{"id":4385,"date":"2017-11-06T12:27:16","date_gmt":"2017-11-06T12:27:16","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4385"},"modified":"2017-11-06T12:27:16","modified_gmt":"2017-11-06T12:27:16","slug":"stents-nao-aliviam-dor-cardiaca-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/11\/stents-nao-aliviam-dor-cardiaca-mostra-estudo\/","title":{"rendered":"Stents n\u00e3o aliviam dor card\u00edaca, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4386\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/stents-300x256.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"256\" \/>fonte: The NY Times<\/p>\n<p>Um procedimento usado para aliviar dores card\u00edacas em centenas de milhares de pacientes a cada ano na verdade \u00e9 in\u00fatil para muitos deles, reportaram pesquisadores na quarta-feira (1\u00ba).<\/p>\n<p>O estudo deles tem por foco a inser\u00e7\u00e3o de stents, pequenas gaiolas de arame usadas para manter abertas art\u00e9rias bloqueadas. O dispositivo pode salvar vidas quando usado para abrir as art\u00e9rias de um paciente que esteja sofrendo um ataque card\u00edaco.<\/p>\n<p>Mas costuma ser usado com mais frequ\u00eancia em pacientes que t\u00eam uma art\u00e9ria bloqueada e sofrem dores no peito, por exemplo ao subir escadas ou caminhar colina acima. Alguns pacientes recebem stents mesmo que n\u00e3o sofram dor alguma e estejam simplesmente apresentando bloqueio de art\u00e9rias.<\/p>\n<p>Doen\u00e7as card\u00edacas continuam a ser a principal causa de morte nos Estados Unidos \u2013790 mil pessoas sofrem ataques card\u00edacos a cada ano, no pa\u00eds\u2013, e stents s\u00e3o o tratamento principal em virtualmente todos os hospitais. Mais de 500 mil pacientes de doen\u00e7as card\u00edacas recebem stents a cada ano para aliviar dores no peito, no c\u00f4mputo mundial, de acordo com os pesquisadores. E h\u00e1 estimativas ainda mais altas.<\/p>\n<p>Diversas empresas \u2013entre as quais a Boston Scientific, Medtronic e Abbott Laboratories\u2013 vendem os dispositivos, e o procedimento de inser\u00e7\u00e3o custa entre US$ 11 mil e US$ 41 mil, nos hospitais dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O novo estudo, publicado pela revista m\u00e9dica brit\u00e2nica &#8220;Lancet&#8221;, atordoou os cardiologistas porque contraria d\u00e9cadas de experi\u00eancia cl\u00ednica. As constata\u00e7\u00f5es causam quest\u00f5es sobre se os stents deveriam ser usados com tanta frequ\u00eancia \u2013se \u00e9 que deveriam ser usados\u2014 para tratar dores no peito.<\/p>\n<p>&#8220;Para algu\u00e9m que usa stents profissionalmente, o estudo \u00e9 causa de reconsidera\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Brahmajee Nallamothu, cardiologista cir\u00fargico da Universidade do Michigan.<\/p>\n<p>William Boden, cardiologista e professor de medicina na Escola de Medicina da Universidade de Boston, classificou os resultados como &#8220;inacredit\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>David Maron, cardiologista da Universidade Stanford, elogiou o novo estudo como &#8220;muito bem conduzido&#8221;, mas disse que ele deixava algumas quest\u00f5es sem resposta. Os participantes sofriam de bloqueios profundos mas apenas em uma art\u00e9ria, ele apontou, e foram avaliados depois de apenas seis semanas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sabemos se as conclus\u00f5es se aplicam a pessoas com doen\u00e7as mais severas&#8221;, disse Maron. &#8220;E n\u00e3o se sabemos se as conclus\u00f5es se aplicam a um per\u00edodo de observa\u00e7\u00e3o mais longo&#8221;.<\/p>\n<p>Para o estudo, Justin Davies, cardiologista do Imperial College de Londres, e seus colegas recrutaram 200 pacientes que sofriam bloqueio profundo em uma art\u00e9ria e dores no peito severas o bastante para limitar sua atividade f\u00edsica &#8211; duas raz\u00f5es comuns para o uso de um stent.<\/p>\n<p>Os participantes foram tratados durante seis semanas com rem\u00e9dios que reduzem o risco de ataques card\u00edacos, como a aspirina, al\u00e9m de uma estatina e de um rem\u00e9dio para press\u00e3o, bem como medicamentos que aliviam as dores no peito ao desacelerar o cora\u00e7\u00e3o ou abrir vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>Em seguida, os pacientes passaram por um procedimento cir\u00fargico, real ou simulado, de inser\u00e7\u00e3o de stent. Esse \u00e9 um dos poucos estudos de cardiologia no qual um procedimento simulado foi usado em pacientes do grupo de controle, para posterior compara\u00e7\u00e3o com pacientes que receberam o tratamento real.