspirou a cria\u00e7\u00e3o do sistema brasileiro, ningu\u00e9m pode esperar mais de 18 semanas para iniciar um tratamento ou fazer uma cirurgia. E o paciente tamb\u00e9m pode acompanhar pela internet o andamento da fila. De acordo com informa\u00e7\u00f5es do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade ingl\u00eas \u2013 o NHS, nove em cada 10 pessoas conseguem suas opera\u00e7\u00f5es dentro deste prazo. O direito a esse per\u00edodo limite de espera n\u00e3o se aplica apenas nos casos em que o paciente escolhe esperar mais ou \u00e9 clinicamente apropriado aguardar a evolu\u00e7\u00e3o de cuidados secund\u00e1rios e diagn\u00f3sticos pr\u00e9vios \u00e0 cirurgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4551\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/fila_sus.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"561\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/fila_sus.jpg 400w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/fila_sus-214x300.jpg 214w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: CFM Pelo menos 746 pedidos de cirurgias eletivas constam pendentes na lista de regula\u00e7\u00e3o dos estados e capitais h\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4551,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-4550","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4550"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4550\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4552,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4550\/revisions\/4552"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}