{"id":4518,"date":"2017-11-27T11:12:36","date_gmt":"2017-11-27T11:12:36","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4518"},"modified":"2017-11-27T11:12:36","modified_gmt":"2017-11-27T11:12:36","slug":"gasto-com-licencas-por-doenca-inflamatoria-intestinal-chega-a-r-66-milhoes-por-ano-no-rio-faltam-remedios-ha-mais-de-um-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/11\/gasto-com-licencas-por-doenca-inflamatoria-intestinal-chega-a-r-66-milhoes-por-ano-no-rio-faltam-remedios-ha-mais-de-um-ano\/","title":{"rendered":"Gasto com licen\u00e7as por doen\u00e7a inflamat\u00f3ria intestinal chega a R$ 66 milh\u00f5es por ano. No Rio, faltam rem\u00e9dios h\u00e1 mais de um ano"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Extra<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de um ano e meio, dois rem\u00e9dios fundamentais para o tratamento de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais \u2014 retocolite ulcerativa e doen\u00e7a de Crohn \u2014 desapareceram da farm\u00e1cia do governo do estado que distribui medicamentos especiais, a Rio Farmes. N\u00e3o faz mais de tr\u00eas meses, a azatioprina, que reduz a atividade do sistema de defesa do organismo, voltou. Mas a mesalazina (anti-inflamat\u00f3rio intestinal) segue em falta. O resultado do desabastecimento tem sido devastador para pacientes que, como Maria de F\u00e1tima Dantes de Menezes, de 46 anos, dependem da medica\u00e7\u00e3o para manter a doen\u00e7a sob controle e a vida nos eixos.<\/p>\n<p>O custo dessa m\u00e1 gest\u00e3o, que Maria de F\u00e1tima conhece t\u00e3o bem, foi quantificado por um estudo realizado na Uerj: R$ 66 milh\u00f5es ao ano. Esse \u00e9 o valor que o INSS gasta, em 12 meses, com as licen\u00e7as m\u00e9dicas por Crohn e retocolite no pa\u00eds. A pesquisa mostrou que, no Brasil, o tempo m\u00e9dio de afastamento do trabalho desses pacientes \u00e9 de 314 dias por ano, quase o ano inteiro. Nos EUA e na Europa, as licen\u00e7as duram de 30 a 45 dias.<\/p>\n<p>\u2014 Isso \u00e9 fruto da falta de acesso a medica\u00e7\u00f5es. O impacto socioecon\u00f4mico \u00e9 alt\u00edssimo. Em cinco anos, o custo desse afastamento chega a US$ 98 milh\u00f5es (R$ 323,4 milh\u00f5es). Um valor que podemos presumir, com base em estudos que calcularam os gastos diretos com o tratamento, ser maior do que o SUS gastaria tratando adequadamente esses pacientes. Isso nos leva a concluir que h\u00e1 uma gest\u00e3o totalmente equivocada dos recursos \u2014 diz a gastroenterologista Renata Fr\u00f3es, autora do estudo e doutoranda em doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais na Uerj.<\/p>\n<p>A pesquisa, publicada no \u201cEuropean Journal of Health Economics\u201d, analisou as licen\u00e7as por Crohn e retocolite, entre 2010 e 2014. No total, foram 15 mil pessoas, 0,01% de todos os afastamentos por doen\u00e7a. Mas, em fun\u00e7\u00e3o do longo tempo da licen\u00e7a, o custo desses benef\u00edcios representou 1% de todo seguro por afastamentos pago pelo INSS.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4519\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/crohn.jpg\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"1635\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/crohn.jpg 448w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/crohn-82x300.jpg 82w\" sizes=\"auto, (max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/p>\n<p>A Secretaria estadual de Sa\u00fade informou que realizou diversas licita\u00e7\u00f5es para compra de mesalazina, \u201cpor\u00e9m terminaram desertas\u201d. Um novo processo est\u00e1 em tr\u00e2mite.<\/p>\n<p><strong>Pacientes entram em crise<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 17 anos, Maria de F\u00e1tima foi internada com dores e diarreia com sangramento. Chegou a pesar 20 quilos, quando os m\u00e9dicos descobriram que ela tinha retocolite.<\/p>\n<p>\u2014 Com o tratamento, a doen\u00e7a ficou controlada. Mas h\u00e1 um ano, n\u00e3o consigo a mesalazina na Rio Farmes. Desde ent\u00e3o, recorro \u00e0 Justi\u00e7a. Mas, h\u00e1 tr\u00eas semanas, nem assim. Eu j\u00e1 havia reduzido a dose a metade, mas agora estou sem rem\u00e9dios e tendo dores e diarreias \u2014 diz ela, que n\u00e3o pode arcar com os R$ 3.800 mensais das medica\u00e7\u00f5es: \u2014 Quem pode?<\/p>\n<p>A professora aposentada F\u00e1tima Regina da Silva, de 54 anos, tem doen\u00e7a de Crohn e contou com a ajuda da fam\u00edlia, no \u00faltimo ano, para comprar azatioprina:<\/p>\n<p>\u2014 Se parar, a doen\u00e7a volta. H\u00e1 alguns meses, a Rio Farmes voltou a ter azatioprina. Preciso reunir novamente toda a documenta\u00e7\u00e3o para ir at\u00e9 l\u00e1 refazer meu cadastro na farm\u00e1cia do estado, que foi cancelado porque n\u00e3o tinham o rem\u00e9dio.<\/p>\n<p>Chefe do ambulat\u00f3rio de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais da Policl\u00ednica Piquet Carneiro (Uerj), a m\u00e9dica Ana Teresa Pugas v\u00ea com preocupa\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o dos pacientes:<\/p>\n<p>\u2014 Sem tratamento, o paciente recai. S\u00e3o, em sua maioria, pessoas jovens, que param a sua vida, porque t\u00eam at\u00e9 20 diarreias por dia. \u00c9 uma covardia.<\/p>\n<p>Sobre o cancelamento dos cadastros na Rio Farmes, A Secretaria de Sa\u00fade afirmou que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade exige receita m\u00e9dica e laudo de solicita\u00e7\u00e3o de medicamentos especializados com data de at\u00e9 60 dias. \u201cEsses documentos s\u00e3o fundamentais para seguran\u00e7a do paciente e por se tratar de medicamentos que s\u00f3 s\u00e3o dispensados com receita m\u00e9dica, al\u00e9m de atender \u00e0s exig\u00eancias da portaria que regulamenta o programa\u201d, afirma a nota.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Extra H\u00e1 cerca de um ano e meio, dois rem\u00e9dios fundamentais para o tratamento de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais \u2014 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4519,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-4518","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4518"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4518\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4520,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4518\/revisions\/4520"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4519"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}