<\/p>\n<p>Nos dois grupos, os m\u00e9dicos usavam um cateter inserido na virilha ou pulso do paciente e, com orienta\u00e7\u00e3o por raio-X, posicionavam o cateter na art\u00e9ria bloqueada. Quando o cateter chegava ao bloqueio, o m\u00e9dico inseria o stent ou, no caso dos pacientes do grupo de controle, simplesmente removia o cateter sem inserir o dispositivo.<\/p>\n<p>Nem os pacientes e nem os pesquisadores que os avaliaram posteriormente estavam informados sobre quem havia e quem n\u00e3o havia recebido o stent. Os dois grupos de pacientes seguiram os procedimentos para esse tipo de interven\u00e7\u00e3o, e receberam medicamentos fortes para impedir co\u00e1gulos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>Os stents fizeram o que era esperado deles, nos pacientes que os receberam. O fluxo de sangue pela art\u00e9ria at\u00e9 ent\u00e3o bloqueada melhorou consideravelmente.<\/p>\n<p>Quando os pesquisadores testaram os pacientes seis semanas mais tarde, os dois grupos declararam sentir menos dores no peito, e se sa\u00edram melhor nos testes de esteira rolante do que havia sido o caso antes do procedimento.<\/p>\n<p>Os pesquisadores constataram, al\u00e9m disso, que n\u00e3o existia diferen\u00e7a real entre os pacientes. Os que passaram pelo procedimento simulado se sa\u00edram t\u00e3o bem quando aqueles que receberam stents.<\/p>\n<p>Cardiologistas dizem que um dos motivos pode ser que a aterosclerose afeta muitos vasos sangu\u00edneos, e aplicar um stent apenas ao maior dos bloqueios pode n\u00e3o fazer grande diferen\u00e7a quanto ao desconforto sentido pelo paciente. As pessoas que reportaram que se sentiam melhor podem estar apenas desfrutando do efeito placebo do procedimento.<\/p>\n<p>&#8220;Todas as diretrizes cardiol\u00f3gicas devem ser revisadas&#8221;, afirmaram David Brown, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, e a Rita Redberg, da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Francisco, em um editorial publicado em companhia do novo estudo.<\/p>\n<p>As diretrizes cl\u00ednicas em uso nos Estados Unidos afirmam que o uso de stents \u00e9 apropriado para pacientes com art\u00e9rias bloqueadas e dores no peito que tenham tentado a melhor terapia m\u00e9dica dispon\u00edvel, o que significa rem\u00e9dios como os aplicados aos pacientes do estudo.<\/p>\n<p>No entanto, essas diretrizes se baseiam em estudos nos quais os pacientes simplesmente declararam que se sentiam melhor depois da inser\u00e7\u00e3o dos stents.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 impressionante at\u00e9 que ponto o estudo \u00e9 negativo&#8221;, disse Redberg sobre o novo trabalho. Porque os procedimentos acarretam certos riscos, entre os quais risco de morte, os stents s\u00f3 deveriam ser usados para pessoas que est\u00e3o sofrendo um ataque card\u00edaco, ela disse.<\/p>\n<p>Os stents entraram em uso generalizado nos anos 90 e se tornaram o tratamento preferencial porque s\u00e3o menos invasivos que uma cirurgia de ponte de safena. Mas sua efetividade vem sendo questionada h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Um grande estudo conduzido com verbas do governo federal dos Estados Unidos e codirigido por Maron, mas que n\u00e3o conta com um grupo de controle de pacientes sem tratamento, est\u00e1 em curso no momento para determinar se a medica\u00e7\u00e3o pode ser t\u00e3o efetiva quanto os stents e pontes de safena para prevenir ataques card\u00edacos.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o, disseram pesquisadores, pode estar no fato de que a aterosclerose \u00e9 uma doen\u00e7a difusa. Algumas poucas art\u00e9rias podem estar bloqueadas, e ser reabertas com stents. Mas amanh\u00e3 um novo bloqueio surgir\u00e1 em outra art\u00e9ria, o que pode causar um ataque card\u00edaco.<\/p>\n<p>Aliviar as dores no peito, no entanto, parecia ser objetivo diferente, para muitos cardiologistas. Afinal, o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um m\u00fasculo e, se for privado de sangue, doer\u00e1.