{"id":4497,"date":"2017-11-25T12:32:18","date_gmt":"2017-11-25T12:32:18","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4497"},"modified":"2019-02-21T10:16:45","modified_gmt":"2019-02-21T10:16:45","slug":"a-geracao-que-perde-amigos-perde-saude-mas-nao-perde-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/11\/a-geracao-que-perde-amigos-perde-saude-mas-nao-perde-prazo\/","title":{"rendered":"A gera\u00e7\u00e3o que perde amigos, perde sa\u00fade, mas n\u00e3o perde prazo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-188\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/artigos_definitivo-300x166.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"166\" \/>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>por Ruth Manus<\/p>\n<p>Pela primeira vez na vida atrasei um prazo. Aconteceu na semana passada. Tinha prometido, por iniciativa minha, que entregaria o livro ao meu editor portugu\u00eas at\u00e9 sexta-feira, dia 17. Mas tudo saiu fora do previsto e me flagrei, na madrugada de quinta para sexta, dormindo em frente ao computador, como se algo razo\u00e1vel pudesse ser escrito naquelas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Eu odiei perder o prazo. Fiquei com raiva de mim- e n\u00e3o da minha sobrecarga de trabalho-, culpei minha falta de organiza\u00e7\u00e3o- e n\u00e3o os imprevistos que aconteceram naquela semana. Mas vi que n\u00e3o havia alternativa. Cometi o sacril\u00e9gio de entregar na segunda feira, dia 20, algo que deveria ter sido entregue na sexta, 17. E a pior parte: o editor nem percebeu o atraso.<\/p>\n<p>Percebi, incomodada, que meu pecado n\u00e3o foi assim t\u00e3o grave perante os olhos dos outros. Mas ele continuou sendo imperdo\u00e1vel para mim. O grau de exig\u00eancia que temos com nosso desempenho profissional atinge n\u00edveis muito mais altos do que a exig\u00eancia que temos conosco perante nossa fam\u00edlia, nossos amigos ou nosso corpo. Nunca, nunca achamos que fazemos o bastante.<\/p>\n<p>Quando eu tive um esgotamento de stress, aos 23 anos, uma m\u00e9dica me disse \u201cvoc\u00ea n\u00e3o pode ser sempre a mais respons\u00e1vel de todos. \u00c0s vezes \u00e9 preciso falhar, perder um prazo, negar um pedido no trabalho. Porque quanto mais respons\u00e1vel voc\u00ea for, mais responsabilidades v\u00e3o recair sobre voc\u00ea\u201d. Eu achei interessante, pensei muito a respeito e, obviamente, n\u00e3o fiz nada do que ela disse.<\/p>\n<p>Somos, mais uma vez, uma gera\u00e7\u00e3o bizarra, que parece achar natural perder um jantar com os amigos ao inv\u00e9s de atrasar um prazo. Que n\u00e3o v\u00ea problemas em faltar no anivers\u00e1rio de algu\u00e9m da fam\u00edlia, mas que v\u00ea todo problema em pedir mais um dia para entregar um trabalho. Que adia a consulta m\u00e9dica, o exame de sangue e a academia, mas nunca ir\u00e1 adiar um compromisso de trabalho. Que raio de prioridades estabelecemos na nossa vida?<\/p>\n<p>Obviamente n\u00e3o estou falando de prazos fatais, cujo atraso possa prejudicar clientes, colegas ou outras pessoas. Mas sabemos que h\u00e1 prazos pelos quais n\u00e3o precisamos surtar, nem sacrificar nosso corpo ou nossos relacionamentos. Por que ser\u00e1 que estabelecemos s\u00e3o esses os compromissos que merecem sempre o primeiro lugar na nossa vida?<\/p>\n<p>Um belo dia aceitamos mais trabalho do que dever\u00edamos. E cumprimos. Depois aconteceu de novo. Outra vez demos conta. Na terceira vez ningu\u00e9m questiona se a gente pode, ningu\u00e9m pergunta se a gente consegue. As coisas simplesmente caem no nosso colo e cabe a n\u00f3s solucion\u00e1-las. Passamos a acreditar que o sacrif\u00edcio \u00e9 o normal e que a vida normal \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter cuidado. A vida n\u00e3o pode acontecer sempre nos picos, no extremo e na ilus\u00e3o de que daqui a pouco tudo vai melhorar. Que talvez o trabalho alivie, que talvez d\u00ea pra ter uma vida normal. Para que as coisas mudem a gente precisa alterar alguma coisa. Atrasar um prazo talvez ajude. Dizer um n\u00e3o talvez ajude. N\u00e3o ser sempre impec\u00e1vel talvez ajude. S\u00f3 n\u00e3o podemos achar que o normal \u00e9 adormecer na frente do computador, enquanto amaldi\u00e7oamos nossa \u201cbaixa\u201d produtividade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o por Ruth Manus Pela primeira vez na vida atrasei um prazo. Aconteceu na semana passada. 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