{"id":4438,"date":"2017-11-14T10:46:43","date_gmt":"2017-11-14T10:46:43","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4438"},"modified":"2017-11-14T10:46:43","modified_gmt":"2017-11-14T10:46:43","slug":"clinicas-da-familia-estao-em-risco-de-colapso-devido-a-equipe-reduzida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/11\/clinicas-da-familia-estao-em-risco-de-colapso-devido-a-equipe-reduzida\/","title":{"rendered":"Cl\u00ednicas da fam\u00edlia est\u00e3o em risco de colapso devido a equipe reduzida"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4439\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/clinica_familia_fechamento-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" \/>fonte: O Globo<\/p>\n<p>A crise que ronda os hospitais da prefeitura chegou tamb\u00e9m \u00e0s 117 cl\u00ednicas da fam\u00edlia. Concebidas dentro de uma estrat\u00e9gia de investir na preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as, as unidades que atendem mais de dois milh\u00f5es de pessoas enfrentam o risco de um colapso por falta de medicamentos, material para exames, entre outros insumos. Algumas tamb\u00e9m j\u00e1 reduziram o hor\u00e1rio de funcionamento para cortar custos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, devido a atrasos nos sal\u00e1rios, m\u00e9dicos e outros profissionais de sa\u00fade, que s\u00e3o contratados por organiza\u00e7\u00f5es sociais, iniciaram uma greve h\u00e1 duas semanas. Em m\u00e9dia, apenas 30% dos funcion\u00e1rios est\u00e3o trabalhando &#8211; percentual informado pelos grevistas e confirmado pela pr\u00f3pria prefeitura, o que limita o n\u00famero de consultas.<\/p>\n<p>A falta de recursos \u00e9 explicada pelo fato de a Secretaria municipal de Fazenda manter bloqueados, desde o in\u00edcio do ano, R$ 550 milh\u00f5es do or\u00e7amento da Sa\u00fade por conta da crise financeira do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Nesta segunda-feira pela manh\u00e3, funcion\u00e1rios das OSs fizeram manifesta\u00e7\u00f5es quase simult\u00e2neas em 33 pontos da cidade para denunciar a situa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da falta de pagamentos, em algumas unidades, a rotina de funcionamento j\u00e1 foi alterada para reduzir gastos. Na Rocinha, por exemplo, a Cl\u00ednica da Fam\u00edlia Maria do Socorro Silva e Souza deixou de abrir aos s\u00e1bados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nos dias \u00fateis, o hor\u00e1rio de fechamento foi antecipado das 20h para as 18h. Os estoques de anticoncepcionais injet\u00e1veis e de rem\u00e9dios para hipertens\u00e3o e o controle de diabetes est\u00e3o zerados. A den\u00fancia \u00e9 da |Associa\u00e7\u00e3o de M\u00e9dicos de Fam\u00edlias e Comunidades do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&#8211; A Rocinha tem pelo menos 2,5 mil pacientes diab\u00e9ticos que dependem da medica\u00e7\u00e3o. E esse \u00e9 apenas um exemplo. A nossa reivindica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para que sejam colocados os sal\u00e1rios em dia. As unidades correm o risco de parar por falta de material. E esse \u00e9 um problema que n\u00e3o se limita \u00e0s cl\u00ednicas da fam\u00edlia. Atinge todas as unidades de sa\u00fade, inclusive hospitais &#8211; disse Mois\u00e9s Vieira Nunes, presidente da entidade.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s Nunes apresentou outros dados que refletem o caos no setor. Segundo ele, medicamentos para a press\u00e3o alta s\u00e3o uma raridade na rede. Em quase todas as unidades, falta at\u00e9 papel para imprimir receitas. Nas cl\u00ednicas das fam\u00edlias de Guaratiba e Campo Grande, os profissionais s\u00f3 receberam o equivalente a 46% dos sal\u00e1rios de outubro.<\/p>\n<p>A entidade teve ainda acesso a um relat\u00f3rio emitido pelo almoxarifado da Secretaria municipal de Sa\u00fade que lista dezenas de medicamentos, cujos estoques est\u00e3o zerados ou perto do fim. Na rela\u00e7\u00e3o, h\u00e1 de antibi\u00f3ticos a antit\u00e9rmicos.<\/p>\n<p>O presidente da associa\u00e7\u00e3o disse que outro documento mostra que, na maioria das unidades da Zona Norte, at\u00e9 exames de sangue rotineiros foram suspensos porque, na semana passada, venceu o contrato da prefeitura com o laborat\u00f3rio particular que fazia o processamento das an\u00e1lises. O problema atinge as cl\u00ednicas da fam\u00edlia que atendem moradores de Acari, Complexo do Alem\u00e3o, Vig\u00e1rio Geral, Manguinhos, Ilha do Governador, entre outros bairros.<\/p>\n<p>&#8211; Onde eu trabalho, ainda h\u00e1 alguns rem\u00e9dios dispon\u00edveis no estoque. Mas quem procura atendimento das 17h \u00e0s 20h sai de m\u00e3os vazias. Nas \u00faltimas tr\u00eas horas de expediente, a farm\u00e1cia fica fechada porque falta pessoal &#8211; contou um m\u00e9dico que trabalha numa cl\u00ednica da fam\u00edlia em Guaratiba e pediu para n\u00e3o ser identificado.