<\/p>\n<p>Muitos pacientes t\u00eam art\u00e9rias coron\u00e1rias com bloqueios da ordem de 80% ou 90%, e certamente reabrir esses vasos faria com que os pacientes se sentissem melhor.<\/p>\n<p>A ideia de que os stents aliviam a dor no peito est\u00e1 t\u00e3o enraizada que alguns especialistas dizem antecipar que a maioria dos m\u00e9dicos continue a us\u00e1-los, arrazoando que os resultados anunciados se baseiam em apenas um estudo.<\/p>\n<p>Mesmo Davies hesitou em dizer que pacientes como os que ele testou n\u00e3o deveriam receber stents. &#8220;Alguns deles n\u00e3o querem usar rem\u00e9dios, ou n\u00e3o os aceitam bem&#8221;, ele disse.<\/p>\n<p>Os stents s\u00e3o t\u00e3o aceitos que os cardiologistas norte-americanos se declararam espantados por o conselho de \u00e9tica ter concordado quanto a um estudo no qual o grupo de controle recebe tratamento simulado.<br \/>\nMas no Reino Unido, disse Davies, n\u00e3o foi t\u00e3o dif\u00edcil obter aprova\u00e7\u00e3o para o estudo. E o mesmo se aplica a obter pacientes.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muitas pessoas abertas a pesquisas, e se voc\u00ea lhes diz que est\u00e1 estudando uma quest\u00e3o, elas aceitam fazer parte&#8221;, disse o pesquisador. Mesmo assim, encontrar pacientes para seu estudo levou tr\u00eas anos e meio.<br \/>\nOs conselhos de \u00e9tica de hospitais norte-americanos provavelmente resistiriam \u00e0 ideia, porque realizar procedimentos simulados nos pacientes &#8220;viola diretamente as diretrizes&#8221;, disse Boden.<\/p>\n<p>O efeito placebo pode ser surpreendentemente poderoso&#8221;, disse Neal Dickert Jr., cardiologista e especialista em \u00e9tica m\u00e9dica na Universidade Emory.<\/p>\n<p>Alguns anos atr\u00e1s, por insist\u00eancia da Food and Drug Administration (FDA), a ag\u00eancia norte-americana de fiscaliza\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o de alimentos e rem\u00e9dios, pesquisadores conduziram um estudo de um procedimento invasivo para tratar a press\u00e3o sangu\u00ednea alta. O grupo de controle recebeu tratamento simulado.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo estava se tornando popular na Europa, mas o estudo constatou que a press\u00e3o havia ca\u00eddo de maneira semelhante nos pacientes que receberam o falso tratamento.<\/p>\n<p>Dickert disse esperar que o novo estudo sobre stents demonstre que os cardiologistas devem conduzir mais experimentos com procedimentos simulados.<\/p>\n<p>&#8220;Esse momento pode se provar importante&#8221;, ele disse.<\/p>\n<p>Mas adotar essa pr\u00e1tica nos Estados Unidos pode ser dif\u00edcil. Os conselhos de \u00e9tica dos hospitais e universidades provavelmente resistir\u00e3o, e o mesmo se aplica aos pacientes.<\/p>\n<p>&#8220;A decis\u00e3o n\u00e3o cabe s\u00f3 a n\u00f3s&#8221;, disse David Goff, diretor de ci\u00eancias cardiovasculares no National Heart, Lung and Blood Institute.<\/p>\n<p>Ainda assim, os resultados da nova pesquisa levaram pelo menos um cardiologista a reconsiderar suas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Nallamothu leu com anteced\u00eancia o novo estudo, na ter\u00e7a-feira. Por coincid\u00eancia, ele tinha marcado hora para inserir o stent em um paciente, Jim Stevens, 54, advogado em Troy, Michigan, naquele dia.<br \/>\nStevens tem uma art\u00e9ria bloqueada, mas o artigo fez com que o Nallamothu reconsiderasse. &#8220;Eu o tirei da mesa de opera\u00e7\u00e3o&#8221;, disse o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Nallamothu explicou a Stevens e \u00e0 mulher dele que o stent n\u00e3o era necess\u00e1rio. &#8220;Fiquei surpreso&#8221;, disse Stevens. &#8220;Mas me sinto melhor por n\u00e3o precisar disso&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: The NY Times Um procedimento usado para aliviar dores card\u00edacas em centenas de milhares de pacientes a cada ano [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-4385","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4385"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4385\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4387,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4385\/revisions\/4387"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}