<\/p>\n<p>O vereador Paulo Pinheiro (PSOL), integrante da Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da C\u00e2mara do Rio, disse que obteve informa\u00e7\u00f5es junto ao Tribunal de Contas do Munic\u00edpio (TCM) de que, at\u00e9 setembro, a prefeitura tinha uma d\u00edvida de R$ 459 milh\u00f5es com as nove organiza\u00e7\u00f5es sociais respons\u00e1veis por administrar 171 unidades de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Nesta lista, est\u00e3o inclu\u00eddas n\u00e3o apenas as cl\u00ednicas da fam\u00edlia como tamb\u00e9m 14 UPAs, tr\u00eas coordenadorias de hospitais de emerg\u00eancia, entre outras unidades de diversas especialidades. Segundo Pinheiro, deste total, R$ 90 milh\u00f5es ainda s\u00e3o para quitar despesas do ano passado.<\/p>\n<p>Paulo Pinheiro acrescentou que, desde outubro, a falta de insumos j\u00e1 provocou o fechamento de leitos e servi\u00e7os em diversas unidades. No caso do Hospital Albert Schweitezer, em Realengo, foram cortadas 15 vagas no CTI. No Hospital Pedro II, em Santa Cruz, 20 leitos de cl\u00ednica m\u00e9dica e cir\u00fargicos tamb\u00e9m deixaram de estar dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Na Ilha do Governador, foram fechados oito leitos do Hospital Evandro Freire. No M\u00e9ier, o Hospital Salgado Filho perdeu oito vagas. Em Acari, o Hospital Ronaldo Gazolla deixou de oferecer 60 leitos e suspendeu cirurgias.<\/p>\n<p>&#8211; A crise \u00e9 provocada pela falta de recursos. E n\u00e3o ser\u00e1 resolvida apenas com a coloca\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios em dia se os profissionais n\u00e3o tiverem insumos para trabalhar. A falta de materiais e de medicamentos n\u00e3o se limita \u00e0s OS. E a situa\u00e7\u00e3o para 2018 n\u00e3o parece muito animadora. Ao todo, o or\u00e7amento previsto para 33 hospitais ser\u00e1 menor do que o proposto para este ano. Al\u00e9m disso, o atraso nos repasses aos fornecedores far\u00e1 com que parte das despesas previstas, na verdade, seja para arcar com compromissos de 2017 &#8211; disse o vereador.<\/p>\n<p>Os maiores cortes previstos no or\u00e7amento de 2018 em unidades de emerg\u00eancia s\u00e3o para o pr\u00f3prio Pedro II (R$ 24 milh\u00f5es a menos) e Miguel Couto (perda de R$ 20 milh\u00f5es). Entre os hospitais gerais, a tesoura atingir\u00e1 de maneira mais dura o Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari (corte de R$ 24 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Essa redu\u00e7\u00e3o de recursos ocorrer\u00e1, apesar de a prefeitura ter anunciado em outubro que refor\u00e7aria em R$ 500 milh\u00f5es o or\u00e7amento inicialmente previsto para a Sa\u00fade em 2018. Hoje, o secret\u00e1rio municipal de Sa\u00fade, Marco Antonio de Mattos, participar\u00e1 de uma audi\u00eancia p\u00fablica na C\u00e2mara dos Vereadores, para explicar os cortes.<\/p>\n<p>Em nota, a Secretaria de Fazenda informou que j\u00e1 liberou R$ 220 milh\u00f5es em recursos remanejados de outras pastas para a Secretaria municipal de Sa\u00fade. Mas n\u00e3o revelou se h\u00e1 previs\u00e3o para descongelar os R$ 550 milh\u00f5es. O \u00f3rg\u00e3o informou ainda que, na \u00faltima sexta-feira, autorizou a libera\u00e7\u00e3o de R$ 60 milh\u00f5es para colocar em dia os sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios das OSs, mas n\u00e3o informou a data em que os recursos ser\u00e3o, de fato, depositados j\u00e1 que isso depende da conclus\u00e3o de processos burocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>&#8220;Os repasses feitos \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sociais obedecem a um calend\u00e1rio estipulado e publicado em Di\u00e1rio Oficial pela Secretaria municipal de Fazenda. N\u00e3o haver\u00e1 fechamento de unidade de sa\u00fade&#8221;, informou a nota da secretaria.<\/p>\n<p>A Secretaria municipal de Sa\u00fade confirmou, no entanto, que h\u00e1 problemas no estoque de medicamentos e insumos b\u00e1sicos. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, as compras est\u00e3o sendo feitas com o uso de um cr\u00e9dito de R$ 25,7 milh\u00f5es liberado no dia 23 de outubro. Em rela\u00e7\u00e3o aos servi\u00e7os laboratoriais na Zona Norte, o \u00f3rg\u00e3o afirmou que fez uma concorr\u00eancia para escolher um novo fornecedor j\u00e1 que o contrato anterior venceu.<\/p>\n<p>No entanto, o processo de escolha n\u00e3o terminou devido a problemas com a documenta\u00e7\u00e3o da empresa vencedora. Por isso, a prefeitura contratar\u00e1 os servi\u00e7os de um laborat\u00f3rio por emerg\u00eancia (sem licita\u00e7\u00e3o). O processo deve ser conclu\u00eddo ainda esta semana.<\/p>\n<p>Na nota, a secretaria atribuiu parte dos problemas enfrentados a pend\u00eancias deixadas pelo governo anterior. &#8220;Somente na Sa\u00fade, a d\u00edvida deixada era de R$ 266 milh\u00f5es, com fornecedores e tamb\u00e9m com organiza\u00e7\u00f5es sociais. A prefeitura precisou fazer esfor\u00e7os para ajustar o or\u00e7amento a essa realidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo A crise que ronda os hospitais da prefeitura chegou tamb\u00e9m \u00e0s 117 cl\u00ednicas da fam\u00edlia. 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